Nós
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Sequei as lágrimas do meu rosto, enquanto olhava para a tragédia que tinha acabado de acontecer. Meu pó compacto da Chanel estava no chão, completamente estraçalhado.
— Por que isso tinha que acontecer justamente comigo? — choraminguei. — Eu fui uma boa dona para você. — Me abaixei, recolhendo a embalagem destruída, que tinha caído da minha mão do nada, uma excelente forma de se começar o dia.
Atirei a embalagem do pó compacto diretamente no lixo, sem me importar que talvez parte dele pudesse ser reaproveitado. Não me interessava, estava quebrado e eu não o queria mais, compraria outro, ou melhor, outros.
O chão ainda parcialmente sujo de pó compacto era um problema para mim, odiava qualquer mínima sujeira no meu closet. Sendo assim, eu deixei meu closet, ainda com a maquiagem para o dia inacabada e enrolada em meu roupão.
No quarto vi Edward ainda na cama, ele estava dormindo e logo percebi que tendo um pesadelo, pela forma como se remexia de um lado para o outro inquieto.
Subi na cama junto dele, afagando seu rosto. Começando a chamá-lo calmamente, querendo que ele despertasse sem mais sustos.
— Garoto do Brooklyn? — o chamei. — Hora de acordar. — Beijei sua cabeça. — É um grande dia hoje. — O vi abrindo seus olhos aos poucos. — E eu acabei de quebrar meu pó compacto favorito, preciso que você vá até Manhattan buscar um novo para mim.
— Você tá de sacanagem comigo? — perguntou com a voz enrouquecida.
— Não mesmo. — Sorri para meu marido. — Você precisa fazer isso por mim, amor.
— Preciso mesmo? — resmungou.
— Claro que sim, somos um nós. Sair e comprar maquiagem para sua esposa está no pacote, agora pare de enrolar e saia logo dessa cama.
— Por que você faz isso comigo, Bonequinha? — Edward choramingou, se remexendo na cama. — Não quero ter que ir até Manhattan só para comprar maquiagem, você tem um milhão de produtos no seu closet, pode se virar sem um pó compacto.
— Edward, estamos falando sobre um pó compacto da Chanel — teimei.
— E? — Ele coçou seus olhos.
— Homem, você me ouviu? Eu disse Chanel, não é qualquer pó compacto. — Cutuquei suas costelas.
— Sua obsessão com marcas me assombra. — Edward deu um sorriso preguiçoso. — Tenho uma ideia melhor, você esquece a história desse pó compacto chique da Chanel e fica o resto da manhã comigo na cama, que tal?
— Não aceito, eu quero meu pó compacto! — Continuei cutucando suas costelas, Edward revirou seus olhos verdes para mim. — Você não quer desagradar sua esposa grávida, quer, Garoto do Brooklyn?
— Como você fica impossível grávida — ele disse, sentando-se na cama, levando uma mão até minha barriga de cerca de quinze semanas. — Bom dia, bebê número três — falou diretamente com o bebê em meu ventre.
Sorri diante o gesto de Edward, não tinha um dia desde que contei estar grávida — no dia das mães dois meses antes — que meu marido não dava bom dia para o bebê. Ou boa noite, ou boa tarde, ou cantava para ele. Foi assim nas minhas outras duas gestações, mas era bom ter tudo aquilo de novo.
Edward Masen era o melhor pai que meus filhos poderiam ter, era o melhor cara do mundo. Eu o amava cada dia mais, um dia acabaria explodindo de amor por aquele Garoto do Brooklyn.
— Vai bebê, diz para seu papai que a mamãe precisa de um pó compacto novo da Chanel para ir bem bonita a exposição dela essa noite — falei, afagando minha barriga junto de Edward, que conteve uma risada fingindo uma tosse.
Aquela noite eu apresentaria mais uma exposição na Brooklyn Arts, uma com quadros somente meus. Estava animada com aquilo, como sempre ficava com qualquer coisa envolvendo meu trabalho.
Os quadros daquela noite seguiam o tema palco, eu tinha pintado inspirada em cantores, bailarinos e atores. Obviamente Edward tinha sido a inspiração principal, ele estava em boa parte dos quadros.
— Não tenho escolha, né? Vou ter que ir até Manhattan comprar seu pó compacto.
— Ah, você vai sim. — Afaguei seu rosto. — Com o que estava sonhando?
Edward franziu o cenho, tocando em minha mão em seu rosto, a puxando para seus lábios e depositando um beijo na palma.
— Aquela noite — sussurrou, deixando com que eu soubesse exatamente a que noite se referia.
Me movi na cama, ficando mais perto de Edward. Então, subi em seu colo, segurando seu rosto entre minhas mãos, seus olhos tinham um brilho triste.
— Eu amo você, Garoto do Brooklyn — sussurrei, beijando seus lábios demoradamente. — Eu sempre amarei você. — Beijei sua testa. — Você é o grande amor da minha vida.
Edward sorriu para mim, enquanto afagava minhas costas.
— Obrigado por tudo, Bonequinha.
— Eu que agradeço, amor. — Uma lágrima rolou por seu rosto, eu tratei de limpá-la com um beijo. — Está tudo bem agora, Edward — assegurei, ele assentiu.
— Eu sei, mas você sabe como esses pesadelos me deixam. — Beijou meu rosto. — Não se preocupe, estou bem.
Suspirei, odiando vê-lo daquele jeito.
— Quantos pós compactos eu devo comprar? — perguntou em um tom bem humorado, me fazendo rir.
— Você bem que podia comprar a Chanel para mim — brinquei, enterrando meus dedos entre seus cabelos. — Já pensou? Eu ficaria nas nuvens sendo a dona da marca.
— Bonequinha, se eu te comprasse uma marca seria a Jimmy Choo, quero dizer, oficializar a compra, já que metade do seu closet é ocupado por sapatos de lá.
— Metade deles foi você quem me deu — rebati.
— Não me arrependo, você sempre acaba muito feliz com sapatos Jimmy Choo novos.
— Eu sei, eles são maravilhosos! — exclamei animada, voltando a beijá-lo, mas não deixei o beijo ir muito longe. — Agora é sério, Edward, não posso passar o resto da manhã na cama com você. Preciso ir até a galeria resolver os últimos detalhes para a exposição mais tarde, por isso você será um bom garoto e irá comprar meu pó compacto, minha maquiagem essa noite tem de estar impecável.
— Tudo bem — ele concordou. — Eu vou para Manhattan e quando voltar para o Brooklyn pego as crianças na casa dos seus pais.
— Excelente. — Beijei seu maxilar maravilhoso. — Você é o melhor marido do mundo, sabe disso, né?
— Sei! — Ele apontou para a camiseta que usava, onde a frase “melhor marido do mundo” estava escrita, eu tinha dado de presente para ele em seu aniversário no ano passado, um dos presentes, no caso, já que dei trinta em comemoração a sua idade.
Eu ri, passando a mão por seu peito.
— Essa camiseta foi o ápice da minha criatividade.
