– Bom dia, oteucu, hora de acordar.

Quando Rodrigo abriu novamente os olhos, já era de manhã. O cansaço devia tê-lo feito pegar facilmente no sono. Para a sua surpresa, deparou-se com o loiro fitando-o, com um sorriso insinuante no rosto, como se pudesse fazer algum tipo de brincadeira caso ele demorasse para se levantar.

E, talvez por contra da imensa sonolência, de fato, demorou para levantar. Estava tão cansado que seus olhos pareciam grudar, não era mesmo do tipo que acordava cedo, embora precisasse.

– Acorda pra cuspir, rapaz. Vamos lá! Aposto que até sua piroca tá mais acordada que você! — E então repentinamente abaixou a sua cueca, rindo e saindo correndo dele.

– E-ei! — ele sentou correndo na cama, assustado por sua ação.

Ao olhar para baixo entendeu o motivo dos olhares e da brincadeira, acordara com o pênis ereto.

Ah, não poderia ter uma forma mais vergonhosa de acordar, definitivamente. Apenas se vestiu e foi para o banheiro, esperando que melhorasse após urinar.

Fora isso, escolhera ignorar as demais implicâncias do loiro, assim como deixar metade dos mangás trazidos em seu quarto. Era uma forma de forçá-lo a ler, sem contar que não gostaria de carregar todo aquele peso de volta consigo.



Os dias se passaram sem demais problemas, apenas as brincadeiras de sempre.

O clima entre os dois começava a melhorar pouco a pouco, o que era mesmo um grande alívio.

– E aí, Rodrigo — o jovem se debruçou no balcão enquanto preparava um temaki, desta vez para ele mesmo comer. — Já que cê ta me forçando a ler seus bagulhos aí, eu estive pensando em te forçar também.

– Me forçar? — ele já comia seu próprio cone, perguntando meio de boca cheia, não compreendendo o que queria dizer.

– Cê vai num baile funk comigo!

Ah, provavelmente aquilo deve ter soado pior que um Apocalipse Zumbi aos ouvidos do outro rapaz.

Naquele momento, o temaki quase caiu de sua mão.

Nem mesmo a jovem no caixa conseguiu evitar, começando a rir descontroladamente. Era muita sorte mesmo a praça de alimentação estar mais vazia naquele horário.

– Eu, num baile funk?! — a tonalidade elevada do moreno demonstrava o quão abismado estava com aquilo.

– Isso mesmo! — O rapaz riu alto, dando alguns tapinhas em suas costas, ainda sorrindo. — Cê pode até acabar descabelando o palhaço lá. Nem pense em negar, cê vai comigo.

– M-mas — realmente, queria negar.

Seria um desastre. Era o tipo de música que mais detestava, no meio do morro, num lugar fechado e cheio de pessoas com pouquíssima roupa, possivelmente fedendo a suor, fazendo todo o tipo de coisa sexual pelos cantos. Provavelmente passaria a noite isolado num canto, isso se tivesse a sorte de não ser roubado ou espancado no processo, é claro.

Apenas ergueu o rosto na direção do agora amigo numa expressão que perguntava "você me odeia tanto assim"?

– Eu te arrumo e cê vai ficar perfeito pro pancadão — o seu sorriso se alargou.

Provavelmente não estava pensando em nada tão drástico quanto o outro, apenas em como aquilo poderia ser divertido com os dois juntos, dançando.

Rodrigo passou o resto do dia perturbado com a possibilidade do que aconteceria quando saíssem do trabalho.

"Eu vou morrer, acho que vou morrer. É possível que eu morra, não é?" Essas dúvidas ecoavam em sua mente sem parar, mesmo enquanto se trocava no pequeno banheiro masculino do restaurante, perturbado com a ideia.

– Rodrigo, coloca esse boné aqui! — Colocou sobre a sua cabeça assim que o rapaz saíra do vestiário, notando como estava o seu visual. Também adicionou óculos escuros com lentes coloridas e uma roupa um tanto solta, até demais. Pois a sua bermuda teimava em cair a todo momento, quase deixando suas roupas de baixo à vista de qualquer um.

– Você planejou isso desde o início, né? — suspirou, embora quisesse grunhir. Por sorte não trouxera muita coisa consigo desta vez, embora ainda tivesse levado um de seus mangás para ler durante o almoço.

