Não sou da Lufa-Lufa! - Fanfic Harry Potter
16 15° Episódio
Tinta Verde
Na aula de transfiguração recebi a notícia de que a professora Milore havia finalmente voltado, meu rosto imediatamente se virou para Lúcia que já me encarava.
— Precisamos falar com ela antes do almoço.
— O almoço é daqui a dez minutos, Susie. — encarou o relógio na parede, acima do quadro-móvel.
— Por isso mesmo — cochichei — e se ela sair de novo ou algo do tipo? Precisamos perguntar dos livros, talvez em algum deles tenha mais pistas sobre o garoto desaparecido.
Lúcia concordou relutante e levantou o rosto para a professora Margott que encarava um livro gigante.
Fechei meu livro e me abaixei com Lúcia até esconder nossas cabeças por debaixo da mesa. Ela se virou cuidadosa e encarou a aluna da Corvinal que dormia disfarçadamente sobre a mesa, tentava esconder o rosto com o livro.
— Ali, a porta está aberta! — cochichou para mim.
— Ótimo.
Subi meu rosto cuidadosamente para cima e encarei a professora ainda lendo. Lúcia passou engatinhando para o corredor de mesas e cadeiras, alguns alunos encaravam a cena, impressionados com a coragem. Lúcia parou por alguns segundos no meio do corredor e olhou para trás com uma careta.
— O que foi? — cochichei curiosa, e ansiosa com a minha vez de ir.
— Amassei o meu joelho em um chiclete... Eca! — cochichou puxando o joelho pegajoso e melado de baba.
— Arg... — olhei quem tinha jogado, Max estava na nossa turma àquela hora.
Ele me olhou com um sorriso travesseiro, parecia ameaçar gritar. Fuzilei ele com os olhos e mandei silenciosamente — com o movimento da boca — que ele ficasse na dele.
— Cof cof... — ele tossiu alto, fez de propósito!
A professora levantou o rosto um pouco, ainda sem tirar os olhos do livro.
Lúcia começou a engatinhar mais rápido e conseguiu sair da sala. Foi a minha vez, engatinhei olhando para trás torcendo para que a professora não tirasse os olhos do livro. Max colocou o pé na frente das minhas mãos e tropecei batendo o queixo no chão de pedra.
— Ops... — ele disse segurando o riso, esse pestinha me paga!
Levantei o rosto do chão e esfreguei meu queixo machucado. Peguei a minha varinha na minha meia e apontei para a testa dele.
— Burricus Incantatem! — cochichei o feitiço.
Max tocou as orelhas sentindo uma sensação estranha, aproveitei para fugir. Me levantei do chão com a ajuda de Lúcia e corremos juntas.
— O que você fez com o Max??
— Mais tarde você vai descobrir — comecei a rir.
Subimos as escadas a cada dois degraus para o segundo andar. Olhei a porta da aula de magia e puxei Lúcia. Entramos na sala e vimos a professora Milore arrumando seus livros em cima da mesa.
— Professora!
Ela se virou assustada.
— Meninas, que susto... O que fazem aqui? Ainda é horário de aula.
— Bem, saímos mais cedo...
— Isso é contra as regras da escola.
— Sinto muito! Mas é que precisávamos muito falar com a senhorita.
Ela se sentou na sua cadeira e olhou curiosa.
— Queríamos saber dos livros que havíamos entregado a senhorita, podemos tê-los de volta agora?
— Ah sim, os livros... Droga, sinto muitos meninas, mas acabei levando eles na minha viagem.
— O quê!? — Lúcia ficou aborrecida.
— Eu não encontrei nada de útil neles.
Olhei ao redor pensativa.
— Não tem uma maneira da senhorita trazê-los de volta? É importante. — Lúcia implorou.
— Vai levar muito tempo para trazerem, a viagem foi longa, sinto muito...
Olhei o rosto da professora.
— Entendemos... É realmente uma pena...
— Realmente me desculpem por isso, mas confiem em mim, não tinha nada de útil neles, olhei página por página.
Puxei Lúcia.
— Está tudo bem Professora.
— Tudo bem?? Mas Susie!-
— Se a professora — alguém tão experiente como ela não conseguiu, então não vamos achar nada mesmo.
— Mas... Arg...
— Vocês por acaso acharam mais alguma coisa aqui no palácio, ou descobriram algo que possa ajudar?
Lúcia abriu a boca, mas a interrompi.
— Não, professora, não descobrimos mais nada.
Lúcia me olhou, a professora Milore me encarou.
— Tem certeza, Susie?
— Sim, professora, se descobrirmos qualquer coisa a gente vem correndo avisar. — sorrio puxando Lúcia para a saída.
Já afastadas da sala de magia, Lúcia ficou na minha frente, bloqueando o caminho.
— Por que você não me deixou falar?
— Não devemos nos esquecer que ela é uma professora, você não vai querer se meter em problemas, vai?
Encarei Lúcia, ela imediatamente abaixou a cabeça.
— Perdemos os livros do menino, o que a gente faz agora? Atrapalhou completamente a nossa investigação.
