Névoa de Guerra

16 Um rápido concílio


Notas iniciais
Desculpem pela demora na postagem, o ritmo do fim do ano é agitado demais ;-;

Swain

A noite era implacável em Noxus. A temperatura desabava após o crepúsculo, obrigando todos a fecharem suas janelas e a abotoarem seus casacos. Swain estava sentado em uma poltrona verde e larga na extremidade direita de sua sala, lendo um livro sobre um filósofo ioniano. Beatrice estava ausente, provavelmente caçando ou se infiltrando em reuniões marginais para mais tarde cochichar tudo o que vira. Sua sala estava com apenas uma vela acesa em uma escrivaninha perto da porta há horas, e sua visão já estava plenamente aguçada na escuridão.

Ouviu então uma série de batidas na larga porta de mogno – a mesma madeira usada na janela até então fechada. As primeiras duas batidas foram pesadas contra a porta, e demoradas para acabar. As outras três batidas foram rápidas e fizeram sons leves. Tratavam-se de duas pessoas.

– Entrem. — Disse o grão-general de Noxus. Ao som firme de sua voz responderam duas outras vozes de gêneros opostos, transmitindo porém a mesma mensagem: "Com sua licença, Grão-General". Swain virou-se para as duas distintas figuras à sua frente: uma mulher esguia de pele alva e cabelos vermelhos, com uma longa cicatriz em um dos olhos, usando uma jaqueta de couro cujo zíper estava fechado até pouco após a altura dos seios. Poderia ser uma mulher atraente, caso sua cintura estivesse ornamentada com um cinto de joias em vez de uma série de fivelas contendo facas embainhadas.

Ao lado dela, um homem que em tudo era seu oposto: a pele era um tanto bronzeada, castigada por anos sob o sol noxiano, e repleta de cicatrizes dos mais diversos tipos. Assim como a ruiva, uma de suas cicatrizes lhe cobria um dos olhos, tornando a sobrancelha irregular. Os cabelos eram curtos e negros, porém cresciam para trás, dando um aspecto estranhamente selvagem. O negrume daqueles fios era interrompido perto da raíz, onde uma solitária mecha branca e curta roubava a atenção. O homem trajava uma armadura de tais dimensões que com certeza era a responsável por ele parecer tão grande. De trás pendia uma capa vermelha desbotada e meio surrada. Swain sorriu levemente ao reconhecer os dois indivíduos mesmo na densa escuridão de seus aposentos.

– General Darius. — Disse, apertando a mão do homem, que retribuiu com um respeitoso aceno de cabeça. — Senhorita Du Couteau. — Com a mulher ele apenas abaixou um pouco a cabeça; ela não tinha o mesmo título que o general a seu lado. Swain bateu levemente as palmas das mãos e voltou para sua poltrona, sendo seguido pelo par de visitantes, que ficaram perto da janela.

– Grão-General. – Anunciou Katarina Du Couteau, arqueando as costas contra o mogno da janela fechada. – Sei que o senhor aprecia essas condições, mas nós não poderemos conversar dessa forma.

Swain sabia ao que ela se referia. Não acender as luzes de sua sala era um hábito prático: ele costumava treinar sua visão noturna e a de Beatrice com aquele ambiente. Aquela escuridão parcial sempre intrigou e irritou seus convidados, especialmente porque as pessoas comuns não conseguiam vê-lo naquele breu, e consequentemente jamais poderiam se aproveitar de língua corporal. Mas Swain sempre podia vê-los e lê-los a bel prazer.

Hesitantemente, permitiu que a janela atrás de Katarina fosse aberta. A ruiva o fez de prontidão, banhando a sala com a luz do luar. Darius não conseguiu disfarçar a dor trazida pela contração repentina de suas pupilas. Ainda com o cenho franzido, virou-se para Swain.

– Vim falar sobre o que aconteceu em Bilgewater. – Disse o general, cruzando os braços. Katarina deu a ele um olhar nervoso e rápido antes de fazer que sim com a cabeça. – Houve algum tipo de rebelião. Aparentemente o capitão Gangplank foi assassinado no meio da bagunça, e teve o navio queimado, assim como metade do porto. – Darius interrompeu a fala com um suspiro cansado. – Eles... Bem, digamos que ninguém faz a menor ideia do culpado. Falam de uma tal caçadora de recompensas, mas a reputação do Gangplank não precede com essa informação.

– Do mais ancião dos homens até a mais tenra criança: – Apontou o Grão-General, afastando as costas da poltrona e apoiando os cotovelos nos joelhos. – toda e qualquer pessoa que estivera lá no momento do assassinato é uma suspeita.

