Nós - Brittana

15 Pedras no caminho


Notas iniciais
Dessa vez eu tava enrolando, admito kk mas, enfim, cá está o capítulo.

Já faziam seis dias que Santana estava de folga. SEIS DIAS A FIO. Apenas relaxando... Ou, a tentativa disso. Era difícil saber se estava funcionando como deveria funcionar, quando pensar no assunto deixava-a com tamanha ansiedade... Será que era por esse motivo que ela acordou aquela manhã com uma vontade anormal de comer cookie? Quer dizer, não um qualquer... Na verdade, um cookie de menta com gotas de chocolate que havia comido anos atrás em uma festinha de aniversário acompanhada de Sebastian e outros amigos de escola. Na ocasião, não tinha gostado muito do sabor, mas agora... Era como se sentisse o cheiro e o gosto na boca e fosse a combinação mais saborosa do mundo, a única que ela precisava para viver.

Espera aí...

Isso era um desejo? Droga. Temia esse momento. Era IMPOSSÍVEL Santana ter um cookie igual aquele da festinha, já que era receita caseira da avó de um ex-namorado do qual ela não tinha contato desde que terminara a escola. Se ainda fosse de um estabelecimento comercial poderia resolver fácil, fácil, mas como não era... Talvez, fosse melhor esquecer. Por algum motivo, sentia que se não fosse AQUELE COOKIE especificamente não iria servir.

— Por que, Elizabeth? — Ela passou a mão na barriga, suspirando. — Assim você me complica.

Bem, iria passar. Santana estava confiante. O jantar com seus pais no dia anterior tinha o devido crédito nisso, Maribel foi extremamente receptiva e pareceu gostar genuinamente dos presentes de aniversário que recebeu, o que a jovem devia muito a Rachel, Quinn e Brittany, sem dúvidas. E, por mais que, assim como a mãe, a latina reprovasse a atitude de Lorenzo de armar um encontro entre as duas, não tirava a razão do homem, já que, no fim, tudo havia corrido bem e era isso que importava. Para Maribel também, então seu pai sairia vivo ao final do dia após algumas “ameaças” emocionadas da mulher, nada demais.

A Lopez pegou o celular – com o maldito cookie de menta ainda em mente; e fitou o contato de Brittany... Queria dizer que havia dado tudo certo no jantar com Maribel, mas estava com o pé meio atrás em chegar assim do nada comentando. Se bem que havia tocado no assunto ontem... Que mal teria? Começou a digitar.

Santana

Só queria dizer que

o jantar com a minha

mãe foi um sucesso, haha

Sorte ou fruto da força?

(8:39 a.m.)

Ela esperou uns dois minutos pela resposta e nada. Bom, talvez a loira ainda estivesse dormindo. Em compensação, Sebastian estava muito bem acordado, enchendo-a de mensagens.

Sebastian

Bom dia, San!

Tudo bem por aí?

Depois me fala melhor

como foi lá no niver da

sua mãe, tá bom?

(8:25 a.m.)

Aliás, já poderia começar

tenho um tempinho sobrando

(8:39 a.m.)

Até umas 9 e meia tá valendo!!

(8:41 a.m.)

Santana

Bom dia

Então...

Não tem muito

o que falar, Sebastian

Correu tudo bem

voltamos a conversar,

é um avanço

(8:43 a.m.)

Sebastian

Sem dúvidas!

Fico feliz :]

(8:43 a.m.)

Santana

É, eu também

(8:44 a.m.)

Ela ficou pensativa se contava ou não para o rapaz sobre seu primeiríssimo desejo de gravidez, tendendo a compartilhar a informação com o ex já que não conseguia parar de pensar nisso. Estava crente de que passaria mais cedo ou mais tarde... Mas, como era uma situação nova e engraçada, tinha que falar. Decidiu então fazer uma ligação ao Smythe, ao invés de simplesmente digitar o ocorrido.

— [Alô, San? Tá tudo bem?]

— Sim, tudo bem. Relaxa. — Ela começou a andar pelo quarto. — Você lembra daquele cookie de menta que a avó do Joe tinha feito numa festa de aniversário dele?

— [Vagamente...]

— O que? Vai dizer que você não lembra, Sebastian?! — Santana não botou muita fé no tom de voz do homem e gargalhou. — É sério!

— [Tá, tá! Eu sei de qual cookie tá falando, só não gosto muito de lembrar da época... Não me julgue.]

— Ciúmes uma hora dessas? — Ela riu.

