Nós - Brittana
34 Seguindo
Depois de fazer todos os exames que precisava, incluindo os testes rápidos de ISTs – que deram todos negativos, obviamente; Brittany deixou aquela clínica de muito bom humor. Agora, só precisava esperar alguns dias até os demais resultados chegarem para uma análise completa. E, no meio disso tudo, se viu pesquisando dicas de como dormir bem na gravidez. Queria ajudar Santana a ter noites de sono melhores... Para além dos carinhos e cantorias de sempre, é claro. O que pudesse fazer para ajudar, faria.
Então, notou um padrão nas listas que foi abrindo pela internet. Usar muitos travesseiros sempre estava presente. Em uma das páginas, inclusive, viu a sugestão de um daqueles travesseiros de corpo inteiro para abraçar e meio que “dormir de conchinha” com ele. Parecia uma boa... Sempre quis ter um. Por que não? A desenhista procurou por lojas que vendiam travesseiros de corpo inteiro e deu um jeito de ir até uma delas, pessoalmente. Lá, comprou dois: um para levar para casa e outro para a namorada. Quando Santana fosse para sua casa, teria o travesseiro, e quando estivesse longe também. Era genial.
Enquanto colocava os travesseiros no carro, Brittany recebeu uma mensagem de Mike dizendo que o Sr. Schuester queria vê-la o quanto antes na Glee Comics. Como estava livre até as cinco da tarde, a loira resolveu ignorar a folga que havia pedido e foi direto para o estúdio de quadrinhos. Chegando lá, entrou na sala do homem curiosa com o que ele tinha de tão importante para lhe dizer. Era quase certeza que tinha a ver com o lançamento de sua HQ, só esperava que fossem boas notícias. Dito e feito, o assunto era justamente aquele.
— Olá, Brittany. — William sorriu. — Sei que já havíamos acertado os últimos detalhes segunda-feira, mas te chamei aqui pra falarmos da sua HQ de novo. Perdão se interrompi alguma coisa... É urgente até certo ponto, não precisava aparecer no seu dia de folga.
— S-sem problemas, fiquei curiosa. Aconteceu alguma coisa?
— Bom, garanto a você que a publicação de Codinome Snixx ainda será dia 19. Não precisa se preocupar. — Ele a tranquilizou. — A questão é que eu queria me certificar da divulgação correta dela, odiaríamos deixá-la passar em branco. Então, tenho algumas sugestões pra fazer até lá. Começando pelas suas redes sociais, elas são públicas ou privadas?
— Privadas.
— Todas?
— Todas.
— Hum, isso é um problema. — Ele cruzou os braços. — Hoje em dia as pessoas compram um produto e instantaneamente procuram seus autores na internet, seja pra se sentir mais perto daquele universo, elogiar, criticar ou simplesmente esperar novos lançamentos. Seria bom criar uma conta pública para atingirmos esse nicho, especialmente no instagram. Pode fazer isso?
— Claro...
— Ótimo! — O Sr. Schuester se alegrou. — Tive uma reunião hoje de manhã com a chefe de mídias sociais da Glee Comics e foi ela que me deu esse toque. Assim que você criar o seu perfil público, iremos o linkar à conta oficial do estúdio e no post de divulgação de Codinome Snixx, em todas as redes sociais que temos e no site também. Se certifique de preencher aquela mini biografia do instagram e mantenha seu perfil com conteúdo, não vai ter erro. Confiamos em você.
— Tá bom.
— Ah, mas uma coisa. Já começou a trabalhar na continuação da HQ?
— Sim... Comecei.
— Perfeito. Quero rascunhos até o final do mês, ok? — O homem esperou que Brittany assentisse e continuou. — Muito bem, você já pode ir. Obrigado.
A loira deixou a sala de Wiliam e respirou fundo, pensando em tudo o que precisava fazer. Enquanto andava pelo estúdio, ela ficou pensando se realmente precisava criar uma nova conta e concluiu que não. Brittany então pegou o celular e abriu seu perfil no instagram, olhando tudo o que já havia postado até aquele dia, assim passou a arquivar algumas coisas e excluir outras, atentando-se a listinha de amigos próximos que poderiam ver seus stories mais pessoais. Notou que Rachel, Quinn e Kurt pediam para segui-la e logo os aceitou, seguindo de volta e os adicionando aos amigos próximos.
