Não se vá
3 Capítulo III
Notas iniciais
Aquela mensagem ainda estava à espera de ser enviada, a barra de digitação piscava desapaixonada para Cesar. Dez minutos depois de escrevê-la, ela continuava ali. O som do EDM preenchia a solidão da casa. Ele sentia seu coração bater no ritmo da música, estava num volume considerável aos seus ouvidos, achava até que Lupin curtia o momento. Deitou de bruços enquanto vislumbrava o celular. Provavelmente Mateus estava fazendo suas obrigações como professor ou apenas vivendo sua vida normal, sem as preocupações de ter a mãe levando uma surra mais tarde do marido podre de bêbado.
— O que você acha que eu deva fazer, Lupin? – Passeou a mão no corpo gorducho da sua gata fazendo-a se espreguiçar.
Cesar sentou na cama sem saber se enviava ou não. Reescreveu a mensagem, colocou alguns emojis, retirou-os na mesma hora, achou informal demais, eles não eram íntimos a esse ponto. Por que sentia tanto nervosismo para mandar uma simples mensagem para seu professor de História? O primeiro pensamento que lhe ocorreu, ao ver a foto de perfil do professor, foi o incomodo que traria a ele. Um homem centrado em seu trabalho com certeza seria um homem centrado na vida, pelo menos era o que Cesar imaginava dele.
Mesmo ao pensar nisto, ele percebeu que não mataria ninguém, o próprio professor pediu para que o contatasse. Cesar pegou o telefone e voltou a digitar a mensagem. Resistiu à forte tentação de procurar pelo perfil dele no computador após pressionar enviar, mas não conseguiu lutar contra. Os poucos pelos de seus braços ficaram eriçados de repente, ele sentiu todo o corpo tremer ao entrar no perfil de Mateus. A mãe não mentira, ele realmente tinha namorado outro homem. Desceu pelos diversos posts sobre filmes internacionais, memes e frases motivacionais quando achou uma foto interessante. Enrolou um cacho no dedo. Seu professor e seu ex-namorado não aparentavam felizes na fotografia, ele percebeu os sorrisos falsos e a falta de brilho nos olhos como nas fotos anteriores.
Indagou qual teria sido o motivo do término. Seria algo bobo? Ou uma traição? Cesar nunca estivera em um relacionamento, não sabia por que as pessoas terminavam seus namoros ou casamentos. Observou um pouco mais a foto.
Por acaso o ex-namorado de seu professor era um rapaz muito bonito, de cabelo preto e olhos cor de mel, vestia uma jaqueta jeans por cima da camiseta branca e um cordão pendurado no pescoço. Parecia ser aqueles cordões personalizados para pôr fotos. Cesar não duvidava ter uma foto deles dois ali dentro. Achou fofo. Os olhos se demoraram um pouco em Mateus, estava de barba feita e o cabelo aparentava mais curto. Ele combinava com o cabelo curto.
O celular vibrou abaixo da sua coxa. “Olá, boa noite Cesar. Como está? Você saiu correndo hoje mais cedo.”
O que ele poderia responder? Ah, eu não podia ficar pois menti para minhas amigas dizendo que ia ao banheiro, porém fui me encontrar com você. Não!
Cesar queria que o corpo parasse de ficar alegrinho, abobado e nervoso toda vez que o professor se dirigia a ele. Repentinamente, o sorriso de Mateus veio à cabeça. Ficou estático por alguns segundos no momento em que o celular vibrara uma vez mais. “Irei te mandar o endereço. Apartamento 211.” Ele observou a expressão apavorada pela tela do telefone. O primeiro pensamento que lhe ocorreu era se estava indo longe demais? Isso não era, de algum modo, ou dos piores modos, estranho? Um aluno indo a casa de um professor. À noite.
Os dedos de Cesar voltaram às teclas e digitaram “Tudo bem!”
Ele voltou a atenção a fotografia na tela de seu computador. Viu o Cristo Redentor atrás deles dois. Aquele não deveria ser um momento feliz? Por que Cesar sentia a tensão saindo da foto e abraçando-o como uma mãe? Ficou curioso.