— [Só um pouquinho... Você namorava né, não tinha olhos pra mim. Foi difícil.] — Sebastian brincou. — [Mas enfim, seguimos em frente, o que é que tem o cookie de menta?]

— Acordei com desejo dele.

— [QUÊ?!] — Ele riu. — [Você tinha odiado com todas as forças!]

— Eu sei! Elizabeth tá me trollando... — Santana afirmou. — Logo meu primeiro desejo é um negócio que eu nem gosto. Parece bruxaria, não paro de imaginar o cheio e o gosto vividamente.

— [Eita! O que vamos fazer?]

— Superar, eu não tenho contato com o Joe ou a família dele desde que terminamos o colegial, e, sinto que se for qualquer outro cookie de menta e não esse em específico, não serve.

— [Aí é foda. Vai ver nossa filha tá protestando porque gosta mais de ser chamada por Pérola do que por Elizabeth, fala que o papai entende.]

Rá, rá. Muito engraçado. — Ela ironizou. — Desiste, cara. Elizabeth com certeza está comigo nessa, sinto lhe informar.

— [Isso é o que você pensa...]

— Claro, claro. Bom, ainda não tomei café nem nada, então vou desligar tá?

— [Tá bom. Se cuida, beijo.]

— Você também. Bom trabalho.

— [Obrigado!]

A grávida largou o celular na cômoda de seu quarto e saiu dali, direcionando-se a sala.

(...)

Há tempos, o relógio do carro de Brittany estava errado e aquilo nunca a incomodou, já que raramente precisou consultá-lo em função de ter um smartphone sempre em mãos para o fazer. Mas, agora, sem um celular, ela conseguia perceber o quão irritante aquilo podia ser. Sam e Kitty viviam a chamando a atenção para isso e ela? Pouco se importava... Grande imbecil. Teve que dar seus pulos, foram cinco ou seis músicas do Johnny Cash até Liza e Frank saírem de casa, ela estava contando. Não planejava (em hipótese alguma) cruzar com os dois depois de dispensá-los no feriado, portanto havia parado seu carro no caminho contrário ao que os mais velhos tomavam todo santo dia e lá estava a garota de tocaia desde então.

E por quê?

Bom, para resumo de história, assim que a desenhista acordou deixou de lado a ideia de comprar um novo celular pois lembrou-se que tinha guardado seus antigos aparelhos no porão da casa dos pais e o último deles, com certeza iria lhe servir, afinal era um celular de uns dois anos atrás e o único motivo que a fez comprar outro foi a quantidade de memória interna, o que era de menos agora.

Naquela circunstância, só conseguia pensar em Santana e desejar com todas as forças que ela não tivesse a enviado nenhuma mensagem nesse meio tempo... Era pedir demais? Talvez, fosse. O mais engraçado é que, até ontem, antes de perder o celular, o que a Pierce mais queria era que a outra jovem a enviasse qualquer mensagem, nem que fosse uma pergunta aleatória como a aquela sobre ter outro nome, etc. e tal. Mas, isso não importava agora... Precisava entrar logo na casa, pegar o celular que viera atrás e depois ir até uma loja da sua operadora resgatar seu número, apenas isso. Era fácil. Ia dar certo.

Assim que se aproximou da residência, a dos olhos azuis desligou o rádio do carro, com o CD de Johnny Cash ainda ali dentro, e desceu do veículo se direcionando a entrada da casa. Tirou as chaves do bolso e utilizou a sua cópia para destrancar a fechadura, coisa que há uns bons meses já não fazia. Bem, a situação pedia por isso e não era como se Liza ou Frank fossem se aborrecer... A grande questão ali era a filha se esquivando deles, não ela entrando na casa da qual tinha uma cópia da chave e que o casal insistia que usasse.

Dentro da casa, Brittany tentou evitar perder muito mais tempo, então prontamente correu para o porão, se deparando com diversas coisas da sua infância e adolescência e as revirou com cuidado. Cerca de dez minutos depois, conseguiu achar um baú com todas as caixinhas que guardou de seus antigos celulares e rapidamente abriu a do último celular, achando-o ali, intacto. Quer dizer, a tela estava meio rachada numa das laterais... Mas, dava para o gasto. Ela pegou o carregador e foi até o andar de cima deixando o aparelho na tomada por algum tempo, enquanto isso voltou ao porão e juntou o resto dos celulares e algumas outras coisas para levar embora consigo.