– Sim, enquanto tava lendo suas mangas — disse fora da acentuação desejada pelo outro rapaz. Mas ao menos não os estava chamando mais de gibis, não é?

Àquela altura o moreno já parecia ter desistido de corrigi-lo tanto quanto fazia antes, parecia ter-se cansado de discussões intensas sem sentido. Além do quê, começava a considerá-lo realmente um bom amigo, não havendo mais motivos para ser implicante como antes.

– Eu só quero ver o que você vai aprontar — colocou a mochila quase vazia nas costas e o acompanhou até o ponto de ônibus, como havia virado costume de ambos nas semanas passadas.

– Não tem problema aprontar de vez em quando — ele cutucou as costelas do outro rapaz, rindo um tanto. — Cê tem que deixar de ser tão sério assim — e então ele ligou novamente o seu celular com aquela música alta. A mesma que teria que se preparar para ouvir em um tom muito mais estonteante e alto do que aquele.

– Eu não sou sério! — resmungou, olhando-o ao sentar a seu lado. — Eu tenho uma coisa pra você, aliás. Eu sempre quis fazer isso quando via pessoas ouvindo esse tipo de música no ônibus, mas nunca tive coragem — revirou dentro da mochila até encontrar pequenos fones de ouvido internos.

Demorou alguns bons minutos até conseguir desenrolá-los, mas, tão logo o fez, entregou ao outro rapaz.

– Que que tem isso? — Ele pegou o fone e o fitou por alguns momentos, não sabendo ao certo o que fazer. — Cê quer que eu coloque no celular?

– Sim — arqueou uma sobrancelha, não acreditando que recebera aquela pergunta. — É pra isso que eles servem.

– Mas aí eu vou ouvir sozinho.

Ele provavelmente achava que os outros não viam problema em ouvir a mesma música que ele, já que ninguém reclamava.

– Por isso mesmo — emburrou-se um tanto. — Se as pessoas quisessem ouvir música, elas mesmas teriam trazido! — soltou um longo suspiro. — Mas se você faz taaanta questão assim, posso ouvir com você — deu de ombros.

A verdade era que, desde a noite em que assistiram o filme pornô, tinha dificuldades em tirá-lo da cabeça. Lembrava-se sempre de vê-lo se masturbando sensualmente e com tanta vontade. Isso somado aos atos gentis que sempre tinha consigo apenas começavam a fazer seu coração se apertar cada vez mais.

Era confuso e dolorido, mas finalmente havia admitido, embora apenas para si mesmo, estar apaixonado pelo outro rapaz. E aproveitaria qualquer pequena oportunidade para ficar perto do mesmo.

Wesley já começava a enfiar o fone de ouvido sem delicadeza alguma na direção de sua orelha, fazendo-o ouvir a música em um tom ainda mais alto do que somente no ambiente externo.

– Bom que cê acostuma. Vai ser assim a noite toda.

– Ah, tá alto demais! — ele falou quase gritando, provavelmente por não conseguir se ouvir direito. Também afastara um tanto o objeto para fora da orelha, resmungando.

"Espero que você não enfie seu pinto nas 'novinhas' com essa brutalidade toda, ou vai rasgar elas", foi o que pensou, mas não conseguiu fazer a brincadeira. Não se sentia à vontade para falar coisas relacionadas a sexo para o loiro, por motivos óbvios.

– Tamo chegando, tamo chegando! — Ele repentinamente se levantou, esquecendo-se de que estava com o fone de ouvido, fazendo-o cair. Somente percebeu quando ambos quase se enroscaram. — Viu, esses fiozinhos seus só dão trabalho!

– Porra! — esbravejou ao sentir sua orelha quase ser arrancada, apressando-se em levantar, caminhando em sua direção. — É só porque você esqueceu que eu tava com um deles — tirou de uma vez o fone e entregou de volta para ele, olhando onde estavam.

Era bem perto da casa de Wesley, pelo que se lembrava do caminho. Ao segui-lo, deparou-se com algo semelhante a uma casa de shows, mas muito mais simples, podendo-se notar que a manutenção não era feita corretamente há muito tempo. Abriu um sorriso nervoso, o canto dos lábios chegando a sofrer um pequeno espasmo. Por um minuto se esquecera de como sua segurança estava em risco, agora parecia lembrar.

