Nós - Brittana

12 Ajudinha imparcial


Notas iniciais
De antemão, já vou pedir desculpas por esses 30 dias de hiatus kkk Eu sei, é muito, mas eu não planejava, o último mês não ajudou nada então teve que ser assim Bom, fiquem com o capítulo ♥

Brittany pôs as mãos na cintura e olhou ao entorno, sem saber muito bem por onde começar. Era domingo e estava disposta a iniciar o processo de mudança, pois quanto antes saísse daquele apartamento, mais rápido se livraria da “dívida” que tinha com Liza e Frank. Não podia negar, estava ansiando por essa parte... Mas, só essa mesmo. Embalar e empacotar os pertences estava longe de ser algo legal do seu ponto de vista, foi desconfortável quando o fez da casa dos pais para o dormitório da faculdade anos antes, se repetiu quando viera para esse apartamento e agora não seria diferente.

Sua mente implorava-a para procrastinar um pouquinho, pelo menos uma ou duas semanas, é verdade. Mas, não daria certo. Primeiro, porque estaria se estagnando outra vez e isso não podia acontecer em hipótese nenhuma. E depois, porque não se sentia em casa há muito tempo e isso provocava-a um sentimento de fuga tremendo. Afinal, não era só Marley que tinha o poder de espantá-la de lá. Mesmo sem sua ex por perto, batendo portas ou o que quer que fosse, a necessidade que Brittany sentia em sair correndo daquele lugar continuava vindo, descontrolada.

Bom, logo resolveria tudo.

Horas mais tarde, a Pierce se deu um intervalo de toda aquela arrumação, pois já era praticamente fim de tarde e seu estômago fez questão de firmar que precisava comer algo antes que tivesse um treco. Então, assim que terminou a refeição que tanto tardou a fazer, abriu a porta de casa e subiu sem pressa as escadas do edifício, indo até o terraço do mesmo, como periodicamente o fazia. Próxima ao parapeito do lugar, ela caçou o celular no bolso de sua calça e viu todas as notificações, atualizações e aleatoriedades que pôde na internet, antes de reabrir o diálogo que havia começado com Santana por SMS no dia anterior. Queria continuar a conversa, mandar qualquer coisa, mas o medo de parecer inconveniente continuava a invadindo, por mais que a outra tivesse dito que não havia problema.

O que queria falar, afinal? Nem sabia ao certo...

Será que suas últimas mensagens haviam soado estranhas?

Quer dizer, não dá para ler muito bem as pessoas por mensagem de texto. Pode-se imaginar, deduzir, mas saber com exatidão o que está se passando do outro lado? Não mesmo. Cada um tem sua própria maneira de interpretar as coisas, essa talvez fosse a maior barreira de conversas assim... Aliás, da escrita num geral. Enquanto se ocupava de pensar em tudo isso, girava o celular distraidamente, sem perceber que a tela ainda estava desbloqueada e a caixinha de mensagem sendo preenchida por letras desconexas em função de seus dedos encostando no touch repetidas vezes. Só se deu conta mesmo, quando o aparelho vibrou em sua mão com uma resposta.

Brittany

Dfgtyxc

vdsa

lihbv

gft

(5:47 p.m.)

Santana

?

(5:47 p.m.)

Olhos azuis se arregalaram, e a loira sentiu o coração querer pular para fora. Belo jeito de puxar assunto, incrível. Agora a morena iria achar que ela era uma idiota... Um segundo depois, mais mensagens chegaram antes que Brittany sequer pudesse pensar em como se explicar.

Santana

Que isso? Um código?

haha, vou ficar te devendo

(5:48 p.m.)

Brittany

Poxa, que pena

Tinha fé que desvendaria!

(5:48 p.m.)

Santana

Foi mal...

Quem sabe um dia

(5:48 p.m.)

Brittany

Você acreditaria se eu te dissesse

que esbarrei a mão no celular e

mandei essas coisas sem querer?

(5:49 p.m.)

Santana

Quer que eu seja sincera?

(5:49 p.m.)

Brittany

Por favor, hahah

(5:49 p.m.)

Santana

Não acreditaria

Parece mais que tá arrumando desculpa

Pra falar comigo

(5:50 p.m.)

Brittany

Olha, não deixa de ser verdade

Mas, como eu te disse...

Eu não minto

(5:50 p.m.)

Santana

Isso é o que você diz

Não tem como eu saber, haha

(5:51 p.m.)

Brittany

Justo, justo

Mas, então...

Como tá o seu final de semana?

