Livros Voadores















No dia seguinte, todos estavam falando dos amistosos de quadribol de amanhã.

— Façam suas apostas! Em quem vão votar? -Um Grifinório grita no meio do corredor movimentado.

— Apostas? É sério? — Eu olho Lúcia.

— Tá todo mundo falando, a Sonserina e a nossa casa vão competir.

— A Sonserina e Lufa-Lufa?!

— Façam suas apostas! — ele grita novamente.

— Vou sem dúvidas apostar na Sonserina, sem chances que a Lufa-Lufa vai ganhar. — Uma aluna da Grifinória debocha passando por nós.

— Ei! Podemos muito bem vencer! — eu grito para elas.

Elas olham para trás, surpresas.

— Eu duvido muito, afinal ouvi que a Lorie vai estar no time.

— Pense só, a pior aluna competindo com a melhor, está na cara quem vai vencer esse jogo. — A outra menina diz.

— Ei!💢— aperto meu punho firme e me seguro para não acertar a cara dela.

— Susie! Não liga para elas, são duas idiotas, vamos embora...

Lúcia segura meu braço me puxando para fora do corredor aberto.

— Dá para acreditar nisso?! Como elas podem ser tão irritantes?!

Lúcia suspira enquanto entramos na sala de Transfiguração.

— Sentem-se — A professora diz.

Os outros alunos entram e se sentam, a professora aponta a varinha para a porta, que se fecha antes de alguns alunos entrarem.

— Não suporto atrasos na minha sala, se chegarem atrasados vão ficar do lado de fora. Entendido?!

— Sim, professora Mizare.

— Está mais para professora "Miséria" — Lúcia olha para mim e cochicha.

Rio e olho a professora na minha frente.

— Urgh... — engulo seco olhando seus olhos severos.

— Abram o livro na página dezoito. — Ela bate a varinha na mesa.

— Sim senhora...

Abro meu livro na página que ela pediu.

Depois de uma aula chata de como transformar objetos em um relógio, eu e Lúcia vamos para o pátio da torre do relógio.

— Não aguento mais ver relógios...- Observo o enorme relógio na torre, está quase na hora do almoço.

— Nem eu...

— E todo mundo só está falando sobre os amistosos, que chatice!

— Ah, estou ansiosa para ver. Aposto que a Lufa-Lufa vai se sair bem. — Lúcia diz animada.

— Hunf, tem algum assunto interessante além desse? Já que você sempre está sempre por dentro das fofocas.

— Hum, deixe eu ver se me lembro...

Há um silêncio por alguns segundos.

— Ah sim! Estão falando bastante da Insanis Broom. A madame Eloise deixou a sala de artefatos aberta para os alunos verem ela presa na caixa. Que ir ver?

Me levanto rápido da fonte, puxando Lúcia.

— Eu quero ver ela de pertinho!

— Você não tem medo??

— Ela está presa, não é? Então, não pode machucar ninguém.

Entramos no corredor que leva para a sala de artefatos e fico surpresa quando vejo uma fila de alunos na frente da porta.

— Que fila enorme, tudo isso é para ver a vassoura?

— Parece que sim...

— Droga, vai levar muito tempo para vermos ela, e logo será o horário de almoço...

— O que quer fazer?

— Vamos voltar depois e ver, a fila já deve estar menor até lá.

— Depois as portas vão se fechar.

Olho para trás assustada e vejo ela. A Lorie mais uma vez!

— Qual é a sua? Sempre aparece atrás de mim. Tá me seguindo é?

— Eu? É claro que não, estou aqui a pedido da madame Eloise.

— Hum, posso saber para quê?

— Supervisionar é claro, os professores estão muito ocupados para cuidar dos alunos curiosos...

— Que eu saiba, nem monitora você é.

— Tem razão eu não sou ainda... Mas sou a melhor aluna de Hogwarts atualmente, e ela confia em mim.

Ela joga seus cabelos negros e passa por mim. Toda metida.

— Sua metida! Nariz empinado! Até parece que você é a melhor! — mostro a língua.

— Enquanto continuar com essas atitudes infantis, você nunca chegará aos meus pés. — ela me olha por cima do ombro e volta a andar desfilando, em direção a fila.