Olhei a janela que o diretor encarava antes, e me aproximei. Olhei a torre de astronomia e vi algo estranho.
— Não Lúcia, não atrapalhou.
— O quê?
Olhei Lúcia.
— Ainda podemos descobrir o que aconteceu, vem comigo!
Puxo Lúcia escada abaixo, passamos pelo corredor, pátio, saímos do pátio e nos aproximamos dos destroços e pedaços caídos da torre de astronomia.
— O que foi? — ela me olhou encarando a parede — Por que viemos aqui? É proibido, algum pedaço da torre ainda pode cair.
Subi em um pedaço da torre e peguei a minha varinha. Apontei para a torre.
— O que vai fazer?
— Revelium!
Lúcia deu alguns passos para trás e olhou a tinta verde de formando.
— Isso é...
— Mais uma palavra secreta descoberta...
"Flor"
— Mas o que isso significa? O que flor significa?
Olhei para trás e pulei da pedra. Olhei a janela de onde eu estava antes.
— Significa Petúnia...
Encarei mais uma palavra chamativa abaixo da janela.
— Uaaaw....- Lúcia olhou incrédula aquela palavra pequena.
"Desculpem..."
— Mais uma palavra... Você se lembra de todas que te contei?
— Acho que sim, "aquela", "a todos que", "Eu" agora "Flor" e "Desculpem..."
— Hmmmm....
Fico pensativa tentando formar a frase, mas nada ainda faz sentido.
— Acho que ainda falta mais palavras... Falta mais coisas.
— Estão todas fora de ordem, mas e se colocássemos em ordem de horário? Do menor número para o maior?
— Ordem de horário? Bom então acho que ficaria "A todos que, eu, aquela, Flor, desculpem..."
— Ainda não faz muito sentido para mim.
— Falta mais coisa! Precisamos encontrar mais pelo castelo, vamos ficar de olhos bem abertos agora.
Lúcia e eu saímos de perto da torre quando ouvimos o badalar da torre do relógio.
— Podíamos pedir ajuda a Stella e ao Mark para nos ajudarem.
— Quem é Mark?
— Ele é um corvino do terceiro ano, temos aula de Defesa contra as artes das trevas com ele, no segundo horário da quarta-feira.
— Ahh sim! Me lembrei.
— Vou pedir ajuda ao Max também-
— Não! De jeito nenhum vamos pedir ajuda àquele idiota!
— Ei! Ele é meu primo.
— Não ligo!-
— Você!
— Falando no diabo...
Olhei para trás, e vi Max com a varinha apontada para mim. Ele ainda estava com o feitiço de burro que azarei mais cedo.
— Max! — Lúcia tentou interceder. — Abaixa isso!
— Olha o que ela fez comigo!
— Foi só uma brincadeira!
— Eu não gostei!
Alguns alunos que passavam por ali começaram a formar um círculo ao nosso redor, curiosos com a briga. Até Lorie parou para assistir.
— Ah qual é, você fez pior comigo — aponto para o machucado no meu queixo. — Você quer o quê? Duelar comigo?
— Você mal consegue fazer feitiços, eu só quero te dar o troco! -O rabo de burro dele se levantou junto com as orelhas.
— Ah, que ótimo...
Assim como Max, eu acabei ganhando uma cauda e um par de orelhas de burro. Que provavelmente vão ficar durante uma semana, porque me recusei a anular o feitiço dele até o encantamento acabar.
Sempre que eu passava no corredor eu tinha que esconder minha cauda, os alunos da Grifinória quase sempre puxavam. As orelhas não me incomodavam tanto, mas eu conseguia ouvir bem melhor que antes. E ouvi muitas coisas desagradáveis sobre mim.
— Vocês são duas crianças, devia retirar o feitiço do Max logo, Susie. — Lúcia disse ao meu lado no salão de banquetes.
Voltei a comer e senti um puxão na minha cauda, ela tinha escapado de dentro da minha capa.
— O que você quer agora? — me virei e vi a madame Elvira me olhando como se eu fosse patética.
— Isso combinou com você Senhorita Susie.
— Argh...
— Amanhã você e o senhor Max vão ficar na detenção juntos.
— O quê?? — olhei indignada.
— Sem reclamações! Vão limpar o pátio da torre do relógio de cima a baixo, tudo manualmente.
Ah que ótimo! Não podia piorar!
doc
A única parte boa disso tudo foi o fato de que o feitiço Burricus Incantatem foi retirado de nós dois, pelos professores é claro, porque eu realmente teria deixado o feitiço durar uma semana. Mas a parte ruim era que eu ainda não tinha me safado da limpeza! Argh!
No dia seguinte, após a aula de poções e de Herbologia, me encontrei com Max e a madame Elvira para fazer a limpeza do pátio da torre do relógio.
— Pensem positivo, se trabalharem juntos, os dois vão poder sair mais cedo da detenção.
— Argh, me recuso a ajudar ele!
— E eu me recuso a ajudar ela!
— E eu me recuso a deixar os dois saírem até do final da tarde.
