A figura astronauta se aproximou. Tirou o capacete.

— Que bom que está tudo certo por aqui! — Ohannah disse enquanto balançava seus cabelos para os lados.

— Ohanninhaaa! — Natália a abraçou.

— Tudo bem, gente? Eu vim resgatar vocês. — Ohannah tinha um sorriso no rosto.

— Por que você tá vestida de palhaça espacial? — Bruce perguntou.

— Pois eu acho uma roupa muito chique! Ah, vocês vão ter todas respostas que procuram. Daqui a pouco. Quando a nave chegar.

— Nave? Você tem uma nave? — Todos questionaram em uníssono.

— Não é minha, é do Lesmório, a lesminha. Meu amigo intergaláctico!

Um alto barulho veio dos céus. Todos saíram para fora do supermercado e viram uma nave do tamanho de um ônibus pairando no ar.

— Chegou. Ele é rápido. Acabei de avisar. E gente... Quem é esse alienígena em estado de choque aqui? — Ohannah apontou para Strax.

— Se tiver uma prisão pro lugar que vamos, é lá que esse maldito tem que estar. — Bruce falou com tom de voz ríspido.

— Certo. Tragam ele aqui fora que vamos todos ser puxados pela luz da nave.

Todos se agruparam e uma luz forte desceu da neve os tocando. Então eles foram calmamente levitados para um buraco na nave, sua entrada.

Entraram.

— Olá, terráqueos. Meu nome é Kilah, sou um ser tridimensional, sem gênero e muito levado à breca. — A estranha criatura se apresentou. Tinha o corpo, bem, como de uma lesma. Seu rosto tinha olhos compridos e meio sem vida. Não tinha pernas, apenas um tipo de corpo que deslizava no chão. Vestia um macacão prata e sua pele era laranja. Não tinha pelos no corpo e era meio gosmento.

— Kilah não. Lesmório! — Ohannah o interrompeu.

Lesmório, quer dizer, Kilah, olhou com repreensão para Ohannah.

— Bem, vocês devem estar cheios de dúvidas. Vou explicar tudo para vocês durante nossa viagem para fora daqui. — Kilah andou até uma mesa cinza e colocou copos igualmente cinzas em cima. Despejou um líquido estranho e brilhante de uma jarra direto nos copos. — Por favor, sentem-se. — Insistiu apontando para cadeiras cinzas no ambiente.

O interior da nave era meio confuso para Natália. Era cheio de botões coloridos por todo lado da frente. Já Adrian estava encasquetado com a decoração. Parecia algo bem terrestre. Plantas e móveis por todo o lado. O ambiente era todo cinza, os móveis também, mas as flores coloridas davam vida.

Se sentaram e observaram o lugar com mais calma.

— Ok, me façam perguntas que eu responderei de forma objetiva.

— Quem tá pilotando a nave? — Adrian perguntou preocupado.

— Piloto automático. — Kilah respondeu com um sorriso singelo no rosto.

— Eu gostaria de saber um pouco mais sobre você. Sabe, nós fomos enganados por um mendigo, então eu ando meio desconfiada. — Natália explicou, e enquanto isso robozinhos pequenos levavam Strax para outro compartimento da nave.

— Eu sou da espécie Lantaris, eu trabalho como piloto para os Eíkas. Foram eles que salvaram todo mundo desse planeta.

— Eles são o Anticristo? — Nora perguntou enquanto aproximava sua cadeira da de Adrian.

— É, vocês os chamaram disso. Mas eles são uma raça bondosa. São os seres mais espiritualmente evoluídos que eu já conheci. Eles saem por aí salvando civilizações. Sei que vocês os chamavam de demônios por ter medo, mas eles realmente são gente do bem. São bacanas. — Kilah deu um gole em sua bebida espalhafatosa.

— O que eram os diabos das névoas brancas? — Bruna indagou.

