Nós
1 Nós
Notas iniciais
Nós
Esse samba é pra você, ó, meu amor
Esse samba é pra você
Que me fez sorrir, que me fez chorar
Que me fez sonhar, que me fez feliz
Que me fez amar
Sorrir
Todo dia ele passava em frente a janela da cozinha de sua casa. E, como era após o almoço, ela estava sempre ali lavando a louça.
Todos os dias ele passava igual; o quimono preto e laranja, waraji gastos, a espada no ombro esquerdo, assobiando alegremente. Ela também era igual; o quimono lilás e branco, descalça no chão de madeira, os longos cabelos azuis deslizando pelo ombro direito.
A primeira vez que ele passou ficou marcada pelo embaraço. Parecia verdadeiramente feliz com a espada e a manejava de forma descuidada. Ela assistia tudo da janela, confusa. Seus olhos se encontraram repentinamente e as bochechas coraram. Permaneceu imóvel, perdida, com um copo já limpo nas mãos e ele acelerou o passo, cabisbaixo. No entanto, depois disso, passou a cumprimentá-la com um aceno de cabeça e um sorriso fechado. E ela retribuía, vermelha e com uma reverência.
Morava em uma casa simples, um barraco de madeira no alto de um morro escarpado com uma cozinha, um banheiro, dois minúsculos quartos e uma horta nos fundos. Era muito raro ver gente por ali e, talvez, seu espanto na primeira vez em que o viu se devesse mais a esse fato do que ao manejo da lâmina.
Com o passar do tempo o sorriso dele foi se tornando maior e mais caloroso e a vermelhidão do rosto dela tinha sido substituída por um sorriso genuíno. Não sabia quem ele era, nem o que fazia mas sentia-se bem com a familiaridade de vê-lo ir para algum lugar dia pós dia, sempre assobiando alegremente com os olhos azuis brilhando. Um dia, começaram a conversar trivialidades. Ela apoiava-se no parapeito da janela, ele apoiava as mãos na faixa do quimono e, durante um tempo sem contagem, falavam da chegada do inverno, do perigo dos ursos, do melhor jeito de plantar ervas medicinais. Então, ele caia em si, dizia estar atrasado e saía correndo. Aos poucos, ela foi desejando saber para o que ele corria.
Certa vez, a atrasada foi ela. Precisou ir à cidade resolver algumas questões e perdeu a hora. Correu muito e subiu o morro em um só fôlego, contudo assim que chegou no topo e viu o Sol se pondo por trás das casas, percebeu que era tarde. Sentiu-se triste e suspirando resignada voltou as tarefas domésticas. Qual não foi a sua surpresa quando, na manhã do dia seguinte, ouviu batidas na janela. Estava na horta colhendo flores vermelhas e sobressaltou-se pelo som inesperado. Ergueu-se com lentidão, limpando as mãos no avental preso na cintura e abriu a porta que dava para a cozinha. Atônita, permaneceu próxima a porta quase sem acreditar em seus olhos.
Ele estava ali. Do lado de fora de sua casa, com os braços cruzados no parapeito da janela e expressão de quem analisava o lugar. Assim que a viu, sorriu abertamente erguendo a mão, cumprimentando.
—Ei!
—B-Bom dia. — ela gaguejou levando a mão ao peito esquerdo para impedir o coração de bater daquele jeito selvagem. Nem é preciso dizer que foi inútil.
—Está tudo bem por aqui?
Sem entender exatamente a pergunta, ela enrugou a testa dando dois passos para frente.
—Bom...—ele disse sem deixar de sorrir e coçando os cabelos loiros da nuca. —Ontem passei aqui e a janela estava fechada...Ainda esperei um tempo, mas você não apareceu. Me preocupei.
O coração batia tão forte que fazia seu corpo todo tremer. Parou na metade do caminho, impedida de andar pelas pernas bambas, as bochechas mais vermelhas do que jamais estiveram. Até o pequeno pedido de desculpas precisou de considerável esforço para sair de seus lábios.
—Eh? Não! Não precisa se desculpar. — ele negou imediatamente, sacudindo as mãos. —Fico feliz por não ter sido nada.