— Falando em criatividade, senhora Masen. — Sorri largamente ao ouvi-lo me chamar daquele jeito. — Você já providenciou o discurso para o casamento de Arthur e Rosalie, não?
— Ai, não — resmunguei, saindo de cima de Edward e depois da cama. — Eu não faço ideia do que escrever, por que diabos Rosalie e Arthur insistem que eu faça um discurso?
— Você é uma das madrinhas — Edward lembrou. — Padrinhos e madrinhas devem fazer discursos, é a tradição.
— Quase estou arrependida de ter aceitado. Posso roubar seu discurso?
— Não! — Ele saiu da cama. — Você não irá roubar meu discurso, sinto muito, terá de criar o seu.
— Que tal se você escrever um para mim? — sugeri.
— Também não, o discurso é algo pessoal.
— Edward, você não está entendendo, eu estou ferrada — proclamei. — O casamento é depois de amanhã e eu não faço ideia do que falar.
— Tenho certeza de que irá dar um jeito, Bonequinha. — Apertou minha bochecha, afastei sua mão com um tapa.
— Eu vou simplesmente ir ao banheiro na hora do discurso e nunca mais voltar — declarei, fazendo Edward gargalhou. — Agora, eu vou mesmo ir terminar de me arrumar e seguir para a galeria, qual sua missão?
— Ir comprar seu preciso pó compacto da Chanel, querida.
Sorri orgulhosa.
— Você é incrível, Edward!
— Que tal você repetir isso na nossa cama, depois de eu te fazer gozar?
Mordi o lábio, tentada com a proposta, mas precisava mesmo sair.
— Hoje à noite, depois da exposição — prometi.
***
Mais tarde naquele dia eu deixei a galeria, estava tudo sob controle para a exposição, eu tinha certeza de que seria um grande sucesso. Do lado de fora fiz sinal para um táxi, não estava mais dirigindo desde que revelei a gravidez, preferia não me estressar no trânsito.
— Olá, eu quero ir até... — Me calei quando vi quem era o taxista do carro que entrei.
Emmett. O mesmo Emmett que um dia foi amigo de Edward, o mesmo Emmett por quem Rosalie foi apaixonada, o mesmo Emmett filho da puta que falou nojeiras para mim.
— Be-Bella — ele gaguejou, olhando para trás.
— O que você está fazendo aqui? Você é um motorista de táxi agora? — questionei, ele resmungou.
— A grana como personal não tem sido o suficiente — falou, seu olhar caiu para minha barriga. Ela não era grande o suficiente, mas ele conseguiu a perceber já que eu usava um vestido branco que a deixava mais saliente. — Você está grávida, parabéns por isso.
Forcei uma risada.
— Não haja como se fossemos amigos, Emmett — ordenei. — Você ainda é um grande idiota para mim, não me importa quantos anos tenha se passado. Aliás, não vou esquecer que você tentou ganhar grana em cima da fama dos meninos, isso só te torna um idiota ainda maior!
— Bella...
— Não, não temos nada para conversar. — Abri a porta do carro. — Também me recuso a andar de carro com você. — Sai do carro, mas antes de bater a porta falei para Emmett. — Rosalie vai se casar depois de amanhã, com um cara maravilhoso, espero que você esteja fodidamente arrependido de não só ter perdido seus amigos, a banda, como a chance de estar com uma garota incrível como ela.
Bati a porta, me afastando do seu táxi idiota. Emmett demorou algum tempo para partir, mas se foi, aquela foi a última vez que o vi.
***
Assim que entrei no apartamento ouvi o som da guitarra de Edward, como a voz de Riley cantando alto Should I Stay or Should I Go, do The Clash. Segui até a sala de música/atelier, encontrando meu marido tocando a guitarra de seu pai, enquanto Riley gritava em um microfone plugado ao amplificador, Renesmee estava sentada no chão, com a Fender — mas sem tocar — que dei de presente para Edward logo no começo do nosso relacionamento no colo.
— Mamãe! — Renesmee gritou quando me viu, fazendo com que o pai e irmão interrompessem a música.
— Eu vou abrir uma segunda banda, Renesmee e Riley serão meus companheiros — Edward anunciou animado, com um sorriso gigantesco em seu rosto, ele amava tocar e cantar com as crianças.
— E o bebê número três? — Toquei em minha barriga.
— Só estamos esperando ele ou ela nascer para se unir a banda — Edward disse, colocando com cuidado a guitarra herdada do seu pai no suporte, tirou também a Fender de Renesmee e a guardou.
— Como foi a noite de vocês dois com seus avós? — perguntei para as crianças, que tinham passado a noite anterior com meus pais, afinal aqueles dois não perdiam uma oportunidade de ter os netos com eles.
— Nós comemos pizza! — Riley contou empolgado. — E o vovô Charlie prometeu nos levar para acampar.
— Eca, mato — resmunguei, Edward riu, parando ao meu lado e me dando um beijo no rosto.
— Você não vem com a gente, mamãe?
— Essa eu dispenso — respondi para Renesmee. — Mas, nós vamos para Disney em alguns dias, isso vai ser sensacional — prometi.
Iriamos três dias depois do casamento de Arthur e Rosalie, ficaríamos lá por duas semanas com Riley e Renesmee, as crianças falavam nisso sem parar, principalmente depois de Edward e eu termos ficado uma semana em Paris sem elas. Os dois se sentiram traídos por isso, mas meu marido e eu precisávamos daquele tempinho.
— Agora, eu preciso que vocês três comecem a se arrumar para a exposição, certo? — Afaguei o braço de Edward. — Temos de estar lá em três horas, mas conheço a demora de vocês dois. — Gesticulei para as crianças. — Então, é melhor que comecem a se arrumar logo.
— Preciso mesmo tomar banho? — Riley reclamou.
— Claro que precisa! — exclamei. — Você não pode ir fedendo, garoto.
— É meu cheiro natural. — Edward gargalhou ao meu lado.
— Sem essa, Riley, você vai tomar banho — Edward anunciou, indo pegar os dois no colo. — Deixei o pó compacto no seu closet — falou ao passar por mim com nossos filhos nos braços.
— Obrigada!
Segui para o meu closet, enquanto Edward lidava sozinho com as crianças, uma vez que estávamos sem babá, já que Nelly se encontrava de férias. No closet tive uma grata surpresa, Edward não tinha comprado só meu pó compacto, como batons, bases e a coisa toda.
Mas, a surpresa maior foi a caixa de sapatos Jimmy Choo novinha. Eu a peguei primeiro, sentindo um sorriso se espalhar em meu rosto, os sapatos eram lindos pelo que vi, mas o bilhete lá dentro chamou minha atenção mais.
“Feliz dia da sua exposição, Bonequinha!
Eu sei que será um sucesso, mas espero que seja um sucesso triplo, você merece isso. Não sei se os sapatos combinam com a roupa que escolheu para usar hoje, entretanto não podia deixar um dia especial para você passar sem um par de Jimmy Choo novos. Amo você, parabéns por tudo.”
Suspirei alto ao terminar de ler o bilhete, emocionada com aquelas poucas palavras. Ainda assim, me senti um pouquinho mal, eu não sabia como faria o discurso de Rose e Art ser algo minimamente aceitável se Edward e todo seu poder com palavras seria uma das pessoas discursando também.
