Nêmesis

1 I. there's nothing i hate more than what i can't have


Notas iniciais
Olá, pessoas lindas!!! Tudo bem com vocês? Finalmente chegou o dia 07/08 e vocês nem imaginam como eu esperei por isso. Albus Severus acabou roubando a cena e meu coração, enquanto eu escrevia Little Things e o ship com o Bradley acabou sendo aceito e amado de uma forma que eu nem esperava. Então, eu precisava escrever algo sobre eles. Espero mesmo que gostem de ler a história desses dois, porque já está na hora deles serem protagonistas, e que gostem de conhecer um pouco mais sobre o Bradley. Se você nunca leu Little Things, não se preocupe, essa fic funciona de forma isolada sem nenhum problema. Queria aproveitar para agradecer as meninas do Pride Month pelo convite. O projeto está muito lindo e recomendo demais todas as fanfics. Se quiserem saber mais podem entrar no Twitter (@pridemonthffs) ou o Tumblr (https://pridemonthfanfics.tumblr.com/) da iniciativa. Enfim, espero mesmo que gostem! ♥

I

{there's nothing i hate more than what i can't have}

.

.

Albus Severus Potter era o filho de um herói. E isso era tudo o que havia para se saber a seu respeito. Bom, pelo menos, era assim para 99% da população mundial. Ou para a parte dessa população que sequer sabia da existência do garoto. Uma população que, aos 15 anos e com uma leve tendência ao exagero, o menino tendia a superestimar. De uma forma ou de outra, o ponto era que ele não era ninguém fora das sombras do pai. O que, na concepção de Al, era pior do que ser ninguém.

Havia, ao menos, alguma individualidade e algum grau de autonomia em ser apenas “Ninguém”. Um “Ninguém” sem qualquer associação a um “Alguém”. E Albus Severus parecia sempre existir em associação a “Alguém”. Seria simples – quase misericordioso – se fosse apenas o pai. Misericórdia, contudo, não era algo que Merlin parecia ter reservado para ele.

Sendo assim, o Garoto-Que-Sobreviveu cresceu e se tornou o Homem-Que-Sobreviveu-Duas-Vezes. Em algum momento entre tudo isso, encontrou tempo para se apaixonar por Ginny Weasley, aquela que viria a se tornar uma das maiores artilheiras que o Quadribol já conhecera. Albus achava que aquele poderia ser apenas um fato interessante sobre sua mãe, se os fãs de Quadribol não fossem o grupo mais estridente e apaixonado que você poderia encontrar na comunidade bruxa. Os pais dele simplesmente não sabiam como existir sem atrair atenção indesejada para si mesmos e para seus filhos.

Al nunca fora do tipo que gostava de ser o centro das atenções e odiava ainda mais as expectativas que pareciam cercá-lo, como uma gaiola de ouro, desde que se entendia como ser humano. Não se lembrava de um único momento em que pudera descobrir a si mesmo, sem a pressão de se igualar a grandes feitos de terceiros. Era horrível e sufocante crescer assim.

O menino, entretanto, começava a suspeitar que talvez parte do problema fosse apenas ele e sua própria incompetência. James, afinal, prosperara nas sombras do pai, fazendo dela sua própria luz. O irmão gostava de atenção e não tinha qualquer problema em usar o sobrenome Potter para se destacar. Ainda assim, conseguia envolver as pessoas com seu próprio carisma e talento, criando para si mesmo um grupo de seletos seguidores e uma reputação. Lily, por sua vez, fizera o caminho oposto e encontrara refúgio em um mundo que nenhum Potter – ou Weasley – um dia ousara desbravar: o balé. Uma página em branco que ela poderia preencher da forma como desejasse.

Talvez não fosse perfeito, mas os irmãos haviam pelo menos encontrado algum tipo de saída. Albus estava preso. Era o filho de Harry Potter. O filho de Ginny Potter. O irmão de James Potter. O irmão de Lily Potter. Era sempre algo de alguém. Nunca uma pessoa que existia sozinha. Nunca apenas Albus.

Por uma grande parte da vida, tudo o que o menino quisera fora ser invisível e, se fosse honesto, esse desejo ainda gritava dentro dele. Aos 13 anos, contudo, ele chegara ao seu limite. Entendera que jamais poderia ser alguém que habita os cantos e desaparece em uma multidão. Ser filho de quem era sempre despertaria algum holofote macabro e irritante. Ainda assim, se era para se destacar, queria que fosse por suas próprias realizações. Queria ser o herói de sua própria história. Queria ser bom. Na verdade, queria ser o melhor. Não importava muito em que, o objetivo era apenas conquistar a excelência. Ser extraordinário.

O problema que isso criava era que Albus Severus não parecia ter nascido com qualquer habilidade que o levaria a grandeza. Não fora escolhido por nenhuma profecia para salvar o mundo. O que talvez fosse uma coisa boa. Não tinha o carisma de James ou a habilidade do irmão mais velho de lidar com pessoas. Não tinha a alma criativa de Lily ou qualquer vestígio do talento artístico da caçula. E definitivamente não era bom em assuntos acadêmicos. E essa talvez fosse a pior parte da bagunça que era sua vida. Como ter expectativas de um futuro promissor, quando você não consegue lidar com as disciplinas que deveriam medir sua capacidade e inteligência?