– Perdoe-o, Grão-General. – Disse Katarina, sem esconder um sorriso de lado. – Seu burro ainda cavalga com viseiras.

Swain, porém, não compartilhou do humor daquele comentário, e em vez disso olhou para o general. Darius não se preocupava em ser indiferente; se olhares matassem, aquele par de olhos verdes teriam estrangulado a ruiva e seu sarcasmo. Ignorou as reações e seguiu com o caso.

– Não condeno nosso general Darius por seu conservadorismo. Porém não é mentira que deveria expandir seus horizontes. Mesmo uma mulher caçadora de recompensas pode derrubar um império pirata como o de Gangplank. – Swain levantou-se e andou lentamente até uma estante perto da janela, repleta de livros. Entre dois livros vermelhos e empoeirados, ele pegou uma pasta amarelada. – Caçadores de recompensa... – Sussurrou, folheando as folhas surpreendentemente brancas dentro da pasta. – ...Mulheres... Hm, a lista de mulheres nesse ramo não chega nem a um quarto da lista de homens no mesmo posto. General Darius, inicie investigações sobre cada uma delas. – Swain voltou-se para os dois, que o olhavam incrédulos. – Nunca duvidem de rumores, mesmo se vierem da boca de uma lavadeira. – Notou como Katarina estava inquieta. – Alguma objeção?

– Sim! – A ruiva exclamou, agitando as mãos a cada palavra. – Deixe que Darius investigue essas mulheres suspeitas. Eu vim aqui por outros motivos, pois sabem bem os deuses que não houve um dia sequer em que eu e o General estivéssemos com as ideias alinhadas...

– Seja direta. – Cortou Swain, ríspido e intolerante a mais algum comentário de cunho pessoal. Katarina limpou a garganta em um claro embaraço e talvez alguma irritação, devido às sobrancelhas levemente franzidas.

General. – Ela iniciou, com grande esforço para soar indiferente. – As autoridades de Demacia têm pressionado explicações. É de conhecimento geral que Bilgewater é a maior parceira comercial de Noxus fora do continente, e eles, incluindo o capitão Gangplank, eram nossos principais fornecedores de armas e navios. É também sabido que há mais de um ano estamos tendo problemas com Bilgewater devido a atrasos de pagamentos de dívidas... Por ambas as partes. – A ruiva engoliu em seco.

– Em suma, você diz que Demacia pensa que somos os responsáveis pela morte de Gangplank? – Indagou Darius, apertando ainda mais os braços cruzados contra a armadura. Seu cenho franzido fez a peculiar mecha branca cair livre em sua testa.

– Isso é mais que óbvio. – Retrucou Katarina, soprando uma mecha vermelha de seu rosto. As duas pessoas mais temperamentais de Noxus tentando parecer controladas na frente da pessoa mais poderosa de Noxus era algo que divertia Swain. – Não acha que é conveniente demais que o capitão Gangplank, para quem devíamos somas milionárias, simplesmente morresse sem explicação alguma exatamente no ano mais endividado desde que trocamos de governo?

Aquela adição ao comentário fez a testa de Swain enrugar-se levemente. Um de seus pouquíssimos pontos fracos era ter seu governo questionado ou criticado. Darius sabia disso, e pigarreou sonoramente.

– Basta. – Disse o general, e custou mais algumas interjeições para Katarina ser silenciada por completo. Após o silêncio, ele continuou: – Investigarei as mulheres. Encontrarei essa caçadora de recompensas responsável por tudo isso. E ela terá todo o tratamento que uma pessoa que prejudica Noxus merece.

Após um aceno de Swain, Darius saiu da sala com passos decididos e igualmente irritados, sua capa se movendo levemente com os passos. Katarina o observou ao longo do corredor mal iluminado.

– Há o risco de estarmos cometendo um erro, Grão-General. – A ruiva apontou, cruzando os pulsos sobre o ventre. – Demacia pensa que eliminamos Gangplank e sua tripulação para impedir as cobranças deles. E se punirmos quem quer que tenha feito isso, eles terão ainda mais motivos para nos acusar. – Não recebeu resposta. – Grão-General?

Após instantes de reflexão, Swain se ergueu pela primeira vez da poltrona, apoiado em uma bengala. Olhou a mulher nos olhos.

– Nunca confie na corte de Bilgewater. Todos filhos de piratas, um bando de bêbados que se vendem por algumas moedas de ouro. Noxus foi comprometida pela falta de empenho deles, e é hora de verem o que acontece quando nos fazem tal desfeita.

Com um aceno idêntico ao que dera a Darius, Swain dispensou uma Katarina Du Couteau aflita.

Notas finais
Eu escrevi esse capítulo pelo celular, gente ;-;
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.