Estava de noite. Santana andava sozinha numa rua escura... Ou pelo menos, era o que ela achava. Ao horizonte, pôde ver uma loira correndo para longe. Era Brittany. Ela tinha um sorriso no rosto e parecia querer que a dos olhos castanhos a seguisse. Sem entender muito bem a ocasião, Santana simplesmente foi atrás da namorada. Queria descobrir o que estava acontecendo.

E então, chegaram no carro de Brittany mais à frente. O relógio não funcionava, os bancos eram pura bagunça. Nada tinha mudado. Será que ela já havia dito a Pierce como isso a incomodava? Não lembrava de ter dito... Por outro lado, o apartamento dela era tão arrumado, aquele relaxo todo com o carro era meio discrepante do resto. Não fazia muito sentido, ao menos não parecia fazer. Mas, Santana ainda perguntaria o motivo um dia, quando tivessem mais intimidade... Ou talvez, não. Quem sabe. Certas coisas não precisam ser ditas.

A latina olhou para o chão, tinham algumas poças d’água espalhadas por toda a rua. Nem tinha se dado conta... Não lembrava de ter chovido. Quando olhou para o céu, percebeu que estava repleto de estrelas e a lua cheia, brilhando como nunca. Amava isso... A brisa gelada da noite batendo em sua pele. Brittany beijou sua bochecha e abriu a porta a porta do carro, estendendo a mão para ela se sentar no banco do passageiro.

Dentro do veículo, a desenhista se inclinou para beijar Santana. Era um dia como qualquer outro, embora a morena não se lembrasse que dia da semana era exatamente. Ou o que fizera antes de estar ali, ou mesmo nos últimos dias. Estranho. Não era de seu costume se esquecer das coisas tão fácil assim... Mas, verdade seja dita: nada importava muito quando ela e a Pierce estavam se beijando. Era a melhor coisa. Tão, mais tão viciante... Um friozinho na barriga dominava-a cada vez que se entregava ao momento. As batidas do coração aceleravam um pouco, e as pernas pareciam perder o equilíbrio.

Suas mãos ansiavam por tocar o rosto da loira, sua nuca e seus cabelos claros também. E Brittany deslizava os dedos pelas suas costas, sorrindo sempre que trocavam a posição do beijo. Não muito diferente das outras vezes, a mais alta sempre acabava por tocar o rosto de Santana também, e aí era a vez da latina tatear a cintura da outra. Seus beijos eram os melhores. Era difícil resistir... Quase impossível. Parecia que Brittany sabia exatamente o que fazer, onde colocar a mão e qual ritmo seguir. Era o encaixe perfeito. Quando acabava, a Lopez ansiava por mais. Sempre soltando um micro suspiro no final de cada beijo em sinal de satisfação e, claro, seu desejo pelos próximos que viriam.

Santana não lembrava muito bem o porquê, mas tinha que se controlar toda vez que estavam se beijando. Impor limite em onde colocava a mão durante, o ritmo que tomavam e para onde seus lábios iam também. Notava que Brittany fazia o mesmo, embora soubesse muito bem o que fazer. Talvez, por isso fosse tão bom... Apesar de estarem se controlando, conseguiam tirar proveito de cada um dos beijos. Naquele dia entretanto, a dos olhos azuis estava mais ousada... Dava para sentir. Não estava com muito medo de explorar o pescoço da Lopez com a língua e, ela, na sua posição, foi incapaz de dizer qualquer coisa em oposição.

E para que dizer? Se nem lembrava, não era tão importante assim... Certo?

— Sannie... — Brittany sussurrou na sua orelha de forma meio sugestiva e ofegante. — Quer ir lá pra casa?

Sem pensar muito além das sensações que a outra lhe passava – tão decidida com aqueles toques e beijos; Santana apenas assentiu. Ela queria ir... E como queria. Com algum esforço, as duas se separaram e a loira ligou o rádio, cantando suas músicas aleatórias de sempre... Era engraçado. Brittany normalmente balançava a cabeça e dava batidinhas no volante, direcionando os olhos à Santana mais vezes do que ela podia contar. Era como se buscasse algum apoio na cantoria e, ao mesmo tempo, como se a Pierce quisesse meramente checar se a morena estava bem... Independentemente do motivo, Santana gostava.