(5:51 p.m.)

Santana

Fora do comum, eu diria

E o seu?

(5:52 p.m.)

Brittany

Também

Mudanças podiam ser

menos complicadas, né?

(5:52 p.m.)

Santana

Com certeza

Mas, acho que...

Procurar um pingo de normalidade

dentro de qualquer mudança e

focar nos pontos positivos, ajuda um pouco

(5:53 p.m.)

Brittany

Tem toda a razão

Vou tentar botar em prática

(5:53 p.m.)

Santana

O difícil é botar em prática mesmo, haha

Aí, já não é muito minha especialidade

A gente fala mas não faz, sabe

(5:54 p.m.)

Brittany

Sim, hahah

Como eu sei

Você não tá sozinha

(5:54 p.m.)

Santana

Nunca duvidei, haha

(5:57 p.m.)

Brittany

Obrigada pelo conselho ;)

(5:57 p.m.)

Santana

Disponha

(5:58 p.m.)

E a conversa das mulheres havia sido basicamente essa, pouco depois foram fazer outras coisas, ambas com um sorriso inconscientemente bobo pairando sobre seus rostos.

(...)

Umas oito da noite, Brittany ouviu a campainha de seu apartamento soar incessantemente. Correu para atender a porta. Do outro lado estavam: Sam Evans e Kitty Wilde, justamente os indivíduos que tanto esperava. Cumprimentou-os com um abraço rápido e pediu que entrassem, enquanto retornava ao sofá que estava sentada até então.

— Tô curiosa... — A Wilde riu, as estantes da casa estavam limpas de livros, as paredes vazias de quadros e algumas caixas tinham lugar num canto da sala. — Qual o motivo da convocação de última hora, Britt? Não seria força braçal, seria?

— Não. Preciso da ajuda de vocês dois pra achar outro apartamento e me mudar logo daqui, enfim... — Ela se sentou no acolchoado, pegando o notebook antes ali largado e repousando-o sobre as pernas. — Já sabem toda a história.

— Sem problemas! — O Evans se gabou em tom brincalhão, acomodando-se ao lado direito da amiga. — Essa por acaso é minha especialidade, que bom que chamou.

— Especialidade? Rá! — Kitty zoou o primo, indo até o outro lado de Brittany risonha. — Há controvérsias.

— Perseguição isso aí! Não dê ouvidos a ela, jovem padawan. Você sabe a verdade.

— É, é... Como eu sei. — A Pierce se deixou rir com os dois, e mostrou todas as abas com opções de aluguel que tinha pesquisado até aquele ponto. Nenhuma tão perto dali, como imaginava que acharia. Aquela região em específico não era muito, digamos que, em conta para sua renda atual. — O que vocês acham?

— Ah, todos parecem muito bons... — Sam comentou, com os olhos ainda na tela do aparelho. — Mas, acho que só vai ter certeza quando fizer uma visita neles pra poder comparar pau a pau.

— Concordo. — Kitty assentiu, acrescentando: — Ainda assim, se eu fosse você Britt, dava uma olhada nos comércios que tem em volta antes de visitar os apartamentos em si. Pra ver se curte as redondezas.

— Boa ideia. A manhã mesmo eu começo.

— Você tá muito focada, nossa... Orgulho de ver. — Sam fingiu limpar uma lágrima inexistente do canto dos olhos. — Ah, essas crianças crescem tão rápido.

— Né? — Kitty gargalhou, animada, e fez algumas cócegas em Brittany, que começou a tentar escapar, sendo impedida por Sam, que ajudou a prima com o trabalho de segurar a jovem no meio deles. — Logo, logo nossa menininha vai deixar o ninho dos Pierce!

— Sim, temos que comemorar!

— P-parem com i-sso! — A dos olhos azuis se matou de rir, conseguindo respirar apenas quando a dupla de amigos parou com as cócegas. Ajeitou-se no assento em seguida, com uma expressão meio triste: — Ah... Eu não tô aguentando mais, preciso achar um lugar onde eu realmente me sinta em casa.

— Nós entendemos. Vamos ajudar no que precisar, aliás... — Sam sorriu, cutucando-a. — Eu e a Kitty podemos revezar e ir com você nessas visitas.

— Sim. E se for o caso, ajudar a achar mais opções também.

Brittany balançou a cabeça, grata.

— Obrigada, gente. Sério. Não sei o que faria sem vocês.

(...)

