Não posso estar contigo
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Folha do diário de Eren [...]
Saudade dele, apenas dele, do cheiro de chá preto nas suas vestes e o aroma limpo que impregna na pele pálida todas as manhãs, antes dos treinos, sua voz às vezes preguiçosa mandando-me ordens, eu, obedecia prontamente à sua disposição; sempre admirado com o poder dele, como eu amava-o sem encenar qualquer peça, sem mentiras.
Era março. Eu lembro, o calor parecia ser mais quente naquele ano, durante este tempo a tropa parecia calma, que o medo nem de longe nos atingia, quem teria? Certo que nem um mal nos consumissem, sorrimos uns para os outros, Hanji contava seus experimentos loucos, o resto simulava querer entender, e o capitão Levi me olhava enquanto mexia seus lábios para a doida dos titãs ficar na sua, a Petra riu com algum comentário de Auruo sobre seu casamento com ele, Ed e Gunter se olhavam numa conversa qualquer. Era uma lembrança feliz daquele pessoal todo do Esquadrão Levi, uma boa lembrança, das poucas que eu ainda compartilho comigo mesmo.
Sinto a água bater nos meus pés, me arrepio, eu segurei com carinho seu emblema guardado no fundo dos meus sonhos. Não tinha mais seu cheiro, sentei ali mesmo ouvindo o som das ondas no silêncio, lágrimas doloridas vieram, entretanto, as lembranças estavam distantes e perdidas.
Eu não conseguia, perdi tudo. Mesmo que eu esteja livre agora, o meu coração estava preso contigo; amarrado, amordaçado, solitário.
A água bateu nas minhas pernas, Mikasa ficaria zangada, mas o que eu faria agora?
Não faria nada,
“Viva pirralho idiota”.
“Não sem você”.
“Eu te chamarei quando for...a sua hora”.
Eu não quero! Estou com saudades dele, que parece que a minha vida não faz muito sentido. Nem a comida parecia me satisfazer, eu era uma sombra oca sem mais aquela alegria contagiante, os sorrisos fáceis, a sua queda não só deixou um nada no meu peito, levou para longe a minha alma junto dele.
Meu corpo molhado entrava aos poucos no mar, no infinito, meus joelhos submergiram no azul-esverdeado entre as ondas que me lançavam para o fundo do mar me puxando, assim, no frio da morte.
Fechei meus olhos, mas algo me puxou pela mão, me arrastou para a areia da praia com força. Meus olhos ardiam, provavelmente era Mikasa entrando no meu caminho, eu escutava sua voz ao longe, até eu abri-los deitado, não jogado, uma pessoa estava no meu lado.
“Eu disse para viver pirralho idiota”.
Lembro de ter chorado, ele havia sumido, me deixado um Cravo Riscado na areia branca. Eu segurei-o com carinho cheirando seu perfume, eu agora me sentia quente, não pelo sol tímido, mas pelo estranho calor que me envolvia.
Uma tentativa de suicídio. Que deixei para trás, deixei para o distante, como agora, neste momento, deitado olho para o meu lado, descansava ali a última pétala da flor que me salvou. Não importava mais, eu vivi bem, ri com a nova geração, ensinei, agora, descanso com o fôlego fraco.
Adormeci e sonhei.
Leve como as asas de um pássaro.
Voei para os braços da pessoa que mais amei.
“Eu disse que eu viria te pegar”.
Ele estava lindo, como se tivesse parado no tempo. Eu olhei para meus braços, velhos e enrugados. Eu não era mais um pirralho, eu era um velho que havia adoecido com a idade.
Ele estendeu sua mão.
“Vamos soldado, venha descobrir mais sobre a vida”.
Levi era, e sempre será aquele que amei…
[...]
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