— Argh!💢

— Calma, Susie, não deixa ela te irritar!

— Como ela pode ser assim tão chata??! É Lorie para cá! E Lorie para lá! E Lorie para tudo que é canto!

— Bom, ela vem de uma família de prestígio, afinal... É descendente da Grande Bruxa Selena.

— E quem é essa?

— Você não conhece a Grande Bruxa Selena?... Inacreditável, as vezes acho que você mora em uma caverna.

— Me conta de uma vez!

— Durante a grande caça às bruxas, ela salvou a vida de muitas bruxas e bruxos, tinha uma admirável habilidade com poções. Foi tão digna e honrada que recebeu a categoria três de Merlin, na época.

— Categoria Três?

— É dado aos bruxos que chegam perto de ser como o poderoso Bruxo Merlin. Atualmente só cinco bruxos receberam esse título honorário.

— Oh... Isso parece realmente incrível...

— A família da Lorie tem mais de seis mil anos de gerações, é uma família muito poderosa e alguns foram até fundadores do ministério.

Eu olho Lorie impressionada.

— Quanta coisa...

— Agora vê por que todos admiram ela?

— Mas isso não faz sentido, mesmo que ela venha de uma família tão poderosa, quem é famoso de verdade, são as pessoas que trabalharam duro, não ela.

— Mas ela é a melhor aluna atualmente de Hogwarts, Susie. Uma vez no primeiro ano, ela conseguiu curar o salgueiro lutador que estava com o fungo exterminus, aquele fungo que seca a vítima até virar pó, sabe?

— O quê?!

— Pode perguntar para qualquer professor. Foi na primeira semana de estudos inclusive... Já você na primeira semana...

— Para de me comparar! Agora que a minha varinha me obedece, eu vou te mostrar que posso sim, ser uma boa bruxa, e que vou ser a primeira a ser mandada para outra casa.

— De novo isso? Você está obcecada pela Sonserina...

— Ah, fica quieta. E vamos entrar na fila logo!

Lúcia revira os olhos e me segue de mau-humor.

Depois de muita espera conseguimos ver a Insanis Broom de pertinho.

— Uau, ela tem pelos no cabo... — digo com a cara grudada no vidro.

— Susie, não se aproxime muito... — Lúcia diz preocupada.

— Está tudo bem, a professora Eloise a colocou em um feitiço para dormir. — Lorie diz enquanto nos assiste, sentada em uma cadeira, ao lado da caixa, às vezes passava as páginas de uma revista.

— Uau...

— Ei, Lorie, o que aconteceu com o aluno que fez essa vassoura ficar assim, foi punido? — Lúcia pergunta.

— Desde que ele foi expulso, ninguém nunca mais o viu.

— Ah, então foi o garoto do caso da Petúnia... Mas e a família dele?

— Ninguém sabe quem é.

— Eh?! Mas como isso poderia ser possível?

— Meu pai suspeita que um feitiço de confundir a memória foi feito, o feitiço Confundos. Por isso eles não conseguem ouvir testemunhas ou qualquer pessoa que possa contar algo sobre ele, com detalhes.

— Confundir a memória?

— Sim, os professores se lembram de ter ensinado para esse aluno, mas não se lembram do sobrenome dele, eles sempre ficam confusos. Foi um feitiço tão poderoso que afetou todo mundo que já teve contato com ele.

Olho Lorie.

— Será que podemos falar para ela?

— Falar o quê? — Lúcia pergunta confusa.

— Se ela não atrapalhar a nossa investigação... Tudo bem.

— Investigação?!

— Eu e Lorie estamos "trabalhando juntas" para descobrir o que aconteceu com o aluno que foi expulso, e o motivo da morte da garota Petúnia.

— Por que não me disse?!

— Estou dizendo agora!

— Devia ter me dito antes! Eu sou sua amiga!

— Você tem razão. Me desculpa...

Lúcia suspira e me afasto da caixa onde a vassoura está.

— Você quer nos ajudar?

— Mas e se acabarmos atrapalhando a investigação dos aurores?