***
Eu estava preparando meu vestido — após fazer minha maquiagem perfeita toda com os produtos novos da Chanel — quando Edward entrou no quarto, os cabelos molhados e com a regata que usava antes apoiada em um dos ombros, usando somente uma bermuda.
— As crianças tomam banho e me deixam nesse estado — falou.
— Onde estão agora?
— Na sala assistindo filme, já arrumados para ir. Talvez eu tenha os subornado com promessas envolvendo a Disney para que ficassem quietinhos. Agora, que roupa eu uso? Vou tomar um banho e me arrumar logo.
— Está separada no seu armário — avisei.
— A sua médica ligou mais cedo — ele falou, enquanto eu colocava o vestido. — Disse que iremos receber o resultado da sexagem fetal amanhã pelo aplicativo do laboratório, logo pela manhã.
— Excelente — comemorei, mal via a hora de saber o sexo do bebê. Estava tão ansiosa com isso que decidi fazer a sexagem fetal, um exame de sangue, que determinaria uma porcentagem por volta de 96% do sexo do bebê, já que não aguentaria esperar mais tempo para saber pela ultrassom.
— Ainda acho que deveríamos esperar o nascimento do bebê para descobrir o sexo — Edward falou atrás de mim, me ajudando a fechar o vestido.
— Espere você — resmunguei. — Não sou paciente, quanto antes eu souber o sexo desse bebê melhor.
— Você já tem dois filhos, a surpresa seria legal.
— Que tal se eu te fizer uma surpresa?
— Qual seria?
— Sem sexo pelos próximos meses.
Edward bufou.
— Você ganhou, Bonequinha!
— Foi o que pensei.
Eu me virei de frente para ele, passeando uma mão pela tatuagem de engrenagens sobre seu peito.
— Adivinha quem encontrei hoje.
— Não faço a menor ideia.
— Emmett.
Edward ficou no mesmo instante emburrado.
— Onde?
— No táxi, ele é um motorista agora para completar a renda.
— Ele falou algo para você? Fez algo?
— Não, não fez ou falou nada demais — garanti. — Você sente falta dele?
Edward fez uma careta.
— Com certeza não, Bonequinha. Emmett foi meu amigo por um longo tempo, mas quando o tirei da minha vida isso foi uma boa decisão. — Beijou minha testa. — Vou tomar banho agora, não quero que a gente se atrase para seu grande dia.
***
A exposição estava sendo um sucesso, como eu sabia que seria. Todos meus convidados estavam lá — com exceção de Rosalie e Arthur que já estavam em Hamptons onde ocorreria o casamento deles —, assim como mais pessoas que tinham se interessado pela exposição e foram me prestigiar aquela noite.
— Compraram mais duas telas — Elizabeth me avisou com orgulho em sua voz, era ótimo tê-la trabalhando comigo na galeria, assim como Sulpicia que naquele momento estava de olho nas crianças, meus filhos e os gêmeos dela e de Aro. — Você fez um excelente trabalho, querida — parabenizou.
— Obrigada — agradeci, a abraçando.
— O que estamos comemorando? — Edward se uniu a gente.
— Mais telas vendidas — Elizabeth disse para o filho. — Quando sairá o resultado do exame para saber o sexo do bebê? — nos perguntou.
— Amanhã saberemos se é menino ou menina — falei ansiosa.
— Vocês estão mantendo a ideia de chamar o bebê de Elizabeth se for uma garota?
— Com certeza! — Edward e eu respondemos juntos. — Anthony se for um garoto — ele completou. — Apesar de eu ter sugerido Elvis, mas Bella não aprovou.
— Eu não vou chamar meu filho de Elvis — proclamei. — Se fosse um nome lindo como Riley, que você também tirou de outro cantor, tudo bem, mas Elvis? Por favor, não!
A The Dragons até tinha gravado uma música para seu último álbum com a participação de Riley Biers, o cantor que inspirou o nome do nosso primogênito. Meu filho ficou bem feliz em conhecê-lo, assim como Edward muito contente em gravar com alguém que admirava tinha tempo.
— Além do mais, Anthony era o nome que seu pai queria para você, será uma boa homenagem.
Elizabeth sorriu.
— Anthony é um nome lindo, espero que seja mesmo um garoto, Elizabeth já é ultrapassado demais.
— Corta essa, mãe — Edward ordenou. — Seu nome é lindo pra caralho.
Ela revirou os olhos, beliscando a bochecha do filho.
— Cuidado com sua língua, garoto. Agora, eu vou convencer mais gente a comprar os quadros da Bella.
— Não precisa de muito esforço para isso — brinquei, a deixando ir.
— Aquele escritor de Seattle disse que leu sobre nossa história nos jornais — Edward falou para mim, pegando uma taça de champanhe quando um garçom passou ao nosso lado. — Disse que é uma história muito interessante e que ele adoraria escrever sobre ela.
— Ele quer escrever um livro sobre nós dois?
— Isso.
A careta em meu rosto foi impossível de conter.
— Não quero ninguém escrevendo sobre nossa história — resmunguei. — E com certeza não quero que voltem a comentar sobre tudo que passamos.
— Sei muito bem disso, Bonequinha. Por isso falei para ele que não estamos interessados em ver nossa história em um livro. Também disse que se ele escrevesse algo muito parecido com o que vivemos nós buscaríamos a justiça para o deter.
Edward piscou para mim, fazendo com que eu risse.
— O que ele disse?
— A esposa do cara falou que ele vai se manter quieto. Ah, sabe o melhor? A história deles é tão louca quanto a nossa, já que ela foi professora dele.
— Você tá brincando?
— Não mesmo. — Edward sorriu. — Ele começou a falar sobre eles, mas parecia que não ia calar a boca nunca, então eu fugi.
Sorri, me aproximando de Edward, o deixando me abraçar.
— Você está com fome? — me perguntou.
— Muita — confidenciei, eu estava sentindo mais fome naquela gestação do que nas anteriores.
— Que tal se fugirmos por um momento? — ele sugeriu.
— O que tem em mente? — Me virei para olhar em seu rosto.
— Hot Dog.
Ah, ele sabia como me provocar.
— Eu gosto de como isso soa, mas não posso fugir da exposição.
— Besteira, você pode sim. — Ele segurou minha mão. — Meu carro está estacionado aqui na frente, nós vamos rápido até lá comer um Hot Dog, mal vão perceber que saímos.
Olhei ao redor, tudo parecia sob controle. E as crianças tinham meus pais, Joe, Lizz, Clary, os Cullen e muitas outras pessoas para ficarem de olho neles.
— Ok, vamos nessa. — Puxei Edward em direção à saída.
Meu marido dirigiu rapidamente pelas ruas, em poucos minutos chegamos a rua onde ficava nossa barraquinha favorita de Hot Dog, mas fomos surpreendidos quando não a vimos lá. Ainda assim deixamos o carro, tentando entender a ausência. O homem que vendia sempre estava lá, todas as noites.