Depois, a Pierce enfim tomou coragem e abriu a conta ao público. Posteriormente a isso, se viu imaginando como desdobraria-se toda a continuação da HQ, pois precisava agilizar o processo. Tinha apenas três semanas para entregar os rascunhos ao seu chefe e só tinha dez páginas até então, era bom que terminasse o mais breve possível o desenvolvimento daquilo, mesmo que Codinome Snixx flopasse na primeira unidade e fosse cancelada. Não sabia quanto tempo ainda teria até seu próximo bloqueio criativo surgir, então precisava aproveitar este momento porque nem sempre fora assim.
Santana a inspirava em um nível anormal, e, só de pensar nela, a história começou a fluir novamente em sua mente, sem nenhuma barreira. Voltando para seu carro, Brittany abriu um bloco de notas no celular e passou a escrever toda a série de acontecimentos que sua imaginação criava. Snixx era como Santana, uma super heroína de se invejar, cheia de qualidades, mas que também carregava em si medos, inseguranças e questões que nem todos ao seu redor entenderiam, e claro: tinha inimigos como qualquer outro ser humano. Alianças, decepções, amores, o pacote completo. Iria explorar mais a fundo essa parte ao longo daquele volume.
Às cinco da tarde, Brittany foi buscar a namorada no Breadstix. Nesse ponto, Santana estava à sua espera fazia uns dois minutos no estacionamento do restaurante. Quando a dos olhos azuis finalmente parou o carro e desceu para cumprimentar a namorada, mal teve tempo de abrir a boca, sendo pega de surpresa por beijo daqueles de tirar o fôlego. Normalmente, a morena deixava para beijá-la assim em locais mais privados, como dentro do veículo por exemplo, ou então quando não havia ninguém por perto, mas daquela vez foi diferente.
Parecia fazer questão que todos vissem, talvez fosse o seu jeito de encarar a situação com Sugar e os comentários escrotos dela. Se tinha gente se incomodando com a “estética” dela e da Pierce como casal – independentemente do motivo; bom, Santana faria questão de firmá-las ainda mais e quem tivesse problema com isso poderia se explodir. Era assim que seria dali para frente. Mil vezes melhor do que responder ou mesmo ficar no silêncio se remoendo de ódio, tristeza e coisa do tipo. A única coisa a qual a Lopez iria se apegar era o sentimento que estavam sentindo uma pela outra, que sabia que era recíproco e nada e nem ninguém conseguiria as atingir tão facilmente assim. Seria preciso muito mais do que a Motta para abalar aquela relação.
— Nossa... — Brittany deu um sorriso, um tanto quanto ofegante, e abriu os olhos com as mãos na cintura da grávida. Se afastou um pouquinho para encarar olhos castanhos. — Foi alguma coisa que eu fiz, Sannie?
— Não sei, foi? — Ela brincou, risonha, e deu um selinho na mais alta. — Tava com saudades, Britt. Só isso.
— Ah, então me lembre de te deixar com saudades mais vezes. Deu muito certo.
— É, né... — Santana riu e saiu dos braços da loira, dando-a outro selinho depois. — Mas, eu sempre tô com saudades de você. Aí fica difícil, Pierce.
— Hum, mais uma coisa que temos em comum então... — Brittany falou com um sorriso de orelha a orelha, enquanto abria a porta do passageiro para a namorada embarcar no carro. Na sequência, correu para entrar no veículo também. — Curioso, não?
— Demais.
Elas deram outro beijo, sem pressa... Depois, a Pierce se afastou lembrando-se do presente que havia comprado para Santana. Queria mostrá-lo logo, antes que se esquecesse. Era fácil demais perder as coisas dentro daquele carro... Não que tivesse a ver com o fato de que era uma completa bagunça nos bancos traseiros, mas talvez tivesse sim. Claro que tinha.
— Então... Eu comprei uma coisa pra você. — Brittany disse meio sem jeito, caçando um dos travesseiros empacotados do banco de trás. — Toma.
A morena pegou a sacola e começou a abri-la, sem entender muito bem o motivo.
— Você me comprou... Um travesseiro? — Santana ficou séria, fitando a Pierce na sequência. — Por quê?
— Ahn, é que eu li que o sono melhora bastante com um desses já que é pro corpo todo... E pensei que seria bom pra você ter um, sabe? M-mas, se não quiser tudo bem. Eu também comprei um pra mim, e n-não me importo nenhum um pouco de ficar com os dois... Sempre quis ter um, parece confortável.
A Lopez continuou a encarando fixamente, em silêncio, mas logo deixou um riso escapar, enquanto apreciava o desespero nos olhos de Brittany. Fizera de propósito.
— Ai, Britt... Esse é o presente e a justificativa mais fofa que já me deram! Você não existe.
— Então, v-você gostou?
— Claro que eu gostei! — Santana assentiu, sorridente, e inclinou-se no banco para beijá-la. — ... Obrigada.