Conforme se certificou de que o celular estava funcionando direitinho, Brittany voltou para o carro e foi embora. Tudo isso de manhã, antes do horário de almoço e, por extensão, antes de seu expediente. Era a maior corrida contra o tempo. A próxima parada da loira seria uma das lojas de sua operadora e então sua missão finalmente estaria cumprida. O único problema é que, quando chegou lá para recuperar o número ouviu:

— Desculpe senhorita, mas esse número está registrado no nome de Frank Pierce. Só ele pode recuperá-lo.

Claro, como Brittany havia esquecido disso? Tinha aquele número desde criança e sempre que ganhava um celular a única coisa que precisava fazer era pôr o chip velho no novo aparelho. Nunca teve problema com isso... Até agora. Incrível.

— Ah, entendo... Ele é meu pai. Eu era menor de idade quando ganhei o chip, como fazemos pro número ser transferido pra mim?

— Bom, o sr. Frank Pierce precisaria vir aqui junto com você, solicitar a transferência de titular.

— Não tem como fazer isso pela internet ou telefone, sei lá?

— Infelizmente não, apenas presencialmente.

— Ok, obrigada.

Ela respirou fundo, tentando ficar o mais calma possível. Era inevitável, teria que conversar com o pai querendo ou não. Com muito esforço, a Pierce dirigiu até a sede de concessionárias dos pais e foi até a sala de Frank.

— Brittany? — Ele estranhou, levantando os olhos de seu notebook. — O que faz aqui?

— Oi, pai. Eu... — A jovem se aproximou com certo receio. — Descobri que meu número de celular ainda tá no seu nome e preciso que venha comigo pra transferir ele pra mim, por favor.

— Não vai nem se desculpar por ontem?

— Por que eu faria isso?

— Você ainda pergunta? — Frank balançou a cabeça, indignado. — Sua mãe ficou extremamente chateada e eu também, poderia ter nos avisado de antemão que não planejava passar o feriado com a gente. Era o mínimo.

— Como se fosse adiantar...

— O que quer dizer com isso, Brittany?

— Você sabe muito bem o que eu quero dizer, pai. Mas, enfim... — Ela cruzou os braços e desviou o olhar, incomodada de estar tendo aquela discussão. — Pode vir comigo resolver o negócio do número, por favor?

— Não.

— Não? — A loira voltou a fitar o homem. — Por quê?

— Tô ocupado agora.

— Prometo que não vai demorar...

O sr. Pierce espreitou os olhos, desconfiado.

— Qual o motivo da pressa? Perdeu o chip?

— É, basicamente isso.

— Hum... Minha resposta ainda é não.

— Por favor, pai. Preciso muito recuperar o número hoje, é importante.

— Trabalho? — Ele quis saber.

— O quê? Agora eu preciso ficar me justificando? — Brittany se zangou. — Se eu falei que é importante, é importante, independentemente do que seja.

— Tem razão. — Frank voltou a mexer no notebook. — Tenho certeza que independentemente do que seja, vão conseguir te contatar. Afinal, existe e-mail e tantas outras redes sociais nessa internet, não precisa desse número agora. Pode esperar um pouco.

— Sério que não vai me ajudar? — Ela não obteve resposta. — Tudo bem... Bom dia pra você, Frank.

— Igualmente, filha. Espero que repense suas atitudes nesse meio tempo.

Para não se estressar ainda mais, Brittany decidiu apenas ignorar a última frase e ir embora o mais rápido que pode. Precisava de um plano B, não dava para esperar a boa vontade de Frank. Pensativa, a jovem retornou a loja de sua operadora e comprou um chip com um número qualquer, mas logo que considerou ir até o Breadstix procurar por Mercedes a fim de pedir o número de Santana viu que faltava pouco menos de meia hora para seu expediente na Glee Comics, então mudou sua rota com pesar. Mais tarde resolveria tudo.

(...)

Em torno de umas sete da noite, Santana voltou a olhar pela quinta vez seus SMS’s, nem sinal de Brittany. Tentou não pensar muito sobre isso, já que acontecia das pessoas não quererem conversar todo dia por mensagem, mas sua cabeça automaticamente começou a sabotá-la porque a loira não parecia se encaixar nesse tipo. Quer dizer, elas mal se conheciam não tinha como saber o tipo dela ou qualquer outra coisa... Até a simpatia da garota era questionável. Bem, não importava.