— O que será que aconteceu? — Edward me perguntou confuso.
— Ai porra, eu não acredito que ele não está mais aqui, será que mudou de lugar? Que merda!
— Qual era o nome dele mesmo?
— Se você não sabe imagina eu, nunca me dei ao trabalho de perguntar.
— Sendo franco nem me lembro da cor dos cabelos dele.
— Escuros, eu acho — sussurrei, olhei para trás, vendo um casal saindo do prédio mais perto. — Olá, boa noite! — os saudei, atraindo a atenção para mim. — Vocês sabem nos informar o que aconteceu com o homem que vendia Hot Dog aqui?
— Ah, o Joshua? — o cara perguntou. — Ele se mudou para Denver, ontem foi o último dia dele aqui. Era o melhor Hot Dog de New York, né?
— Do mundo — Edward e eu respondemos juntos. — Obrigado pela informação — meu marido agradeceu.
— Nós te conhecemos de algum lugar? — a mulher perguntou olhando bem para Edward, mas a rua não era tão iluminada assim.
— Não — ele mentiu descaradamente, sem querer ser reconhecido como o famoso que era aquela noite.
— Certo, então. Boa noite! — Ela e o homem junto de si seguiram seu caminho.
— O que fazemos agora, Garoto do Brooklyn? — perguntei arrasada. — Nosso Hot Dog favorito agora está em Denver, isso se ele ainda estiver vendendo lá.
— Você quer pegar um avião até lá e descobrir? — brincou, dei um sorriso pequeno, ganhando um beijo rápido de Edward. — Foram anos excelentes junto ao melhor Hot Dog do mundo. — Olhou para onde a barraquinha ficava. — Mas, agora acho que está na hora de nós buscarmos por outro, Bonequinha.
Assenti, limpando uma lágrima do meu rosto.
— Vou guardar boas lembranças.
— Iremos. — Edward pegou minha mão, beijando a tatuagem em meu pulso. — Mas, não tenha medo, nós iremos encontrar um novo melhor Hot Dog.
***
Na manhã seguinte acordei com Edward depositando beijos em meu rosto, o que me fez rir, mas logo estava o puxando para um beijo, percorrendo minhas mãos por suas costas. A noite anterior tinha sido fantástica com a exposição indo tão bem, uma vez que todos os quadros foram vendidos, entretanto nós ainda estávamos tristes com o fato de termos perdido nossa barraquinha favorita de Hot Dog, tínhamos comido em outro lugar e não foi nem um pouco bom como o nosso favorito.
— Você precisa se apressar — Edward falou, afagando minha barriga. — O trânsito para Hamptons deve estar uma merda, não queremos perder o almoço, então melhor irmos o quanto antes — disse, eu concordei com um aceno de cabeça.
O beijei mais uma vez antes de sair da cama. Minha mão foi automaticamente até meu celular na mesinha de cabeceira, eu precisava ver de uma vez o resultado do exame.
— Você já vai ver o resultado? — Edward me questionou.
— Claro!
— Última chance para você aceitar só descobrir no dia do parto.
— Edward, isso não vai rolar — declarei, ele bufou.
— Por favor, Bonequinha!
— Não!
— Não quero saber — ele proclamou.
— Ah não, Edward!
— Tô falando sério, eu quero muito que seja uma surpresa para mim.
— Não tem como você não ficar sabendo, Edward — alertei. — No momento que eu souber isso contarei para nossas famílias, para nossos amigos e especialmente para Renesmee e Riley, advinha só, aqueles dois não vão conseguir ficar de boca fechada e você vai acabar descobrindo. Além do mais, eu encherei essa casa com pertences para o bebê e mesmo que azul não seja só para menino, ou rosa só para menina, vai ficar meio óbvio quando eu trouxer tudo para cá. Fora o quarto, eu realmente quero uma decoração de princesa se for garota, já que fizemos a do quarto de Renesmee com tema de bichinhos.
— Eu não quero mesmo saber — ele reclamou. — Vamos, Bonequinha, faça isso por mim!
— Edward — teimei, batendo o pé.
— Por favor, por favor, por favor — continuou a insistir, aproximando-se de mim e tirando o celular da minha mão. — Vai ser uma aventura passar o resto da gestação sem saber o sexo, nós realmente não precisamos nos prender a essa coisa de rosa e azul, fora a emoção que deve ser na hora do parto. É nosso último filho, vamos fazer a coisa ser mais intensa ainda.
Suspirei.
— Eu vou tentar, tá bom? — cedi. — Não prometo que vou aguentar até o parto, mas vou tentar.
— Certo, certo — ele concordou, me dando um beijo. — Você vai conseguir, Bonequinha.
— Veremos!
***
Como Edward previu o trânsito para Hamptons estava intenso, uma vez que era véspera do 4 de Julho e todos queriam ir para a praia. Ainda assim, minha família estava aproveitando a viagem, Edward colocou música para tocar e ele e as crianças estavam fazendo um show privativo, enquanto eu me esforçava tentando escrever algo para o discurso de casamento.
“Rosalie e Arthur fizeram sexo pela primeira vez aqui em Hamptons...”
Pessoal demais.
“Eu beijei Arthur uma vez...”
Desnecessário.
“A primeira vez que vi Rosalie a odiei...”
Melhor não.
— Garoto do Brooklyn — choraminguei para Edward, que estava dirigindo ao meu lado.
— Nem pensar, eu não vou te ajudar nisso. O discurso tem que ser algo feito por você mesma, você teve muito tempo para pensar nisso.
— Mentira, faz pouco mais de um mês desde que aqueles dois decidiram finalmente se casar, esse é pouco tempo para se penar em um bom discurso.
— Foi o tempo que usei para escrever o meu, Bonequinha. — Edward ajustou os óculos de sol em seu rosto. — Apenas se concentre, vai conseguir fazer um bom discurso.
— Ou você pode fingir dor de barriga, mãe — Riley sugeriu, olhei para ele no banco de trás.
— Acredite, eu já tinha pensado nisso, bebê.
— Mãe, não sou mais bebê — ele reclamou.
É, ele estava certo, já era um garoto. Assim como Renesmee, bebê somente aquele em meu ventre, que por uma loucura do meu marido eu ainda não sabia o sexo.
— Tudo bem, garoto. — Pisquei para Riley, voltando para meu celular e suas notas onde eu tentava desenvolver o discurso.
“Rosalie...”
Nada, eu estava muito ferrada.
***
Edward, as crianças e eu ficaríamos com meus pais, Clarisse, Joe e Lizz na casa que tínhamos comprado alguns anos atrás em Hamptons. Bom, uma mansão de dez quartos, com tudo que tínhamos direito. Era ainda maior do que a antiga casa dos Higginbotham, que mamãe e eu perdemos depois de todo o processo envolvendo nossa família.
Nós fomos os primeiros a chegar, mas logo minha sogra chegou com seu marido e minha cunhada/tia. Não demorou muito para minha mãe aparecer com papai, então nós dirigimos até a cidade para um almoço, mais tarde naquele dia iriamos jantar na casa dos Cullen, onde aconteceria o casamento no dia seguinte.