O endereço chegou ao seu celular. Não era longe. Podia ir a pé. Escolheu uma camiseta vinho com o seguinte dizer: Just do what you gotta do (Apenas faça o que você tem que fazer). Pegou uma calça Jogger em Sarja branca e decidiu ir com algum chinelo. Entrou debaixo do chuveiro novamente e tomou outro banho relaxante. Os pais voltariam depois da meia-noite, como sempre. Tinha tempo de sobra.
Após o banho, vestiu a roupa, trancou Lupin no quarto junto com sua tigelinha e a caixa de areia e partiu para a porta. Trancou-a, guardou a chave no bolso da frente e seguiu para a casa de seu professor.
—
Com um arrepio de excitação, refletiu que nunca havia feito isso anteriormente, contudo, ele necessitava. O suficiente para ir à casa de seu professor. Sem dúvida não se arrependeria de sua ação e esqueceria isto conforme o tempo passasse, afinal, esse era o último ano de Mateus na escola. Uma pena, pensando bem.
Não era um edifício elegante, entretanto era satisfatório. Tinha um pequeno jardim na frente, grades acinzentadas e um gramado aparado. Olhou o celular mais uma vez. Apartamento 211. Pressionou a campainha onde tinha o número gravado e ouviu a voz. Aquela voz. O dono dela. Engoliu a saliva. Por que tão nervoso?
— Ahn, sou eu! – Cesar mordeu o lábio.
— Oh, sim, sim. Pode subir.
O portão preto fez um barulho e Cesar conseguiu abri-la. Ele seguiu o jogo de escadas, o edifício não tinha um elevador e, se dispunha de um, não o achou. Ainda encostado na parede morna, ele olhou para o número na porta. 211. Pensou em voltar, era loucura. Quando fez o primeiro movimento, a porta atrás dele abriu e ele vislumbrou dos músculos de um professor sem camisa e um copo com água na mão.
— Aqui! Imagino que esteja cansado de subir todas essas escadas. – Disse, sorrindo.
Puta merda!!! Puta merda!!! Puta merda!!!
Mateus vestia apenas uma calça moletom e pantufas azuis. Claramente, nenhum pouco centrado fora do trabalho. Cesar notou que não tinha feito nenhum movimento para pegar o copo ou falou um simples obrigado para ele. Os dois ficaram num silêncio esquisito.
— É, bom, pode entrar. Fique a vontade. Deixarei o copo aqui na mesinha.
O apartamento era confortável. Tinha uma vista para o centro da cidade e podia-se observar algumas montanhas ao longe. Imaginou como seria ver o sol nascendo dali de cima. A tevê ficava ao lado da porta para a varanda, a mesa de vidro estava um pouco próxima do sofá preto, mas há uma distância considerável para uma cadeira caber ali e ainda deixar espaço para alguém passar. A cozinha era um pouco apertada.
Sentou à mesa, quieto.
— Então, você não me respondeu – Mateus gritou provavelmente do seu quarto. – Como você está?
O professor voltou vestindo uma camisa da Nike.
Ele sentiu, subitamente, a radiância daquele sorriso. Bloqueou todo e qualquer sentimento crescente em seu peito, aquilo era absurdo, o que ele estava pretendendo era irracional. É apenas uma nota, Cesar, pensou. Em contrapartida, ponderou em frações de segundos e decidiu continuar com aquilo pela mãe. Não fazia mais por ele, parara de se importar se o pai o espancaria no fim de semana. Esforçou-se pela sua mãe. Tudo por ela.
— Estou bem, não precisa se preocupar.
— Você parece muito preocupado por conta dessa nota. Tem certeza que tá tudo bem?
— Nada alarmante, professor.
— Professor? Eu já disse que você pode me chamar pelo meu nome. Bobo!
— Desculpe, é o costume.
— Obviamente. – Ele começou a preparar um café. – Como estão seus pais?
