Não posso ser ela
1 Prólogo
Notas iniciais
Eu atravesso o portal da entrada do Saint Joseph School com dois meninos correndo pelo corredor.
— Evans, Morrison! – Eu digo firme e os garotos param na hora. – Sem correr, a menos que queiram uma advertência!
— Desculpe Srta Swan! – Ambos dizem a se viram para mim.
— Certo, podem ir. – eu digo e os meninos se encaminham para suas salas de aula.
Eu rumo para minha sala e sorrio quando entro. Meu pequeno paraíso.
Coloco minha bolsa e minha pasta sobe a minha mesa e começo a organizar as coisas para a minha primeira aula que será no segundo período. Enquanto vou selecionando a partitura da música do dia, alguém bate na porta.
— Srta Swan? – Angela, a secretária acadêmica e amiga, me chama.
— Oi? – Eu digo rindo.
— Vim trazer a ficha de uma aluna nova. Elizabeth Marie Cullen, 7 anos. Parece que será sua mascotinha, mas o pai implorou para colocá-la na música, ela já fazia na escola anterior. – Angela diz entrando na sala e me entregando o histórico da menina. Eu pego somente a folha referente a música.
— Hum... piano e violino. Será que temos um prodígio aqui? – Eu pergunto surpresa pela menina já está avançada nos dois instrumentos para a sua idade. – De onde ela está vindo?
— New York City. – Angela diz e hesita. – Ela é órfã de mãe há 2 anos.
Engulo seco e assinto.
— Ela está na turma de iniciantes. Tenha um bom dia, Bella! – Angela diz.
— Para você também, nos vemos no intervalo do almoço. – Eu digo e deixo a ficha da garota sobre minha mesa.
Logo o sinal do segundo período toca e eu me posiciono para receber meus alunos.
Sou Isabella Swan, 25 anos, professora de música. Morro em San Francisco, coração da Califórnia. Sou uma mulher simples e solitária. Altura mediana, magra, cabelos pouco compridos castanho-avermelhados, olhos castanhos claros. Bem comum.
A manhã foi muito produtiva, conseguimos enfim executar com perfeição a 3ª sinfonia de Beethoven na turma do terceiro período e eu estava feliz. Quando os alunos da turma iniciante foram chegando, eu retornei para a minha mesa para olhar o nome da nova aluna. Elizabeth Cullen.
Me virei para meus alunos e busquei o rosto desconhecido que eu saberia que era da nova aluna.
— Bom dia queridos! Temos uma nova coleguinha na nossa turma, Elizabeth Cullen – Eu digo e olho diretamente para a menina. Cabelos compridos num tom ruivo, olhos verdes penetrantes, mas algo nela me é muito familiar. Ela porém me encara assustada, como se estivesse vendo um fantasma. Ela fica pálida e para de respirar. – Está tudo bem?
— Mãe?! – Ela exclama e então desmaia.
— Tudo bem, crianças! – Eu digo para o pequeno alvoroço em minha sala. – George, vá na secretária e chame a Srta Webber. Mads, vá na enfermaria e chame a enfermeira Jones. Os outros sentem em seus lugares. – Eu digo, ajeitando a pequena garota de uma forma melhor no chão. Preferi não removê-la, ela pode ter se machucado, pois bateu com tudo no chão.
— Ei, Elizabeth?! – Eu a chamo com pequenos tapinhas no rosto e nada.
Logo, tanto Angela, quanto a enfermeira aparecem e eu explico rapidamente o que aconteceu. A menina é levada para a enfermaria da escola e eu tento manter a calma e prosseguir com a aula. Acabo fazendo uma atividade simples com eles pois estão muito agitados com o que houve. Quando o sinal do intervalo soa, todos saem e eu me ajeito para ir saber notícias da minha aluna nova. Angela, vem a meu encontro no corredor.
— O pai já chegou, está com ela. – Angela comenta e eu assinto. Quando chegamos na enfermaria, eu procuro pela menina, encontrando-a com seu pai em uma da macas.
— Oi, sou Isabella, sua filha desmaiou em minha aula. – Eu digo ainda me aproximando. Quando o homem se vira para mim, recebo o mesmo olhar assustado que recebi de sua filha. Que diabos está acontecendo? Porém o olhar dele muda para algo como ódio e eu travo na hora.
— Quem é você? – Ele rosna e segura a sua filha em sinal de proteção. A menina me encara ainda assustada.
— Eu disse, papai. Ela é igual! – A garota diz baixo.
— Como é possível? – Ele diz ainda me encarando abismado.
— Do que vocês estão falando? – Eu pergunto confusa. Eu não consigo entender o que eu posso ter feito para eles, eu nunca os vi na vida. Sinto Ângela ao meu lado.
— Saia imediatamente daqui! – O pai da aluna rosna para mim e eu estremeço com seu tom rude. Meus olhos enchem de lágrimas automaticamente.
— Senhor Cullen, a Srta Swan não teve culpa sobre o que aconteceu com sua filha. – Ângela tenta apaziguar, porém ao ouvir o meu sobrenome o homem muda sua expressão. A surpresa lhe atinge.
— Swan?! Isabella Marie Swan? – Ele pergunta atônito e eu assinto surpresa. – É claro que ela não me disse que você eram gêmeas!
A palavra gêmeas soa como sino na minha cabeça. Sinto uma tontura me atingir.
— Você conhece Isadora? – Eu pergunto num fio de voz. Seu olhar no meu é intenso e hipnotizante. Ele solta um riso frio.
— Eu sou viúvo dela. – Ele solta de uma vez e algo se rompe dentro de mim. Sinto minha boca secar. Eu olho para a pequena menina sentada na maca.
— Ela era a minha mamãe. – A garota diz e então uma lágrima pesada desce de meus olhos.
Morta. Minha irmã está morta.
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