Não posso ser ela
15 Capítulo 14
Notas iniciais
— Eu, hã... – A loira começa. – Trouxe algo para te entregar. Eu acredito que seja importante para você e seu pai, apesar de tudo. – ela olha nervosa para o marido. — Eu vou lá em cima buscar.
Rose e Emmett sobem, então, deixando Edward e eu sozinhos na sala. Ele sai de sua poltrona e senta-se ao meu lado. Meu corpo inteiro se alerta com a nossa proximidade. É surpreendente a forma como meu corpo responde a ele.
— Bella, posso conversar com você um instante? – Ele fala baixo e bem próximo, mas ao invés de recuar, o meu corpo faz exatamente o contrário.
— Claro, Edward. – Digo nervosa.
— Sobre o que aconteceu na sexta feira passada... – Ele começa e um comichão se forma dentro de mim – Eu gostaria de dizer que estou arrependido e que foi um erro, mas não posso fazer isso – Ele fala intenso – Eu quis tanto quanto você correspondeu.
Seu olhar é direto sobre o meu, eu fico sem palavras por um momento. Eu e ele, juntos?
— Edward, as coisas estão tão confusas. – Suspiro — Eu não sei até que ponto é seguro seguir esses desejos que estão nos rondando – Eu digo em resposta
— Então você não nega o seu desejo por mim.
— Não posso lhe mentir. E mais uma vez preciso lhe dizer, não espere atitudes de Dora em mim. Eu não sou do impulsiva. Mas confesso que me sinto completamente atraída por você. – Eu digo tentando manter a conversa no campo racional – O que não significa que eu não perceba o quão complicado é tudo isso.
— Bella, eu sei que é complicado entre nós, mas eu tenho me sentido de uma forma intensa quando estou com você, você mexe comigo demais. – Ele diz sedutor – Eu gostaria muito que pudéssemos ao menos tentar. – Ele completa – Eu não estou pensando que você seja como Dora, não mais. Mas porque não tentar entender tudo isso juntos?
— E a Tânia? – Eu pergunto fazendo-o recuar um pouco. – Liz me disse que viu vocês dois juntos algumas vezes.
— Não vou mentir, aconteceu algumas vezes. – Ele fala sem graça. – Mas acredite, é isento de sentimento ou qualquer coisa próxima do que venho sentindo em relação a você.
— Mas ela sente. E está aqui na sua casa o tempo todo. E se aconteceu antes, pode acontecer de novo. – Eu solto – Não mesmo, Edward. Eu coleciono complicações amorosas. Já encerrei isso em minha vida. Se resolva antes de vir falar sobre ‘nós dois’ comigo.
— Bella...
— Vou ver como Liz está, se me der licença. – Eu digo levantando de sopetão – Acho que agora ainda não é o momento de tentarmos algo assim, muitas feridas que ainda sangram precisam ser curadas primeiro, muitas coisas precisam ser alinhadas. E temos que pensar em Liz também. – Nós trocamos um breve olhar. Quando dou o primeiro passo, ele se levanta e segura meu braço
— Então, isso não é um não. – Ele diz bem próximo a mim. Tão próximo que se eu virar o meu rosto nossos lábios se encontram.
— Não, isso não é um não. – Eu digo virando minimamente para ele. – Mas também não é um sim. – Eu murmuro, nervosa e excitada com a proximidade real entre nós
Ele então sorve um beijo delicado de meus lábios, me deixando completamente em choque. Dura apenas um segundo e então recua, soltando meu braço.
— Fico feliz por isso. – Ele diz enquanto eu ainda absorvo as sensações que seu simples beijo causou em mim.
Me direciono para a escada, no momento em que Emmett e Rose estão descendo. A loira traz um embrulho nas mãos.
— Aqui está, Bella. – Ela diz me entregando o que parece ser um quadro e alguma outra coisa.
