Não sou da Lufa-Lufa! - Fanfic Harry Potter
2 1° Episódio
A Carta e a Varinha
Havia uma mansão antiga, em uma vila no mundo trouxa. Feita com pedras de calcário cinzentas, e cheias de musgos e trepadeiras, lá havia uma bruxinha que despertou a magia há não muito tempo.
Susie
— Chegou, senhorita Susie, a carta chegou!
Ela entra em meu quarto e entrega sorrindo, ansiosa para que eu a abra.
Encaro a empregada por alguns segundos ainda sentada na cama. Havia acabado de acordar, e sempre fico de mau-humor.
— Saia! Isso não é assunto seu, sua curiosa.
— Desculpe, só queria saber como é, receber a carta da Escola de Hogwarts. Ouvi dizer que é a melhor do mundo bruxo! – ela parece insistir em ficar.
Suspiro e olho a carta de papel de pergaminho, um pouco suja e bem lacrada.
— Muito bem... — abro o selo e começo a ler a carta escrita à mão delicadamente.
— Prezada Susie Landerwood, a senhorita foi aceita na escola de Magia e bruxaria de Hogwarts! Sua pontuação nos testes de meses atrás foi de 150, um dos melhores em anos. Esperamos ansiosos a sua presença. As aulas começam no dia primeiro de setembro! Junto da carta está anexado os materiais que vai precisar no ano letivo. Aguardamos a sua coruja até o final deste mês... Atenciosamente professora Margott...
— Então eu fui realmente escolhida... — digo incrédula por alguns segundos.
— Sim! O senhor Felix vai ficar tão feliz.
— Espero que sim, não é tão fácil entrar em Hogwarts sendo uma moradora do mundo trouxa.
Saio imediatamente da minha cama e dos meus lençóis quentinhos. Piso no chão frio de pedra e desço as escadas em direção a sala.
— Papai! Papai! — me aproximo do meu pai, que lê um jornal na sala acompanhado de uma xícara de café — A carta de Hogwarts chegou. Eu fui aceita!
— É mesmo? Seria uma grande decepção se não fosse. — ele permanece com seus olhos fixos no jornal.
— Eu começo mês que vem, então eu vou para o Beco Diagonal comprar meus materiais e a minha varinha... Já que imagino que não vai me deixar usar a dela fora da mansão.
— Você está certa, sabe onde pegar o dinheiro — ele pega a xícara de café e bebe.
— Não quer ir comigo?
— Não, eu preciso sair.
— Aonde vai papai? — tento manter a conversa por mais alguns segundos.
Mas é em vão, ele se levanta sem dizer nada e sobe as escadas.
Suspiro e me sento no sofá. Pensei que se entrasse para Hogwarts ele ficaria feliz por mim, e me trataria um pouco diferente...
Mas eu estava enganada.
A empregada mais velha, aparece atrás de mim com uma bandeja.
— Bom dia, seu café da manhã Senhorita.
— Bridjet...
— Sim? – ela coloca a bandeja gentilmente no meu colo.
— Pode me acompanhar no Beco Diagonal?
— Mas é claro! Terei o prazer de vê-la comprar a sua primeira varinha!
— Eu queria continuar usando a da mamãe...
— Sinto muito Senhorita, seu pai nunca permitiria que a varinha dela saísse dessa mansão...
Começo a comer as tortilhas de morango e mel.
Mamãe...
Papai detesta que eu fale dela em sua frente, sempre faz uma careta. Ela faleceu em um acidente há muito tempo atrás, por minha culpa... Depois disso a minha relação com o papai nunca mais foi a mesma.
Vivemos nessa mansão no mundo dos trouxas, afastados da grande capital, Londres... Felix Landerwood, meu pai, um homem de aparência jovial. Trabalha no ministério da magia no setor de investigações.
Minhas únicas companhias durante o dia são as empregas e meus professores particulares. Um deles inclusive, o professor Robert, me deu a ideia de fazer os testes para a escola de Hogwarts. Para entrar no terceiro ano.
Não sei se é para se livrar de mim ou se é para que eu possa ficar livre dessa casa... Independentemente do que ele tenha pensado, estou feliz.
Minha família inteira estudou em Hogwarts, todos se tornaram grandiosos bruxos da Sonserina. E estou confiante de poder seguir essa tradição de grandiosidade e prestígio.
Tenho certeza de que fazendo isso vou trazer orgulho para a família Landerwood e Papai vai poder me exibir orgulhoso nas festas de família, pela primeira vez.
— Senhorita, precisa se apressar para irmos ao Beco Diagonal... — ela me tira dos pensamentos colocando a mão no meu ombro.
— Eu já vou, eu já vou! — enfio todas as tortilhas na boca de uma vez.