— Um fenômeno bem curioso! — Kilah pareceu animado para explicar. — Parece que o planeta de vocês estava muito energizado, sabe, planetas também tem energia, assim como todos seres vivos. Essa energia vem do núcleo do planeta e estava escapando pela crosta terrestre. Essas nuvens que vocês viam, nada mais são do que plasma energético saindo do planeta. Acreditamos também que essa energia toda é a responsável por fazer vocês ganharem habilidades não-humanas. A energia se fundiu com vocês.

— Ah, faz sentido. — Adrian concordava com a cabeça como se realmente estivesse entendendo tudo.

— Ok, e onde está todo mundo? Onde estão meus cachorros? — Bruna perguntou.

— Estão a salvo. Todo mundo do planeta, incluindo os animais de estimação, foram levados para nossa nave mãe para que depois sejam transferidos para um planeta apropriado. Os Eíkas estavam observando vocês humanos há um bom tempo. A nave mãe, que vocês chamam de Omuamua, estava em constante observação.

— Nós vamos poder ficar com essas habilidades que ganhamos com a energia da Terra? — Bruce indagou.

— Infelizmente não. Nós vamos ter que colocar esses genes energizados para dormir, se não eles podem causar algum problema de saúde a vocês. — Kilah se ajeitou lentamente na cadeira. — Mais alguma coisa?

— Hmm. Ah, sim! Nos foi falado que tinham se passado quase nove meses na Terra, sendo que nós só ficamos fora por uma semana. O que aconteceu? — Natália deu um gole na bebida brilhante e fez uma expressão doce.

— Ah, essa eu sei explicar. — Ohannah se pôs a falar. — Vocês estavam num coiso temporal. Como chama? Fenda temporal? Não sei. As energias saindo da Terra meio que causaram um bug no lugar que vocês tavam, fazendo o tempo passar de forma diferente. Vocês também estavam, é, como que fala? Fora do espaço continuum, algo assim. Então não tinha como achar vocês. Eu vim pra Terra outras vezes pra buscar vocês, mas não achei. — Ohannah explicou. — Seus pais ficaram desesperados porque vocês sumiram. Tivemos que falar com os líderes dos ets verdinhos para podermos trazer uma nave para buscar vocês na Terra antes dela ir pro beleléu.

— Isso mesmo. — Kilah acenou com a cabeça.

— E o que eram as Bestas? — Bruce perguntou.

— Ah, o Strax falou sobre isso na outra realidade. As Bestas são Vermes que vem comer o planeta quando ele está prestes a explodir. — Adrian contou.

— Então eles são bonzinhos? — Bruna estava ansiosa.

— São neutros. Eles atacam quando se sentem ameaçados, mas normalmente costumam apenas comer energia planetária. — Kilah ensinou.

— Então nós temos que fazer alguma coisa! Tem um povo lá na Terra que está matando eles. Eu sou vegana eu. — Bruna estava inquieta.

— Sim, ficamos sabendo. Nós achamos que ficaria tudo bem deixar esse povo na Terra. Foi escolha deles ficarem lá, mas agora que estão matando seres inocentes, nós vamos trazer uma frota para o planeta e os levar conosco.

— Acho que esse povo não vai te ouvir. — Nora estava cabisbaixa.

— Nós daremos uma escolha. Ficarem presos no Planeta Prisão ou buscarem conhecimento. — Kilah explicou.

Ficaram em silêncio por longos segundos.

— Acho que isso é tudo. — Bruna suspirou fundo. Soltou.

— É... — Bruce concordou, meio melancólico.

Nora se aconchegou mais no braço de Adrian. Colocou sua cabeça para deitar-se no ombro do garoto.

Natália estava aliviada que tudo tinha acabado. Estava com saudades de sua mãe e irmã.

— Essa nave não tem janelas. Queria que vocês vissem o Espaço, é tão bonito. — Ohannah estava com seus olhos brilhando.

— Nós vamos ter muito tempo pra isso. — Bruce sorriu. Todos sorriram de volta.

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