Eu abro o embrulho e dou de cara com um quadro lindo desenhado e pintado por Dora Cullen. Meus olhos lacrimejam quando encaro a imagem. Um homem está sentado numa cadeira antiga com uma flauta e uma menina está sentada a sua frente com um violino. Ambos sorriem um para o outro e parecem estar tocando algo alegre.
O homem veste uma roupa simples, uma camisa xadrez, um macacão jeans e sapatos. Tem olhos castanhos, redondo e gentis. Seu cabelo castanho apresenta leves fios grisalhos. A menina possui o mesmo tom castanho em seus cabelos compridos e ondulados. Ela usa um vestido florido longo e está descalça. A casa possui um assoalho de madeira firme e a luz que vem da janela é baixa, como num entardecer. Uma lágrima cai de meu olho sem pedir licença.
— Ela fez este desenho no hospital, depois de primeira sessão de quimio. – Rose fala emocionada – A princípio achei que fosse Liz e Edward num futuro sem ela... mas hoje, pelas características óbvias, eu sei que é você e o seu pai.
— Isso é uma memória – Eu digo – Minha mãe tirou essa foto, minha e de papai. Está lá no Elisa até hoje. – Eu enxugo as lágrimas e sinto a presença de Edward ali perto – É bom saber que ela nos guardou na memória ao menos. – Eu olho para a loira – Obrigada, Rose.
— De nada, é sua!
— Eu... – Me sinto perdida numa avalanche de pensamentos. Como Dora consegue nos confundir tanto? As lágrimas pinicam meus olhos – Eu preciso ir pra casa. – Eu olho para Edward.
— Bella...
— Eu ligo para a Liz, para dar boa noite... mas, eu preciso ficar sozinha agora! – Eu digo pegando minhas coisas e indo para porta.
— Espera Bella! – Edward pede, mas eu nego. Sinto a primeira lágrima cair. Ele então me abraça e eu me sinto segura ali. Um soluço me escapa. – Vem comigo.
Ele me conduz por um corredor até uma sala, seu escritório, concluo quando entro. Outro soluço escapa e um choro descontrolado se forma em mim. Ele nos senta num pequeno sofá ali e me abraça novamente. Naquele abraço, eu sinto um conforto tão assustadoramente bom que me permito desabar.
— Eu estou aqui Bella... – Ele repetia para mim e eu apenas deixo que o choro saia.
— Eu juro Edward, acredite em mim. Eu só queria entender porque ela agiu dessa forma? – Eu digo saindo um pouco do abraço dele. – Eu juro que não entendo!
— Ninguém, Bella. – Ele fala triste – Eu tinha essa ilusão de que ao vir para cá, conhecendo a família e a cidade dela, eu talvez fosse entender porque ela fez tudo o que fez.
— Oh Edward. Fiquei louco quando encontrei mais perguntas ainda... – Ele fala e me olha nos olhos – Encontrar você... exatamente como ela era quando eu a conheci foi... destruidor.
— Eu imagino. – Eu digo enquanto mais uma lágrima cai, dessa vez Edward a enxuga passando a mão em meu rosto.
— Eu criava algumas suposições sobre ela, sabe? – eu digo para ele – Tipo, quando eu fui para a universidade, eu ficava imaginando como ela devia estar se saindo nas disciplinas. Tirando desenho e história, Dora era péssima em tudo na escola. Confesso que já fiz, provas nos lugar dela para ela não perder de ano no fundamental.
Ambos rimos e ele enxuga outra lágrima em meu rosto.
— Fomo amigas em algum momento da vida e para mim, apesar de tudo o que aconteceu nos últimos momentos, eu a amava. – Eu o olho angustiada – Suspeito que continuei amando-a ainda mesmo depois de tudo... Acho que a amo até hoje. – Eu respiro fundo – Isso é muito doentio? Eu a amo e a odeio, ao mesmo tempo.
— Eu acho que o fato de vocês nunca terem se resolvido é o que te deixa confusa entre amá-la e odiá-la. – Ele fala e pega em minha mão – Acredite, eu sei bem o que é isso.