Bridjet me dá um sermão atrás de mim. Ela costumava ser uma senhora mais paciente. Temos três empregadas, Bridjet, Anaria e Valther.
Anaria é que me entregou a carta a alguns minutos atrás. Ela é a mais nova, tem dezenove anos. Eu não sou tão próxima da Valther, então não posso dizer a idade dela.
De frente para o cofre aberto, pego a quantidade de dinheiro que imagino precisar para comprar os itens mágicos.
— É tão brilhante... – olho todo aquele ouro empilhado.
— Senhorita se apresse!
Fecho o cofre novamente e desço as escadas a caminho da saída. Encontro com papai vestindo seu casaco preto de veludo. Ele está bonito, seus cabelos loiros quase brancos estão bem penteados para trás, fazendo questão de mostrar seu belo rosto.
— Você já está de saída, Susie?
— Sim papai...
— Seja Cuidadosa.
— Bridjet vai comigo, ela vai cuidar de mim.
Bridjet dá um passo à frente e mostra sua varinha.
— Ela vai ficar bem comigo senhor...
Papai me olha e eu o abraço, ele parece ficar sem jeito com meu toque repentino.
— Vai voltar para o jantar não é papai? Quero te mostrar o que vou comprar. — Falo dengosa.
— Talvez — ele me empurra para trás e arruma seu casaco novamente — Não faça nenhuma bobagem.
Eu arrumo meu vestido preto, faço questão de usar essa cor quando vou sair, porque é a cor favorita do papai.
— Eu vou me comportar!
Saio pela porta com Bridjet atrás de mim e entramos na carruagem.
O mundo dos trouxas... Papai diz que é um lugar mais seguro. Mas eu discordo, as crianças trouxas são bobas, sempre jogam pedrinhas na minha janela e saem correndo. Sei que me acham estranha, raramente saio da mansão para fazer alguma coisa.
Bridjet fecha a porta da carruagem e se senta ao meu lado.
— Você o deixou envergonhado.
— Eu? Mas eu só o abracei...
— Sabe que seu pai não gosta que faça essas coisas, senhorita, às vezes acho que gosta de desobedecer.
Viro o rosto para a janela enquanto a carruagem se move e o vejo me encarando da janela da sala. Aceno para ele, mas não há uma reação. No que ele está pensando, afinal?
Passamos pelo bairro dos trouxas, é bem sujo e lamacento. As crianças que jogavam pedras na minha janela me olhando e eu mostro a língua. Pobrezinhas são tão inúteis. Para que servem os trouxas, afinal, se não podem usar magia? Não consigo entender, não consigo compreender.
— Wingardium leviosa!
Saindo da aldeia, a carruagem começa a ir mais rápido e os cavalos levantam voo quando a varinha de Bridjet dá duas voltas no ar.
Olho o chão se afastando e as nuvens chegando na janela, sempre é tão divertido não importa quantas vezes eu veja.
Já no Beco Diagonal, olho os bruxos e bruxas com suas capas pretas, e de cores esmeralda escura, chapeis pontudos e vários itens mágicos nas vitrines das lojas.
Me lembro da lista de matérias e a pego.
— Quantos livros Senhorita... – ela olha por cima do meu ombro.
— Não é? Vou ter que estudar bastante.
— Vamos comprar isso primeiro, ali no Obscurus Books – ela ponta para a loja.
— Certo! São quinze livros.
Os Principais livros são;
– "As histórias atualizadas dos maiores bruxos de todos os tempos!"
–"Poções – Um guia completo do terceiro ano."
–"Fauna e Flora e os 639 tópicos"
– "Transfiguração – Escrita pela madame Mofufu"
Depois de passar na loja e comprar os livros, nós passamos na loja Caldeirão de Potage para comprar um caldeirão, depois fomos a Scribbulus Implementos de Escrita, comprar penas e tinta.
Andamos quase a manhã toda, e nossas compras dentro do carrinho ameaçavam cair a qualquer momento em cima de nós.
— Senhorita, o que mais falta? – ela arfa enquanto empurra o carrinho com dificuldade.
— Ainda falta um animal e a varinha para finalizar.
Ela para o carrinho na frente da loja de varinhas.
— Eu não posso mais empurrar esse carrinho de cima a baixo, então fique me esperando aqui enquanto compro o seu familiar. – ela começa a alongar as costas.
— Aqui? Sozinha?
— Sim, Senhorita, eu volto em alguns minutos.
— Não sei se quero um familiar Bridjet... Mas... Há muitas opções... — olho a lista – Posso escolher um rato, uma coruja, um gato ou um sapo.
— E?