Segunda-feira, Santana acordou um pouco mais animada, isso porque iria finalmente sair de casa, após ter passado sábado e domingo inteirinhos confinada ali com Quinn, Rachel e Kurt de babás. Um “mal” necessário, mas ainda sim irritante. É certo que eles só estavam preocupados em não deixar que o estresse e cansaço voltassem a consumi-la e, por isso, controlavam-se o máximo nos assuntos e não deixavam que ela fizesse nada ou saísse do apartamento, porém a latina odiava ser tratada diferente e com uma caralhada de papas na língua, fosse pela gravidez ou qualquer outro motivo, mesmo que não quisesse admitir.

De qualquer forma, tomaria algum ar naquele dia e era só isso que a importava no momento. Ou melhor, isso e a consulta pré-natal daquele dia. Descobrir o sexo do bebê e dar um nome a ele tornaria as coisas ainda mais reais... É certo que poderia escolher um nome unissex e fim de história, mas não conseguia. Não sem antes saber, porque, talvez, só sentisse firmeza no instante da descoberta. E outra, por alguma razão, este tópico nunca fora discutido entre ela e Sebastian antes, então não fazia ideia do que ele tinha em mente e gostaria de saber, já estava na hora.

Quando o rapaz veio buscá-la, estava mais sorridente que o normal. Ela não comentou nada a respeito, apenas cumprimentou o ex como de costume e os dois entraram no carrinho surrado dele. Durante o trajeto até o hospital, resolveu puxar assunto. Não porque o silêncio do rádio a incomodava, mas porque parecia a ocasião ideal para discutir o assunto que tanto a perseguia.

— Se for um menino... Que nomes tem em mente?

— Hã? — O jovem perguntou, absorto. — Desculpa, não tava prestando atenção.

Ela revirou os olhos, bufando sutilmente.

— Se o bebê for um menino, que nomes tem em mente?

— Aah... Não sei. Nunca pensei nisso. — Ele olhou para a Lopez e deu um sorriso. — Sempre imaginei que teríamos uma filha.

— Bom, as chances pra ambos os casos são de cinquenta por cento. Então, deveria começar a pensar Sebastian.

— Tudo bem. — O Smythe se divertiu com a “irritação” da morena, mal conseguindo controlar as risadas. — Vou pensar, prometo.

— Imagino que, pelo menos, já deva ter pensado em nomes pra menina, tô certa?

— Sim, sim. Pensei. Gosto de Virgínia...

— Não.

— Désirée...

— Não.

— E o meu preferido: Pérola.

— Seu preferido? — Santana franziu as sobrancelhas, balançando a cabeça em negação. — Pode esquecer. De jeito nenhum minha filha vai se chamar Pérola, Sebastian.

— Ué, qual o problema? É um nome bonito.

— Só na sua cabeça...

— Claro que não, e, até onde eu sei, acho que tenho todo o direito de opinar um nome pro nosso bebê também, né? — Ele riu, recebendo olhares feios da ex-namorada. — Que foi?

— Se fosse você a grávida, eu até te dava um crédito. Mas, como não é, pode tirar o cavalinho da chuva.

— Tá sendo muito radical... — O homem alegou rapidamente risonho, antes de continuar: — Mas, e você San, o que tem em mente?

— Eu não sei... Acho que só vou descobrir na hora.

— Em outras palavras: Pérola um, Santana zero.

— Cala a boca, idiota! — Ela empurrou o ombro de Sebastian, em um toque meio bruto meio fraco. — Não existe Pérola nenhuma!

— Ei, cuidado! — O jovem se esquivou, aos gargalhos. — Tô dirigindo aqui!

(...)

Chegando ao hospital, Santana e Sebastian foram até a sala de costume para a consulta com Emma Pillsbury, a ginecologista e obstetra da morena. Seu semblante era sereno e amigável, como sempre.

— Olá, olá... — A ruiva os cumprimentou e fechou a porta, direcionando-se à mesa para se sentar de frente para os jovens. — Como está se sentindo, Santana?

— Bem até. Só não gosto de ficar presa em casa, tirando isso... Nenhuma reclamação.

— Entendo. O Dr. Howell me passou todos os detalhes do ocorrido na sexta-feira, ainda bem que veio direto para o hospital. Sangramentos assim são sempre um sinal de alerta. Mas, em breve poderá voltar à rotina normal, não se preocupe... Basta se policiar, estresse não é brincadeira. Toda vez que se sentir desse jeito, me mande mensagem.

— Ok...

— Bom, hoje vamos fazer um novo ultrassom. Ansiosos?

— Muito! — O Smythe correu a dizer. — Viemos discutindo nomes pro bebê a viagem toda.

