Durante sua estadia no hospital, Santana recebeu visita de Rachel, Kurt, Quinn e Mercedes. Todos conheceram Elizabeth. Era tudo muito novo para a morena, muito incomum, no entanto, a companhia de Brittany e Sebastian – a todo momento, naquelas primeiras 48 horas de repouso pós-parto, mesmo depois que Lorenzo e Maribel foram embora; facilitou bastante o choque inicial do que estava sendo a experiência de dar à luz e ter, finalmente, sua filha em mãos para ser amamentada e comtemplada.

A Lopez não tinha certeza se era só com ela, mas, sentia-se totalmente fora da realidade. E toda vez que pegava a recém-nascida no colo era incapaz de prestar atenção em qualquer coisa ao seu redor. Muitos pensamentos vinham a sua mente, em especial o medo colossal de Lizzie ser trocada no berçário da maternidade sempre que a separavam dela, por isso forçava-se ao máximo a gravar cada pequeno detalhe da bebê.

Nessas 48 horas, Brittany se manteve calma e sorridente, incentivando que Santana descansasse o máximo que pudesse enquanto Elizabeth não estava no cômodo em questão. E Sebastian foi incapaz de dormir já que intercalava idas do quarto da ex-namorada para o berçário e do berçário para o refeitório do hospital, onde enchia a cara de café e comprava uma coisa ou outra nas máquinas de salgadinhos e doces.

Apesar de ambos estarem tão admirados quanto Santana, estavam dando o seu melhor em mascarar toda euforia que sentiam... Quer dizer, Brittany estava, Sebastian nem tanto. O rapaz se encontrava em transe, altamente abobalhado desde seu primeiro contato com a pequena. E a Pierce? Bom... Ela focava única e exclusivamente em garantir que a namorada ficasse bem, então, apesar de toda a euforia, quando tinha a possibilidade de dormir (isto é, depois que a Lopez o fizesse primeiro), sentava-se no sofá no cantinho do quarto, colocava os fones de ouvido e escutava Johnny Cash bem baixinho até cair no sono.

Santana teve alta na manhã de terça-feira e, do hospital, seguiu com Elizabeth, Brittany e Sebastian para sua casa. Seus pais haviam deixado tudo arrumado para receber ela e a neta nesse meio tempo, deixando inclusive um bilhete na porta da geladeira, indicando que havia comida pronta para o dia todo, bastava esquentar no fogão.

Foi só os jovens atravessarem a porta da residência dos Lopez, que instantaneamente o Smythe desmaiou de sono no sofá. Enquanto isso, Santana e Brittany colocavam a bebê adormecida em seu quarto. Era estranho, mesmo depois de receber todas as instruções que precisava de Emma e dos livros e artigos que leu sobre maternidade, a latina tinha receio de deixar a recém-nascida sozinha. Era um medo anormal de tão forte.

Brittany ligou a babá eletrônica e chegou perto de Santana, segurando os ombros da mais baixa, aplicou um beijo carinhoso em sua bochecha e observou Elizabeth dentro do berço também, antes de cochichar.

— Vamos descer, Sannie? Você precisa comer alguma coisa.

— Eu sei. — Ela assentiu sem tirar os olhos da bebê. — Mas, você não acha que é meio perigoso deixar ela aqui sozinha?

— Não. Olha só... — A desenhista pegou a tela que transmitia a babá eletrônica e também seu celular que, assim como o de Santana e Sebastian havia sido sincronizado com a câmera do aparelho de segurança e mostrou o bom funcionamento à namorada. Agora, estavam vigiando Elizabeth pessoalmente e digitalmente de forma simultânea. Era engraçado. — Eu liguei a babá eletrônica, não precisa se preocupar. Qualquer coisa a gente chega aqui em um segundo.

— Ok. Nesse caso, acho que tudo bem se a gente descer um pouquinho... — Santana voltou a fitar sua filha. — Sem querer me gabar, Britt, mas ela não é a coisa mais perfeita que você já viu?

— Que pergunta, San-shine. — Ela riu. — Tudo que vem de você é perfeito. Tudo, tudo, tudinho mesmo.

Brittany deu outro beijo na bochecha de Santana, mas dessa vez deslizou as mãos até a cintura da latina e descansou a cabeça no ombro dela que, como resposta, abriu um sorriso. A morena então segurou a mão da loira, sibilando um “vem cá” e puxou-a até o corredor, onde uniu seus lábios e iniciou uma série de beijos com a namorada. Não tinham tido chance de o fazer nos últimos dois dias, ao menos não com tal intensidade, então estavam em um curioso estado de abstinência.

— Nossa... — A Pierce sussurrou com sua testa colada à da mais baixa, os olhos ainda fechados.

— É. — Santana abriu os olhos e deu mais um selinho na loira, afastando-se com certa dificuldade. — Vamos descer?

— S-sim, com certeza.

No caminho até a cozinha, a atenção das namoradas foi capturada por Sebastian aos roncos no sofá da sala.

— Você sabe se ele dormiu nas últimas 48 horas? — A Lopez quis saber.

— Hum... — Brittany forçou o cérebro a se lembrar de alguma coisa. — Eu não sei. Mas, acho que não.

— Também tô achando. — Santana se aproximou do acolchoado e chacoalhou o ex-namorado. — Ei, Sebastian, você dormiu?

Mm... — Ele gemeu, sem abrir os olhos. — Tô dormindo.

— Não, eu me refiro aos últimos dois dias. Você dormiu?

— Não... — Sebastian a espiou com um olho. — Não consegui.