Rosalie e Arthur estavam sendo motivados pelas lembranças que tinham do lugar, por isso queriam realizar o casamento lá, justamente na data que ficaram juntos pela primeira vez. O casamento começaria de tarde, estendendo-se até a noite, onde não só os fogos da festa, como os do feriado de 4 de Julho brilhariam no céu.
Depois que nosso grupo retornou do almoço, ficamos pelo trecho de praia privativa que tínhamos graças à mansão. Edward estava na água com nossos filhos e seu padrasto, enquanto Clarisse, minha mãe, Elizabeth e eu estávamos na areia tomando Sol. Na verdade, elas estavam, eu estava debaixo de um guarda Sol, rascunhando mais tentativas de escrever o discurso que cabia a mim como madrinha.
— Esse cara é bom! — Clarisse exclamou, ela estava lendo o livro do escritor que na noite passada esteve em minha exposição. — E eu já perdi a conta de quantas pessoas morreram.
— Clarisse, você não deveria estar lendo isso — Elizabeth a repreendeu, minha sogra era sempre muito preocupada com Clarisse, afinal tinha muitos motivos para isso. Clarisse tinha passado por muito, entre anos convivendo com Richard e seu histórico de vício em álcool, as agressões em Elizabeth, quando ele morreu, então a descoberta sobre sua paternidade e depois aquela noite onde meu avô, o verdadeiro pai dela quase matou Edward e se matou.
Engoli em seco ao lembrar daquilo, desviando meu olhar para Edward na água. Ele tinha Renesmee sobre seus ombros, enquanto Riley amparado por Joe se equilibrava em uma pequena prancha que meu marido comprou no último verão.
— Estou bem, mãe — Clarisse assegurou, fazendo com que eu voltasse a olhá-la. Eu acreditava em suas palavras, de todos nós Clary era a mais fiel em sua terapia — ainda mais por querer ser uma futura psiquiatra — e não se prendia ao passado tumultuado.
— Vá lê romances leves — Elizabeth insistiu.
— Não são tão bons. — Clary deu de ombros.
— Sobre o que esse fala? — minha mãe perguntou a ela, hesitante.
— Sobre um presidente bem corrupto — Clarisse contou. — Vocês deveriam ler, é sensacional. — Ela se levantou da espreguiçadeira que estava. — Posso sentar com você? — Parou ao meu lado. — O Sol está acabando comigo.
— Com certeza. — Abri espaço para ela sentar ao meu lado.
Clary ficou ao meu lado, seus olhos verdes focados no livro em suas mãos. Ela não parecia em nada com Marcus Higginbotham, eu agradecia por isso.
— Ei, você está bem, não? — perguntei baixinho para ela, que olhou para mim no mesmo instante.
— Estou ótima. — Piscou para mim. — E você?
— Muito bem.
***
No jantar daquela noite Rosalie e Arthur me perguntaram se eu já tinha meu discurso pronto, descaradamente menti dizendo que sim. Horas mais tarde, enquanto Edward dormia ao meu lado depois de transarmos, eu continuava trabalhando em meu discurso que parecia cada vez mais impossível de sair.
Percorria minhas mãos pela tatuagem de dragão nas costas do meu marido, tentando desesperadamente conseguir usar o nosso nós para escrever algo bom. No entanto, eu me sairia melhor se Rose e Arthur tivessem pedido por um quadro.
— Edward? — o chamei baixinho, levando minha mão até os seus cabelos. — Garoto do Brooklyn?
— Sim? — ele falou, entreabrindo seus olhos.
— Você mudaria algo em nossa história?
Ele se remexeu na cama, deitando de barriga para cima, seu olhar pousando sobre mim.
— Não — respondeu sem hesitar. — Nem um acontecimento, por mais que tenhamos passado por uns bem pesados, certo. Mas, eu gosto de pensar que tudo que aconteceu ocorreu para que estivéssemos exatamente onde estamos hoje.
Meu marido se sentou na cama, segurando em meu rosto delicadamente com uma mão, enquanto tirava meu celular de mim com a outra. Seus lábios se encontraram com os meus, primeiro em um beijo calmo, que aos poucos se tornou mais intenso, até que ele se afastou um pouco de mim.
— Se qualquer coisinha tivesse sido diferente em nossas vidas eu poderia não ter você aqui comigo hoje, Bonequinha. E isso me faz acreditar que tudo que passamos foi muito necessário, eu passaria por tudo aquilo de novo só para garantir que nunca iria a perder.
Ele me beijou mais uma vez.
— Então, com certeza não, eu não mudaria nenhum detalhe de nossa história.
— Eu mudaria algo — confessei.
— O quê? — perguntou receoso.
— Salvaria seu pai — sussurrei, Edward suspirou, beijando meu rosto.
— Tudo seria muito diferente.
— Você o teria, isso ia importar pra caramba, Edward.
— Por que estamos falando sobre isso em plena madrugada?
— Porque eu preciso saber o que escrever naquele discurso — resmunguei. — Além do mais estou grávida, minha cabeça está uma verdadeira confusão.
Edward riu, me fazendo deitar.
— Relaxe, Bonequinha. — Me colocou contra seu corpo. — Na hora você saberá o que falar.
— Desculpe — pedi. — Por ter falado em seu pai, isso acabará te fazendo ter um pesadelo. — Ele negou com um aceno de cabeça, entrelaçando nossas mãos.
— Gosto de conversar sobre meu pai com você, Bonequinha. Faz com que eu me sinta melhor sobre não tê-lo comigo, antes falar dele doía muito, agora com você e as crianças isso se tornou mais leve.
— O que você diria a ele se o visse mais uma vez?
— Obrigado — Edward respondeu. — Por ter me ensinado a andar, falar, tocar guitarra. Por ter me ensinado a respeitar as pessoas, por ter me ensinado a vencer o medo. E com certeza obrigado por ter me amado, ele foi — ainda é — uma das pessoas que mais amo no mundo e saber que fui amado por ele na mesma proporção é um conforto. Ele não está mais aqui, mas me ensinou tanto que eu sinto que parte dele vive em mim.
Eu sorri ao ouvir aquilo, beijando o maxilar de Edward.
— Eu tenho certeza de que seu pai fez um bom trabalho com você, Garoto do Brooklyn. Se eu pudesse dizer algo a ele seria um obrigada também, por ter feito parte da criação da pessoa mais especial que já cruzou meu caminho.
***
Na manhã seguinte deixei Riley na mansão com Joe, Charlie e Edward, seguindo para a casa dos Cullen com Renesmee, Clarisse, minha mãe e minha sogra. Lá nos reuniríamos a noiva do dia, Esme, a mãe de Rosalie, a de Arthur, Alice e suas filhas para passarmos o resto das próximas horas nos arrumando para o casamento.
O clima na casa era de pura animação, principalmente por Renesmee, Ashley e Chloe não pararem quietas. Entretanto, Rosalie não falou muito durante o dia inteiro, concentrada demais em se arrumar para ficar batendo papo.
