Número 002
10 O cavaleiro da Noite.
Ajudei Gai até em casa, entrei na casa em que vivia com ele e gritei por Laura e W. Eles sem demora estavam na porta olhando a cena. Gai apoiando em mim e perdendo muito sangue. Olhei para Laura com cara de ‘depois explico’ e ela pareceu entender, sem demora correu até mim e me ajudou a levar Gai pro quarto. Enquanto subia, olhei para W.
– Eu vou precisar de água quente e bandagens!
– É... Ok! – W respondeu meio confuso.
Eu sabia, ele sabia, todos já sabiam, era fácil perceber, eu estava mais autoritário, um poder de rei realmente exalava de mim, e mesmo que eu quisesse controlar não conseguia.
Entrei com Laura no quarto e rapidamente, deitamos Gai sobre a cama. Olhei para ele que estava começando perder a consciência.
– Nada de dormir... Não agora! – Eu disse sério.
Gai apenas sorriu do seu jeito mais natural.
– Cadê o W? – Perguntei começando a me irritar.
Corri até uma gaveta e comecei a mexer nas coisas de Gai, encontrei uma faca pequena e voltei até Gai.
– Akise... – Laura começou.
– Eu sei o que estou fazendo! – Eu respondi seco.
Então coloquei a faca na gola da camiseta de Gai e puxei para baixo, abrindo a mesma. Olhei para o machucado que a faca havia feito em Gai. Não estava nada interessante. Estava começando a amarelar e infeccionar. Não havia muito tempo, mas a ferida parecia velha.
– Porra, W! – Eu gritei sério esperando que ele me ouvisse.
– Aqui... – W respondeu meio sério, meio assustado.
– Já era sem tempo. Ande, eu preciso de álcool. Acho que vi nas coisas de Gai, rápido. – Eu disse enquanto molhava um pano na água quente e começava a limpar a ferida de Gai. Ele gemeu e segurou meu pulso. – Não banque a criancinha assustada com medo do médico, Gai. – Então eu ri tentando aliviar a tensão.
– Akise, aqui! – Laura disse e me entregou o pote de álcool.
Peguei o pote e olhei para ela, a garota sorriu amarelo e começou a amarrar seu cabelo rosa em um rabo de cavalo.
– Vocês poderiam esperar lá em baixo...
– Claro que não, porra. – Laura disse.
– Laura! – Eu gritei. – Por favor, porra.
Laura olhou para Gai e em uma troca de olhares ela resolveu deixar o quarto.
– Depois você vai explicar tudo, majestade!
Ela e W saíram do quarto, Laura estava muito irritada, pois acabou batendo a porta com muita força.
– Vamos lá... – Eu disse.
Retomei a limpeza que estava fazendo na ferida e então peguei o álcool.
– Isso pode doer. – Eu disse baixo e despejei um pouco de álcool no ferimento de Gai.
– ARGH! PORRA! – Ele gemeu.
Olhei para sua cara de dor e senti pena. Parei de jogar o líquido, e apertei um pano sobre o ferimento. Olhei para ele.
– Está tudo bem, está tudo bem! – Eu disse.
A noite começava a cair, e como todos os dias aconteciam a luz da casa ascendeu sozinha.
– A-Akise... – Gai começou.
– Shhhh! Nada disso, sem reclamações, esqueceu que você é o senhor dos pântanos? – Eu disse sorrindo.
Então voltei a limpar a ferida, depois de limpa ela parecia melhor. Coloquei um pano seco sobre a ferida e fui até a gaveta onde Gai guardava remédios. Eu não sei como sabia daquilo, apenas sabia. Abri a gaveta e comecei a procurar algo pra usar. Encontrei uma pomada para cicatrização. Remédios para dores, e uma faixa. Voltei até Gai. Coloquei a pomada em minha mão e comecei a passar sobre a ferida, apesar de tentar fazer com a mínima força do mundo, os gemidos baixos de Gai me causavam dores no peito. Terminei de passar a pomada e enrolei a faixa em seu corpo. Gai tinha os olhos fechados.
– Eu vou buscar água pra você tomar o remédio...
Sai do quarto antes que ele pudesse dizer alguma coisa e descia a escada correndo, dei de cara com Laura, ela estava irritada.
– Vai me contar agora. – Ela disse irritada.
– Estou sem tempo, mas posso resumir. – Eu disse sério. – Kun...
Olhei em meu braço e vi que seu nome havia desaparecido dali.
– Bom, o garoto da minha equipe nos atacou. Ele estava me culpando de algumas coisas, e Gai tentou me proteger e acabou sendo ferido.
– E aquela luz vermelha? – Laura perguntou séria.
– O meu dom despertou.