Não entendia o próprio comportamento, nem a súbita vontade de se explicar. Ainda assim, o fez.
—Tive que ir à cidade e perdi a hora. Me desculpe...
—Já disse que não precisa se desculpar. —ele respondeu fazendo uma careta séria, porém com um tom brincalhão que a fez rir com suavidade.
Foi só quando o riso se acalmou que notou a intensidade dos olhos azuis cravados diretamente em seu rosto. Os olhos e os lábios sérios. O silêncio tenso que houve depois só serviu para deixá-la mais nervosa. Queria falar alguma coisa, qualquer coisa, não apenas para se sentir confortável de novo mas, principalmente, para evitar a partida.
Abriu a boca no mesmo instante em que ele desviou o olhar.
—Qual é o seu nome?
—Eh? —voltou os olhos para ela, sorrindo novamente. —Eu sou Uzumaki Naruto.
O tom orgulhoso com que ele disse o nome a encheu de admiração.
—E você?
—Eu sou Hyuuga Hinata.
Chorar
Se antes era apenas familiaridade o que sentia pelo samurai loiro, agora era muito mais. Coisas que não sabia explicar mas que a deixavam acordada grande parte da noite contando as horas para o próximo encontro.
Sentada na grama, debaixo da janela onde tudo começou, ansiava pela chegada dele; para que se sentasse ao seu lado e conversasse com ela nem que fosse por cinco minutos. O mais íntimo que conseguia chamá-lo era de “Naruto-kun”, mesmo que ele a chamasse de Hinata livremente. Sendo honesta, agradecia por já estar no chão, pois seus joelhos tremiam cada vez que ele falava seu nome.
Hoje estava mais nervosa que de costume. Tinha feito algo para ele e esperava, sinceramente, que lhe fosse útil. Gentilmente acariciou o pacote ao seu lado.
—Hinata. —o escutou chamar acelerando o passo em sua direção.
—Como vai, Naruto-kun? —perguntou sorrindo e observando-o sentar-se ao seu lado. O pacote entre os dois.
—Estou ótimo. Ah! Você não vai acreditar nessa, ontem eu tive que dobrar meus exercícios, culpa do idiota do Sasuke...
Abraçou os joelhos e escutou com atenção sem parar de pensar no quanto se sentia feliz por saber tanto de sua vida. Sabia que tinha perdido os pais cedo, que fora criado pelo avô, sua principal inspiração para se tornar um samurai. Sabia que era muito amigo de alguém chamado Sasuke e de sua esposa, Sakura, a quem via como uma irmã. Gostava de ramen e de treinar, justamente nessa ordem. E sabia coisas preciosas; as que simplesmente sabia sem que ele precisasse dizer. Sabia que era forte, físico e psicologicamente; que era compreensivo, honesto e não era do tipo que desistia com facilidade.
Ele terminou de falar. Riram e comentaram sobre o assunto até que ele notou o pacote ao seu lado. Curioso, ergueu-o.
—O que é isso?
O rosto da Hyuuga estava quente e juraria que não era graças ao clima.
—Hum...É um presente...para você, Naruto-kun...Eu que fiz...Espero que goste.
O samurai olhou do pacote para ela como se pedisse permissão e só depois do seu aceno de cabeça que se colocou a abrir o presente. Contrastando com sua personalidade, o abriu com delicadeza, como se fosse algo muito frágil ou deveras precioso. Uma sobrancelha loira arqueou-se enquanto as mãos de guerreiro puxavam um longo e macio fio vermelho.
—É um cachecol...— explicou sem necessidade. —Você sabe, Naruto-kun...Para o inverno.
—Hinata, é incrível! — ele elogiou enrolando o cachecol no pescoço apesar do clima agradável. —Tão quentinho e macio. — esfregou a peça vermelha no rosto. — Eu adorei!
Ver aquela cena aqueceu o coração da Hyuuga e não reclamou mais das horas em que tinha ficado tricotando.
—Mas...—Naruto começou olhando para a grama e segurando o cachecol com as duas mãos. —Eu não te trouxe nada, Hinata. O que posso te dar?
—Bom...— Hinata falou. A franja do cabelo cobrindo seus olhos. —Talvez possa me dar um presente de casamento, Naruto-kun...