– Para de falar coisa japa que ninguém vai saber que cê é um nerdão, combinado? — Ele deu um tapa próximo às nádegas do rapaz, empurrando-o para frente, enquanto pagava a entrada dos dois para que pudessem participar. Não era nada tão absurdamente caro. Na verdade, era barato até demais.

O ambiente interno do local era um tanto espaçoso, dando a impressão de ser um ginásio antigo de escola, abandonado por falta de verba. Como ainda era relativamente cedo, ainda não estava lotado e podiam andar tranquilamente.

Por um momento ele sentiu-se irritado por precisar fingir ser outra pessoa. Mas que absurdo! Ele certamente era muito melhor que todos ali, talvez com a exceção de Wesley, eles que deveriam parar de falar como um bando de maloqueiros!

Mas os pensamentos foram banidos de sua mente ao receber o tapa tão perto de uma região considerada como zona erógena, um arrepio intenso percorrendo-lhe todo o corpo com isso.

– T-tá bom — resmungou, sem graça. — Mas eu não sei porque você me trouxe aqui, eu nem sei dançar!

– Não é você que precisa dançar, são as novinhas. Cê só fica se mexendo que nem uma babaca e elas já adoram — e ele então começou a simular o que disse, e em questão de minutos, já havia surgido duas garotas de micro-shorts começando a rebolar perto dele.

Rodrigo pensou que aquilo provavelmente se devia à sua aparência e popularidade, não como dançava, mas já era tarde demais para dizê-lo.

Estava perdido.

Preocupara-se tanto com sua segurança naquele local que esquecera completamente de algo muito mais frustrante e que seria certeza: uma quantidade absurda de garotas rodeando o jovem sem deixá-lo ficar um instante a sós com o mesmo.

Enfiou as mãos nos bolsos e remsungou baixo, sentindo-se desmotivado.

– Eu não consigo fazer isso! — na verdade, nem fazia questão de conseguir.

– Consegue sim!

E então ele sussurrou algo na orelha de uma das garotas que deu uma leve risada e começou a se aproximar de Rodrigo, ainda dançando um tanto, não aparentando se importar em esfregar os seios em seu corpo, puxando-o para si. A poucos metros de distância, Wesley dava um sinal de positivo para ele, sorrindo.

Ah, aquilo era mesmo constrangedor, sequer sabia como reagir.

Sabia que os seios de uma mulher se pressionando contra seu corpo deviam lhe causar sensações intensas de excitação, mas apenas conseguia ficar constrangido e perguntar-se como ela conseguia fazê-lo com alguém que sequer conhecia.

Por via das dúvidas apenas para não deixar o amigo, e a si mesmo, numa situação desconfortável, imitou seu sinal de positivo e tentou se mover como ele, embora se sentisse um verdadeiro idiota enquanto o fazia.

Aquele não era seu lugar, definitivamente.

Wesley ficou mais tranquilo ao ver que o rapaz parecia bem, apesar do constrangimento, acreditando que tinha feito uma boa ação ao ajudá-lo a encontrar uma moça disponível.

Provavelmente Rodrigo começava a notar agora o modo como as mãos do outro rapaz pareciam deslizar habilmente pela jovem, contornando as laterais de seu busto e alcançando a cintura, mantendo o mesmo ritmo que ela. Aquilo era quase como fazer sexo de pé. Era o que sentia, apesar de nunca ter feito antes.

Ele também sabia que provavelmente não seria capaz de fazer o mesmo. Era uma moça bonita, apesar de muito distante de seus padrões de beleza, embora esses incluíssem apenas personagens bidimensionais.

Desviou os olhos para um dos lados e, com muito custo, conseguiu apoiar as mãos na cintura da jovem, de modo completamente desajeitado.

O local começava a lotar pouco a pouco, embora não os incomodasse o suficiente para que continuassem dançando com liberdade. A moça novamente notou a sua hesitação e riu um tanto.

– Não precisa ter medo, eu não dou choque, olha — e então colocou a mão do rapaz sobre o próprio peito, sorrindo.

– Ah! Ahaha, é, não dá — abriu o mesmo sorriso nervoso de antes, incapaz de mover as mãos, embora não conseguisse movê-las. Não tinha vontade de movê-las.

