E as semanas foram passando, uma a uma, tão velozes quanto um trem bala. E tão rápido como Setembro deu lugar ao mês seguinte, o final de Outubro estava cada vez mais próximo também. Naquele ponto, Brittany havia acompanhado Santana (e Sebastian) em todas as consultas pré-natal do oitavo mês, como disse que faria. O que foi ótimo, tanto para ela quanto para a grávida, pois a Pierce pôde se envolver ainda mais com aquela parte da vida da namorada. E foi através de uma dessas consultas também que tomou conhecimento de Bree, a namorada de Sebastian, em uma das conversas em particular que tinha periodicamente com o rapaz.

Elizabeth vinha se desenvolvendo perfeitamente bem, e, na última semana de Outubro, Santana tirou folga do Breadstix porque a qualquer momento poderia entrar em trabalho de parto e precisava poupar energias, já que o mesmo consumiria muito dela. A jovem andava bastante sonolenta – o que era comum naquela altura do campeonato; e começou a ter leves contrações de treinamento típicas da última fase de gestação também. Quase sem nenhum equilíbrio e com muito, mais muito daqueles calores insuportáveis circulando por todo o seu corpo, ela tentava seguir o mais tranquila possível.

Agora, a bebê em seu ventre se mexia muito mais que o normal e as falsas contrações assustavam a Lopez de vez em quando, mas a Dra. Emma a garantiu que ela saberia quando as contrações fossem para valer. A diferença era “considerável” em suas palavras, entretanto, para a Santana do futuro parecia mais com “absurda”. De qualquer forma, achar uma posição para dormir com a barriga e os sintomas beirando o nono mês de gravidez só não era impossível por conta do travesseiro de corpo inteiro que Brittany havia dado a morena semanas antes, mas dormir de conchinha com ela? Ou mesmo perto dela? Estava totalmente fora de questão.

Seria eufemismo dizer que Santana andava apenas sonolenta. Numa hora, era um pico de energia e, em outra, um poço de irritação. Sem estresse, era só que... Os choros aleatórios de antes sumiram completamente para dar lugar a uma personalidade um pouco mais explosiva, semelhante àquela que a loira presenciou ao conversar com a latina pela primeira vez.

Santana não queria nem que Brittany chegasse perto dela quando o assunto fosse deitar para dormir, sua impaciência e mau humor afugentava qualquer um. Menos a Pierce... Ela achava engraçado e levava tudo numa boa, compreensiva como só ela sabia ser. Afinal de contas: ainda conseguia cantar para Lizzie e ter um momento agradável com a Lopez na cama antes de dormirem de fato, então, para ela não tinha problema algum e isso ajudava Santana a relaxar, verdadeiramente.

As namoradas continuaram frequentando as aulas de yoga pré-natal até a última semana de Outubro, o segundo volume de Codinome Snixx foi publicado e Brittany já estava com as próximas duas edições adiantadas, Sam e Quinn revelaram seu envolvimento amoroso (que não era novidade para ninguém) e o Halloween passou sem muitos acontecimentos, apenas crianças batendo de porta em porta em busca de doces ou travessuras. E Novembro enfim chegou, trazendo consigo múltiplas mudanças.

Era noite de sábado, quando Santana sentiu sua primeira contração. Ela se encontrava sozinha no apartamento de Brittany, enquanto a loira batia papo com Sam no terraço do prédio. Teoricamente, era para a morena estar dormindo – e estava; mas assim que constatou a dor daquela primeira contração, ela se levantou da cama imediatamente e foi para o banheiro.

Tinha tido contrações de Braxton Hicks o dia todo, por isso soube no mesmo instante que aquela não era uma contração de treinamento como as outras. Essa, era intensa demais e irradiava-se por todo o seu abdômen e costas e quadril, além disso, sua barriga estava mais dura que o normal. Foi questão de dois ou três minutos para outra contração daquelas aparecer. E mais outra e outra e outra, ritmadamente, enquanto suas mãos apertavam a pia e sua mente parava de funcionar, focando-se exclusivamente na dor desconhecida.

Nesse meio tempo, Brittany voltou para casa, um tanto quanto distraída. Então, quando foi lavar as mãos, logo viu a namorada através da porta aberta do banheiro e abriu um sorriso enorme, andando até ela... Mas, antes que pudesse cumprimentar Santana com um beijo, a desenhista enxergou o real semblante da grávida. Que, francamente: não era nada bom. Nada. Suas sobrancelhas estavam franzidas ao máximo, a boca comprimida, o corpo todo tenso... Cara total de poucos amigos. Ela estava inclinada em frente ao espelho, apertando a pia sob suas mãos. Parecia estar sem ar.

— Sannie, tá tudo bem?

— Eu... Argh, Bri-tta-ny. — A jovem grunhiu, meio aborrecida. — Eu acho que Elizabeth tá nascendo.

