Nêmesis
6 VI. ...unless you wanna come along
Notas iniciais
VI
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{...unless you wanna come along}
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Albus Severus Potter precisava de um tempo sozinho. De um momento de silêncio. De paz e tranquilidade. As revelações daquele dia ainda ecoavam pela sua cabeça, quando ele saiu do castelo, se dirigindo para o único local no qual se sentia realmente em casa: o campo de Quadribol. Era fim de tarde e o crepúsculo pintava o céu em tons de laranja, vermelho e rosa. Seria uma imagem bela e de perfeita calmaria, não fosse o fato de já haver alguém ali.
Porque deitado na grama verde, com os olhos fechados e uma expressão serena no rosto, estava Bradley Wood. O lado de Albus que se acostumara a odiá-lo desejou amaldiçoá-lo. O lado que estava se esforçando para ser um pouco melhor quis apenas sair dali o mais rápido possível. O grifinório havia chegado primeiro, não era certo incomodá-lo.
— Acho que tivemos a mesma ideia, não é mesmo? — a voz do garoto soou, quando o Potter já havia se virado para partir.
— Oh, não quis te acordar. — Al não sabia muito bem o que dizer. Sabia que devia um pedido de desculpas ao rapaz e pretendia realmente se desculpar. Apenas acreditara que poderia prolongar aquilo por mais algum tempo.
— Não acordou. Eu estava apenas pensando. Você pode ficar, se quiser.
Albus suspirou. Ele não sabia se queria. Não sabia o que queria.
— Acho que te devo um pedido de desculpas, Wood. — acabou dizendo, por fim, enquanto caminhava até o menino e se sentava ao lado dele. Talvez fosse melhor arrancar logo aquele band-aid.
— Você acha? — Bradley riu. Não havia raiva ou malícia em sua voz. Apenas diversão.
— Não. Eu sei. Te deve um pedido de desculpas. Sinto muito.
— Tudo bem, Potter. Você estava certo também, eu não devia ficar forçando minha presença. — Brad deu de ombros — Mas estava realmente tentando ajudar. Juro que não tenho nenhum plano secreto para te prejudicar ou coisa parecida. — ele disse com um sorriso.
Albus se viu obrigado a rir. O que ele andara pensando? Aquela ideia era tão...absurda. Não era de espantar que as pessoas estivessem sempre questionando sua sanidade.
— Você deve achar que eu sou um doido. Um completo desequilibrado.
— Nah, apenas uma pessoa com uma imaginação um pouco fértil.
— Desculpe. Eu tenho sido um babaca com você há algum tempo.
— Tudo bem. Eu também não tenho sido muito legal com você. Nunca percebi que nossas brigas realmente te afetavam. Que você levava tudo isso a sério.
Albus o olhou chocado.
— Você não levava a sério?
Bradley deu de ombros.
— Sei lá. Sempre achei que era uma competição amistosa, uma forma de nos impulsionarmos mutualmente. Não sabia que havia ódio real envolvido na história. Na verdade, sempre me diverti bastante brigando com você, Potter.
— Você se divertia? — Al o encarou como se ele tivesse perdido a cabeça. Quem em sã consciência se divertia brigando?
— É. Um pouco. — Brad passou uma das mãos pelos cabelos, se sentindo levemente constrangido.
— Então, eu estava literalmente brigando sozinho? — o Potter estava um pouco chocado.
— Sinto muito? — o Wood ofereceu incerto, não queria irritar o garoto agora que parecia finalmente haver alguma chance de paz entre eles — E também sinto muito por ter te feito me odiar. E por depois ter tentado te fazer parar de me odiar da forma mais invasiva possível.
— Eu não te odeio, Bradley. — Albus admitiu com um suspiro cansado.
— Não? — o outro rapaz questionou esperançoso.
— Não. Você consegue me tirar do sério, é verdade, e eu realmente achei que odiasse, mas percebi recentemente que não odeio. Só estava descontando em você algo pessoal. Sinto muito por isso. Sinto mesmo.
O grifinório riu. Pela primeira vez, o sonserino apreciou o som daquela risada.
— Acho que nós deveríamos parar de dizer que sentimos muito. Já está começando a soar repetitivo.
Al também riu.
— Sim, já estamos soando como um disco arranhado.
— Da minha parte está tudo perdoado, Potter.
— Da minha também, Wood.
— Ok.
— Okay.
Os dois sorriram um para o outro. E foi estranho. E foi maravilhoso.
— Sabe o que é mais ridículo em tudo isso? — Albus questionou. Bradley negou com um movimento de cabeça — Eu nem me lembro da nossa primeira briga. Não faço ideia do que foi o estopim de tudo isso.
— Você está brincando? — Brad gargalhou.
— Não. Você lembra?