— Somos muito cuidadosas, e com as aulas acontecendo as chances das pistas ainda frescas sumirem são altas! Não podemos perder mais tempo. — Lorie diz.

— Argh... Tudo bem. Onde vocês pararam? — Lúcia me olha.

— Estamos procurando algum registro do aluno, mas estamos andando em círculos...

— É como se ele fosse um fantasma... Lorie e eu achamos que o feitiço Mandela também tenha relação com isso tudo.

— Hum, talvez algum cúmplice dele tenha usado um feitiço para esconder as pistas... Alguém mais velho, talvez... O feitiço Mandela é complicado demais para um aluno dos primeiros anos.

— Isso explicaria porque os professores não se lembram muito bem dele também... -Lorie sussurra pensativa.

— Caramba, você é boa. — digo a Lúcia, admirando.

— Eu só usei a minha cabeça. -Ela vira o rosto corada.

— Como podemos revelar as pistas?

— Observando, qualquer coisa que seja estranha ou pareça fora do lugar. Depois é só usar o feitiço Revelium. Normalmente, o feitiço Confundos e Mandela não afetam a matéria, ou os lugares ao redor... — Lúcia diz.

— Eu não sei fazer esse feitiço.

— Bem, nem eu...

Olhamos Lorie.

— Eu não vou ensinar vocês, é trabalho dos professores.

— Mas eles vão suspeitar da gente se pedirmos algo assim quando não estamos tão avançadas.

Lorie bufa e suspira levantando da cadeira.

— Amanhã, depois do almoço, me encontrem aqui na sala de artefatos.

Ela abre a porta da sala.

— Agora saiam.

Lúcia e eu saímos e alguns alunos resmungam por causa da demora.

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No resto do dia, eu e Lúcia focamos na aula de poções e feitiços, para aprender o máximo que podíamos.

— V-vocês parecem bem focadas hoje... — Uma Lufana diz enquanto estudamos ferozmente na sala comunal.

— Shhh! — Eu e Lúcia fazemos o som do silêncio.

Ela revira os olhos e entra no dormitório.

— Bom, nisso ela tem razão, eu tenho que admitir. Nunca estudei tanto. — me espreguiço.

— Viu? E você dizendo que só os corvinos são estudiosos...

— Hunf... Eu também tenho que admitir que estou ficando cada vez mais impressionada com a Lufa-Lufa.

— Me pergunto quando você dirá "minha casa"...

— Isso nunca vai acontecer... — eu reviro os olhos e me levanto do sofá. — Você pode continuar estudando, eu vou dormir.

— Ah qual é, estávamos chegando na melhor parte do estudo.

— Melhor parte? Só tem coisa chata em estudar isso!

— É claro que não, aprender é divertido.

— Agora você falou como uma corvina.

— E estudar com os amigos é melhor ainda.

— Hunf, agora sim, parece uma Lufana idiota.

— Calada.

Entro no dormitório para dormir quando me lembro de algo importante e volto correndo para a sala.

— Lúcia! Acho que sei qual é a próxima pista!

— E qual é?!

— Lorie e eu estávamos na biblioteca esses dias procurando pistas sobre o aluno e uma coisa estranha aconteceu, a bibliotecária estava correndo atrás de alguns livros.

— E qual é o problema? Todos sabem que os livros mudam de lugar na biblioteca da escola.

— Mas não era um feitiço normal, daquele que o livro volta para a prateleira ou vai parar nas mãos de um aluno.

— Onde quer chegar?

— Era um feitiço de flutuação muito parecido com o da Insanis Broom! Como se eles estivessem fugindo das mãos da bibliotecária.

— E você acha que esses livros é do aluno? Qualquer um poderia colocar um feitiço nos livros para pregar uma peça.

— Nisso você tem razão... Mas parecia muito com os livros que os alunos do terceiro ano usam. Não acha que vale a pena ir dar uma olhada?

Lúcia suspira.

— Mas está muito tarde... Podemos ir amanhã depois do nosso treinamento com a Lorie?

— Argh... Tá bom, sua preguiçosa!

Volto para o dormitório resmungando. Se eu estiver certa, sou muito esperta!