Notas iniciais
Minha primeira one shot Flaurel. Espero que gostem

As mãos dela estavam congeladas. Lembro que da última vez que a senti assim foi quando fomos jantar com minha família. Era inverno e ela havia esquecido suas luvas, mas eu não soltei suas mãos por nenhum segundo. Eu queria aquecê-la. Eu precisava aquecê-la e ainda preciso, porque mesmo quando tudo estava desmoronando ela estava comigo. Mesmo uma parte dela não querendo, achando perigoso, feio, sujo, nós ainda éramos nós e isso era algo que eu e ela paramos de negar já fazia algum tempo.

Seus lindos olhos claros me encaravam com um fogo. Ela sempre me olhava assim quando estava com raiva e queria me dizer algo. Parecia deboche, mas eu sempre acabava rindo quando ela fazia essa cara, porque ela ficava ainda mais linda do que ela era. Eu amava seu sorriso e fazê-la sorrir, mas eu não era provedor desse dom, então eu gostava de cada vez que seu olhar era sincero para comigo. Eu amava sua sinceridade comigo, por isso eu a amava.

Eu apertei seus dedos nos meus, tentando me certificar de que eles ficassem aquecidos comigo, embora eu soubesse que aquele frio naquele momento não era de frio, mas sim de nervosismo. Ela estava tão pálida, mas seu rosto continuava suave para meus olhos. Ela finalmente apertou meus dedos de volta.

— Você está bem? — Perguntei sabendo que ela não estava dada a temperatura de sua mão.

Ela apenas balançou a cabeça em afirmação.

— Laurel… — Disse pacientemente tentando não discutir naquele momento. — Você não está bem. Você está pálida e está vomitando no banheiro. O que aconteceu?

Ela não disse nada. Apenas balançou sua cabeça.

— Eu vou ficar bem. — Ela disse para mim e depois colocou novamente sua cabeça sob o vaso sanitário.

— Sim. — Eu disse levantando-a quando ela finalmente parou. — Você vai ficar bem depois de um banho e um bom remédio. — Finalizei levantando-a para que ela pudesse tirar a roupa e ir para debaixo do chuveiro.

Ela me abraçou. Seu cheiro de vômito não era agradável, mas eu ainda a abracei de volta. Eu amava abraçá-la, principalmente porque ela quem havia me abraçado naquele momento, mesmo ela dizendo que não gostava de abraços. O que estava acontecendo com ela?

Eu ajudei ela a tirar sua camisa e pouco depois ela estava debaixo do chuveiro. Eu a deixei confortável e a sós e aproveitei para trocar de camisa, deixando sob a pia roupas minhas que ela pudesse usar e se sentir confortável. Enquanto ela se arrumava, fui para a cozinha preparar sua sopa para que ela ficasse melhor.

Quando adentrei no quarto, ela já estava deitada, mas ainda não dormindo. Ela porém acenou que não, tapando o nariz logo que viu a sopa em minhas mãos. Eu sentei ao seu lado na cama, colocando a sopa no criado mudo, abaixo do abajur e me aproximei dela. Ela não estava febril e parecia mais calma e aquilo me deixava calmo. Ela precisava melhorar logo.

— Você prefere remédio ou…

— Eu estou grávida! — Ela disse olhando para mim com uma cara de assustada e novamente me abraçou.

Era um misto de felicidade e preocupação que me inundava naquele momento. Tinha sido apenas três palavras, mas elas haviam soado mais bonito que qualquer eu te amo. Eu a abracei tão forte. Laurel teria um bebê! O nosso bebê! Era a primeira vez que eu encarava a ideia de ser pai sem medo algum. Não só porque meu passado agora era passado, mas porque era Laurel quem era mãe. Ela era quem estava me levando a essa felicidade. Ela porém parecia apreensiva e logo senti suas lágrimas em minha camisa. Me afastei para olhar em seus olhos.

— Hey… — Eu disse colocando uma mão em sua bochecha e limpando uma de suas lágrimas. — Nós vamos ficar bem, ok? Você me deu a melhor notícia do mundo. — Eu disse quando ela deu um meio sorriso e depois me beijou, mas voltou a ficar apreensiva.

— E se ele ou ela não ficar? — Ela disse passando a mão na sua ainda pequena barriga.

— Ele vai ser a criatura mais amada do universo. — Eu disse tentando acalmá-la, colocando minha mão sob sua barriga. Ela colocou suas mãos na minha por cima do nosso bebê.

— Eu não tenho nenhuma dúvida disso, meu amor. — Ela disse olhando para baixo. — É só que…

— É só que… — Eu disse levantando sua cabeça para encontrar meus olhos com os seus.

— Eu estou assustada. — Ela disse suspirando.

— Eu não tenho dúvidas de que você será a melhor mãe do mundo. Meu sobrinho Anthony está aí para provar isso.

Ela finalmente sorriu mas genuinamente e entrelaçou nossos dedos.

— Nós dois somos assassinos, Frank. — Ela disse novamente cabisbaixa. — O que daremos de bom a essa criança?

Eu me aproximei mais dela, dessa vez me aconchegando mais perto de seu corpo, entrelaçando suas pernas na minha.

— Você não vê, Laurel? — Eu perguntei olhando em seus olhos.

— O que? — Ela disse olhando para mim.

— Quantas pessoas nós matamos depois que dissemos que nos amávamos? — Perguntei sinceramente.

Ela olhou para cima, parecendo pensar e logo depois olhou novamente para mim.

— Nenhuma.

— Essa criança… — Eu disse tocando em sua barriga. — Ela é a prova disso. A prova de que depois que eu te conheci eu sou uma boa pessoa. Você é uma boa pessoa. — Eu completei finalmente abraçando-a e senti seu sorriso contra minha bochecha.

— E eu nunca vou cansar de agradecer a você por ter me tornado quem eu sou hoje. — Eu disse beijando sua testa e ela segurou meu rosto, me dando um de seus quentes beijos na boca.

— E pelo bebê. — Ela disse rindo.

— Pelo nosso bebê. — Eu completei beijando-a dessa vez da forma mais feliz que eu já a beijei algum dia.

Notas finais
Comentários são bem vindos
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!