Eu encaro os olhos verdes de Edward. Brilhantes como duas joias.
— Você a ama ou a odeia? – Eu pergunto a ele. Nossa conexão visual se intensifica e fico na expectativa da resposta dele. A sensação é que o que ele disser pode mudar qualquer coisa possível entre nós.
— Não posso odiar a Dora que colocou Liz para mim no mundo. – Ele fala sem nem piscar – Mas odeio a que me enganou.
— Entendo – Eu digo absorvendo sua resposta.
— Entende mesmo, Bella? – Ele fala e seu tom é intenso. Me sinta totalmente desconcertada com a mudança.
— O que você quer dizer com isso?
— Eu me apaixonei por uma Dora... que não era bem ela mesma. – Ele se aproxima um pouco mais – Que era ela tentando ser outra pessoa, que agora sabemos que é você – Ele se aproxima um pouco mais e eu fico hipnotizada com os seus lábios tão perto dos meus. – Ou seja, eu me apaixonei por Dora, quando ela fingia ser você... então eu me apaixonei por...
— Eu não acho que funcione dessa forma, Edward – Eu digo lentamente ainda sob o efeito da proximidade dele. – Ela pode não ter sido exatamente como eu sou... talvez algumas características, mas não acredito que tenha sido igual. Ninguém consegue ser igual a ninguém.
— De fato – Ele fala devagar – E eu acho que ela realmente não conseguiu ser totalmente igual a você – Ele para a uma distância de 10 cm de mim, de forma que eu sinto seu hálito quente bater em meu rosto – Você é incrivelmente – Ah Edward, por favor, não fale que sou melhor...— Única.
Isso, Edward!
O beijo é fulminante. Nossas bocas se encontram e se fundem de maneira obscenamente lenta e intensa. Sabe câmera lenta? Bem isso. Meus olhos molhados derramam ainda mais uma lagrima cada um quando eu os fecho, mas a angustia e a tristeza que eu estava sentindo dão lugar a outras emoções. Excitação, expectativa, surpresa e até pertencimento me tomam. Parece tão certo para mim que estejamos unidos dessa forma. A língua dele me invade novamente e eu perco o fôlego. Nem em mil anos eu poderia ter experimentado um beijo como o de Edward. A sua boca é o meu perfeito paraíso.
Minha mão adentra o espaço da lateral de seu corpo, indo pra as suas costas e a outra vai para o seu pescoço. As dele migram, uma para o meu rosto e a outra para minha cintura. Meu corpo, automaticamente, se arqueia para se oferecer mais a ele e o corpo dele me acolhe. Seu calor me atinge e me deixa ainda mais quente e excitada. Quando penso que não posso aguentar mais um segundo sequer sem respirar, Edward diminui o nosso beijo e o escorrega de minha boca, passando a descer pelo meu queixo. Eu arfo num murmúrio e ele prossegue sua tortura pela linha da minha mandíbula até o meu pescoço.
— Oh... – Um suspiro me escapa e o som ecoa no ambiente silencioso, tornando tudo ainda mais real e cru.
Eu, ele... nós? Seria possível?
Sua mão desliza de minha cintura para as minhas costas e eu uso as minhas para me agarrar nele pelos ombros. Ele chega até meu pescoço se aconchega ali, finalizando tudo com um abraço. Aspiro seu cheiro e me permito mergulhar ali.
— Eu quero você, Bella. – Ele fala em meu ouvido. – Eu sei que você não é uma cópia dela. E por favor, não seja.
Eu me afasto um pouco para poder encará-lo.
— Foi-se o tempo em que eu desejei ser ela. – Eu digo e ele sorri – Agora, Edward, por favor, não me machuque. – Eu digo sincera e ele assente.
Ambos sorrimos um para o outro, como se este fosse o momento em que, de fato, nos conhecêssemos. E talvez, realmente seja.
Quem é que vai saber?
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