Mais tarde, quando todas estávamos prontas e o casamento estava quase na hora, eu acabei sozinha no quarto com Rosalie. A baterista da The Dragons estava sentada na poltrona branca do quarto principal da mansão dos padrinhos de seu noivo, mexendo no buquê em seu colo.
— Rose, tudo bem? — perguntei a ela, que olhou para mim com lágrimas nos olhos.
— Não — sussurrou.
— Ai, merda. — Me aproximei dela. — Você está pensando em desistir? — indaguei nervosa, pensando em como Arthur e ela pareciam confiantes no dia anterior durante o jantar, ele ficaria arrasado se Rose o deixasse.
— Não — murmurou. — Eu amo Arthur, quero me casar com ele, mas...
— Mas?
— Mas, eu queria que meu pai estivesse aqui. Na verdade, queria que o projeto de pai que sonho estivesse aqui, você consegue entender isso? Eu queria um pai tão incrível quanto o de Arthur, ou o de Alice, ou o seu. Merda, eu queria que o pai de Edward estivesse aqui — choramingou. — Você tinha de tê-lo conhecido, Bella. Ele era um homem maravilhoso, o pai dos sonhos.
— Eu sei que sim. — Limpei uma lágrima que rolou por seu rosto, impedindo que estragasse sua maquiagem.
— Não há ninguém para me conduzir hoje — disse afetada. — Eu sei que pareço muito durona, mas todas as vezes que pensava sobre meu casamento eu ficava desconfortável com isso, pois sabia que não teria meu pai para me levar até meu noivo. Porque, você sabe, meu pai não passa de um grande idiota.
— Eu tive uma ideia. — Toquei delicadamente na trança em seus cabelos. — Espere aqui.
— Qual ideia? — questionou, mas eu já estava saindo do quarto.
Desci para a praia, onde toda uma estrutura tinha sido armada para a cerimônia e para a festa logo depois, localizei Edward em uma das mesas com Jasper, os dois riam de algo enquanto bebiam cervejas. Fui até eles, que imediatamente olharam para mim.
— Vocês viram Charlie?
— Eu acho que ele está lá dentro com Riley — Edward respondeu. — Você está linda...
— Eu sei, eu sei. — O interrompi, voltando para dentro de casa, fui até uma das salas, localizando meu pai lá com meu filho. Os dois assistiam algum desenho animado com cachorros falantes na TV, o que me fez rir. — Papai? — Charlie olhou para mim.
— Sim, Bells?
— Eu preciso que faça um favor para mim.
— Claro, querida, todos — prontificou-se imediatamente, colocando-se de pé. — Do que precisa?
— Riley, vá até seu pai lá fora, certo? Não saia de perto dele, logo a cerimonia começará — orientei.
— Pode deixar, mãe. — Riley correu para o lado de fora, enquanto eu pegava a mão do meu pai e o puxava para as escadas comigo, sem parar para explicar o que estava acontecendo.
Entramos no quarto onde Rosalie estava, ainda ansiosa com tudo aquilo.
— Pai, a Rosalie precisa que alguém a leve até Arthur hoje — falei. — Como Jasper, Edward, Carlisle e Joe são padrinhos e o pai de Arthur irá presidir a cerimônia, eu preciso que entre com ela.
— Bella, não! — Rosalie exclamou envergonhada. — Charlie, você não precisa fazer isso.
Ele sorriu para ela.
— Será um prazer conduzi-la, Rosalie — ele falou calmamente, olhando para mim. — Foi uma honra levar Bella, sei que será uma levar você também.
Sorri orgulhosa, abracei e beijei meu pai. Então, fui até Rosalie, que tinha se colocado de pé.
— Obrigada por dividir seu pai comigo, Bella.
— Sempre que precisar, Barbie — provoquei, a fazendo rir. — Você é importante demais para mim — falei, arrumando seu vestido. — Não acho que se dá esse crédito, mas sem você fazendo com que Alice me levasse para o aniversário de Edward talvez ele e eu nunca teríamos ficado juntos.
— Ah não, eu me dou esse crédito sim — provocou de volta.
— Convencida! — acusei. — Mas sim, você é extremamente especial para mim e quero que saiba que se meu bebê for uma garota ela se chamará Elizabeth Rosalie, mesmo que não combine. — Sorri.
Rosalie arfou, sem conseguir dizer nada.
— Isso é sério, não é algo que Edward saiba, mas eu sei que no momento que eu falar ele irá concordar no mesmo instante. Você é a melhor amiga dele e se tornou uma das minhas melhores amigas, colocar seu nome na nossa bebê seria uma honra, ela crescerá com o nome de duas das mulheres mais fortes que já conheci.
Rosalie não falou nada, apenas me puxou para um abraço apertado.
— Agora está na hora de irmos te casar com o seu líder de torcida favorito, Rose. — Ela gargalhou em meu ouvido. — Você está pronta para isso?
— Sim! — A resposta veio cheia de confiança.
***
Após anos de noivado Rosalie e Arthur estavam casados, começando mais uma fase de suas vidas. Todos seus muitos padrinhos e madrinhas fizeram discursos, Carlisle e Esme falaram sobre estarem muito orgulhosos de seu afilhado e exultantes por ele estar casando com Rosalie. Elizabeth falou sobre a Rose criança que não conheci, em como ela a amava como uma filha — o que me fez chorar muito —, Joe — que tinha se tornado muito próximo do casal — prometeu sempre ser um ombro amigo para os dois. Jasper chorou no seu discurso, ao falar sobre sua irmã gêmea e ao ameaçar Arthur. Alice contou sobre o Arthur aventureiro, que naquele dia estava embarcando na maior aventura da sua vida, ao lado da pessoa que ele mais amava.
Então, Alice passou o microfone para meu marido, que confiante se colocou de pé.
— Rosalie é minha melhor amiga — falou ao microfone. — Eu a conheço há muito tempo, desde que éramos crianças. No dia que conheci Rosalie eu a defendi de uns idiotas sem noção, desde então eu faço parte da vida dela e Rose da minha. Nós compartilhamos um monte de coisas, frustrações, sonhos, risadas e lágrimas. Nós dividimos uma casa por muito tempo, por todo esse tempo ela foi a pessoa mais próxima de mim. Não apenas uma melhor amiga, uma verdadeira irmã. Eu sei que posso contar com Rosalie para tudo, seja para ela me apoiar, ou me criticar.
Ele respirou fundo, parecendo se conter de chorar.
— Rosalie, obrigado por ser minha melhor amiga. Por sempre estar disposta a me ouvir em meus momentos mais loucos, os nos meus momentos mais difíceis. Sei que você tem Arthur agora, mas quero que saiba que eu continuarei de defendendo de tudo e de todos, como faço desde o primeiro dia da nossa amizade.
Rosalie assentiu, sorrindo timidamente. Arthur beijou o rosto dela, fazendo com que ela sorrisse ainda mais.