— Eles saíram para uma reunião importante na firma do meu pai. Ao que tudo indica, ele foi promovido.
— Mesmo? Uau, isso é incrível, Cesar! Ele deve ser um pai maravilhoso.
Eu não iria por esse caminho.
— Ele faz o possível. – O possível para destruir nossas vidas. — Digo que ele é mediano.
— E a sua mãe?
— Ela não trabalha. Quero dizer, não mais.
— Ah, não?
Cesar meneou a cabeça.
— Precisou se aposentar antes do tempo por conta de dois AVCs.
— Sua mãe teve...? Perdão, eu não tinha ideia.
— Não, não, tá tudo bem! – Cesar soltou uma risadinha. – Ela tá melhor agora. Eu acho.
Mateus continuou preparando o café. Ele ficava muito concentrado enquanto fazia algo na cozinha, Cesar concluiu isso de primeira, não precisou de muita convivência. Colocou duas xícaras na mesa, serviu o café com uns pãezinhos e voltaram a conversar.
— Então, eu pensei que você poderia preparar um trabalho de no mínimo 10 laudas sobre Brasil Império e Brasil República. Pode ser? Não precisa me dar todos os míseros detalhes. Destaque os pontos importantes e explique-os um pouco.
— À mão?
Mateus riu enquanto mastigava um pedaço de pão.
— Sua escolha. Fique à vontade.
Era 20h25. Cesar não tinha nada para fazer em casa, Lupin certamente estava esparramada confortavelmente em sua cama, os pais estavam em uma “reunião” e talvez saíssem dali para um restaurante caríssimo com alguns amigos da empresa. Por que não passar um pouco do tempo no apartamento do seu professor? Por que não, certo?!
— Você não quer nenhum pãozinho?
— Quero. Obrigado!
— Então, conte-me, você lê?
— Não o tempo todo, mas sim.
— Quantos livros você tem?
Cesar pensou um pouco durante a mastigação.
— Talvez uma dúzia de livros. Não sei.
— Interessante.
Mateus levantou-se e partiu para seu quarto. Voltou com os braços escondidos atrás do corpo. Cesar não era uma criança, sabia que ele trouxera um livro nas mãos. Riu por dentro e ruborizou por fora, sentiu as bochechas arderem.
— Anda lendo algum no momento?
— Não. Preciso focar nesse trabalho, que aliás, o senhor... – Pigarreou. – Digo, que você não deu uma data específica.
— Oh, verdade. Quinta, que tal? Sexta é entrega dos boletins, fica mais fácil para corrigir pela tarde e jogar sua nota no sistema.
— Combinado. Mas se, porventura, eu terminar antes do prazo, posso entregá-lo mesmo assim?
— Claro. Bom, aqui está.
Mateus pousou um livro de poesias nas mãos de Cesar. Paulo Leminski. Ele conhecia esse nome, já tinha visto essa capa na estante da Poli.
— Leia-o. Quando voltarmos das férias você me diz se curtiu. Beleza?
Meu Deus, seu professor falava beleza!
— Beleza! – Mateus sorriu e voltou a tomar seu café com leite. Ele só bebia café com leite.
O celular de Cesar vibrou na perna causando um susto duplo. Ele não entendia porque aquele telefone era tão barulhento. Mateus o olhou por cima da xícara de café com leite. Seus dedos corriam pela tela.
— Tudo bem aí?
— Ah, sim. Maxine perguntou se eu estava em casa.
— Por quê? Ela se preocupa muito com você? Alguém é apaixonado por alguém.
Mateus tentou fazer cocegas nele. Ele deixou. Aquilo era permitido?
— Para te falar a verdade – disse ele, cortando a intimidade. –, ela tem mania de azucrinar minha vida por que meus pais nunca me levam a nenhuma das festas que são convidados. É como se eles não tivessem um filho.
— Poxa, isso não é legal.
— Não, eu não me importo. Acredite!