Aliás, era difícil pensar em algo em Brittany que a Lopez não gostasse. Talvez, por estarem juntas há muito pouco tempo. No começo, qualquer namoro parece o paraíso... Até não parecer mais. Não sabia exatamente o ponto em que isso acontecia, mas pela sua experiência, cedo ou tarde problemas acabavam aparecendo. Seres humanos estavam bem longe de serem perfeitos, ela mesmo passava longe da perfeição. Mas, Brittany? Ela era incrível... Do seu jeito. Linda, carinhosa, calma, companheira e... Muito mais que isso. Não seria capaz de descrever nem se quisesse, palavras não eram o bastante. Era fácil estar perto dela, como se a vida de Santana tivesse adquirido certa leveza após todo o estresse que passou desde que descobriu a gravidez, até o dia em que elas se conheceram melhor.

Num piscar de olhos, a latina se encontrava dentro da casa da namorada. Agora, as duas estavam num beijo insaciável. Santana sentiu as costas na parede, quando Brittany a empurrou para lá, segurando sua cintura com firmeza. Seus olhos eram incapazes de ficar abertos e tudo o que conseguia sentir era a loira trilhando o mesmo caminho com a boca por todo o seu pescoço, tinha alguma coisa errada. Não deveriam estar fazendo isso... Mas, por que não conseguia se lembrar? O corpo de Santana estava tão quente, sentia arrepios por toda parte. Ela queria a Pierce mais perto, bem mais perto do que isso. E, ao mesmo tempo, sua cabeça gritando que não era certo.

Entre um dos beijos, Brittany levou uma mão sobre seus seios. Antes que ela continuasse o fazendo, Santana se afastou e abriu os olhos correndo. Precisava dizer alguma coisa, precisava... Embora não se lembrasse o que. Percebendo o reflexo da namorada em quebrar aquele beijo de antes, a Pierce parou no lugar e abriu os olhos também, no intuito de entender o motivo pelo qual Santana o fez. Sua atenção era toda dela.

— Britt... E-eu acho melhor a gente parar. Agora.

— Eu fiz alguma coisa de errada? Desculpa...

— Não! Eu... Ahn, eu... Não sei ao certo porquê. Só sinto que temos que parar.

— Mas, você quer parar?

— Não... — Santana engoliu a seco, intermediando olhares entre olhos azuis e lábios rosados. — Não quero.

— É só o que eu precisava ouvir. — Ela voltou a beijar o pescoço da namorada, risonha, e apertou-a contra seu corpo. — Você sabe, mais inofensiva que eu impossível... Só mordo se pedir.

Santana já tinha ouvido isso antes, ela tinha quase certeza. Mas, o contexto era outro. Elas continuaram os beijos e Brittany ergueu a mais baixa no ar, levando-a até o sofá... Lá, passou a tirar a camiseta e a Lopez fez o mesmo. No meio de um beijo ou outro, a desenhista foi descendo os lábios em direção aos seios de Santana. A mesma sensação de que não deveriam estar fazendo isso veio à tona. Então, ao olhar para baixo, a morena percebeu que sua barriga havia sumido... Isto é, aquela de sete meses de gestação. Ela, simplesmente, não estava mais lá.

Que diabos?!

A Lopez acordou na hora, o corpo extremamente quente. Era só um sonho... Que, não por acaso, vinha se repetindo desde o dia anterior. Já era a segunda noite que a Lopez dormia com o travesseiro de corpo inteiro que Brittany havia comprado para ela na quarta-feira, e o fato é que Santana atingira um sono tão profundo que sua mente começou a criar coisas... Estava com um calor anormal por toda a parte de seu físico, da cabeça aos pés. Precisava se livrar de algumas roupas, talvez dormir apenas de shorts e top.

Não sabia se era exatamente uma boa ideia, levando em conta que estava tendo aquele tipo de sonho com frequência e, bom, sua namorada estava na sua cama junto a ela, mas não conseguiria suportar aquele calor por muito mais tempo. Tinha que dar um jeito. Santana passou a se esgueirar para fora dos braços de Brittany com alguma dificuldade e então acabou acordando-a no processo, é claro... A loira coçou os olhos meio sonolenta e fitou a morena, tentando processar toda a informação. Era duas e pouco da manhã, um extremo silêncio preenchendo o apartamento por completo. Nem sinal de Rachel ou Kurt acordados por aí, uma madrugada de quinta para sexta-feira comum.

— Sant, tudo bem?