— A-agora?! — Ela perguntou, desesperada. E percebeu a bolsa da namorada estourar na sequência.

— É, AGORA! — Santana berrou, possessa, e olhou para o lado. — NÃO TÁ VENDO?

— Ok, c-certo. Certo. — Brittany tentou tranquilizar a latina, à medida que chegava mais perto dela para afagar suas costas, na esperança de se tranquilizar também. — Só respira, tá bem? Um...

— DIOS MIO, EU TÔ RESPIRANDO!

— Eu sei, amor. Eu sei. — A loira continuou acariciando as costas da mais baixa, sem pressa. — Eu quis dizer as respirações de yoga, lembra?

— É... Eu lembro.

— Então, respira fundo comigo. Um... Dois... Três. — Brittany sorriu ao notar que Santana estava fazendo o que ela lhe pedira. — Isso mesmo, muito bom.

— Dói demais, Brittany...

— Eu imagino.

— Não, você definitivamente não imagina nada. Você não tem no-ção... É horrível!

— Olha, vai ficar tudo bem. Eu prometo. Vamos agora mesmo pro hospital, sim?

— N-NÃO... Eu não posso ir assim!

Ela não se referia apenas a roupa recém-molhada de líquido amniótico, mas também ao fato de estar de pijamas. Pretendia colocar um vestido confortável, estava tudo separado próximo à bolsa maternidade que Quinn havia a presenteado no chá de bebê.

— Quer se trocar antes?

— Óbvio!

— Tudo bem... — Ela assentiu calmamente, tentando transparecer o máximo de serenidade possível. — Eu vou ligar pra Emma, pros seus pais e pro Sebastian, enquanto isso. Tá?

— T-tá.

Dito e feito, em alguns poucos minutos Lorenzo, Maribel, Sebastian e Emma foram avisados sobre a ocorrência e Brittany e Santana estavam à caminho do hospital. Não demorou muito para a notícia chegar ao ouvido dos outros também, já que Lorenzo avisou Rachel que avisou Kurt, Quinn e Mercedes, mas eles só pretendiam aparecer no hospital no dia seguinte. No momento do parto, poucas pessoas deveriam estar presentes e eles sabiam disso, portanto a última coisa que fariam era ficar em cima da amiga dificultando todo o processo, mesmo que não passassem da sala de espera.

Durante o percurso até o hospital, a Pierce ouviu muitas palavras em espanhol saindo da boca da namorada. De uma forma, digamos que... Agressiva. O que pirou consideravelmente ao chegarem no hospital, onde a morena foi levada às pressas para uma sala em uma cadeira de rodas. Brittany foi levada para outra sala, para trajar-se com uma vestimenta adequada. E Sebastian enfim chegou no local também, sendo levado para botar um daqueles scrubs cirúrgicos da mesma maneira que a Pierce. A única diferença é que ele achou o quarto da ex-namorada antes que Brittany.

— Dra. Pillsbury, Santana, oi... — O homem as cumprimentou, aproximando-se aos poucos da cama onde a Lopez se achava. — Nossa, eu mal acredito que esse dia chegou! Sério, devo ter ultrapassado uns três sinais vermelhos na vinda pra cá. Foi uma loucura.

— NINGUÉM SE IMPORTA, SEBASTIAN! NINGUÉM!

— Perdão, San. Como é que você tá?

— PRECISO M-MESMO DIZER QUE EU TÔ PÉSSIMA? — Santana parecia outra pessoa, rosnando irada. — GRR, EU NUNCA VOU TE PERDOAR POR FAZER ISSO COMIGO, SEBASTIAN! NUNCA! QUE FIQUE BEM CLARO!

— Tudo bem... — Ele segurou a mão dela, se arrependendo apenas alguns segundos depois. — Sei que não é o suficiente, mas minha mão tá aqui caso queira apertar.

E assim ela o fez, deixando o rosto do Smythe todo retorcido de dor. Se sua mão sobrevivesse a aquilo... Nossa, seria um verdadeiro milagre. Queria muito puxá-la de volta para si em desespero, mas também queria apoiar a garota o máximo que pudesse. Então, manteve-se firme em sua decisão... Por mais dolorida que fosse.

— O-ONDE É QUE TÁ A BRITTANY, AFINAL? EU PRECISO DELA AQUI!

— Não se preocupe. Ela já está a caminho, Santana. — Emma avisou, pacientemente. — Agora, eu preciso que comece empurrar. Ok?

As contrações continuarem vindo com mais e mais frequência e Santana começou o árduo trabalho de fazer força, sentindo a todo instante que não conseguiria aguentar a dor. Aquilo era surreal. Mas, quando viu Brittany finalmente adentrar àquele quarto e segurar sua mão livre, assim como Sebastian fazia doutro lado, ela respirou fundo, equilibrando os apertos igualmente para a mão de cada um dos jovens, focada em continuar o parto sem anestesia.