A atmosfera toda mudou imediatamente. Um frio mórbido e cortante se instalou entre ela e Naruto. A Hyuuga sentiu um tremor na espinha e os olhos encheram de água. Imaginava como seria duro para ele ouvir aquilo, no entanto não era nada agradável falar também.
—Que? —a voz dele saiu fraca e incrédula.
Hinata apertou as mãos com tanta força que as palmas ficaram machucadas.
—Estou noiva, Naruto-kun.
Por que sentia que tinha falado algo muito indevido?
Sonhar
Queria vê-la mais do que qualquer outra coisa no mundo. Queria ouvir sua voz doce e ficar sentado na grama conversando com ela a tarde inteira.
Mas não tinha coragem.
Se recriminava por isso. Era vergonhoso demais um samurai ter medo de encarar uma mulher simplesmente por medo da abstenção.
Hinata era de outro homem e logo iria embora. E se, em breve, não poderia mais vê-la na casa acima do morro, nem ouvir sua risada suave e nem o jeito como chamava seu nome era melhor começar a se acostumar agora.
Mas não conseguia.
Fazia três dias que não a via. Três dias nos quais não tinha conseguido se concentrar. Até mesmo Sasuke tinha notado.
No começo, quando passava em frente à sua casa, era apenas para encurtar o caminho até o dojô. Acordando sempre em cima da hora, preferia ir por ali para economizar alguns minutos de caminhada. Entretanto, aquele incidente com o manejo da espada tinha acontecido e, no dia seguinte, viu-se obrigado a cumprimentar a pobre mulher para provar que não representava ameaça. Assim foi indo, chegando ao ponto em que levantava mais cedo apenas para poder disfrutar um pouco de sua companhia e, à noite, pegava-se querendo estar com ela outra vez.
Acreditou saber tudo sobre sua vida e se impressionou com a quantidade de coisas que tinham em comum. Hinata vivia sozinha desde a morte do pai; conhecia bem a solidão. E Naruto também. Várias vezes, no encontro de seus olhos, sentia a profunda conexão que tinham. Nem conseguia contar as noites em que dormira e sonhara com ela. Sonhos dos tipos mais variados e diversos, mas que sempre o faziam acordar afoito, suado e determinado a se confessar.
Mas não conseguia dizer.
Bastava Hinata pousar os olhos nele para que as palavras necessárias fugissem de sua boca.
E agora, ela vinha com aquela novidade. Justo quando ele estava criando ânimo.
—Estou noiva, Naruto-kun. —tinha dito sem dar, sequer, um segundo para que ele pudesse se preparar. —Meu pai prometeu minha mão ao filho de um dos comerciantes para o qual devia. Ele disse que eu devia me casar dois anos depois de sua morte.
Ela riu uma risada sem graça e áspera.
—Ele achou que ia viver muito e que, quando chegasse a hora, o filho do comerciante teria desistido de mim...Não foi o que aconteceu.
—Q-Qual é o nome dele?
Saber o nome não faria a menor diferença na situação, porém queria. Precisava saber o nome do homem que estava em seu lugar.
—Toneri.
Toneri! Naruto nunca tinha ouvido falar de nenhum homem honrado com o nome de Toneri.
Não o conhecia. Já o odiava.
Feliz
De que adianta prometer algo quando não se está disposto a cumprir?
Prometeu deixar Hinata livre; prometeu se poupar do sofrimento que seria vê-la partir; prometeu que só subiria o morro para se despedir dela.
Todas promessas quebradas.
Não ficaram intactas nem por cinco dias pois, no quarto, Naruto corria com desespero na direção da casinha de madeira. A janela estava aberta, mas a porta estava fechada e não havia ninguém do lado de fora. Chegara um tanto antes do horário de sempre e nada garantia que a Hyuuga mantivera a tradição de esperá-lo.
Era provável que estivesse chateada. E com razão.
—Hinata! —chamou apoiando as mãos no parapeito da janela e colocando o torso para dentro. —Hinata!
Não precisou esperar muito para que a garota surgisse. Hinata saiu de um dos cômodos ao fundo, usando o mesmo quimono, os olhos arregalados de surpresa e espanto. Por algum motivo, o cabelo estava preso em um rabo de cavalo.