Dios mio! — Seu tom era de total desaprovação. — E como espera cuidar da Elizabeth, trabalhar ou ir pra faculdade assim?! Vai já pra sua casa dormir, só volta quando estiver menos parecido com um zumbi!

— Mas, San...

— Não tem “mas”, eu tô falando sério. Sem condições de você ficar perto desse jeito.

— Eu tô bem. — Ele sentou-se com a coluna reta às pressas. — Só precisava de um cochilo mesmo, já tô novo em folha.

— Bom, se com “novo em folha” você quer dizer: acabado. É, realmente, novinho em folha. — Santana ironizou, sem paciência e deu um tapa no braço do homem. — Vem, vamos logo comer alguma coisa e depois você vai embora.

— Tá bom...

Santana se levantou, alcançando Brittany na cozinha e estranhou os olhares que a desenhista direcionava a ela.

— Que foi?

— Você não acha que foi dura demais com ele?

— Não. Eu é que não vou arriscar deixar ele segurar minha filha nesse estado, imagina se a Lizzie cai no chão? E outra, ele precisa voltar pra faculdade, já faltou ontem, vai faltar hoje, se resolver faltar a semana inteira vai complicar muito pro lado dele. Isso sem falar do trabalho, ele tem que continuar trabalhando, sei que ele avisou os superiores, mas, mesmo assim, não dá pra ficar dias sem dormir achando que vai ficar tudo bem, porque não vai.

— Você tem razão, mas o Sebastian não tá fazendo de propósito. Todo esse universo é novo pra ele também, tava tão eufórico que não me surpreende nada não ter conseguido dormir.

— É... Eu sei.

Em pouco tempo, Sebastian se juntou à elas e os jovens alimentaram-se da comida deixada por Maribel e Lorenzo. Umas duas horas mais tarde, os três subiram para o segundo andar da casa e, lá, Sebastian se despediu de Elizabeth antes de ir embora a pedido de Santana.

O resto daquele dia foi um pouco menos tranquilo já que, a cada 3 ou 4 horas mais ou menos, Lizzie acordava aos choros para mamar e isso se estendeu pela madrugada do primeiro dia, do segundo, do terceiro, do quarto e assim sucessivamente, até atingirem uma semana naquela rotina. Santana estava exausta mentalmente, fisicamente, sobretudo por conta dos seios doloridos da amamentação e então ela entendeu o porquê Brittany fez de tudo para ela dormir o máximo que pudesse enquanto ainda estava no hospital.

Aquela rotina era insana. Insana. Mesmo com o apoio de sua família. E ainda que Sebastian aparecesse lá todo santo dia, como pai, ele não fazia ideia do que era estar no papel de mãe. Brittany ainda conseguia ter mais noção, já que fazia questão de levantar pelas madrugadas junto de Santana e acompanhar todo o processo de amamentação até o instante de fazer a bebê pegar no sono outra vez, e, embora a morena fosse extremamente grata por isso, começou a se preocupar da outra se prestar aquela rotina sem necessariamente precisar o fazer.

— É sério, Britt... Você não precisa levantar comigo toda vez que ela chorar. Posso ir sozinha. — Santana disse, bocejando no meio da frase. Haviam acabado de colocar Elizabeth para dormir. Eram umas três da manhã. — A propósito, eu acho que você devia dormir uns dias no seu apartamento pra relaxar um pouco. Essa semana não foi fácil.

— Tá me expulsando, é?

— Não foi isso que eu quis dizer...

— Eu sei, amor, só tô brincando. Não se preocupa comigo. — Ela puxou a namorada para um abraço, enquanto residiam na cama da Lopez e começou uma série de cafunés nos cabelos escuros. — Eu tô bem. Gosto de fazer parte disso.

— Não sei como...

— Ué, eu amo vocês duas. São as garotas da minha vida. O mínimo que eu posso fazer é estar presente, especialmente em momentos difíceis. E logo vai passar, daqui a pouco a gente pisca e ela vai estar falando sua primeira palavra. Que eu aposto que vai ter relação com as músicas que a gente sempre canta pra ela.

— Nem me fala. — Santana riu e desfez o abraço para roubar um beijo da dos olhos azuis. — Obrigada, Britt-Britt. Impressionante como você sempre sabe o que dizer.

— Sou uma gênia.

— Sim, você é.

Elas se beijaram de novo e depois deitaram na cama, Santana repousou a cabeça no peito de Brittany e ela voltou a mexer nos cabelos da namorada.

— Então, eu contei que a Lizzie nasceu pros meus pais e eles querem te conhecer. Nos convidaram pra passar a Ação de Graças lá.

— E você acha que é uma boa ideia?

— Não sei, eles parecem estar de boa. Mas, são pessoas difíceis de lidar. Se você não estiver confortável, podemos deixar pra uma outra ocasião. Ou sei lá, você não precisa conhecer eles.

— Eu quero... Estaremos lá na Ação de Graças.

— Ok.

Tinham dez dias até lá. Não poderia ser tão ruim, se eles queriam conhecê-la era porque tinham intenção de levar aquele relacionamento a sério... Certo? Bom, de qualquer forma, se as coisas ficassem estranhas, bastava irem embora. E não era como se fossem ficar lá o dia inteiro também... Santana não podia ficar muito tempo longe de Elizabeth, e Brittany estaria onde elas estivessem. Não tinha a mínima pretensão de deixá-las sozinhas, justamente por isso pedira ao seu chefe para trabalhar de casa por umas semanas.

Notas finais
Até ♥