— Érr... Tudo. Pode voltar a dormir, Britt. — Santana a deu um selinho e se levantou da cama, indo até seu armário pegar umas roupas no escuro. — Eu só preciso trocar de roupa. Tá meio calor aqui, não acha?

— Na verdade... Não.

— Bom, eu acho. Então, tô indo lá me trocar.

Ela se virou rapidamente, saindo do quarto para ir até o banheiro sem mais palavras. Depois que Santana vestiu um top confortável e um shorts larguinho, foi até a cozinha beber um copo d’agua e enrolou um pouco, respirando fundo antes de voltar para seus aposentos. Aquele maldito sonho estava meio difícil de esquecer... Chegava a ser irritante. Mas, precisava voltar para a cama. Quando atravessou a porta de seu quarto, observou Brittany sentada sobre o colchão com seu fiel caderninho de desenhos em mãos, rabiscando alguma coisa sob a luz do abajur que havia acendido há pouco. A Lopez abriu um sorriso com a cena e encostou-se na porta, após trancá-la.

— Te fiz perder o sono, foi?

— Talvez... — A Pierce riu e olhou para a namorada, notando a pouca roupa que estava usando. — Nossa. Q-quer dizer, como tá se sentindo?

— Bem melhor. — Santana foi andando até ela e pegou o caderninho de suas mãos, para olhar o que tanto desenhava. E era ela, a sua imagem. Não dava nem para dizer que era Snixx, já que o esboço do corpo possuía uma barriguinha avantajada gestacional. — Hum, você não se cansa não?

— Do que? Desenhar? — Ela entrou na brincadeira. — Não, sabe como é... Só aprimorando minha memória fotográfica. Nada demais.

— Ah, sim. Claro. — A morena repousou o caderninho sobre a mesinha de cabeceira e segurou na mão de Brittany quando ela ofereceu para, assim, subir na cama, encaixando-se em cima das coxas da mais alta. Sentou-se no colo dela. — Vou começar a cobrar por toda essa “aprimoração” da minha imagem... Ou será que devo dizer apropriação mesmo?

— Não seja tão má comigo, vai... — Ela riu, puxando a cintura da namorada para si enquanto começavam um beijo instigante. Separaram-se um tempinho depois, um tanto quanto desnorteadas. — Digo, você pode me cobrar o que quiser, dependendo eu tô dentro... Nunca se sabe.

— Dios... — Santana gargalhou, afagando cabelos loiros. Sua testa colada ao da Pierce. — Pra onde essa conversa tá indo, Britt-Britt?

— Não sei do que tá falando, San-shine.

— Ah, não?

— Hm-hm.

— Você é a maior sem vergonha... — A jovem se afastou um pouco para encarar a namorada, e tomou coragem para perguntar: — Por falar nisso, quando pretende ir fazer os exames lá?

— Ahn, então, acontece que eu fui ontem...

— Ontem você diz quarta?

— Isso.

— E por que não me contou?

— É que eu... Não queria criar expectativa, sabe? Só isso.

— Entendo, eu provavelmente faria o mesmo. Mas, e aí? — Ela indagou, explicitamente, curiosa. — Foi tudo bem?

— Sim, bem tranquilo. Eu fiz os testes rápidos e deram todos negativos, mas também fiz os exames que demoram um pouco mais de tempo pra análise e agora só tô esperando os resultados.

— Certo... Isso é bom. Muito bom, aliás.

— É...

Elas trocaram alguns olhares contínuos, antes de embarcarem em um novo beijo. Era uma zona perigosa. Tinham plena noção disso, o problema é que não queriam parar. Nem Santana, muito menos Brittany. Mas, ao passo que as coisas pareceram sair um pouco do controle, a Pierce se conteve... Não queria deixar a namorada desconfortável e nem queria que ela tivesse do que se arrepender também. Foi um sacrifício, porém Brittany interrompeu contato quando Santana puxou sua cabeça para trás e começou a descer os lábios para seu maxilar e consequentemente para sua garganta. Ao contrário do sonho, não carregava culpa alguma.

— E-Espera, Sannie. — A dos olhos azuis pediu, tendo a atenção da morena para si. — Estamos indo um pouquinho além... Será que não é melhor a gente voltar a dormir? Antes que... Você sabe.

— É... Talvez, seja melhor mesmo. — Santana assentiu, sem sair do lugar. Seus dedos mergulhados em fios loiros. — Mas, eu tava aqui pensando Pierce... A gente não precisa tirar a roupa pra se tocar.

