Notas iniciais
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Era um suicídio que tomava seus anos sem que ela percebesse, sem contar que era um pecado mortal. Sua rotina era a simples, ridícula e mesma desde seus oito anos. Nunca soube a razão de não ter amigos. Sempre fora estranhada pelos outros, excluída pela maioria, praticamente perseguida por não querer se encaixar em nenhum polo da sociedade.

Suas olheiras marcadas e escuras estavam a acompanhando como de costume, logo acima de suas cicatrizes que a mesma tanto odiava. Mal conseguiu abrir os olhos naquela manhã, não entendia o porque de ter que acordar para ir a escola, para ser ignorada por todos, para ouvir sobre matérias inúteis que lhe gerariam um emprego inútil para seguir com a vidinha medíocre e inútil igual a todos os robôs chamados de humanos.

Helena vivia sozinha desde os catorze anos, sua mãe havia morrido durante o parto e seu pai simplesmente quando achou que ela já podia se virar (na concepção dele ferver uma chaleira de água para fazer um café) a largou numa casa de madeira na atual Herbet Street, Pensilvânia. Nas primeiras noites sozinha, nem ela mesma com toda a sua falsa coragem, conseguia pegar no sono. A casa era velha, o clima era frio, e o fato de estar sozinha era assustador. Ela ignorava o fato de estar só, afinal, sempre esteve. Nunca tivera nem ao menos colega, a única companhia que teve durante toda a sua vida, foi um gato preto chamado Gale que fugiu de casa duas horas depois de ser recolhido. Que vida interessante não é mesmo?

Por não falar com ninguém muitos até desconfiavam que era muda e a mesma vivia como tal. As vezes passava dias sem dizer nenhuma palavra.

Consolava sua tristeza se afogando em livros. Romances de todos os tipos, desde os de ação aos românticos. Passava o dia lendo, varava noites em claro. Era uma verdadeira consumidora de letras. Lia sobre qualquer assunto, técnico ou fictício. Passava mais tempo na biblioteca do que em casa. Já havia lido quase a biblioteca toda. Amava os dramas ingleses antigos e parecia que a única coisa que realmente tocava seu coração e que lhe arrancava lágrimas era o fim de uma boa história. Faltava a escola em quase todos os dias. Era sistemática.

Após ler um livro sobre a constituição de educação, sabia exatamente quantos dias era necessário ir a escola para não reprovar. Ia somente nos dias de provas e mais alguns dias sortidos no ano, para cumprir a meta. Odiava ir a escola. Não era somente os alunos que não gostavam dela, os professores a detestavam. Não aceitavam que alguém que faltasse a maioria das aulas do ano e ainda assim gabaritasse todos os testes. Era sempre a primeira da turma, seu nome estava sempre no quadro de honra do colégio e como de costume, nunca foi a nenhuma premiação de mérito. Helena era conhecida como a garota fantasma, eram poucos alunos que já haviam visto ela perambular pelo colégio, alguns sequer nem acreditam na existência dela, acham que o nome dela na chamada e nos quadros de honra não passam de um erro técnico da diretoria e os que a conheciam, faziam questão dela querer ser somente um fantasma.

Acordava todos os dias as oito da manhã, era o horário que a biblioteca abria, era sempre a primeira a entrar e a última a sair. O frio da Pensilvânia não a desmotivava nenhum pouco, vestia seu casaco de pele, e ia sem hesitar todos os dias. Passava a tarde, a noite toda lendo, voltava pra casa, comia alguma coisa, dormia e se preparava para a mesma rotina.

Se sentia sozinha, por mais que recusasse admitir isso. Para ela tudo o que ela precisava era de um bom livro e pronto, já teria companhia. As histórias de amor mexiam com ela mais do que qualquer outro gênero. Sonhava que algum dia talvez tivesse amigos, e até que um dia viveria um romance como o de Romeu e Julieta e nesses dias que pensava sobre isso, se pegava chorando, desesperada pra aliviar sua solidão.

Era um dia desses. Helena estava jogada entre seus cobertores, com uma cópia de "um sonho de uma noite de verão" ao seu lado. Ela estava aos prantos, arfando, com dificuldade até de respirar por conta do choro excessivo, e, para piorar, estava caindo uma chuva torrencial. Como era de se esperar com uma tempestade dessas, a luz caiu. Ela não podia nem sequer ler mais. Numa tentativa de achar velas, se enrolou no cobertor e foi até a cozinha revirar as gavetas. Achou algumas e as acendeu. Colocou em alguns pires e as espalhou pela casa numa tentativa de ilumina-la.

Ela nunca havia estado em casa direito, durante todo esse tempo, não havia parado para explorar nada além de seu quarto. A medida que ela ia colocando as velas, ela ia vendo cantos da sua casa que nunca havia parado para notar. Achou uma porta no chão, provavelmente daria para um porão. Ela não tinha nada a perder, moveu manivela e abriu. O buraco no chão mostrava uma escada, descendo ainda mais pro subsolo. Pegou uma das velas e soltou o cobertor no chão.

Começou a descer as escadas com cautela pelo que estava por vir. Notou os detalhes nas paredes, o corrimão, a escada. Eram de mármore, haviam gárgulas e estatuetas nas laterais enquanto ela descia. Sua casa era pobre, de madeira desgastada, provavelmente já mofada, pra que tanto luxo no subsolo? Percebeu algumas tochas embutidas na parede, e as acendeu com a vela, iluminando o lugar.