Brittany abriu um sorriso também e perdeu-se em olhos castanhos. Depois, elas foram comer alguma coisinha antes da aula de yoga, e lá se viram conversando sobre o dia que tiveram. A dos olhos azuis contou da reuniãozinha de última hora com o Sr. Schuester e explicou o porquê sua conta no instagram não era mais privada, e que precisava entregar os rascunhos do próximo volume de Codinome Snixx até o final do mês. Já a latina assumiu que, de fato, havia ficado meio abalada com o encontro com Sugar no dia anterior, mas que agora já estava bem melhor, e mencionou também que Sebastian a acompanhou até o trabalho pela manhã, sem tocar no assunto Bree. As coisas voltaram a se tranquilizar consideravelmente, para o alívio de ambas as jovens.
Durante a aula de yoga, Brittany e Santana se concentraram totalmente nas posturas que precisavam fazer em conjunto e tudo ocorreu com muito cuidado, dedicação e silêncio. Quando a mesma se encerrou, Holly até veio as parabenizar pela performance do dia. E aí, as namoradas foram se trocar em seguida nos vestiários da academia, voltando para o carro da loira logo depois. O dia estava quase no fim, agora era o momento ideal. Brittany respirou fundo confiante, e continuou com os olhos na direção.
Estava tocando Tears for Fears no rádio, mais especificamente: Head Over Heels. Como adorava aquela música... A desenhista não conseguia deixar de balançar a cabeça, mesmo que sutilmente, ouvindo aquele ritmo. E, quando menos percebeu, estava cantarolando ao invés de abrir a boca e dizer alguma coisa... Ela olhou rapidamente para o lado, e viu que Santana fazia o mesmo. É, não tinha jeito. Seu coração disparava sempre que olhava para ela. Logo botou a atenção à direção, novamente.
“Something happens and I'm head over heels...”
— Quer dormir lá em casa hoje, San-shine?
— Olha... Eu até aceitaria, Britt. Mas, acho que vou deixar hoje e amanhã pra me despedir direito do apartamento, e, sabe, passar um tempinho a mais com a Rachel e o Kurt... Ainda pretendo me mudar pra casa dos meus pais na sexta, se sua ajuda ainda estiver valendo.
— Ah, sim! — Ela assentiu. — Com certeza você tem minha ajuda... Sempre. E tudo bem, entendo totalmente você querer se despedir do apartamento e dos seus amigos. Faz todo o sentido... Fica pra próxima então.
— Bom... — Santana sorriu, alcançando o rosto da namorada para fazer um carinho. — Nada disso me impede de te convidar, né? Vem você pra minha casa hoje, Britt-Britt.
— Mesmo?
— Mesmo.
— Ok, já que insiste... — Ela riu. — Eu vou e já aviso de antemão que não saio fácil.
— Certo, vou me lembrar disso.
— Só preciso buscar umas coisas...
— À vontade.
Mais tarde naquele dia, após jantarem e ouvirem as diversas novidades que Rachel e Kurt tinham para dizer sobre suas novas matérias de Enfermagem daquele semestre e afins, Brittany e Santana trabalharam um pouquinho. A loira na sua HQ e a morena nos projetos que envolviam os colegas de Brittany da Glee Comics. Eram muitos alfabetos novos para desenvolver, estava amando. Essa foi a melhor coisa que a aconteceu depois de trancar a faculdade, pois, deixava-a perto da linguística de novo, mesmo que afastada por algum tempo. Uma das coisas mais legais que a Pierce já fez por ela, definitivamente, foi introduzi-la aquele mundo.
Quando enfim as namoradas deitarem-se na cama da morena para dormir, cantaram para Lizzie e trouxeram o travesseiro de corpo inteiro junto. Iriam finalmente, ver se aquilo iria funcionar ou não. E para o contentamento de Santana, era a melhor coisa do mundo abraçá-lo, nem precisa de Brittany por perto, embora fosse ainda melhor com ela ali nas suas costas, fazendo conchinha ao mesmo tempo. Já estavam há uns bons minutos daquele jeito, a grávida quase pegando no sono. Elizabeth só tinha se mexido uma vez no dia, pouco depois da aula de yoga, mas agora nem sinal. Isso era tão bom, estava quietinha e o sono tão perto da Lopez, tão perto. Estava quase apagando totalmente.
— E aí? O que achou do travesseiro, Sant?
— Shh, tô dormindo... Silêncio.
— Foi mal. — Brittany riu, beijando o ombro da namorada, enquanto acarinhava a barriga dela com a mão que envolvia seu corpo. — Boa noite, linda.
— Uhum, noite.
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