— Verdade. Muito tentador, admito. — Brittany riu. — M-mas, você tem certeza? Eu não tenho lá muita experiência em transar de roupa.

— Nem eu, mas pra tudo tem uma primeira vez e eu tô muito excitada...

— A-ah, sim. — Ela gaguejou, encarando olhos castanhos. — Eu também tô... Só que você pode se arrepender, Sant, e eu não quero te deixar mal ou culpada por isso.

— Você não vai. — A Lopez se inclinou, dando um beijo acentuado na outra mulher. Na sequência, foi até uma das orelhas dela para sussurrar: — Eu preciso de você, Brittany... Você me deixa louca.

Instantaneamente, a loira perdeu o foco. A tentação era demais e quando menos percebeu, havia cedido, deslizando as mãos da cintura da Lopez para as pernas dela que, envolviam seu colo, uma de cada lado. A partir disso, as segurou com firmeza, e Santana beijou-a decidida em resposta... E aquilo não parou por ali, continuaram explorando o corpo uma da outra por sobre a roupa, sempre lembrando de não enfiar a mão por debaixo dos panos sem querer, e Brittany de não tocar nos seios de Santana, obviamente. Isso era importante. Estimulá-los poderia desencadear contrações na morena em função da produção de ocitocina, e então o risco de um parto prematuro aumentaria drasticamente. Não havia esquecido nenhuma das contraindicações que Emma deu a Lopez, por isso tinha que se policiar a todo o instante. Mas, tinha que admitir... Aquilo era bom. Santana também estava gostando.

Quando Brittany levou os dedos ao interior das coxas da latina, ela sentiu um arrepio lhe subir toda a coluna e desceu as mãos para os seios da Pierce apertando-os. Não muito tempo depois, a mais alta enfim tocou a intimidade de Santana por sobre o tecido do shorts que usava e passou a fazer pressão ali, movimentando a mão aos poucos. Enquanto fazia isso, Brittany beijava o pescoço da namorada, distribuindo estalos e lambidas na região. Percebeu Santana soltar alguns gemidos baixinhos, à medida que movia o quadril contra sua mão para frente e para trás. Com a outra mão, a loira intermediava apertos entre a coxa e a bunda da Lopez. Sentiu seus mamilos se ouriçarem com a estimulação que Santana fazia por lá e, instintivamente, contraiu o meio das pernas com a excitação.

Aqueles toques, gemidos, beijos e olhares eram tão, mais tão desconcertantes.

— E-eu tô quase, Britt... Quase... — A grávida avisou, abraçando forte o pescoço dela. Continuaram a fricção por alguns segundos mais, até Santana gozar e relaxar o corpo em cima da namorada. — Dios mio, eu tava precisando disso.

— Essa foi rápida... — Brittany se surpreendeu, meio ofegante, meio risonha. — É sempre assim?

— Não mesmo. — Ela acompanhou a outra no riso, afastando-se um pouco para encarar olhos azuis. Soltou um suspiro contente e depositou um selinho demorado na de baixo. — Devo ter batido meu recorde, de longe. E o mais impressionante é que estamos vestidas.

— Será que são os hormônios?

— Provavelmente. Pra alguma coisa eles tinham que servir, né... Além de me fazerem chorar igual uma trouxa. Mas, não tiro seu crédito. Você é incrível, Britt-Britt... Mal posso esperar pra fazermos sem roupa.

— Nossa, nem me fala isso. Eu tô me controlando muito aqui.

— Imagino... — Santana abriu um sorriso travesso e começou a beijar o pescoço da namorada, ao mesmo tempo em que deslizava as mãos para a cintura de Brittany e mais abaixo. — Mas, enquanto esse dia não chega, vamos aproveitar esse aqui.

— V-você não precisa, Sannie.

— Eu quero.

— Ok...

Foi a vez de Santana tocar a intimidade da outra, e assim foram até a loira atingir o clímax também. Naquela noite, dormiram um pouco menos do que deveriam, mas a experiência que tiveram valia todo o sono perdido. Sexo de roupa, rá... Essa era nova. Bem melhor do que parecia em teoria. É claro que toda a tensão sexual que andavam tendo desde o primeiro beijo ajudava, mas, ainda assim, era algo a se considerar. Valia a pena.

Notas finais
Até sexta ♥