—Hinata, me desculpe! —Naruto foi falando. Colocando para fora tudo o que queria ter dito nos últimos dias. —Me desculpe, Hinata! Eu não devia ter sumido do jeito que fiz...É só que...É só que é difícil lidar com a notícia do seu noivado.
Ela abaixou os olhos.
—Você sabe, não é? — ele continuou. —Eu quero você pra mim.
A expressão com que a Hyuuga tornou a encará-lo fez o coração de Naruto bater tão forte que quase o deixou sem ar. Parecia um espelho refletindo seus próprios sentimentos: alegria, satisfação, prazer, choque, medo.
A voz saiu da garganta feminina trêmula, fanhosa, de quem está à beira das lágrimas.
—Naruto-kun...
—Hinata, pode vir aqui um instante? Quero te dar o seu presente.
O samurai não estava disposto a esperar mais. Confessava que era meio idiota, que cometera um grave erro e que a perda de tempo era responsabilidade sua, mas seria mentira se dissesse que estava ali apenas para se desculpar. Sinceramente, não era do tipo que desistia com facilidade, mais ainda quando não tinha tido nem a chance de lutar. Seria claro com Hinata sobre o que sentia e o que desejava. Não era justo com nenhum dos dois poupá-la de uma escolha.
Viu a bela mulher aproximar-se da porta com passos rápidos; as bochechas vermelhas e os olhos sonhadores. Seguiu-a pelo lado de fora com um meio sorriso.
Mal a porta tinha sido aberta, mal Hinata tinha colocado o corpo para fora quando Naruto a puxou para si pela cintura, estreitando-a com o antebraço e espalmando os dedos longamente. A força que exercia friccionava deliciosamente seu quadril contra o dela. Hinata soltou um suspiro, mas não tentou escapar. Pelo contrário, avançou um passo colocando sua perna direita entre as dele e apoiando suas mãos nos ombros masculinos. Hipnotizado, o loiro fechou os olhos e percorreu carinhosamente o rosto amado com a boca antes de chegar ao real objeto de sua vontade. Os lábios se encontraram, desajeitados, e os corações pareciam bater no mesmo ritmo louco.
Naruto permitiu que a mão livre escorregasse pelos cabelos azuis, soltando-os do penteado, até espalmar, com um estalo, abaixo da cintura junto com a outra mão. Hinata soltou um gemido satisfeito, forçando cada vez mais seu corpo contra o dele. O samurai aproveitou a deixa; deslizou a língua para dentro de sua boca e conteve um urro com o prazer que sentiu. A Hyuuga correspondeu imediatamente, separou mais os lábios e acariciou os dele com a língua.
Quando ela começou um insinuante movimento de entra e sai em sua boca, Naruto teve que se afastar.
Encostou sua testa na dela, ofegante e só falou ao ter certeza de que conseguiria pronunciar a frase inteira.
—Venha comigo.
Que me fez amar...
A porta e a janela estavam fechadas.
Um cenário inédito para Naruto em todo esse tempo que conhecia Hinata.
Usando a armadura laranja e negra, a espada presa no quadril e a mochila nas costas, o Uzumaki suspirou olhando a cidade abaixo.
Não era coincidência a casa estar fechada. O casamento era hoje.
—Hinata-sama, temos que cobrir o seu cabelo. Isso é uma prova de pureza e dignidade.
Ouviu umas das empregadas de Toneri dizer enquanto penteava o longo cabelo azulado.
O futuro marido tinha encarregado três mulheres para ajudá-la a se vestir e a tinha acomodado em um luxuoso cômodo de sua enorme mansão, dizendo-lhe que pedisse o que desejasse e que estava ansioso para a cerimônia.
A garota não teve forças para responder.
Olhando-se no espelho, a Hyuuga só conseguia ver a noiva mais indiferente que já tivera notícias. O quimono branco, simbolizando a paz e a luz, contrastava com seu agitado estado de espírito de forma veemente. Sem que pudesse evitar, vez e outra erguia os olhos para a janela e fitava, ao longe, o barraco de madeira no morro. Com o coração aos saltos se perguntava se Naruto-kun estaria lá.