— E Líder de Torcida — Edward falou com Arthur, fazendo com que todos rissem. — Você agora é o marido de uma das mulheres da minha vida, minha melhor amiga e minha irmã, minha colega de trabalho. Eu poderia te ameaçar como Jasper fez, mas fiz isso anos atrás quando você me contou que estava apaixonado por Rosalie, bem aqui em Hamptons. Sendo assim, hoje eu farei algo diferente. Estendo a promessa que acabei de fazer a Rosalie, eu também irei te defender. Como padrinho prometo defender vocês dois e o seu casamento, como um homem casado eu digo que Alice está certa, essa é a maior aventura de suas vidas, vocês irão amar vivê-la. — Todos aplaudiram.
Filho da mãe, ele era bom demais!
Edward se voltou para mim, me entregando o microfone. Cogitei fugir para o banheiro naquele momento, eu era uma mulher grávida, ninguém podia discutir comigo, certo?
— Bonequinha, você precisa fazer isso — Edward falou, cobrindo o microfone para que ninguém além de mim o ouvisse.
— Depois de você? Acho que não — sussurrei. — Vou ao banheiro.
— Bella, fale de uma vez — insistiu, colocando o microfone em minhas mãos.
Bufei, me colocando de pé. Evitei o olhar de todo mundo, focando na taça com água diante de mim sobre a mesa.
— Eu queria parabenizar os outros padrinhos e madrinhas por serem tão bons — falei. — Eles falaram tudo que penso, acho que se... — Edward cutucou minha coxa, um aviso que eu deveria falar e não enrolar.
Respirei fundo, voltando meu olhar para os noivos. Arthur tentava não rir, Rosalie tinha sua sobrancelha esquerda erguida.
— A verdade é que eu não consegui preparar um discurso decente para hoje — confessei para todos. — E agora não faço ideia do que falar. — Inspirei, Rose revirou os olhos, Arthur riu. — Mas, eu tenho algo para lhes perguntar.
Edward ao meu lado me cutucou de novo, olhei para ele e o músico parecia nervoso com o que eu diria. O ignorei, ele não tinha me ajudado com o discurso antes, não o queria naquele momento.
— Vocês mudariam algo em suas vidas? — fiz para eles pergunta semelhante a que fiz a Edward noite passada.
Arthur e Rosalie se entreolharam, negando com acenos de cabeça.
— Ok, certo, excelente! — falei, ainda sem saber o que dizer de verdade.
Olhei para baixo, para a tatuagem em meu pulso. Eu tinha de seguir a lição deixada por meu sogro, sem medo.
— Escutem. — Ergui meu olhar. — No passado eu fui uma garotinha mimada, certo de que ainda sou, mas antes era bem mais. Uma garota que só pensava em si mesma, que jurava que o amor era uma mentira. — Uma lágrima rolou por meu rosto. — Então, minha vida virou de cabeça para baixo e como Edward e eu gostamos de falar, fiquei toda bagunçada. Mas, onde quero mesmo chegar é a parte do Nós. Acredito que todos aqui já ouviram a música com esse nome que meu marido escreveu, mas eu nunca falei sobre isso para tantas pessoas ao mesmo tempo.
Peguei a taça de água, tomando um gole antes de continuar a falar, precisando de um pouco de coragem a mais.
— Como eu disse, era uma garota mimada, que achava que o mundo deveria me servir e pensava sempre em mim em primeiro lugar, que sequer sabia de verdade o que era amar. Então, Edward surgiu na minha vida e sem que eu pudesse entender tudo, ele e eu estávamos juntos e viramos um nós. Isso quer dizer que desde então ele e eu temos sido parte de algo maior, juntos.
Percorri uma mão pelos cabelos do meu marido sentado ao meu lado.
— Rosalie e Arthur, eu lamento dizer, mas vocês não se tornaram um nós hoje. — Eles me olharam confusos, Edward me chamou, mas continuei o ignorando. — Vocês são um Nós desde aquele 4 de Julho de 2016, quando ficaram juntos pela primeira vez. O casamento é somente a oficialização legal disso, apenas um dia marco. Entretanto, o que construíram até aqui, juntos, é extremamente importante.
Rosalie beijou Arthur rapidamente.
— Vocês ainda terão um longo caminho pela frente, com mil desafios a serem enfrentados. Acreditem em mim, alguns podem parecer difíceis demais de serem superados, mas não desanimem por nenhum segundo e não se sintam sozinhos. Olhem para o lado, para a pessoa que estão casando hoje. Arthur, Rosalie será sua melhor companheira. Rose, Arthur será seu melhor apoio. E juntos, sempre juntos, vocês serão capazes de vencer cada desafio.
Bebi mais um pouco de água.
— Daqui a dez anos eu lhes perguntarei se vocês mudariam algo em suas vidas, vocês dirão que não. Daqui a vinte anos eu repetirei a pergunta, a resposta será a mesma. Daqui a trinta anos vocês nem esperarão que eu pergunte, já dirão a resposta. Sabem por que? Porque vocês são um nós, diferentes e parecidos ao mesmo tempo, mas que se amam tanto que não serão capazes de nunca mais se afastarem. Eu, como uma Masen, hoje digo que vocês não precisam ter medo, pois estão ao lado do amor de sua vida e isso é o suficiente para seguir em frente, sempre. Ainda que às vezes você queira socar seu marido por não escrever um discurso por você — brinquei, fazendo com que todos rissem. — Líder de Torcida, parabéns por ter encontrado seu Anjo. — Pisquei para Arthur. — Rosalie? Parabéns por ceder, parabéns por se entregar aos sentimentos, eu sei o quão difícil isso é. Eu amo vocês, obrigada por terem me chamado para ser a madrinha do seu casamento, prometo estar sempre aqui para fazer os piores discursos.
Todos riram de novo, mas daquela vez aplaudindo. Ainda nervosa voltei a sentar junto de Edward, que beijou minha bochecha.
— Você foi ótima, Bonequinha.
— Eu fui terrível — choraminguei, Edward riu, dei um tapa em seu braço. — Não ria de mim, Garoto do Brooklyn.
— Estou falando sério — ele insistiu. — Você foi muito bem, talvez melhor do que eu.
— Até parece. — Revirei os olhos.
— Você não sendo confiante, Bonequinha?
— Acontece de vez em quando — brinquei, ele percorreu uma mão por meu rosto delicadamente.
— Eu mudaria algo em minha vida, Bella — falou, me deixando tensa.
— O qu-quê? — perguntei gaguejando.
— Teria dito que te amo mais vezes. — Beijou a ponta do meu nariz, fazendo com que eu sorrisse. — Tenho certeza de que ainda não falei o suficiente.
— Isso é um problema.
— Não é? Deixe-me resolver isso, Bonequinha. — Segurou em meu rosto com ambas as mãos. — Eu amo você.
— Você vai precisar repetir isso por muitos outros anos.
Ele suspirou, um sorriso bobo no rosto.
— Será a melhor tarefa da minha vida.
— Eu amo você — foi a minha vez de falar.
— Foi aqui — ele sussurrou baixinho.
— Desculpe?
— Foi aqui em Hamptons que dissemos que nos amávamos pela primeira vez — Edward falou, eu arfei, ele estava certo sobre aquilo.
— Aparentemente estamos construindo memórias por todo o lugar do planeta, Garoto do Brooklyn.