— Ratos definitivamente não, são nojentos. Um sapo? Eca! É grudento e melequento... Uma coruja faria cocô demais e um gato solta muito pelo!
— Mas a senhorita precisa escolher algum desses!
— Mas não está dizendo aqui que é obrigatório, vamos deixar isso para lá? Que tal? — suspiro olhando a lista.
— Muito bem, então... Se não quer um familiar, então vamos comprar a varinha e ir embora.
Eu assenti e entrei na loja com ela atrás de mim. Está fora de cogitação um animal me seguindo o tempo todo. Definitivamente não!
Um senhor se aproxima do balcão e me olha de cima a baixo.
— Você veio para comprar a sua primeira varinha?
— Hum, sim.
Me aproximo do balcão e olho várias caixinhas pequenas empilhadas atrás dele.
— Me dê a mais bonita, por favor.
Ele ri.
— Por que está rindo? Me dê logo.
— Não é assim que as coisas funcionam jovenzinha.
Olho Bridjet atrás de mim, segurando o riso, ela devia ter me dito!
— Ah... Bem, então o que você tem aí?
Ele sorri por trás do bigode longo e se vira procurando uma caixinha.
— Vamos experimentar essa daqui. — ele procura uma caixinha e pega.
— O que há? — me inclino no balcão tentando olhar dentro.
O velhinho balança a cabeça e fecha a caixinha.
— Essa não, definitivamente não...
Ele procura outra com muita enrolação. Eu começo a tamborilar os dedos no balcão esperando ele se decidir.
— Experimente essa... – ele volta para perto de mim e me entrega uma varinha longa.
— O que eu faço?
— Balance a varinha suavemente Senhorita.
Faço como ele mandou, a varinha pula da minha mão e cai no chão.
— Sinto muito, não fiz por querer.
Ele balança a cabeça.
— Não se preocupe, ela não é a varinha certa. – ele pega a varinha do chão e coloca no balcão.
— E como vamos acertar a ideal? Há tantas aí atrás.
— Me diga senhorita, que caminho gostaria de seguir no mundo bruxo? — ele volta a procurar puxando papo.
— Por que está me perguntando isso agora?... – resmungo – Quero ser alguém que vai orgulhar a minha família.
— Muito nobre, muito nobre... – ele repete.
Ele volta com outra varinha e me entrega. Eu a balanço suavemente e as calças do senhorzinho caem no chão.
Eu grito envergonhada e devolvo a varinha pedindo desculpas. Ele arruma sua calça envergonhado.
— Já vi que vai ser uma cliente muito difícil... – ele pega várias caixinhas e colocam no balcão.
Depois de alguns minutos derrubando tinta, rasgando papéis e derrubando caixas no chão...
— Acho que não vou encontrar a minha varinha aqui nessa loja senhor... – devolvo uma varinha no balcão e arrumo o meu cabelo que ficou despenteado.
— Não há outra loja para comprar sua varinha aqui nessa cidade, senhorita.
— Não há? Então você não tem concorrentes?
Ele ri e olha no fundo da loja na prateleira mais alta.
— Bem... Não faz mal tentar aquela – ele diz enigmático.
Inclino a cabeça confusa enquanto ele pega a escada e sobe, e sobe, e sobe, e sobe até sumir da minha vista.
— Acho que tenho a varinha perfeita para a senhorita, se não for com essa... Bem, receio que terá que esperar um novo carregamento de varinhas chegar. – sua voz parece distante da loja.
Depois de descer, e descer e descer e descer, ele coloca uma caixinha empoeirada e bem fechada no balcão.
Olho seu cabelo cheio de teias de aranhas enquanto ele se diverte abrindo a caixinha.
Bridjet está adormecida no sofá no cantinho da loja. Olho para a varinha na mão do senhorzinho.
— Esta... – ele mostra uma varinha pequena em comparação com as outras.
— Esta?
Ele coloca a varinha de madeira avermelhada na minha mão, é um pouco pesada e há desenhos de flores entalhadas no cabo.
— Essa é uma varinha muito antiga, importada da China, tem dezessete centímetros, núcleo de sangue da raposa chinesa... — ele fala com a voz mais séria enquanto ainda segura a varinha na minha mão — Essa varinha já foi usada por grandes bruxos, senhorita Susie... Muitos que a usaram tiveram grandes problemas, e seguiram caminhos perigosos e conflituantes. Tive muito trabalho para conseguir essa raridade, ouvi lendas de que foi usada pelo próprio mago Merlin, uma única vez.
Ele solta a minha mão.
— Experimente, basta apenas uma pequena volta... — ele se esconde atrás do balcão e me espia pelo vidro.
Minha mão estremecesse, sinto como se fosse perdê-la.