— POR QUE DEMOROU TANTO, PIERCE?!

— Desculpa, eu acabei me perdendo.

— NUNCA M-MAIS FAZ ISSO...

— Tá bom. — Ela abriu um sorriso reconfortante, mesmo com a mão sendo massacrada. Sebastian a fitou boquiaberto, não sabia como ela estava conseguindo sorrir, muito menos falar tão naturalmente daquela forma. Era como se Santana quisesse matá-los. — Você tá indo muito bem, San-shine.

A verdade era que Brittany se encontrava tão, mais tão pasma, que mal sentia seu corpo naquela hora. Parecia estar flutuando. Sua mente divagando sem fim, como se tudo não passasse de um sonho... Mas, ela sabia que não era um sonho. Era real até demais. Por isso estava assim. Seu estômago revirava de ansiedade. Não sabia explicar muito bem o porquê, mas... Ver Santana em agonia, sem poder fazer nada, além de falar, deixava-a assustada demais. E só de pensar em mostrar isso para a namorada, ela ficava ainda mais assustada. Então, forçava-se a agir com naturalidade e a dor em sua mão até que ajudava bastante... E quiçá, ajudasse a Lopez também.

O parto durou cerca de uns cinquenta minutos, o que foi bem rápido para um primeiro parto. Tudo graças as aulas de yoga, é claro. Apesar disso, para Santana pareceu uma eternidade. As dores que veio a sentir eram... Indescritíveis de tão fortes. De longe, foram os piores minutos de toda a sua vida, porém receber Elizabeth em seu colo logo após, foi a melhor coisa de todas. Estava completamente esgotada, completamente, e, ainda assim, conseguiu abrir um sorriso para a recém-nascida. Ela era tão pequena.

— Lizzie. Oi, mi amor... Oi. — Ela sentiu uma lágrima escorrer do canto dos seus olhos. — Você é perfeita.

Sebastian e Brittany trocaram olhares entre si e voltaram a olhar para a bebê também, tão emocionados quanto Santana. Talvez, por suas mãos estarem doendo mais que tudo... Mesmo assim, extremamente tocados com a cena. Emma disse à Santana em algum momento que ela poderia dar de mamar para Elizabeth pela primeira vez, então foi o que a dos olhos castanhos veio a fazer sendo auxiliada pela mulher.

— Muito obrigada, Dra. Pillsbury. — Santana a agradeceu, tirando os olhos de Elizabeth por um segundo. — Não poderia ter tido melhor obstetra que você.

— Não me agradeça. O mérito é todo seu, querida... Mais uma vez, parabéns. Você foi incrível. Eu já volto.

Ela os deixou, assim que a bebê terminou de mamar, então Santana cobriu os seios e olhou de Brittany para Sebastian e de Sebastian para Brittany, algumas vezes até se manifestar.

— Vocês querem segurar ela?

— Claro... — Responderam em uníssono.

— Quer dizer, você primeiro. — Brittany correu a falar, olhando para o rapaz doutro lado da cama. — Você é o pai.

Sebastian balançou a cabeça e recebeu a pequena em seus braços em seguida, petrificando em emoção. Caramba, ele tinha mesmo uma filha. E ela era idêntica à Santana (aos menos, às fotos dela de recém-nascida) assim como os ultrassons vieram a mostrar anteriormente. Ela tinha bastante cabelo e era, simplesmente, a coisa mais fofa do mundo.

— Filha... — Ele sorriu de orelha a orelha, admirado. — É um prazer te conhecer. Você é minha pérola... Sim, você é.

Depois de algum tempo meramente assistindo Elizabeth em seu colo, todo abobalhado, o Smythe deu a volta no quarto e entregou-a nas mãos de Brittany. Que congelou totalmente com a ação, perdeu o ar. A recém-nascida estava mesmo em seus braços? Mal estava acreditando. O mundo parecia em câmera lenta, tudo em volta se embaçou.

— Aqui.

— Ei, Lizzie... — A dos olhos azuis começou, emocionada. Tentou se conter um pouco. — Você tá mesmo aqui. Eu nem sei o que dizer. M-mas, como a Sant falou, você é perfeita... A coisa mais fofa. De verdade.

Santana sorriu e se deixou descansar um pouco na cama, enquanto Sebastian e Brittany se ocupavam de bajular a bebê. Alguns minutos depois, Emma retornou com Lorenzo e Maribel e eles enfim conheceram sua neta. Mais lágrimas de alegria brotaram por ali e aquele dia marcou-se com este acontecimento, 3 de Novembro, quando Elizabeth enfim veio ao mundo. E agora ela fazia parte do nós. Ou melhor, dos nós que englobavam toda aquela grande família.

Notas finais
Até ♥