Ele beijou meus lábios.
— Eu quero construir muitas outras memória com você. — Ele sussurrou em meu ouvido. — Venha comigo, tem algo que quero fazer.
— O quê?
— Apenas venha comigo.
Me dei por vencida, sem insistir sobre o que ele queria. O mais discretamente que conseguimos deixamos o local da festa, Edward tirou meus sapatos, os carregando enquanto andávamos pela faixa de areia, para longe da festa.
— Está quase na hora dos fogos, nós vamos perder isso — anunciei, Edward não pareceu se importar, tirou seu paletó e o colocou sob a areia, fazendo com que eu sentasse e se colocou ao meu lado. — Ah, entendi, nós iremos ver o fogos daqui.
— Exatamente — concordou, segurando em uma mão minha, beijando meu ombro nu graças ao vestido que eu usava ter uma alça fina. — Mas, não será só isso.
— Não?
— Não.
O olhei sem entender o que ele estava tramando, aquilo me deixou ansiosa, mas aguentei. Nós ficamos em silêncio, esperando os fogos, Edward deslizava uma mão por todo pedaço de pele que eu tinha descoberta, causando arrepios em meu corpo e me fazendo ficar quente.
Então, os primeiros fogos de artificio estouraram no céu, fazendo com que eu sorrisse. Podia me lembrar do meu primeiro 4 de Julho com Edward, nós dois fazendo amor ali mesmo em Hamptons.
— Feliz 4 de Julho, Garoto do Brooklyn! — gritei entusiasmada, me voltando para Edward, mas ele olhava para o celular em suas mãos. — Edward?
Ele me olhou, com lágrimas nos olhos.
— É um garoto.
— O quê?
— O bebê, é um garoto! — contou, lágrimas rolando por seu rosto.
— Você viu o resultado! — gritei, sem saber se estava feliz ou raivosa por isso, depois dele ficar insistindo para que fosse surpresa.
— Eu não estava conseguindo lidar com o fato de não saber — confessou, voltando seu olhar para o celular. — Bonequinha, é um menino. — Ele soluçou, sorrindo.
— É um menino! — repeti, tocando em minha barriga com ambas as mãos. — Olá, Anthony!
— Não parece certo — Edward disse, de testa franzida. — Não soa especial como Riley que escolhemos quando te pedi em casamento, ou como Renesmee que é uma homenagem a Esme e Renée.
— Não? Mas é se segundo nome. Isso é especial, não?
Ponderei sobre aquilo, Anthony era um nome lindo, mas talvez Edward estivesse certo. Riley surgiu no dia que noivamos, Renesmee foi uma escolha acertada para homenagear minha mãe e Esme, que era como uma mãe para mim. E, se aquele bebê fosse uma menina levaria os nomes de Elizabeth e Rosalie, muito especiais.
— Não é especial — concordei com Edward, ele expirou alto, olhando ao redor.
— Hamptons?
— Não vou chamar meu bebê assim, Edward. Nem de Elvis, não mesmo.
Continuei afagando minha barriga, pensando no bebezinho lá dentro. Mais um menino, meu terceiro filho.
— Edward? — sugeri. — Como você e seu pai.
Edward balançou a cabeça em negativa.
— Marcus? — disse baixinho.
Senti um frio na espinha ao ouvir sua sugestão.
— Não, não mesmo, Edward. Entendo o que está tentando fazer, mas eu não conseguiria lidar com isso, muito menos minha mãe, ou a sua e acho que nem Clarisse. — Olhei para minha barriga. — Além do mais, ele não merece ser homenageado.
— É, você está certa. Desculpe por isso. — Assenti, mas continuei com os olhos fixos em minha barriga, pensar no meu avô me fez ficar cercada de memórias, tentei me focar nas boas.
A primeira vez que vi Edward na boate, nosso primeiro beijo no hospital, seu aniversário de vinte e dois anos, a contagem de beijos, nós dois deixando a festa juntos. Porra, nosso Hot Dog favorito que nunca mais comeríamos, pois o cara estava em outro estado.
Eu gostaria de ter tido uma despedida apropriada de Joshua, o cara do Hot Dog. Merda, por anos nem sabia o nome dele e o cara era uma parte especial da minha vida e de Edward. Por anos nós dois comemos do Hot Dog dele, em momentos felizes, em momentos tristes, era nossa comida de conforto.
Me sentia mal por nunca ter perguntado seu nome, por nunca ter puxado conversa. Ele podia ter se tornado um amigo, ou não, dane-se, mas queria ter me apresentado e ter dito um obrigada pelo melhor Hot Dog do mundo.
Eu estava com desejo, morrendo de fome.
— Garoto do Brooklyn, o que nós faremos agora sem nosso Hot Dog favorito?
Edward fez uma careta.
— Sabia que eu estava pensando nisso agora?
— Jura?
— É, pensei que o bebê número três nunca irá provar esse Hot Dog, isso parece muito errado já que Riley e Renesmee também o adoravam. — Ele tocou na minha barriga. — Você vai perder uma lenda, filho.
Eu ri, afagando sua mão. Naquele instante uma luz pareceu se acender em minha mente, parecia loucura, mas ainda assim.
— Joshua, Edward.
Ele me olhou sem entender.
— O bebê pode se chamar Joshua, como o vendedor do melhor Hot Dog do mundo.
Edward ficou visivelmente surpreso.
— Você está mesmo sugerindo que seu filho tenha o nome de um vendedor de Hot Dog?
Revirei os olhos.
— Nós dois sabemos que eu não sou mais tão idiota assim, Edward — declarei. — Joshua é um nome bonito, além do fato de ser significativo. Não ligo para o fato de estarmos o tirando de um cara que vendia Hot Dog, até porque esse cara era o dono da melhor barraquinha do mundo e vai fazer tanta falta. — Lágrimas rolaram por meu rosto, Edward as secou com beijos. — O que você acha?
— Acho que nós teremos uma grande história a contar para Joshua um dia.
— Estou tão feliz que você não aguentou até o parto! — O puxei para um beijo demorado.
— Estou tão feliz em ter mais um filho, Bonequinha. — Encheu meu rosto de beijos espalhafatosos, fazendo com que eu risse.
— Consegue acreditar? Temos uma Bonequinha e dois Garotos do Brooklyn.
— Eu não poderia pedir por mais nada... — Os fogos voltaram a chamar nossa atenção. — Não, eu estou errado, tenho algo que quero pedir.
— É, o quê?
— Você, ao meu lado, por todos os próximos 4 de Julho.
— Estarei sempre ao seu lado, Garoto do Brooklyn. — Afaguei seu rosto. — Somos um nós — o lembrei, beijando seu pulso onde as datas de nascimento de sua irmã, de nossos filhos e a minha estavam tatuadas, peguei sua outra mão e beijei o pulso onde a frase sem medo estava gravada.
— Feliz 4 de Julho, Bonequinha! — Ele se voltou para minha barriga. — Estamos ansiosos para te conhecer, Joshua.
Joshua, Josh, meu terceiro bebê, mais um amor para minha vida. É, eu com certeza acreditava no amor.
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