A Lopez desistiu de checar as mensagens naquele dia e logo se juntou a Rachel na sala. O que estava a tirando realmente do sério não era Brittany ou a falta de mensagens ou nada disso, mas sim o desejo pelos malditos cookies de menta do qual nunca foi fã. Elizabeth era um serzinho muito engraçado, para dizer o mínimo.

— Que cara é essa, San? — Sua prima quis saber, abaixando o livro que tinha em mãos. — Pode me falando.

— A única que eu tenho, talvez? — Santana riu, sentando-se do lado esquerdo da Berry. — Não é nada... Só tô cansada.

— Ok. — Rachel sabia que não era o caso, mas resolveu não insistir.

— Quando o Kurt volta, hein?

— Sábado.

— Que bom... E o que tá achando do livro?

— Ah... Legal, eu acho... Tô desacostumada com romance, sabe? O último semestre da faculdade bugou minha cabeça, me sinto meio culpada de estar lendo isso ao invés de artigos científicos e afins.

— Entendo... — Santana disse, pegando o controle da Smart TV. — Você começa a se questionar o que isso vai acrescentar na sua vida.

— Exatamente! Parece uma perda de tempo, ainda que não seja. Odeio sentir isso.

— Eu também. Mas, espero que consiga terminar o livro. Dá um descanso pra sua cabeça.

Rachel sorriu, assentindo, e voltou ao livro ao passo que Santana colocava uma série qualquer para se distrair também. Duas horas mais tarde, Sebastian brotou na porta do apartamento com duas sacolas de compra nos braços e um sorriso enorme no rosto. Berry foi quem o atendeu.

— Boa noite!

— Boa noite... Entra. — Rachel saiu do caminho e olhou para trás. — Olha só quem tá aqui, San!

A dos olhos castanhos logo o fitou, sem se levantar do sofá.

— Sebastian... O que tá fazendo aqui?

— Surpresa, ué! — Ele foi até a mesa deixar as compras, depois lavou as mãos no banheiro e voltou até a ex-namorada. — Lembra da nossa conversa hoje cedo?

— Sim...

— Então, eu consegui entrar em contato com o Joe e pedi a receita do cookie de menta da avó dele e ele me passou na hora, de boa. Aí, comprei os ingredientes e vou fazer pra gente agora. Certamente não queremos nossa filha nascendo com cara de cookie de menta, né?

Santana riu com ele, balançando a cabeça em negativa.

— Certamente não.

— Pois bem, mãos à obra!

(...)

Quando o relógio marcou o fim de seu expediente, Brittany mal se despediu dos colegas de trabalho e saiu às pressas, chegando em seu carro em uns cinco minutos, seguiu para o Breadstix. Mercedes era legal, ela a passaria o número de Santana com certeza... Nessa noite conseguiria dormir bem. Otimismo, precisava esbanjar otimismo.

Entrando no restaurante, a loira prontamente se direcionou ao balcão.

— Oi, tudo bem? — Disse para o homem doutro lado, que meramente assentiu. — A gerente Mercedes tá por aqui?

— Não. Ela tirou uns dias de folga.

— Ah, sim... E quando ela volta?

— Segunda-feira.

Droga.

— Certo... Tem como, por gentileza, me passar o número da Santana Lopez?

Ele fez uma careta, franzindo o cenho.

— Estou confuso, não estava procurando pela Mercedes?

— Sim, sim, estava. Pra conseguir falar com a Santana.

— Entendi. Bom, infelizmente, não posso te passar o número de nenhum dos nossos funcionários. Vai contra a política do restaurante.

— Ok... — Isso não era nada bom, Brittany respirou fundo. — E tem você passar meu número pra Santana ou um recado, não sei?

— Também não. A política do restaurante é muito rígida quanto a essas coisas, sinto muito.

— Tudo bem... — Ela suspirou. — A Santana volta a trabalhar na segunda também?

— Sim.

— Tá bom, obrigada.

A Pierce saiu pisando forte no chão, aquele cara não tinha o menor interesse em ajudá-la, o que em partes ela entendia, já que era uma completa desconhecida, mas ainda assim, se pelo menos o sujeito repasse um recado a Santana... Já seria de grande ajuda. Agora, teria que esperar mais três dias até poderem voltar a se falar. Isso se a garota ainda quisesse, depois do vácuo que Brittany esperava do fundo do coração não ter a dado. O universo não estava muito a seu favor, aparentemente, então nem nisso botava muita fé mais.

Notas finais
Não me matem kk Até ♥