Cesar levou outro pãozinho a boca e voltou sua atenção à vista fora do apartamento. As luzes da cidade eram de uma luminosidade perfeita. Ele gostava de viver ali, era calmo, nada demais, apenas isso.
Indesejada e espontaneamente, a capa da série Gossip Girl surgiu no amontoado de DVDs que o professor portava em seu apartamento. Ele levantou rapidamente e conteve o grito.
— O senhor... Você também gosta?
— Sim. É uma das minhas favoritas. Sempre quis ser um dos riquinhos do Upper East Side.
— Quantos anos você tem?
Mateus franziu o cenho.
— Quantos anos você acha que eu tenho, Cesar?
— Não sei. 40?
— Uau! – Mateus jogou os braços para o alto, rindo. – Eu não cheguei nem na casa dos 30, beleza? Você é muito engraçado.
— O quê? – Cesar sibilou.
— Não espalhe, mas eu tenho 28 anos.
— 28? Como...? O quê?
Ele nunca teria imaginado tão jovem.
— Por que tão surpreso? Minhas rugas não são tão aparentes assim, são? São? – De repente sua expressão mudou de brincalhão para preocupado.
— Não, não é isso. Eu sempre penso que meus professores estão acima dos 30, só isso. Desculpe!
Mateus voltou para a mesa, acabou de tomar o café e comeu o último pãozinho da cesta. Estava tão satisfeito que bocejava.
— Personagem favorito? – Perguntou Cesar.
— Chuck. Pode me julgar o quanto quiser.
— Não julgo as pessoas pelos seus personagens favoritos.
Cesar pegou sua xícara ainda com café e dirigiu-se a pia da cozinha. Despejou o que sobrara e limpou-a. Seria mal-educado se não o fizesse, certo? Olhou para o relógio no alto da parede. Quase 21h. Precisava ir, o caminho de volta era solitário. A essa altura, não seria audacioso demais pedir companhia do professor até sua casa. Eles moravam 30 minutos longe um do outro, uma caminhada faria bem.
Aposto que ele gosta de caminhadas longas, pensou, preparando-se para ir embora. Seria bom passar mais um tempo, ele é tão divertido!
Ele olha para Mateus e parece normal. Sem distância. Nada da cordialidade de antes era necessária. Seus nervos estremeceram, fazendo-o sentir um nó na garganta. Não tinha como ele ter uma paixão platônica pelo professor. Não era justo. Não era de verdade. Não podia ser real. A última vez pela qual se apaixonou por alguém fora no começo do ano por uma garota. Uma garota!
Começou a sentir uma culpa passar por toda sua epiderme. Virou-se, respirou profundamente tentando controlar o nervosismo que, de supetão, voltara. Além dele não ter atração por homens, Mateus era seu professor. De 28 anos. Malditos 12 anos de diferença, esse pensamento o deu náuseas. Por quê? O jeito como Mateus sorria para ele a cada encontro de olhares era esclarecedor como alguns flashes. Cesar sentiu-se deturpado. Aproximou-se dele.
— Onde é o banheiro, por favor?
Mateus mostrou mais uma vez aquele sorriso. Maldito sorriso!
— Vire à esquerda e siga em frente. Tudo bem?
— Claro! – Ele quase gritou. – Só preciso fazer xixi.
Tentou equiparar as batidas do coração com os passos lentos que dava em direção ao banheiro. Não estava funcionando. Fechou a porta atrás de si e expirou um pouco alto demais. Mirou seu reflexo no espelho impecável, sondou aquelas terríveis olheiras, ele só precisava de uma boa noite de sono, era isso. Era? Permaneceu em silêncio. Ligou a torneira da pia e enxaguou o rosto, molhando um pouco dos cachos. Tinha que parar. Agora mesmo!
Toc, toc.
— Cesar, tudo bem aí dentro?
Ele demorara um pouco para responder.
— Oi?
— Sim. Não há nada com o que se preocupar aqui, Mateus.
— Seu celular tocou novamente.
— Ok. Obrigado por informar.