Após de descer a escada, viu o quão luxuoso era o tal porão de sua casa. Um sofá de couro ocupava o centro da sala, em cima de um tapete de pele de urso. Havia também uma lareira. Observou o lugar e avistou um corredor. Adentrou o mesmo e achou a melhor coisa que poderia achar em sua vida. Uma biblioteca particular, repleta de livros aparentemente antigos, dos quais a mesma nunca tinha lido. Seus olhos brilhavam, havia chegado no paraíso em sua concepção.

Haviam no mínimo uns cinco mil livros ali. Todos grossos, encapados e perfeitamente arrumados em estantes de carvalho maciço. Limpou os olhos, retirando a viscosidade que havia ficado do choro de antes, percebeu que estava agora com mais de cinco mil "amigos" novos e mal esperava para lê-los. Havia um grande relógio antigo também, o qual mostrava que já havia passado da hora de ela dormir. O sorriso em seu rosto se manteve grande e resistente.

Subiu lentamente as escadas de costas, olhando para seu precioso tesouro e apagando de pouco em pouco as tochas na parede. após voltar para a sua sala de estar habitual, recolheu o cobertor do chão e se direcionou ao quarto. Se emaranhou no amontoado de cobertas e almofadas e adormeceu feliz.

Acordou no outro dia mais cedo do que de costume. Ignorou as olheiras e se decepcionou ao olhar o calendário e ver que era um daqueles dias infernais da qual a mesma teria que ir a escola. Se direcionou calmamente a porta de sua casa e olhou de relance o porão.

O dia passou devagar. Sofreu os mesmos abusos de sempre, viu as mesmas meninas felizes com sua infelicidade e os mesmos meninos a fazendo infeliz por elas. Se odiava por nascer numa sociedade onde se preza mais a inclusão num grupo do que no geral.

—-----enrolar sobre a solidão dela-------

Ao chegar em casa, desceu as escadas correndo e acendendo as tochas como uma criança desesperada. Acendeu a lareira e foi a biblioteca. Olhou todos aqueles livros e escolheu um com uma capa roxa, era o que mais havia chamado a sua atenção no meio de todos.

Se jogou no confortável sofá de couro e começou a ler. A capa não tinha nenhum nome. Na folha de rosto havia algo escrito em latim, ela não soube o que era, não havia autores no livro. Ao folhear percebe ser de um gênero que a mesma nunca havia lido, sobre figuras sobrenaturais e ocultismo. Elas e atentava as páginas com atenção, sem nem entender o que estava escrito.

Haviam figuras, descrições, possíveis rituais? Nada parecido com os contos de fada e constituições disponíveis na biblioteca. Folheando as páginas uma foto chamou sua atenção. O magnetismo era inegável, sem nem entender, se fixou na imagem. Varou a noite olhando pra foto, sem mal piscar. Nem ela entendia o que havia acontecido, ela simplesmente não conseguia parar de olha-lo.

Os romances sempre detalham o amor como algo que não sai da sua cabeça, automaticamente, ligou esse sentimento ao momento. Não sentia fome, não sentia frio, não sentia nada além de atração pela imagem. Toda vez que piscava jurava poder vê-lo no contraste das pálpebras.

—------discorrer mais sobre a imagem----

Sua última lembrança era estar jogada no sofá, reganhou consciência quatro dias depois, cercada de velas, círculos desenhados, uma mecha de seu cabelo sobre a coxa e sangue nas mãos e um punhal. As velas se mexiam como se dançassem, checou a janela pra ver se entrava uma corrente de ar. Estava fechada.

—--------ritual acontece ---------------

—-------descrever amizade dos dois, criar aventuras e uma conexão real entre os personagens--------

—-------revelar a paixão de helena por ele------

Tentou toca-lo de diversas maneiras, nenhuma dava resultado. Ela se desesperou, não conseguia ficar com ele, não conseguia o alcançar. Ela chorava de desespero, quando o -pensar em nome pro demonio- deu-lhe uma ideia. Falou que ele era um demônio que já estava morto, que por isso ela não conseguia toca-lo. Os planos eram diferentes. Talvez se ela morresse eles ficassem juntos.

Helena estava cega, concordou sem hesitar, pegou o punhal e cravou em seu peito. Viu tudo ficando escuro e se esvaecendo, olhou para seu amado que riu com sucesso, tirando um vidro do bolso e captando uma espécie de ectoplasma que saia de seus olhos, desapareceu sem deixar vestígio. Seus últimos suspiros foram dolorosos, só voltou a seu estado de sã quando já havia perdido sangue de mais para sobreviver. Utilizou suas forças para chorar, e partiu sem dizer uma palavra.

—Nome do demônio- chega ao inferno, coloca o recipiente de vidro numa estante, cheia deles, todos iguais. A estante é tão grande que de perto não se vê o fim e nem o começo. Parece infinita, se estendendo em todos os eixos. Aperta a mão de Lucífer sentado em seu trono, recebe um aceno de cabeça em aprovação.

Rapidamente, -nome do demônio- se posiciona em outro círculo no chão do inferno, aparecendo no quarto de Lúcia, uma menina baixinha em Londres. Com o mesmo sorriso que tirava o chão de Helena, se apresenta e passa a lhe fazer companhia.

No fim das contas, Helena conseguiu o que queria: Um romance como Romeu e Julieta, pena que essa Julieta se matou pelo Romeu errado.

Notas finais
Desculpem qualquer coisa, deem sugestões do que posso melhorar :3
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!