Na última vez em que o vira, ele tinha feito aquele convite absurdo e uma promessa insana, mas que a encheu de felicidade. Disse-lhe que partiria para Konoha, por ordem do Xogum com Sasuke e Sakura, e que queria levá-la...como sua esposa.
— Entendo a sua indecisão, Hinata. — o loiro tinha dito segurando suas mãos. —E respeito isso. Por esse motivo, eu vou te deixar refletir...sobre...sobre o que quer fazer. Eu parto no dia do seu casamento... Entretanto, antes de ir, eu vou esperar por você, aqui, até o pôr do Sol.
Só de imaginar que o samurai estaria esperando por ela, suas bochechas aqueciam e seu corpo vibrava de entusiasmo.
Queria! Queria tanto...Contudo, lembrava-se promessa. Da palavra dada pelo pai.
—Hinata-sama, fique reta senão a trança ficará torta. — ouviu novamente a voz da empregada e abaixou a cabeça.
Sasuke xingou-o de idiota e disse que o que estava fazendo não passava de uma perda de tempo. No entanto, Sakura o tinha apoiado e, honestamente, em questões do coração confiava mais nas mulheres.
E também confiava em Hinata.
Deitado na mesma grama que costumava compartilhar com ela, aproveitando o sol e o vento fresco, sorriu ao analisar a situação. Quando é que se imaginaria esperando a decisão de outra pessoa para fazer algo? Poderia muito bem ter deixado tudo para trás e seguido viagem com o casal de amigos. Poderia muito bem ter se conformado com a casa fechada e ido embora; poderia ter arrumado outra mulher...
Mas não era tão simples. Tinha escolhido Hinata.
E, mais do que tudo, queria que ela também o escolhesse.
Ouviu sinos. O casamento estava prestes a começar.
Ouviu sinos ressoaram em seus ouvidos como um anúncio de fim de tempo. As pernas tremeram e o estômago contraiu. Apertou as mangas do quimono ouvindo as empregadas comentarem sobre sua palidez e rirem com desdém. Afinal, do que ela tinha medo? Estaria casando com um homem rico; logo não teria mais que morar naquele barraco de madeira velha e sim naquela prisão de madeira nova, onde um dia seria exatamente igual ao outro.
Sentiu uma gota de suor frio deslizar por sua coluna. Assim que os sinos parassem de tocar teria que atravessar a mansão e aceitar ser esposa de Toneri, ainda que seus pensamentos fossem ocupados por outro homem.
Olhou uma vez mais para o morro; a expressão suplicante.
Os sinos pararam. Mordeu o lábio inferior.
—Está na hora, Hinata-sama.
A Hyuuga ergueu as saias.
Não era o pôr do Sol, mas Naruto já estava erguendo-se. Não precisava mais esperar. Bateu com as mãos na armadura para limpar a poeira, apreciando o silêncio deixado pelos sinos.
Ergueu os olhos brilhantes e um imenso sorriso.
—Você demorou...Hinata!
A Hyuuga estava a cinco passos de distância. As mãos apoiadas nos joelhos, ofegante pela fuga; o penteado bagunçado e desfeito, o quimono com a barra suja e as alças caídas pelos ombros, o rosto completamente vermelho e suado.
Estava fascinante.
— Você sabia...— ela disse, parando para recuperar o fôlego. — Sabia que eu viria.
— Hinata...— ele começou, saboreando dizer aquele nome em voz alta. Aproximou-se com lentidão, puxou as mãos femininas para si, entrelaçando seus dedos. —Eu não duvidei de você nem por um segundo.
Abaixando a cabeça envergonhada, a garota sorriu. Um sorriso genuíno de felicidade. Naruto curvou-se, percorreu seu rosto com o nariz, sentindo seu cheiro virgem, memorizando-o antes que se misturasse ao dele.
—Está na hora. — ele disse sorrindo, a voz rouca. Era a segunda vez que Hinata ouvia aquela frase; sentimentos completamente distintos em cada uma. — Está pronta?
Apertou mais seus dedos entre os dele. Encarou-o sorrindo.
— Sim!
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