Ele pôde ouvir Mateus resmungar baixinho da sua formalidade. Gargalhou baixo. Dando leves tapas no rosto disse a si mesmo:
— Você! Controle-se. O que você pensa que está fazendo? Esse não é você. Não faça nada de errado, por favor.
Quem sabe ele consiga superar o que quer que isso fosse. Ajustou os cachos e jogou um pouco mais de água no rosto
Levou o pano verde-escuro de seda ao rosto e abafou o grito. Na sala, Mateus assistia a algum programa de culinária, Cesar não sabia que prato era aquele, mas tinha a noção de que jamais comeria aquilo.
— Você comeria isso?
— O que seria isso?
— Sapo. Como você não reconheceu?
Nojo! Nojo! Nojo!
— Eu poderia experimentar. – O quê?
— Uau, aplaudo você. – Ele riu.
Cesar não tinha notado que ele retirara a camisa e vestia apenas um calção de bolinhas de cetim assim como a blusa que sua mãe usava no evento. A cada instante a situação só piorava no íntimo dele. Decidido, precisava evadir do apartamento. Agora!
— Bom, acho melhor eu ir andando.
— Ou correndo.
Cesar parou em frente a porta. Analisou a piada e olhou feio para Mateus clamando para que ele jamais fizesse esse tipo de piada novamente. Era um pecado. Mas ele riu de qualquer forma, tinha um fraco por piadas ruins.
Ele apreendeu o quão bom fora aqueles poucos minutos na presença de seu professor. Sentia-se bem. Permitindo-se ou não a sentir algo por ele, não podia negar o quanto se divertira aquela noite. Mateus volta a lançar um sorriso, como se Cesar fosse uma criança de 5 anos. Tudo o que ele tinha a oferecer era um sorriso amarelo.
— Quer que eu te acompanhe?
— Não é necessário. E outra, acho que você precisa planejar a sua aula de amanhã. Já pensou em qual fantasia usar?
Ele fez um estalo com a língua.
— Não tinha pensado nisto. Alguma ideia? Se eu não comparecer com alguma fantasia, os alunos pensarão que estou doente. – Ele jogou o cabelo para trás lentamente.
— Você poderia ir de Chuck Bass. Não duvido que tenha um terno no seu guarda-roupa.
— Eu tenho mesmo. E gel. Muito gel de cabelo.
Eles estavam conversando mesmo sobre aquilo? Essa total comunicação. Talvez ele pudesse sucumbir um pouco ao que sentia. Era novo. Interessante. Mas ainda sentia as náuseas só em pensar. Não seria bom para ambos. Talvez, quando Mateus for embora, isto pare. Ele precisa parar.
— Você está bem nas outras matérias?
— Estou. Acho que não me dei tão bem na sua pois já tinha me excedido demais com as outras. Não sei. Foi uma semana tumultuosa. A das provas.
— Sei bem. Algumas pessoas carecem de História. Se é que você me entende.
Cesar sorriu. Mateus sorriu. Eles estavam se entendendo.
Levou um susto quando Mateus passou o braço em frente a ele para alcançar a maçaneta da porta e abri-la. O coração perdeu o passo e ele piscou freneticamente.
— Foi um prazer recebê-lo. Espero que se esforce fazendo o trabalho, vai ser a única oportunidade. Fechado?
21h.
— Claro.
21h01.
— Ah, você não precisa ser tão formal. Beleza?
— Desculpe. São os modos.
— Agora você já sabe.
Mateus esticou o braço para um aperto de mão. Cesar não averiguou direito.
Sua visão ficou turva de uma hora para outra.
21h02.
Ele, inesperadamente, estava abraçado ao seu professor de História como se algo a mais estivesse rolando entre eles. Resignou-se ao o que tanto gostaria de ter feito a noite toda. Uma senhora observava a cena em meio ao choque.
— Cesar – Por um instante ele pensou no que tinha feito. –, o que você tá fazendo?
Era 21h03, e Cesar, sugado pela sua inépcia, teve um blackout imediato. Que porra ele acabara de fazer?
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