Não quero deixa-lo
1 Prólogo
Notas iniciais
Natal/RN – 16 de Setembro de 2016.
Odeio despedidas.
Conhecia Nicolas fazia pouco, mas já nutria sentimentos pelo rapaz — fazendo ser bastante difícil e exaustivo dizer um "adeus" de longo prazo.
Horas antes, havia mandando uma mensagem dizendo que queria me encontrar com ele, pois precisava falar algo. Ele aceitou de prontidão. O ponto de encontro foi no estacionamento de um supermercado da Zona Sul da cidade.
Quando eu cheguei lá, Nícolas estava sentado no meio-fio, sozinho, um pouco longe de onde nossos amigos estavam. Ele olhava para o lado oposto em que eu estava. Eu dava passos cautelosos. Estava nervoso e ansioso, até demais. Acenei para o pessoal que eu conhecia, dizendo que já já iria falar com eles.
— Ei, gatinho! — chamei atenção do meu garoto, quando me aproximei mais. Ele levou um susto, me fazendo rir. Sentei ao seu lado.
— Pelo amor de Jesus Cristo, não faz mais isso! — ele bateu no meu braço. — Quase me matou de susto.
Nós riamos. Aos poucos, o riso ia embora e nos encarávamos. Ele parecia me penetrar com os olhos. Eu apenas observava todo o rosto de Nicolas. Cada detalhe. Ele é lindo. Seu cabelo negro estava escondido por um boné preto. Seus olhos... Ah, seus olhos! Eu sou apaixonado pelos seus olhos escuros —acho até mesmo seus óculos um charme —, assim como eu também sou pelo seu sorriso perfeitamente alinhado.
Pus meu braço em volta de sua cintura, o trazendo mais pra perto para, assim, ele descansar sua cabeça em meu peito. Ficamos uns minutos assim, em um silêncio confortável. Ele, com os olhos fechados, sereno. Eu, tenso.
— Lucas — ele me chamou, ainda sem abrir os olhos. — O que você queria me dizer de tão importante?
Estremeci. Eu não queria deixa-lo. Não queria.
Não respondi.
Não sei quanto tempo ficamos calados, apenas aproveitando o momento só nosso. A lua crescente no céu me lembrava o seu sorriso terno. Eu não queria deixa-lo.
Inspirei. Suspirei. Inspirei. Suspirei. Inspirei.
— Eu não sei como começar — murmuro. Suspirei.
— Bom, talvez pelo começo? — ele diz num tom divertido, logo após se desfazer do meu abraço e me encarar.
— Ok, pelo começo.... — desvio o seu olhar. — Pelo começo...
Ele percebe meu nervosismo. Coloca suas mãos em uma forma de concha em torno do meu rosto, e diz:
— Ei, não precisa ficar assim. Sou eu, o Nicolas. Pode falar qualquer coisa pra mim — sorrir. Que puta sorriso lindo!
— Eu não quero deixa-lo — sussurro o meu pensamento. Ele franze o cenho, desentendido. Droga!
— Deixar? Como assim "deixar"?
— Nicolas, eu vou embora de Natal — despejo de uma vez.
Silêncio. Seu olhar era triste. Droga, mil vezes droga! Não tinha mais o brilho alegre que sempre havia em seu olhar, e a culpa era minha. Seu pedido silencioso era para que eu continuasse. Suspirei cansado.
— Minha mãe passou em um concurso em Salvador, ela vai trabalhar em uma escola lá — digo. — Não posso ficar na minha avó, porque minha irmã vai ficar lá e seria uma despesa grande. Então, irei junto com a minha mãe.
Ele assentiu. Vi que estava prendendo o choro. Ficamos em silêncio por alguns segundos que, para mim, pareciam horas. Nós olhávamos para frente, para os jovens que ali bebiam, fumavam, beijavam e se divertiam. Tão diferente da gente agora.
— Quanto tempo? — sua pergunta era quase inaudível. — Quanto tempo você vai ficar lá?
— Um ano.
— Um ano — ele repete.
Mais uma vez o silêncio predomina, o silêncio era desconfortável.
— Promete que não vai me esquecer? — perguntou com a voz embarga. Ele estava chorando, E POR MINHA CAUSA!
Sua pergunta me desarmou. Esse garoto chegou na minha vida tão rápido, e eu vou deixa-lo mais rápido ainda.
— Como iria esquecer da minha gay preferida? — respondo com outra pergunta. Ele sorri triste, e eu retribuo.
Eu o abracei novamente, do mesmo jeito de algum tempo atrás.
Eu sentia que estava deixando uma parte de mim.
Meu coração estava despedaçado.
Eu queria chorar, mas não conseguia. Ia ser forte por ele, já que estava encharcando a minha camisa com suas lágrimas.
Eu iria voltar, e, quando voltasse, eu iria ser só dele e ele só meu.
Fale com o autor