Apertei a vassoura e comecei a varrer as folhas, Max fez o mesmo. A madame Elvira passava de vez em quando no pátio para checar se o trabalho estava sendo feito.
O que estava me irritando era o fato de Max parar de varrer toda vez que ela saia! O vento espalhava todas as folhas novamente e eu já estava cansada de varrer!
— Qual é a sua?! Vai me deixar fazer tudo sozinha mesmo?? — disse incrédula, completamente suada de tanto varrer e varrer.
— Isso é uma punição para você! Foi você quem começou com tudo isso!
— Ah o que?! Eu quem comecei!? Você tem certeza absoluta que não começou a implicar comigo primeiro né?
— Eu tenho. — disse convencido como se estivesse certo!
— Você é inacreditável! Se você não vai me ajudar a varrer, então eu também não vou varrer! Vamos ficar aqui juntos dia todo!
— Eu não vou, você vai. — ele largou a vassoura no chão e se virou.
— O quê?! Aonde você vai?! Temos um trabalho para fazer!
— Eu não vou fazer mais nada, foi você quem começou com tudo isso, não é justo eu ser punido com você.
— Mas eu não comecei nada! Você quem me fez cair àquela hora!
— Não estou te ouvindo, Na na na na! — tampou as orelhas.
Apertei a vassoura e bati as cerdas na cabeça dele com força! Ele ficou atordoado e se virou pegando a vassoura, tentou revidar, mas consegui desviar!
— Faça o seu trabalho direito! — tentou outra vez.
— Não vou fazer sozinha!
Dei a volta na fonte e molhei as cerdas da vassoura, joguei água nele usando ela. Max deu a volta me perseguindo e sai correndo do pátio.
— Volta aqui Landerwood!
— Não estou te ouvindo! Na na na na! — revidei.
doc
Como de se esperar não acabou bem para nós dois, fiz a Lufa-Lufa perder 50 pontos por causa disso! Max fez a sua casa perder também.
Mais tarde, quando entrei na sala comunal da Lufa-Lufa eu fui fuzilada com os olhares, todos estavam furiosos comigo!
— O-olá....
— "Olá"?! Você diz "Olá" depois do que fez Susie?! — O monitor Stefan diz irritado.
— Desculpa... Mas foi o Max quem começou!
— Não se trata disso! Não interessa quem começou! Foi você quem fez a Lufa-Lufa perder pontos! Estávamos em segundo lugar na taça das casas, por incrível que pareça! Mas por sua causa agora estamos em quarto!
Houve um silêncio palpável e ensurdecedor, olhei ao redor cheio de par de olhos furiosos e não vi Lúcia.
— Se ela quer tanto assim fazer parte da Sonserina então vamos ajudar ela! — uma aluna pegou um frasco de tinta em cima da mesa, e de repente jogou uma tinta verde no meu uniforme.
— Calma Sarah! — uma Lufana interviu segurando a amiga.
— Calma nada! Todo mundo aqui se esforçou e trabalhou duro para ganhar pontos! E aí ela faz uma coisa dessas com a gente!
— A gente devia pedir a expulsão dela de uma vez!
— Isso não é justo! Eu consegui 10 pontos para gente recentemente!
Eu não disse nada enquanto todos brigavam comigo, apenas olhei para as minhas mãos sujas de tinta verde, encolhi os dedos do pé e senti uma maré de água surgir nos meus olhos.
A tinta verde e a minha mão começou a ficar borrada enquanto a minha garganta começava a queimar.
— O que está acontecendo? Fiquei sabendo que... Perdemos pontos... — Lúcia entrou na sala e me viu no meio da sala.
Olhei para ela com o rosto vermelho enquanto chorava e empurrei ela para o lado. Sai correndo da sala comunal.
Desci as escadas e esbarrei na Lorie no pé da escada.
— Sua!... — ela me olhou e notou toda aquela tinta verde manchada.
Lorie se aproximou e segurou a minha mão, estava quente.
— Eu vou te levar ao banheiro...
Sequei a minha bochecha e espalhei as gotas de tinta verde. No banheiro, Lorie ajudou a limpar o meu cabelo e as minhas mãos.
— E então? Você vai me contar o que aconteceu?
— Não.
— Tudo bem.
— Foi a minha casa, uma aluna jogou tinta em mim e todo mundo começou a brigar comigo...
— Entendi... Você vai contar para o coordenador?
— E fazer a Lufa-Lufa perder mais pontos por minha causa?! De jeito nenhum!
Olhei o meu rosto quase limpo no espelho.
— Eu sabia que vir para essa escola era um erro... Eu devia ter continuado os meus estudos em casa... Vou pedir ao meu pai para me tirar daqui.
— Você tem certeza? Ainda estamos investigando-
— Isso não importa mais! — gritei.
— .... — ela abaixou a cabeça.
— Nada disso importa mais...
Sem dizer mais nada, eu saí do banheiro, me preparando mentalmente para a carta que eu iria escrever ao meu pai. Tive que reunir forças para voltar a sala comunal e o dormitório.
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