Não será a última vez
5 Já disse que te amo hoje?
Notas iniciais
Um novo apartamento no nome dos dois, uma cafeteria e dois gatos que eram parte da família; aquele era apenas parte do saldo depois de quase oito anos de namoro. Quando Takeo pediu Hayato em namoro, não imaginou que fosse durar tanto e pensar no começo da relação era nostálgico.
O namoro teve muitos altos e baixos, algumas brigas sérias que quase levaram ao término, mas a cada obstáculo superado a relação parecia voltar melhor e mais forte. Os momentos bons, felizmente, eram mais frequentes, com troca de carinhos, jantares, passeios e surpresas. Aquilo não havia amornado com a convivência, pelo contrário, a cada dia que passavam juntos eles inovavam mais e mais nos programas a dois.
Se o pedido de namoro foi um pouco conturbado, a decisão de morarem juntos não fugiu à regra. Eram duas pessoas de personalidades distintas e que, apesar de se gostarem muito, tiveram seus problemas de adaptação. Takeo era agitado e Hayato tranquilo. Um gostava de sair sem rumo para espairecer e o outro gostava de visitar os amigos e a família. O guitarrista preferia parques de diversões com os brinquedos mais radicais e o vocalista cinema com um bom lanche depois. Apesar de tudo, com todas as diferenças visíveis, eles conseguiram encontrar um ponto de equilíbrio.
O problema mais recente entre eles foi causado após o pedido de casamento. Para Hayato seria especial oficializar a relação, mas para Takeo aquilo era um pesadelo pior do que cães. Eles já moravam juntos e dividiam tudo, desde as coisas boas até as ruins. O que mudaria com a formalização da união? O argumento contrário, por sua vez, se baseava na mesma pergunta; se já faziam tudo juntos e nada mudaria depois, então por que não? Foi necessário muito tato e várias conversas até conseguirem mais uma vez entrar em consenso.
Hayato saiu para a varanda carregando duas canecas de chocolate quente, entregando uma delas a Takeo antes de sentar ao seu lado.
— Você chegou e ficou quieto hoje. Aconteceu alguma coisa? – Hayato questionou após um instante de silêncio, estranhando a quietude do namorado.
— Você estava lendo, não quis te atrapalhar. – Takeo se inclinou no banco, apoiando a cabeça no ombro do vocalista – E também estava pensando na gente durante o dia. No começo do namoro e tudo mais.
— Tem muito tempo… mas foi bom.
— Está sendo bom. – corrigiu a afirmação – Não acabou.
— Verdade. Passaria por tudo de novo?
— Claro que sim! Sem mudar nada! – Takeo encarou-o de soslaio, questionando após bebericar o chocolate – Você mudaria?
— Hmm… acho que eu mudaria alguns pontos… talvez mais confiança em você.
— Aí não seria eu se não te deixasse paranóico. – Takeo riu baixinho, pegando a mão de Hayato na sua e entrelaçando os dedos – Bom, talvez eu devesse ter pegado mais leve nas brincadeiras e não ter dado brechas para as desconfianças, mas nem sempre foi culpa minha.
— Eu sei que não foi. Seu ex teve uma participação especial nisso. O meu também causou alguma discórdia, mas o seu superou de longe.
— Fala como se vocês não estivessem se tornando amiguinhos.
— Estamos aprendendo a nos tolerar sem nos matar, só isso.
— Claro… isso inclui considerar o namorado dele como alguém da família, planejar festas de aniversário pra eles, convidar pra passar Natal e outras comemorações aqui em casa… Estou vendo como estão se tolerando.
— Você ama jogar isso na minha cara não é? – Hayato puxou-lhe a ponta da orelha, mas não estava realmente irritado. Havia aprendido a levar comentários como aquele na brincadeira.
— Na verdade eu amo tudo em você. Já te disse isso hoje?
— Hmm… ainda não.
— Então não esqueça que te amo. E muito!
— Não vou esquecer porque eu também amo demais. – e selou a promessa com um beijo leve.
— Você lembra quando começamos com isso? – Takeo questionou num murmúrio contra os lábios do namorado – De perguntar se já dissemos que nos amamos?
— Hmm… não. Imagino que aconteceu naturalmente. Ou você lembra como foi?
— O momento e a situação exatos, não. – Takeo deu de ombros, como se não fosse mesmo importante – Mas lembro de dizer algo do tipo quando te chamei pra gente morar juntos. Foi quando contei como me sentia com você.
— Ah, sim… quando você queria só me arrastar pra cama. – Hayato comentou com um sorriso de canto, arrancando um bico contrariado de Takeo.
— Mas eu ainda quero te arrastar pra cama! Todos os dias!
— Todas as noites também?
— Com certeza!
— Foi a primeira vez que nos declaramos, não foi? – Hayato comentou pensativo, lembrando então da oferta da metade do armário vazio – Você me levou pro quarto, dizendo que tinha um presente pra mim e então apontou para o guarda-roupas.
— Você deve ter pensado que eu era louco. Eu não sabia como convidar e queria fazer algo diferente. Acabou saindo aquilo.
— Foi fofo…
— Está fazendo eu me sentir um idiota com essas atitudes do passado.
— Não foi idiota. Aquilo me fez ter um pouco mais de confiança em você.
— Eu não prestava, não é? – Takeo sorriu envergonhado, suspirando fundo e negando com um aceno. Aquilo fazia parte dele. Se tivesse mudado antes, talvez não estariam juntos, dividindo um apartamento e toda uma vida – Obrigado por não ter desistido.
— Não é como se eu não tivesse errado também. Nós crescemos e melhoramos juntos. Por isso estamos aqui.
— E ainda vamos estar aqui, desse jeito, daqui vários anos.
— Pode contar comigo.
O sol começava a se pôr no horizonte, mas nenhum dos dois se moveu para acender as luzes ou sugeriu que entrassem devido ao tempo que começava a esfriar. Gostavam de ficar na varanda, apenas observando o tempo passar enquanto aproveitavam a companhia um do outro.
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