Notas iniciais
Pessoal, a história é narrada em primeira pessoa pelo Cobra.Espero que gostem!!!

Das portas do QG eu via a fábrica. Vi quando Gael passou acompanhado de Duca. Por mais que a Khan fosse boa e fosse mais parecida comigo, eu sentia falta daquela academia. Pela primeira e única vez na vida, me senti acolhido.

Mas eu sou todo errado. Atraio o errado. E como sempre, fudi com tudo.

A turma fresca da Ribalta também passou, cantarolando e mandando beijos pros colibris... patéticos.

Vi quando Rene estacionou e se despediu do filho e do guitarrista. O cabeludo falou qualquer coisa para João e sumiu dentro da fábrica. Já o nerd tinha destino certo: olhou para todos os lados, se escondeu do jeito que pode e veio com passos certeiros até o QG.

– Fala, viciadinho! — brinquei enquanto ele se esparramava em uma cadeira.

– Qual a boa, Snake.

João estralou os dedos e começou a jogar, entrando em um completo transe na frente do computador.

– Cada dia que passa tá mais viciado. Faz outra coisa da vida não, moleque?

– Faço. Te ignoro.

Dei risada. Mas aquele nerd era muito abusado.

– Cansou da Ribalta? Nem a Bianquinha te prende mais lá?

Observei quando João engoliu seco e desviou o olhar do jogo por alguns segundo. Bianca era o ponto fraco.

– Acho que tô cansando de ser tonto. Faço tudo e ela só quer saber daquele lutador... foda assim, né.

– Desencana da patricinha, moleque. Tanta mina gata... vejo cada delicia passando pra ir na Ribalta.

– Claro... minha cara dar em cima de alguém. Me dá enjoo só de pensar em como chegar numa garota. Não sou descolado.

– Pede umas aulas pro guitarrista maluco.

Me assustei quando João bufou de raiva. Ele pausou o jogo e me olhou indignado.

– E tem como ter atenção do meu ex melhor amigo?

– Ih... brigaram, foi?

– Não.... é que ele só fica atrás daquela esquentada. Não faz mais outra coisa.

Dei risada e me encostei na mesa ao lado de João enquanto ele selecionava outro jogo.

– Começo de namoro é assim. Muito amorzinho pra lá e pra cá. Jaja ele cansa, relaxa.

– Amorzinho? A melação eu até aguentava de boa... era só fazer o que eu sou craque: fingir que não to ali. Agora eles começaram a intensificar a pegaçãozinha.

– Como assim?

João ia me explicar mas ele deu uma risada cansada quando olhou para a praça. Apontou na direção de um casal.

– Olha ali e entenda.

Karina vinha correndo em direção a praça parecendo fugir de alguém. Antes que ela chegasse ao chafariz Pedro a alcançou, a pegando no colo como um saco de batatas. Enquanto a garota se debatia e batia em suas costas, Pedro a levou até uma mureta, onde a deixou sentada.

– Agora vem a interminável troca de saliva.

Pedro segurou o rosto de Karina nas mãos. Apoiou sua testa na dela enquanto Karina envolvia seus braços no pescoço do guitarrista. Trocaram algumas palavras e então Pedro afundou sua boca na dela. Puxou a cintura dela com força, fazendo com que Karina tombasse um pouco para trás.

O vício de João venceu e nem percebi quando ele voltou sua atenção ao novo jogo. Mas eu não conseguia tirar meus olhos da cena. Me aproximei da porta e fiquei ali, observando cada detalhe daquilo.

Karina envolveu as pernas na cintura de Pedro e por um momento achei que ele fosse levantá-la em seu colo no meio da praça movimentada. Mas ele se conteve a continuar apertando sua cintura e fazer uma trilha de beijos até seu pescoço. E ficou um bom tempo ali, enquanto Karina fechava os olhos e acariciava suas costas.

E eu não conseguia parar de olhar.

Como se sentisse meu olhar a queimando, Karina abriu os olhos e encontrou com os meus a encarando. Não consegui desviar o olhar do dela e nem sabia qual era a minha expressão. Karina pareceu se incomodar e interrompeu os beijos de Pedro. Ela deve ter pedido para entrar, porque no instante seguinte o guitarrista a desceu da mureta, pegou sua mão e a guiou até a fábrica. Antes de entrar, ela se virou para me olhar completamento confusa.

– Entendi o que queria dizer, viciadinho.

– Não sei o que você viu, mas te garanto que é assim pra pior o tempo todo.

De repente, Dandara apareceu na porta da fábrica espiando para os lados.

– Sua mãe, moleque. Põe a coleira e vai.

– Vou... mas eu volto.

João deixou os fones, o dinheiro e seguiu para a fábrica antes que sua mãe viesse procurá-lo.

Voltei para o caixa com meus pensamentos, encarando o relógio com impaciência. Eram 10:00. Dali uma hora eu poderia vê-la de novo.

Notas finais
COMENTEM!!!