— É... Tipo isso.

— Que bom. — Emma sorriu, e levantou-se. — Mas, antes do ultrassom, quero checar a pressão da Santana. Sim?

A Lopez assentiu, e foi até a cama hospitalar onde teve a pressão arterial verificada duas vezes. Depois, deitou-se e levantou a camiseta acima da barriga para poder receber o gel de ultrassonografia. Nesse momento, Sebastian se aproximou tão ansioso quanto sua ex, para enfim saber o sexo do bebê. A médica deslizou o aparelho na barriga de Santana, e na tela os jovens puderam ver a imagem do serzinho uma outra vez.

— E então, doutora? É menino ou menina? — A latina quis saber, impaciente.

— É uma menina.

— Eu sabia! — Sebastian praticamente gritou, feliz. — Meu deus do céu... Dá pra acreditar?

Ele segurou a mão da Lopez e ela começou a chorar com a revelação, o que aparentemente era seu novo normal: chorar fácil, fácil, por qualquer coisa. Bem, nessa ocasião não era “qualquer coisa”, então tinha passe livre para se emocionar com sua filha... Caramba, uma filha. Quem diria.

— Parabéns, papais.

(...)

No caminho de volta para casa, Santana ficou quietinha. Estava pensativa até demais. Não sabia o porquê, mas nenhum nome lhe veio à mente com a revelação. Nenhum. Não estava contando com isso, e, ter conversado com Sebastian mais cedo, não fez efeito algum... Para variar. Bom, o importante é que ainda tinha muito tempo para pensar sobre o nome da bebê.

— Então... — Sebastian a tirou de seus pensamentos, enquanto parava o carro frente ao prédio dela. — Já pensou em nomes pra nossa filha?

— Não.

— Hum... É um sinal, eu sinto. Devia levar Pérola em consideração.

— Esquece esse nome, pelo amor!

— Não dá San, gosto mesmo. — Ele riu. — Mas, tudo bem, vou esperar suas ideias e aí decidimos juntos.

— Até parece, você não vai decidir absolutamente nada com esse seu mau gosto não... — Santana desceu do carro e seu ex-namorado a imitou, chegando até ela sorridente. Se abraçaram. — Tchau.

— Tchau. Se cuida.

(...)

Primeiro, ela contou a novidade para Rachel e Kurt. Depois, para seu pai, Quinn e Mercedes. Para cada um deles, no entanto, logo depois de contar a novidade, Santana perguntou sobre os nomes femininos e unissex favoritos que tinham para si... Grande erro. O que, na teoria, era para ajudá-la com a escolha de um nome, virou uma discussão interminável, onde todos disputavam ter suas sugestões acatadas pela morena em um grupo criado especificamente para aquilo – ideia de sua prima em parceria com a louca da Fabray, é claro.

Ela precisava de alguém imparcial... Mas, quem? A Lopez pegou o celular e rolou a lista de contatos, pensando em abordar o assunto de uma outra maneira. Subitamente, teve os olhos roubados por um número em particular... O de Brittany. É, era isso.

Santana

Se você tivesse que ter

outro nome, qual seria?

(9:15 p.m.)

Brittany

Boa pergunta

hahah, me pegou

(9:20 p.m.)

Santana

Não tem ideia?

(9:22 p.m.)

Brittany

Hmm, parando pra pensar

Até que tenho

Quando eu era bem pequena...

Achava que pra ser princesa/rainha

Tinha que ter nomes específicos, sabe?

Na minha cabeça, era por isso que existiam

tantos fulanos na realeza com I, II, III no nome

Aí, meu sonho era chamar Victoria

(9:25 p.m.)

Santana

Ótima história, haha

(9:26 p.m.)

Era isso! Nome de rainha... Elizabeth, mais especificamente, foi o que lhe veio à cabeça assim que pensou na fala da outra mulher. Estava decidido. Sua filha iria se chamar Elizabeth. Há apenas um segundo, parecia a coisa mais distante e, agora, a mais óbvia do mundo. Não tinha a menor explicação.

Brittany

E você?

Que nome teria?

(9:26 p.m.)

Santana

Seguindo sua linha de raciocínio?

Ah, não sei...

Possivelmente, Cleópatra

(9:27 p.m.)

Brittany

LOL, claro

Perfeito

(9:26 p.m.)

Santana riu e deixou seu quarto, indo até a sala para esclarecer em alto e bom tom aos presentes físicos e virtuais.

— É Elizabeth, fim de história.

Notas finais
Até ♥