Número 002

14 Me conte a verdade!


Estava sentado do lado de Anúbis, ele comia uma fruta qualquer. Acho que era uma manga, aquele cheiro não me era estranho. Sorri e olhei pra ele. Ele me olhou também e sorriu com a boca suja com o líquido amarelo.

– Eu me lembro de você, bem diferente é claro. O seu cabelo era loiro ao invés de branco, mas os olhos ainda continuam iguais. – Anúbis pausou. – Tirando a cor é claro.

Eu ri e olhei nos olhos deles.

– O que essas pessoas têm contra o azul? Sério, eu preferia olhos azuis a vermelhos. – Anúbis falou sério, mas eu pude sentir a ironia e a brincadeira em sua voz.

– Ah ou um verde! – Entrei na brincadeira e sorri.

– Esses dois meses... Foram difíceis? – Anúbis perguntou calmo.

– Na verdade não. Eu encontrei algumas pessoas, e estou com eles, agora. O que aconteceu com sua equipe?

Anúbis me olhou nos olhos. Como alguém pode ser tão lindo?

– Resolvemos nos separar. Pelo que a nossa líder disse sozinhos teríamos mais chances de passar despercebidos. – Anúbis falou sério e pensativo.

– Eu compreendo, mas... – Eu comecei.

– Agora eu encontrei você, e sei lá... Pode ser que isso seja o destino. – Ele disse e piscou pra mim.

– Você costuma ser bobo assim sempre? – Eu disse tentando não rir.

– Só quando pessoas lindas e de olhos vermelhos, me deixam abobado! – Ele disse e riu.

Droga! No mesmo momento senti minhas bochechas queimarem. Empurrei seu peito com a mão.

– Eu posso acabar com você com uma mão só, hem? – Eu disse e pisquei também.

– Não tenho medo de você, senhor ceroulas. – Ele gargalhou tão alto dessa vez.

Então me lembrei que estava apenas com cueca e camiseta.

– É? Mas eu tenho uma espada. – Eu disse rindo.

– Ah estou tremendo, eu tenho uma varinha. E ela é bem grande! – Anúbis disse rindo e olhou para o seu baixo ventre. Acompanhei sua cabeça e thcaran, ele estava me zoando mais uma vez.

Eu já ia retrucar algo quando um som de algo explodindo ecoou no bosque. Anúbis me olhou meio assustado.

Outro som de explosão.

– Isso é normal? – Anúbis perguntou.

– Não, nada normal. – Então outra explosão, essa pareceu ser mais perto.

Saltei do chão e fiquei olhando em volta. Outra explosão, essa foi tão próxima que as árvores balançaram e os pássaros voaram pra longe.

– Que porra é essa? – Anúbis perguntou sério e levantando também.

– Não sei, mas temos de sair daqui, está se aproximando! – Eu falei sério. Mas não deu tempo. Algo pequeno e redondo na cor preta caiu perto da gente.

– Akise! – Anúbis gritou e pulou em cima de mim, me jogando pro chão. Ele fez proteção para mim e então outra explosão. Alta, quente. Senti meu ouvido doer e um zumbido alto. O que estava acontecendo?

– Anúbis? A-Anúbis? – Eu chamei, mas ele não respondia. Tirei Anúbis de cima de mim e olhei pro lado.

Gai, Laura e W estavam me olhando.

– Gai? – Eu perguntei confuso.

– Não queríamos atrapalhar o papinho do casal, mas temos de fugir, tem algo acontecendo. – Gai disse seco e tirou o olhar de mim. – Laura ajude-me a levantar o garoto.

Gai e Laura pegaram Anúbis e começaram a caminhar.

– Rápido! Precisamos sair daqui, mais bombas vão chover. – W disse sério e segurou minha mão.

– O-O que? Bombas? – Eu perguntei a W.

– Precisamos passar em casa, logo Gai explicará tudo pra você. – W disse.

Apenas assenti e comecei a caminhar rápido do lado dele. Outras explosões, essas mais longe. O que era bom estávamos a salvos por enquanto.

Entramos na casa e eu corri para o quarto. Precisava vestir uma roupa e pegar minhas armas. Gai me seguiu logo depois de colocar Anúbis num sofá.

Comecei a vestir minha calça e Gai entrou.

– Foi muito lindo o que ele fez por você, hem? – Gai debochou.

– Qual foi, Gai? – Eu disse sério.

– Nada, nada, majestade... – Ele disse sério enquanto pegava algumas coisas dentro da sua gaveta.

– Como você me achou? – Eu disse sério.

– Não foi nada difícil com aquele... Moleque, tendo aqueles pensamentos obscenos com você! – Gai disse bravo.

– Pensamentos obscenos... – Eu repeti.

– Eu quero matá-lo, Akise. Minha vontade é decepar o pescoço daquele moleque.

Não sei ao certo, mas Gai parecia enciumado.

– Por que o que está havendo? – Eu perguntei mais sério que o normal.

Gai virou-se de costas.

– Nada, ele só... – Gai começou.

– Ele só o que Gai? O que está havendo? Por que você quer me afastar de todos?

Gai ficou em silêncio.

– O post é voz que vos libertará/ Descendentes tantos insurgirão / A arma, o réu, o véu que cairá / Cravos e Tulipas bombardeiam, um jardim novo se levantará / O Jasmim urge de um solo sem medo... – Gai começou a recitar.

– G-Gai? – Eu comecei a falar.

– Esse mundo não vale o mundo meu bem! – Gai disse baixo.

Fiquei olhando para suas costas, e então ele se virou pra mim.

– Tem certeza que está pronto para a verdade? – Gai disse.

“As coisas vão mudar de vez.” Ouvi em minha mente.

– Eu acho que sim... – Eu disse sério.

– GAI! GAI! – W entrou correndo no quarto. – O garoto...

Olhei assustado pra ele.

– O que tem o garoto? – Eu perguntei sério.

– Ele... Ele fugiu Akise! – W disse baixo.

– O que? – Eu disse alto.

– Ele ficou assustado quando nos viu. Laura segurava uma lança... Ele fugiu! – W disse, e pude sentir culpa em sua voz.

– Merda! – Disse sério e terminei de pegar minhas coisas. Estava saindo quando segurou meu braço.

– Akise aonde você vai? – Gai falou sério enquanto segurava meu braço.

– Eu não posso deixar! – Gai disse sério.

– Você não pode me impedir, não banque o pai protetor. – Eu quis berrar, mas me contive e disse em um som baixo.

– Akise, é a nova era. As coisas estão mudando por sua causa. Não posso lhe deixar sozinho... – Gai disse.

– Como vou acreditar? – Eu disse sério. – Não consigo mais acreditar em você. Você me esconde as coisas, e quando eu pergunto, começa a falar coisas sem sentindo algum. Já Anúbis... Ele...

– Akise! – Gai gritou e me olhou com raiva.

Olhei sem seus olhos vermelhos.

– Foi você quem criou esse jogo! – Gai disse sério.

Senti um aperto fundo no peito, e senti uma dor forte no cérebro. Puxei meu braço.

– O que? – Foi tudo que consegui dizer.