Ao contrário do que muitas pessoas assumiam, seu desempenho escolar precário não era falta de estudo ou empenho. Ele tentava, Merlin era testemunha de que tentava com mais afinco que qualquer outro estudante daquele colégio ridículo. No entanto, a maldita dislexia estava sempre em seus calcanhares, atrapalhando seu progresso.

Um progresso bastante solitário e desamparado, já que os professores de Hogwarts não pareciam ter muito conhecimento a respeito de transtornos de aprendizado ou qualquer tato quando se tratava de lidar com o assunto. Rotular o menino como um aluno problemático e abandoná-lo a própria sorte era mais fácil e causava menos incomodo. Então, não. Albus jamais seria visto como alguém inteligente – embora fosse uma das pessoas mais perspicazes e astutas que já trajara as vestes da sonserina – e nunca teria sucesso em qualquer coisa que dependesse de notas ou livros.

Sendo assim, tudo o que lhe restava fora o Quadribol. E pelo menos aquele talento Merlin lhe concedera. Talvez fosse algo que herdara geneticamente dos pais, mas não importava. O que importava era que Albus Severus Potter era bom em Quadribol. Era excelente, na verdade. Descobrira aquilo por acaso. Em uma tarde de domingo n’A Toca, quando alguns de seus primos se reuniram para uma partida. Um dos times precisara de um goleiro e ele acabara assumindo a posição – que ninguém mais queria – apenas para que todos calassem as malditas bocas.

Naquela época, o garoto não tinha muito interesse pelo esporte. Estava procurando algo que fosse apenas dele e o Quadribol lhe parecia algo muito associável a sua mãe – e até ao seu pai, quando se lembrava de seu papel como apanhador da Grifinória durante seus anos escolares – para que valesse a pena investir seu tempo naquilo. Ainda assim, tio Ron e tio Charlie assistiram ao jogo dos sobrinhos e afirmaram que ele tinha um “talento natural” para goleiro. Al, que nunca ouvira que tinha talento nato para qualquer coisa, se agarrara àquilo como uma criança assustada se agarrava aos pais. Aquela era sua porta de saída, sua única chance de ser bem-sucedido, de ser alguém, de ser Albus. E apenas Albus.

Tendo isso em mente, ele treinara incansavelmente durante todo verão. E quando as aulas retornaram, conseguiu uma vaga no time da sonserina. Tudo estaria perfeito, não fosse por uma pequena pedra em seu sapato: Bradley Wood. O goleiro da Grifinória que parecia estar sempre em seu caminho, o impedindo de alcançar a grandeza. Sempre sendo tão bom quanto ele ou até mesmo melhor. Al não gostava da competição, era claro, no entanto, as coisas poderiam ser civilizadas, se Wood não fosse à definição pessoal de tudo o que o Potter detestava no mundo. Um grifinório presunçoso, arrogante, amado por todos, debochado e que parecia ter sempre um maldito sorriso irônico nos lábios.

Albus não se lembrava da primeira vez que brigara com Bradley. Por alguma razão a motivação sempre lhe escapava e, após anos de brigas constantes, era difícil se recordar do que começara tudo aquilo. Ainda assim, se lembrava vividamente da intensa sensação de ódio que lhe atingira. De sentir a fúria correndo por suas veias como fogo. Ele que sempre tivera uma ira fria e controlada, se vira, pela primeira vez na vida, explodindo como um vulcão em erupção. Wood tinha aquele efeito sobre ele e o garoto não gostava nada disso.

.

.

Bradley Wood era o filho de duas lendas do Quadribol. Aquilo não era tudo o que havia para se saber a seu respeito, mas havia dias em que parecia que sim. O rapaz não iria bancar a vítima e dizer que sua vida fora muito difícil por isso. O Quadribol fazia com que seus pais tivessem dinheiro, influência e fossem mundialmente respeitados. O que, olhando para a situação de forma racional, era muito bom, especialmente em um mundo no qual a maioria das pessoas não tinha a mesma sorte. E se a intromissão da mídia, fãs obcecados e uma dúzia de expectativas fossem o preço a pagar por todas as coisas boas, tudo bem. Ao menos era isso o que a mãe dele costumava dizer e Bradley se segurava às coisas que sua mãe lhe ensinara como se sua vida dependesse delas.

De qualquer forma, ser filho de dois jogadores de Quadribol que atingiram o status de celebridade tinha alguns significados pessoais. Significava, por exemplo, que ele não se lembrava de um único momento em que não tivesse uma vassoura entre os dedos. Significava que aprendera a voar antes mesmo de saber andar e que as regras básicas do esporte lhe foram ensinadas antes do alfabeto. Não eram coisas ruins, uma vez que ele realmente gostava do jogo e de como ele unia sua família.