Conseguiu soltar apenas uma, levando-a novamente à cintura da jovem, embora agora tentasse segurá-la com um tanto mais de firmeza. Esperava que assim ela não as movesse por conta própria mais uma vez.

Sua atenção parecia dispersar para o loiro mais à frente, tocando e roçando o corpo contra o da garota com quem dançava e parecia apreciar imensamente a situação.

Mas claro. Wesley gostava de garotas, afinal, sabia disso desde o início.

– Tá começando a ter pegada agora, é? — A moça perguntou, ainda sorrindo, ao notar que estava sendo apertada com mais força.

Mas a sua voz parecia bem distante de onde realmente estava, pois o seu local de foco não era aquele, e sim onde o loiro estava. Ele parecia sussurrar na orelha daquela garota, e era aquela fala que gostaria de saber, não a da garota ao seu lado. Em poucos instantes, eles começaram a sair da parte de dança, indo a um local mais isolado.

O que estava acontecendo? Aquilo não podia ser bom. Seus olhos se estreitaram e os lábios retorceram ao imaginar o que poderia significar, e não era muito difícil.

– Hm? — sua atenção voltou à jovem quando a ouviu chamá-lo. — O que cê disse? — de fato, não parecia prestar atenção alguma nela, mesmo após o amigo ter se esforçado para arranjar-lhe uma companhia.

Mal podia saber ser a única companhia que o moreno poderia desejar.

– Quer dar um beijo em mim? — Ela mentiu, pois a sonoridade e os movimentos de seus lábios ao fazer aquela pergunta tinham sido completamente diferentes do anterior, mas isso não parecia importar tanto assim.

Uma pergunta daquele tipo era o bastante para deixá-lo constrangido, mesmo vindo de uma mulher que nunca vira antes e por quem não tinha o menor interesse.

Era a primeira vez que alguém, quem fosse, praticamente se oferecia para algo daquele tipo, fazendo seu coração disparar. Estava tão nervoso que sequer conseguira respondê-la, apenas entreabrindo e fechando os lábios estupidamente, como um peixe.

– Para de fazer isso — ela apertou as suas bochechas com o indicador e o polegar, como se estivesse indicando para que mantivesse os lábios de uma forma menos bizarra, inclinando-se repentinamente sobre ele. Quando menos percebera, já havia uma língua se mexendo dentro de sua boca, sem razão alguma.

Então seu coração parou por um instante.

Deveria ser bom, deveria fazê-lo delirar. Deveria fazê-lo querer levar aquela mulher para um quartinho isolado e levar suas ações muito além de apenas um beijo, mas nada disso aconteceu.

Ele fez uma careta ao sentir a língua movendo-se em sua boca, uma sensação realmente estranha e desconfortável, para dizer o mínimo. Isso sem falar que não tinha noção de como controlar exatamente a saliva, molhando os contornos dos lábios da moça mais do que gostaria. Apenas desejava sumir dali, nada parecia dar certo, nada.

– Ah, cê nunca beijou antes?! — Fora a moça que decidira se afastar antes, limpando os cantos de seus lábios com os braços, não parecendo nada feliz, especialmente porque sua maquiagem corria o risco de borrar assim. — Eu queria te ajudar, mas cê não se ajuda!

– Me ajudar? — surpreendeu-se com aquilo, lembrando então que Wesley havia cochichado algo para ela antes que fosse em sua direção. Provavelmente pedira que lhe ensinasse esse tipo de coisa, já que sabia de sua situação. Não conseguiu evitar a expressão de desapontamento. — Não precisa — soltou-a aos poucos.

Não se importava em ficar com uma fama ruim, seu lugar não era ali, para começo de conversa. Nunca quisera beijar a tal mulher e sequer precisava de sua ajuda ou sua pena. Devia querer se divertir, da mesma forma que o amigo estaria agora, mas não. Ainda não entendia completamente o motivo, mas era imensamente desconfortável e forçado.

Ao entrar no banheiro, ele se deparou com alguns ruídos que de início poderiam passar despercebidos. Eles vinham provavelmente do outro lado da porta de uma das cabines. Aquilo só começara a chamar a atenção ao ouvir um gemido rouco que por algum motivo lhe lembrou de Wesley.