— Ela não é p-perigosa é? J-já matou algum dos seus donos?
Ele balança a cabeça e o ombro como se não soubesse. Eu respiro fundo e faço a varinha dar uma pequena volta.
E de repente... Nada acontece.
Sacudo gentilmente outra vez e então nada acontece novamente.
— Você tem certeza que essa é a varinha certa? – olho ele sair de trás do balcão confuso.
— Eu tenho, se nada aconteceu até agora... Então acho que é a varinha certa! — ele bate uma palma sorrindo, como se estivesse feliz de se livrar de mim e da varinha.
Olho a varinha na minha mão, ela está cada vez mais leve. Respiro fundo e coloco a varinha de volta na caixinha.
— Quanto vai ficar?
— Hum, cento e cinquenta galeões.
— Tudo isso?! Acho que o senhor só estava me enrolando para comprar a varinha mais cara!
Ele ri enquanto pego o saquinho de dinheiro.
— Já acabou? — Bridjet acorda de seu sono profundo.
— Já... – olho o senhorzinho contar as moedas uma por uma.
Quando estamos de saída ele chama a minha atenção.
— Senhorita Susie, estou ansioso para ver a bruxa que vai se tornar...
— Vou ser a melhor que já passou por essa loja, senhor. – digo confiante.
Olho a caixinha na minha mão enquanto ando pelo Beco Diagonal com a senhora Bridjet.
— O que ele disse sobre a sua varinha?
— Ele ficou me enrolando e inventando um monte de bobagem.
— Esses velhotes... – ela resmunga rindo.
De volta em casa ao anoitecer, olho todas as minhas compras.
Alguém bate na porta é o papai!
— Você já tem tudo o que precisa?
— Sim! Bem, exceto um animalzinho... Eu não quis comprar.
— Eu também não quis no meu primeiro dia de compras...
— Você quer entrar? E ver as coisas que comprei papai?
— Hum, não... Eu só vim para ver como você estava...
— Estou bem! E muito ansiosa para meu ano em Hogwarts! Quando for para a Sonserina eu vou ser a melhor aluna que todos da família já viram!
Ele fica em silêncio me ouvindo, ele parece muito pensativo.
— Agora acabei de pedir para Bridjet entregar a carta de resposta para Hogwarts.
— Está bem, boa noite – ele vai embora.
Eu me sento na cama olhando a porta. É muito estranho ele ter vindo aqui a noite, nunca fez isso antes... Mas talvez seja porque ele está orgulhoso?!
Eu me ânimo rápido e apago a luz da vela. Por favor, primeiro de setembro... Chegue logo!
E chegou, o tempo passou rápido.
— O quê?! Como assim não vou ir com os outros alunos?
Bridjet tenta me acalmar.
— Sinto muito senhorita, sei que queria a experiência completa... Mas veja, você vai ir com a nossa própria carruagem! Muito alunos não tem esse privilégio.
Resmungo olhando todas as minhas malas e alguns livros.
— Eu mandei uma carta para Hogwarts e infelizmente pelo menos uma coruja é obrigatória para que envie suas cartas.
— Você mandou uma carta para eles e nem me avisou? Por que fez isso?
Papai desce as escadas.
— Fui eu quem pedi para enviarem.
— Ah, tá bom Papai! Bom dia.
Bridjet faz uma careta.
— Quando estudei em Hogwarts, tive que enviar cartas pelas corujas dos meus colegas e era uma bagunça...
— Não precisa dizer mais nada! Eu já entendi tudo.
Ele se senta no sofá com seu jornal.
— Eu vou poder levar a nossa? – sento perto de papai e espio o jornal que ele lê.
— Sim, não vai ser um problema. Mariette já está meio velha, mas ainda consegue voar.
— Muito obrigada, papai! – dou um beijinho em sua bochecha, ele parece desconcertado enquanto limpa a marca de batom.
Me levanto rápido.
— Eu vou conferir se já peguei tudo de novo! – subo as escadas.
Anaria vem atrás de mim.
— Outra vez? Mas já verificou oito vezes.
— Tomar precauções nunca é demais.
De tardezinha eu subo na carruagem depois de me despedir de todos.
— Cuide-se senhorita!
— Eu vou, vai dar tudo certo – olho eles pela janela.
O pôr do sol reflete nos meus olhos e vejo a mansão ficar pequena aos poucos enquanto a carruagem se movimenta e balança.
— Faz cócegas... – eu passo a mão na barriga – Estou tão nervosa...
Olho a gaiola vazia em cima do sofá.
— O quê?! Mariette! Onde você está?! — procuro a coruja dentro da carruagem.
Essa não!... Eu a esqueci em casa?!
Não! Não! Não!
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