– Então é verdade! – Ela pausou. – Você tem mesmo a coroa do pecado!
– Ual! – Ouvi a voz de W.
– Explicado? – Disse seco.
Laura me olhou séria e virou saindo.
– Desculpa gritar com você, W. – Eu disse sentindo o peso da culpa me invadir.
– Está tudo bem, majestade. – Ele disse sorrindo.
Peguei a água pra Gai e então voltei para o quarto. Eu realmente tinha despertado a coroa do pecado, eu só precisava entender que porra era aquela.
Olhei Gai e ele sorriu.
– Aqui! – Eu ofereci o remédio e ele colocou na boca, coloquei o copo em sua boca para que ele tomasse o conteúdo. Gai bebeu a água com tanta vontade que engasgou e começou a tossir.
– Calma, tenha cuidado... – Eu disse percebendo a dor que ele sentia no machucado logo em baixo do peito. – Vou deixá-lo descansar...
– Não me deixe sozinho, deite aqui... – Gai pediu sério.
Deixei-me tomar pelas emoções e me deitei sobre a cama de solteiro ao lado de Gai.
– Desculpe... – Eu disse baixo.
– Não se arrisque mais, o seu dom... Ele é perigoso! – Gai disse.
– O que sabe sobre ele?
– Eu sei que ele não é nada bom, e mais nada. Mas prometo descobrir. – Gai falou.
Eu sabia que ele estava mentindo, mas me dei por vencido naquele momento e fechei meus olhos. Senti a mão de Gai segurar e entrelaçar a minha, sorri.
―
Acordei no meio da noite.
“Acorde, majestade.”
Olhei em volta procurando de onde vinha a voz.
“Está na hora de você começar a se virar para vencer esse jogo.”
Fiquei em silêncio ouvindo.
“Siga a leste e irá encontrar o acampamento de alguns jogadores. Mate-os e comece a conquistar seu lugar de rei.”
Senti meu corpo começar a levantar da cama. Eu não sei se era aquilo que eu queria, mas me deixei levantar e segui as instruções que ouvira em minha cabeça.
Não demorou muito e cheguei a algo que parecia um estábulo para cavalos.
“Escolha o melhor, majestade!”
Entrei no local e vi vários cavalos. A maioria dos cavalos eram marrons ou negros, até que um me chamou atenção. O cavalo era branco e grande, sua crina e seus olhos vermelhos o deixavam lindo. Sorri enquanto olhava para ele.
– Esse. – Eu disse pra mim.
“Ótima escolha majestade.”
Caminhei até onde havia algumas selas e coloquei no lombo do grande cavalo. Depois de um pouco de tempo estava pronto, montei no cavalo e abria porta da coxia que ele estava. Sai devagar até sair do estábulo. Logo depois comecei a cavalgar de verdade. O cavalo era rápido.
“Pare em frente aquele salão com portas pretas. Entre no mesmo e vista uma capa que estava lá dentro, majestade.”
Parei onde a voz me disse e então entrei, avistei logo a capa e a coloquei, era uma capa branca, bem bonita. Havia um capuz, coloquei o capuz e percebi que metade do meu rosto estava coberta. Então essa era intenção, esconder minha identidade. Voltei pro meu cavalo e parti.
“Desça do cavalo, e siga a pé por uns 10 metros.”
Por que eu estava ouvindo aquela voz? Eu não fazia idéia, mas algo dentro do meu ser me dizia pra confiar. Fiz como o combinado, logo retirei minha espada das costas e comecei a caminhar até onde uma fumaça de fogueira vinha, saltei lá e algumas pessoas se assustaram.
Olhei e avistei a garota pequena que Gai havia me mostrado, Jane. Sorri maliciosamente, seria ótimo matar um número 004 e dar diversão a quem estava assistindo.
– Olá meus amigos mortos! – Eu disse sorrindo.
– Mortos? – A voz da garota pequena falou mais séria do que eu imaginei que uma criança poder falar.
– Sim, a situação em que estão não os deixará viver.
Sorri e falei em meus pensamentos. ‘Agora’ minha espada ganhou vida e se uniu a minha mão.
―
Era dia e eu acordei com Laura e W que entraram no quarto.
– Gai! – Laura gritou.
Gai e eu acordamos assustados.
– Novidades! – Laura disse séria.
Com certeza naquele momento ele estava lendo os pensamentos dos amigos e entendendo o que estava acontecendo.
– Maldição. – Gai gemeu.
– A única a sobreviver foi Jane, e ela quer vingança. Ela está pagando caro para quem encontrar o que ela chamou de cavaleiro da noite! – Laura disse.
“Viu majestade? O jogo agora vai começar.”
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