Sim, era muito familiar ao modo que havia soado, como no dia em que havia se masturbado. Ao olhar na direção da porta, notara que ela estava entreaberta. Ah, era uma chance para que pudesse espiar, ou ao menos ver de relance o que estava acontecendo. Só não sabia se deveria.

Respirou fundo e esforçou-se para deixar suas inseguranças de lado, aproximando-se sem fazer barulho e espiando pela porta.

A cena era mesmo incrível: Wesley estava sentado sobre o tampo, ainda vestido, enquanto a jovem movia-se apaixonadamente sobre seu falo, esforçando-se, sem sucesso, para manter os gemidos baixos. Parecia querer devorá-lo, especialmente pela forma como abocanhava-lhe o pescoço.

Rodrigo vira aquele tipo de coisa antes, nos vídeos pornôs que o loiro insistia em mostrar-lhe quando o visitava, como desculpa para que aprendesse algo, mas jamais pensara vê-lo ao vivo, especialmente com ele como personagem principal! Mordeu o lábio inferior, esperando que ninguém entrasse no banheiro naquele momento, pois já começava a sentir o sangue todo descer.

Após se cansarem daquela posição, Wesley habilmente a virou para o lado oposto e começou a também penetrá-la por trás, puxando o seu quadril de modo intenso, com a intenção de mantê-lo colado ao seu o máximo de tempo possível. Ainda rígido, o membro deslizava pelo interior da jovem de modo hábil, arrancando-lhe ainda mais gemidos, como se pudesse enlouquecer a qualquer momento. Mas não se focava no decote do vestido parcialmente abaixado, deixando um dos seios da moça à vista, e sim no pênis do rapaz, que entrava com vigor naquela região úmida e quente.

Aquilo era demais, definitivamente.

Entrou numa das cabines e pegou um grande pedaço de papel higiênico, da forma mais silenciosa que conseguia. Encostou-se na porta do banheiro, para que ninguém entrasse sem que ele soubesse, pegando-o se surpresa. Certificando-se de tudo aquilo, puxou o próprio membro para fora, começando a massageá-lo vigorosamente, apertando os lábios com força para não fazer nenhum ruído.

Ah, ela realmente parecia gostar daquilo, aquela putinha. Era o que pensava. Uma putinha de sorte. Um arrepio quente percorreu seu corpo ao imaginar como seria estar em seu lugar naquele momento, recebendo todas as carícias e provocações do rapaz. Não era como se o pensamento nunca tivesse passado remotamente por sua mente em todas as vezes que o vira se masturbar, mas aquilo ia muito além de um simples "serviço de mão". Era mais intenso e íntimo, assim como aparentemente muito mais delicioso, também.

A jovem começava a gemer e dizer diversas indecências, provavelmente algumas que sequer tinham passado pela mente de Rodrigo em toda a sua vida, principalmente saindo da boca de uma mulher, algo que era tão idealizado em sua mente. Wesley colocou um dos dedos em sua boca, recostando os lábios sobre a sua orelha.

– Sssshhh, aqui não é sua casa, alguém pode ouvir — ele deslizou a mão até um de seus seios, massageando-os.

– Então não pede pra eu dar aqui! — Ela resmungou em um tom tão gemido que parecia quase estar miando, contorcendo-se.

– Até parece que cê quer que eu pare...

– Isso, continua, continua....!

Provavelmente o diálogo deles não iria acabar tão cedo, pois pareciam estar se divertindo.

Ao menos ele e os gemidos de ambos eram altos o bastante para encobrir os pequenos gemidos abafados que o moreno fazia enquanto tentava se aliviar.

A sensação era diferente de quando o fazia apenas vendo o outro se aliviar por contra própria, apesar de tudo.

Era muito dolorido vê-lo fazendo aquele tipo de coisa com outra pessoa, como se seu coração pudesse despedaçar a qualquer instante. Sentiu algo molhado cair sobre a própria mão que massageava o falo, mas não era seu orgasmo, não ainda.

Tocou o rosto com o indicador e sentiu uma das bochechas úmida, pressionando mais os lábios um contra o outro. Sim, estava triste. Excitado e triste. Nunca sequer pensara ser possível ter as duas sensações ao mesmo tempo, o corpo humano era realmente impressionante. E sacana. Muito, muito sacana.

