Nós

1 Juntos


Notas iniciais
Olá! Espero que apreciem mais uma one-shot do casal. Me avisem de qualquer erro.

Remus nunca viu nada de atraente em si mesmo. Poderia ser responsável e inteligente — ao menos era o que as pessoas costumavam falar sobre ele —, mas vestia roupas velhas e remendadas, não era atraente como Sirius e nem mesmo engraçado como James. Costumava manter-se em silêncio na maior parte do tempo, antes de ter uma verdadeira e forte amizade com Sirius, James e Peter.

Ainda sim, mesmo depois daqueles longos e exaustivos anos, ele continuava sendo alguém sem muitos atrativos. Sua aparência, então, nem mesmo podia ser considerada algo bom em mil anos; tinha olheiras profundas, inúmeros cortes pelo corpo, incluindo o rosto com arranhões e algumas cicatrizes, era magricelo e miúdo demais, sem muitos músculos.

Perguntou-se, então, por que Sirius Black lhe tocava naquele exato momento. Perguntou-se por que as mãos pareciam tão ansiosas quando exploravam o corpo de Remus. Perguntou-se de onde havia saído aquela luxuria nos olhos de Padfoot.

— Moony — chamou Sirius, afastando-se lentamente dos olhos perdidos — Ei, moony.

Remus piscou os olhos castanhos e levou o olhar ao garoto de sorriso malicioso. Sirius o encarava com uma sobrancelha arqueada e um sorriso um tanto quanto estranho.

— Como eu estava dizendo… eu apontei vários erros no seu pergaminho, você só precisa arrumá-los e então acho que se sairá bem — explicou Remus, com os olhos fixos no pergaminho que estava longe deles, no chão.

Não foi preciso perguntar-se também porque o pergaminho estava tão longe. Lembrava perfeitamente de ver Sirius puxando o pergaminho de suas mãos e iniciando um beijo urgente, há alguns minutos.

— O que tá havendo, Moony? — indagou Sirius, de repente o sorriso havia sumido.

— Nada. Acho que tá tarde, deveríamos dormir.

Realmente estava tarde e o salão da Grifinória estava quase vazio, exceto por Sirius e Remus, que decidiram ficar ali para estudar poções.

— Não, senta — puxou o amigo pelo braço fortemente, fazendo-o sentar. — Vai me contar o que te atormenta e não adianta dizer que é a lua, porque ainda está longe de acontecer.

Sirius conhecia o amigo perfeitamente para saber que algo lhe incomodava tanto quanto um sonserino. E nunca fora difícil fazer Remus falar, porque ele sempre parecia mais confortável com Sirius do que com qualquer outra pessoa.

Mas, naquele momento, os olhos cinzas pareciam não surtir efeito, porque Remus não os mirou nenhum segundo sequer.

— Estou falando com você — disse, sem nenhuma paciência, enquanto forçava Moony a olhá-lo.

Foi quando os olhos castanhos miraram os cinzas que Sirius sentiu um arrepio em todo o seu corpo. Poderia olhá-lo quantas vezes quisesse, mas se Remus o fitasse daquela maneira, sempre sentiria o arrepio alastrar em seu corpo.

— Por que você faz isso, Padfoot? Por que insiste nisso?

Sirius esperava que Remus dissesse algo, mas algo não tão confuso quanto aquilo.

— Não tô entendendo, Moony.

Lupin suspirou e continuou com os olhos fixos no garoto a sua frente.

— Eu percebo, sabe, Sirius? Percebo que você continua flertando com as garotas por aí… E percebo também que continua me tratando desse jeito… — as últimas palavras foram murmúrios quase inaudíveis, exceto que Sirius tinha uma ótima audição.

— Desse jeito como? — o sorriso maroto voltou pequeno no rosto e Remus nem reparou.

— Eu não sei… é como se você tivesse… — não foi capaz de finalizar a frase.

— Desejo por você? É isso que está querendo dizer?

Padfoot levou a mão até a coxa do amigo, apertando-a fortemente e observando-o suspirar com dificuldade.

— Eu não sou nenhum brinquedinho seu, Sirius.

— Eu sei. Nunca disse que você era — sussurrou perto do ouvido do outro, arrepiando-se tanto quanto Lupin.

— Não é preciso dizer quando é óbvio a maneira que me trata — afastou-se.

— Moony… Acho que você está equivocado.

Remus sentiu-se um completo idiota. Aquilo nele era ciúmes ou raiva? Era indignação por não ser tratado como queria que fosse? De qualquer forma, Remus soube que sua própria atitude fora estúpida. Era apaixonado por Sirius Black, afinal. O garoto cobiçado de Hogwarts, que também era animago e seu melhor amigo, além, claro, de sua paixão secreta.

Remus sabia que tudo aquilo havia se iniciado como uma aventura adolescente; onde os hormônios encontravam-se a flor da pele e a curiosidade falava mais alto. Mas para ele havia ultrapassado qualquer limite, havia se tornado mais sentimental do que carnal. E se Moony sofria agora, a culpa era dele mesmo. Afinal, quem mandara se apaixonar pelo cachorro (literalmente) mesquinho Sirius Black?

— Eu jamais trataria você como um brinquedo, Remus. Você é mais do que um mero objeto, ou algo assim…

Os olhos de Sirius agora lhe encaravam com intensidade e sinceridade, mas Remus teimou.

— Ah, é mesmo? — havia um misto de raiva e ironia em sua voz.

— E sobre as garotas… Bem, eu não flerto exatamente com elas. Quer dizer, é elas que flertam comigo. Eu apenas as dispenso.

Remus olhou-o com surpresa e desconfiança, mas não havia resquícios de que aquilo era uma armadilha ou brincadeira inconsequente. Sirius parecia calmo e em seus olhos haviam pura sinceridade e coragem, como um típico grifinório.

— Por que você dispensa as garotas, então? — resolveu desafiar, aproximando-se lentamente do corpo quente de Sirius.

— Porque eu estou com você. Você é meu melhor amigo, assim como James. E você é a pessoa da qual eu gosto de beijar. Você é a pessoa da qual eu gosto de estar, Moony. Não é tão difícil assim de perceber isso.

Dessa vez o lobisomem não hesitou nem um pouco, avançou para os lábios da pessoa por qual era apaixonada. Toda a surpresa, consideração e paixão estavam naquele beijo ponderado e quente, como as mãos marotas de Sirius.

— Então significa que estamos… juntos? — murmurou, assim que se separaram.

Não entendeu porquê Sirius Black gostaria de uma pessoa sem atrativos nenhum. Mas ao contrário do próprio Lupin, Sirius sabia que havia inúmeras qualidades em Remus que nem mesmo o lobisomem percebia. E Padfoot não era tão cego assim para deixar de notar os sentimentos que Moony tinha por ele.

E, por mais que ficara surpreso no início, descobriu que o corpo, a voz e olhar de Remus o atraiam mais do que qualquer um. Demorou meses para admitir que a aventura adolescente passou de aventura para paixão adolescente.

— Claro que estamos. Sempre estivemos! — o sorriso maroto alastrou-se quando sua mão, sem querer, caiu na virilha de Remus, perto demais de onde não deveria estar.

— Devo acreditar em você, então?

— Posso fazer você acreditar — beijou-o novamente, com mais luxuria.

Não era preciso fazer perguntas ou realizar ações, porque Remus sempre acreditaria em Sirius, houvesse o que houvesse. Eles eram jovens apaixonados, afinal.

Notas finais
E então?

♥
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!