Ainda assim, se você pedisse ao rapaz para se definir em poucas palavras, ele diria “filho mais velho” e não “goleiro”. Porque, no fim do dia, ele era um primogênito e aquele era o papel de sua vida que lhe importava mais. Não podia ser diferente, quando se tinha três irmãos mais novos. Ser responsável e se preocupar com os caçulas era algo que Bradley sempre tivera que fazer, mas que se tornara ainda mais necessário após a morte de sua mãe.

Seu pai fazia o que era possível e levava suas responsabilidades paternas muito a sério, no entanto, ainda era apenas uma pessoa, tendo que cuidar sozinha de quatro crianças desamparadas e lidar com seu próprio luto. Não fora um luto bonito. Era provável que não houvesse como passar por uma perda assim e permanecer inteiro, mas havia algo assustador e trágico em ver seu pai – seu herói de infância – quebrar na sua frente. Em perceber que aquele que você imaginava como um deus, era apenas um homem. Um homem feito de carne e sangue e lágrimas.

E se Oliver Wood era apenas um homem, Bradley sabia que também precisava ser um. Não havia mais espaço para ser somente uma criança ou sua família iria desmoronar. O garoto sabia que sua mãe odiaria que aquilo acontecesse. Então, ele fora obrigado a crescer e a se tornar responsável. A ser “o irmão mais velho” acima de qualquer outra coisa.

Era provável que a maioria das pessoas que o visse por Hogwarts sequer imaginasse tudo aquilo. Seria muito fácil pintar o capitão do time da Grifinória, que vivia cercado por amigos e sorria bastante, como alguém insensato, sem preocupações e que não levava nada a sério. Não era verdade, mas também não era uma mentira que o rapaz fazia muita questão de esclarecer. Bradley não era bom em deixar as pessoas entrarem ou permitir que o conhecessem verdadeiramente e, ainda assim, por algum motivo, essas mesmas pessoas pareciam estranhamente atraídas por ele. Maxinne, sua irmã, costumava dizer que Brad era carismático demais para sua própria proteção, e talvez fosse verdade. De qualquer modo, ali no fundo, ele era apenas um garoto simples que não queria muito da vida além de proteger seus irmãos, jogar Quadribol, participar das reuniões do Clube do Slughorn, ler poesia trouxa e brigar com Albus Severus Potter.

Bradley se lembrava exatamente da primeira vez que brigara com Albus. Os dois estavam no terceiro ano e haviam sido escolhidos recentemente como goleiros dos times de suas respectivas casas. Wood nunca havia prestado muita atenção ao garoto antes disso. Os dois faziam algumas disciplinas juntas e seria impossível não distinguir um dos filhos de Harry Potter em uma multidão, entretanto, eles nunca haviam realmente interagido antes. Não havia motivos para isso, afinal. Estavam em casas diferentes, tinham amigos diferentes, se comportavam de formas diferentes e, em resumo, pareciam apenas diferentes demais.

Tudo isso mudou quando o Quadribol se tornou um denominador comum entre os dois. E fora por causa de Quadribol que toda a desavença começara. Se fosse sincero, Bradley achava que a culpa era dele. Fora ele, afinal, que se intrometera quando Albus e James Sirius discutiam sobre quem havia sido o “melhor goleiro de todos os tempos”. O rapaz sabia que não deveria ter entrado sem convite na conversa alheia, mas sempre fora próximo de James e estava se sentindo bastante solitário naquele dia.

Então, se fizera de penetra no debate, um debate no qual obviamente poderia brilhar, e defendera com unhas e dentes que Darren O'Hare era a única escolha possível. Já Albus acreditava que Dai Llewellyn era uma opção melhor. Os dois discutiram por horas. A discussão se tornando tão longa e acalorada que, em algum ponto, James simplesmente os abandonara e nenhum dos dois percebeu.

No fim, eles não chegaram a nenhum consenso e o Potter, a partir de então, passara a agir de forma um tanto agressiva e competitiva ao redor do Wood. Bradley, por sua vez, se lembrava de ter se divertido bastante, enquanto discutiam e de ter voltado para o seu dormitório, quando a conversa finalmente terminara, com um sorriso no rosto. O primeiro sorriso que abria desde a morte da mãe, durante o verão.

Aquela fora a primeira de muitas brigas, mas Bradley estaria mentindo se dissesse que não gostava delas. Brigar com Albus sempre o divertia. Além disso, aquela pequena rivalidade entre os dois era um ótimo combustível, o obrigando a se esforçar mais, a treinar mais, a ser um goleiro melhor. Era uma dinâmica interessante e que servia como um entretenimento agradável. Pelo menos, para o Wood, mas ele estava começando a se questionar se o Potter via aquela doce inimizade da mesma forma que ele.

Notas finais
Bradley perdeu o memorando avisando que ele e o Albus são inimigos mortais haha Para quem já leu Little Things, sei que tem muita coisa sobre o Al que vocês estão cansados de saber, mas não tinha como não mencioná-las novamente, já que acho que spin-offs devem funcionar isoladamente. Não fiquei muito satisfeita com esse capítulo, mas ele serve principalmente como introdução. No próximo as coisas começam a acontecer de verdade. Enfim, espero que tenham gostado! ♥