O último diálogo do outro lado terminou com a mulher gemendo ainda mais alto, provavelmente atingindo o orgasmo, seguido de barulhos também molhados. Wesley ainda não pareceu completamente satisfeito, mexendo-se algumas vezes em seu interior antes dele próprio parar, parecendo então finalmente aliviado, retirando aos poucos o membro de seu interior, sentando-se novamente sobre a privada, puxando o rolo de papel higiênico para se limpar, enquanto a mulher arrumava o vestido, tudo parecendo muito automático.

O silêncio tornou-se um tanto desesperador para o moreno que tentou entrar na cabine ao lado da forma mais discreta possível, fechando a porta e recostando-se numa das paredes. Mordia os lábios com vontade, assim como apertava os olhos e movia ambas as mãos velozmente sobre o falo. Chegava a ser um tanto dolorido, mas precisava se aliviar logo, não gostaria de ser visto naquela situação.

Apenas suspirou mais profundamente ao atingir o orgasmo, também se limpando, ofegando um tanto.

Agora precisava se concentrar em não emitir nenhum ruído de choro, em vez de prazer.

Conseguia ouvir os dois conversando ao lado, sentando-se no tampo do vaso e pondo os pés para cima, a fim de se esconder. Sentia-se um verdadeiro idiota, agora começando a acreditar realmente ser.

– Seu idiota, a minha calcinha caiu no chão! Agora eu vou ter que andar sem calcinha por aí! — A mulher do outro lado continuava a resmungar em voz alta.

E o que ouviu a seguir foi um barulho de tapa, provavelmente em um dos braços dele.

– Para de achar graça e me olhar com essa cara, não é você que vai sair assim!

De fato, o moreno também acharia graça se fosse outro tipo de situação, mas não essa.

Arrumou as roupas e afundou o rosto entre os joelhos, abraçando-os. Esperava que aquilo fosse o bastante para abafar seu choro, embora se esforçasse para que ele saísse baixo.

Talvez se tivesse nascido mulher, tivesse alguma chance com o rapaz, foi o pensamento que passou voando por sua mente naquele instante.

– Ah, vai se foder, para de rir! — E a mulher perdeu então a paciência, abrindo a porta com tudo e saindo do local, não sem antes arrumar o cabelo no espelho e notar como estava. Talvez tivesse problemas estando sem calcinha com um vestido tão curto, talvez não.

O que importava era que Wesley se encontrava sozinho naquele exato momento. Ainda não havia saído de lá.

Por isso mesmo Rodrigo não se atrevia a sair.

Tinha medo de ser visto caso o fizesse, teria sérios problemas. Como iria explicar que ficara lá e ouvira tudo o que acontecera entre os dois? E não estar mais com a garota que lhe fora "dada"? Eram perguntas que certamente gostaria de evitar, por serem constrangedoras e complicadas demais de se responder.

A porta abrira novamente, dessa vez com o rapaz se espreguiçando e indo em direção à pia do local, lavando as mãos. Passou em seguida as mãos pelo rosto, também o umedecendo, como se estivesse tentando se limpar do suor. Jurou ter ouvido algum barulho e se virou, mas ao não encontrar nada, resumiu-se à sua atividade anterior, indo aos poucos na direção da saído do local.

Era um idiota.

Um grande, imenso, do tamanho da Terra, idiota.

Ao ouvir a porta do banheiro se fechar, deixou que o pranto rolasse completamente, assim como os ruídos de tristeza até então aprisionados em sua garganta.

Era triste demais, doloroso demais. Ninguém nunca o dissera que gostar de alguém poderia ser complicado assim! Afinal, nos animes que assistia e mangás que lia, era sempre fácil. Você ia em frente, seguia seu coração e pronto, tinha a pessoa amada ao seu lado para sempre! Claro, também era preciso uma grande quantidade de sacrifício, mas havia sempre um final feliz. E para ele? Quem lhe garantiria seu final feliz?

Pensar naquele tipo de coisa começava a deixá-lo deprimido, o rosto afundando-se mais e mais entre as pernas.

Notas finais
Eis aqui mais um capítulo, gente! ♥
Espero que gostem e se divirtam lendo tanto quando nos divertimos escrevendo~~
Ah, sim, a partir de agora as coisas vão se tornar um pouco mais "feels", embora ainda tenha toques de comédia.
ohbrigara!
Obrigada também à noss beta Megane, que não tem conta no Nyah~
~Yuu-Chan-Br