N-não É Como Se Eu Te Amasse, Baaka!
15 Kira Kira Ending
Notas iniciais
Os dias começaram a passar calmos em seguida, para tranquilidade de ambos. Rodrigo começara suas aulas na faculdade e passava a maior parte do dia estudando, levando bronca de seus professores por seus trejeitos otaquescos e esforçando-se para decorar todos os hiraganas e katakanas. Não era o mar de rosas que esperava, mas mesmo assim se divertia. Sentia que evoluía como pessoa e podia até se dar ao luxo de imaginar um futuro ao lado do amado.
As preocupações por conta do envolvimento de Wesley com garotas não haviam desaparecido completamente de sua mente, mas ao menos agora tinha certeza que seu coração seria apenas seu e se esforçaria para que fosse assim também com seu corpo, embora apenas pudesse contar com seu bom senso, no qual não tinha certeza de poder confiar tanto.
Mesmo assim ficava mais confortável nos dias em que estavam juntos. Já conseguia abraçá-lo por períodos de tempo maiores sem que reclamasse ou parecesse desconfortavelmente envergonhado. Ganhava até mesmo algumas pequenas demonstrações de carinho: um afago de cabelo aqui e ali, um beijo acolá, embora esse último por vezes acarretasse em “passadas de mão” por conta do maior, provavelmente ainda muito inseguro para demonstrar apenas amor, sem haver um ato sexual. Ou talvez ele realmente sentisse muita vontade, nunca estava muito certo do motivo exato.
Por vezes se pegava devaneando nas aulas, imaginando-se já empregado, fazendo algo que realmente amasse, um salário bom o bastante para ao menos alugar um apartamento. Poderia tirar o loiro do lugar onde morava, mais ainda, sonhava em convencê-lo a morarem juntos, mesmo tendo certeza que seria uma tarefa difícil e cansativa, por incontáveis motivos.
Ainda assim sonhava com o dia em que teria dinheiro o bastante para poder bancar a casa, talvez até mesmo ajudar o outro a fazer uma faculdade para que no futuro também possuísse um emprego melhor. Oh, sim! Ele o ajudara a ser uma pessoa melhor, então nada mais justo do que fazer o mesmo pelo amado, certamente muitas portas mais se abririam e duvidava de todo o coração que ele quisesse passar a vida toda trabalhando como sushiman numa temakeria. Por divertido que pudesse ser, não era assim tão lucrativo e precisavam pensar em seus futuros!
Aposentadoria, uma casa própria num lugar melhor e mesmo dinheiro para despesas básicas e alguma diversão eventual. Mesmo os ingressos de cinema não paravam de aumentar e não gostaria de viver uma vida sem essas pequenas mordomias. Sabia estar pensando muito à frente, mas simplesmente não conseguia se conter quando ficava animado daquela forma.
Possuía um futuro todo pela frente graças ao incentivo de Wesley e não deixaria que ele fosse desperdiçado.
Mesmo em casa se pegava criando diversos planos de como o convenceria, falando isso ou aquilo, esperando uma situação em que estivesse mais disposto ou talvez inserindo o assunto aos poucos, para que se acostumasse com a ideia. Definitivamente parecia mais espero do que chegar de surpresa e pegá-lo desprevenido, pois ai sim ele certamente negaria, embora tivesse quase certeza que ele negaria de qualquer forma.
Sentados no sofá, mexendo na internet e rindo de imagens estúpidas e engraçadas, Rodrigo esqueceu de descer a barra de rolagem do computador, tendo a atenção chamada pelo outro, cutucando dentro de sua orelha.
— Ei, cê tá ouvindo?
— Hmm? – O menor riu e afastou a mão de si, pensando como poucas vezes tivera intimidade de fazer algo com tão idiota com outra pessoa.
— Porra, cê não anda mais falando com a Nessa não? — Wesley resmungou, finalmente afastando o dedo de seu ouvido, limpando-o na camiseta do outro rapaz. — Vira e mexe ela fica me enchendo o saco e perguntando "Como o Rodrigo tá? O moleque sumiu, mememe, mimimi, ele não conta mais nada"!
— Ah, a Nessa – tentou empurrá-lo ao sentir o abuso do dedo em sua camisa, mas fora tarde demais, apenas fez um pequeno bico. – Acho que eu acabei me distraindo com os estudos e nem falei com ela direito – suspirou. – Vou dar uma ligada depois. Como ela está?
— Ela tá bem, a piriguete finalmente conseguiu um namorado, olha só! E mesmo assim a filha da puta continua enchendo o meu saco! "Faz o trabalho direito, seu estúpido!" — Não se cansava de remedá-la, com uma expressão de desagrado. — Fica toda hora perguntando quando a gente vai casar também. Cacete, nunca vi bicha casando.