— É claro que sim. Foi no começo do terceiro ano e o tópico da discussão era “qual é o melhor goleiro de todos os tempos?”.
— Você só pode estar me zoando. Sério que foi isso?
Bradley confirmou entre risadas. Albus refletiu por um minuto.
— Bom, nesse caso, Dai Llewellyn é a única opção possível. — ele afirmou convicto.
— Foi o que você disse na época. — Brad sorriu.
— E o que você disse?
— Darren O'Hare.
— Fala sério!
— O que?
— Darren O'Hare, Wood? Darren O'Hare?
— O que? Ele era muito bom.
— Mas não era “o melhor”.
— Isso sequer existe, Potter? Toda essa coisa de ser “o melhor” me parece tão estúpida e relativa agora. — o garoto soou bastante cansado — “O melhor” a partir de quais padrões? Dos padrões de quem? Não é suficiente ser apenas o melhor que podemos ser? Deveria ser suficiente. A vida seria muito mais fácil e haveria bem menos pressão.
— Você também se sente pressionado? — Albus perguntou perplexo. Wood sempre lhe parecera tão perfeito. O tipo de pessoa naturalmente talentosa que conseguia tudo facilmente, sem que qualquer esforço ou sofrimento fosse necessário.
— Às vezes sinto que estou dentro de uma maldita panela de pressão e que vou explodir a qualquer minuto. Só queria que esse ano idiota acabasse logo.
Al concordou.
— Às vezes acho que estou enlouquecendo de verdade. Esses N.O.M.s são uma desgraça, especialmente quando você sabe que não é lá muito inteligente.
— Isso não é verdade. Você é inteligente, Potter.
— Meus cadeirões explodindo semanalmente provam o contrário, Wood.
— Mas isso não mede inteligência, só mostra que você tem dificuldades em poções. Meu irmão tem muitos problemas em feitiços, mas continua sendo uma pessoa muito inteligente, se você quer saber minha opinião.
Albus não disse nada, apenas concentrando o olhar na grama verde ao seu lado.
— Olha, espero que você não encare isso como uma ofensa, mas a proposta para te ajudar ainda está de pé. — Brad continuou — Eu gosto de poções. Gosto muito. E definitivamente não acho que sou melhor que você só por ir bem nessa matéria.
— Você sabe que sair por aí dizendo que gosta de poções é quase uma comprovação de insanidade, certo? — Al tentou brincar, embora ainda estivesse se sentindo um pouco mal.
Bradley riu mais um pouco. Era estranho como sorrisos lhe vinham tão fáceis.
— Talvez, mas eu realmente amo poções. Que fique entre nós dois, Potter, mas amo bem mais do que Quadribol.
— Ok, você definitivamente perdeu a cabeça — Albus exclamou horrorizado — Eu nunca ouvi uma coisa mais absurda na vida.
O grifinório deu de ombros.
— Não me entenda mal, Quadribol é legal, mas há algo único em poções. No silêncio de estar só você e seu caldeirão, usando ingredientes que o mundo oferece para criar algo novo. Algo que pode ajudar pessoas e até salvar vidas.
— Uau, Wood, você é realmente um nerd de poções. Mas, se não for incomodar, acho que gostaria da sua ajuda. — Albus disse, engolindo o seu orgulho a cada palavra. Admitir que precisava de ajuda e aceita-la, ainda mais vinda de Bradley Wood, não era algo que ele gostava de estar fazendo. Ainda assim, sabia que era o que precisava fazer. No fim do dia, se agarrar ao seu orgulho não lhe traria nada positivo.
— Sem problemas, Potter. Eu gosto de ajudar.
— É, aparentemente você é um cara legal, Wood. Quem diria.
— Bom, a maior parte dos nossos colegas diria. Eu sou muito popular por aqui. — Brad brincou.
— Babaca. — daquela vez não era um insulto real e os dois gargalharam. — É estranho ter passado tanto tempo brigando com você e perceber agora que nem te conheço de verdade.
— Acho que nós começamos com o pé esquerdo, Potter. Mas a gente pode mudar isso.
— Pode?
— Claro que sim. Podemos começar de novo e tentar ser amigos dessa vez.
Albus arqueou uma sobrancelha desconfiado, Bradley riu, mas lhe estendeu a mão direita.
— Olá, estranho. Sou Bradley Wood, mas honestamente prefiro Brad. Quinto ano da grifinória. Capitão do time de quadribol e nerd de poções.
O Potter aceitou o aperto de mãos com um sorriso sincero.
— Albus Severus Potter, mas realmente prefiro Al. Quinto ano da sonserina. Goleiro do time de quadribol e um desastre em poções.
— É um prazer te conhecer, Al.
— Acredite, o prazer é todo meu, Brad.
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