O moreno precisava alternar entre rir e se constranger, algo que apenas Wesley possuía a capacidade de proporcioná-lo. Precisou de ainda alguns instantes para se recompor e conseguir voltar à conversa, especialmente por tocar justamente num assunto tão delicado no qual pensava por tanto tempo. Ah, Nessa, sempre atingindo-o em cheio.
— Você sabia que alguns países permitem o casamento de pessoas do mesmo sexo? – Resumiu-se a perguntar aquilo, e já fora o bastante para fazer seu coração quase sair pela boca de tanto medo pela resposta do outro.
— Porra, cara, eu nunca pensei na minha vida que ia casar, nem com mulher, imagina com um homem pintudo então!
Rodrigo provavelmente teria ficado muito mais chateado não fosse a forma escrachada do loiro falar. Conteve-se a um pequeno suspiro desanimado, voltando a descer a barra de rolagem do computador.
— Nem juntar os trapinhos? – Decidiu também brincar.
— Tu já quer isso?! Sossega o seu cu, moleque, cê mal saiu das fraldas — o outro rapaz riu. — Que pergunta tosca, Eu tô aqui quase toda hora também, nem faz muita diferença.
— Desculpa se não consigo evitar ficar pensando nessas coisas – soltou em meio a pequenos resmungos que mais pareciam charme do que qualquer outra coisa. Por fim, acabou sorrindo, inclinando-se mais contra o outro, apoiando o rosto em seu ombro, um gesto que simplesmente não condizia com suas ações até então.
Wesley nunca sabia ao certo como reagir quando o outro rapaz começava a agir de modo mais carinhoso. O seu primeiro instinto era fugir, mas tinha plena noção de que isso magoaria o menor. Tentava então ficar apenas calado, sem se mexer, mas o silêncio só parecia demonstrar cada vez mais o seu constrangimento. Por fim, saía repentinamente da posição e se jogava contra o outro rapaz, perturbando-o de algum modo.
— Aaah, o computador! – O moreno gritou desesperado, temendo por um de seus mais amados objetos pessoais, segurando-o com ambas as mãos antes que fosse ao chão, ainda rindo das ações impensadas do namorado. – Seu doido!
— Que foi? Tá com medo de perder seus desenhos cheios de putaria aí?
— Sim – respondeu diretamente, usando uma das mãos para apertar o nariz do outro, voltando a se acomodar ao seu lado.
Wesley podia ser um doido, sem noção, boca suja e bruto, mas ainda assim o amava. Mesmo que não vivessem o futuro ideal de um casal, estaria feliz e satisfeito o bastante caso pudessem ao menos continuar juntos daquela forma, sempre um ao lado do outro.
Enquanto pensava nisso, tivera novamente a linha de pensamento cortada:
— Por quanto tempo cê vai ficar olhando pro Naturo, Rodriboy? – Divertia-se ao vê-lo resmungar e afastar sua mão para longe.
— Eu só me distraí – encolheu-se um tanto, constrangido por ser pego no flagra enquanto fantasiava com uma vida a dois.
Provavelmente seria chamado de mocinha e afins caso fosse sincero quanto à sua distração, mas não era hora para isso, não ainda. Ao descer mais a página, deparou-se com uma página que começava a reclamar sobre fãs de animes. Como eram estúpidos e sempre reclamavam de coisas absurdas, assim como não possuíam senso algum.
— Olha só os seus amigos reclamando — brincou apenas parcialmente, fitando-o.
— Meus cumpadi nem liga pra essas coisas não, cara. Lembra que eu nem sabia dos seus gibizinhos? — Wesley comentou, realmente não entendendo aquele tipo de piada, mas não podia negar que aquelas acusações se encaixavam com o modo como Rodrigo se comportava no começo. — Como a gente vai falar mal de uma coisa que não conhece?
O moreno então franziu as sobrancelhas, virando-se mais em sua direção.
— Mas, se não são vocês, então quem é que fica reclamando?
A pergunta simplesmente pairou no ar.
Notas finais
Enfim, aqui termina a história dos nossos queridinhos. ♥ Esperam que tenham gostado de ler tanto quanto gostamos de escrever, pois, acreditem, foi mesmo muito divertido!
Eu relutei muito em terminar essa história, ela cresceu rapidamente em mim embora inicialmente eu não tenha levado as coisas muito a sério. Achei engraçado como algo que foi feito como crítica acabou ganhando tantos fãs, mas não deixa de ser adorável.
Obrigada!
[Kurama-Chan]: Desculpe pelo atraso, no momento iremos nos concentrar em terminar Kinjirareta Fukushuu, assim como a produção de uma história completamente nova. Surpresas aguardam vocês~ Obrigada!
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