Não pare a Música

23 Capítulo 23 - Permissão


Notas iniciais
Olha eu postando na quarta-feira! E hoje é aniversário do Narutinho! Podemos dizer que ele ganhou um presentinho aqui ho ho ho

Ino lavou o rosto. Saiu do banheiro com a cabeça erguida e o sorriso de sempre no rosto enquanto via Gaara cercado pelas mesmas modelos de antes. Ele mantinha os braços cruzados, indiferente, apesar do franzir do cenho revelar sua irritação. Quando a notou ali, dispensou com educação e aparente calma as modelos e se aproximou.

— Você é popular — brincou, e Gaara suspirou sem saber responder. — Tá tudo bem? Digo, elas saberem.

—Sim. A única pessoa com quem eu me preocuparia é Konan e, como a foto deixa claro que não estamos aqui nem trabalhando, não vejo porque teria problemas. E para você? Elas conseguem ser um pouco…

— Intrometidas e desagradáveis — Ino completou. — Mas estou bem.

— Fico feliz por isso. — Gaara sorriu com carinho. — Konan me mandou uma mensagem falando que a reunião dela acabará em breve.

— Alguma ideia do que estão falando?

— Pela falta de palavrões na mensagem de Konan, acho que estamos indo bem — tranquilizou-a e estendeu a mão. — Quer ver os outros ensaios?

— Podemos?

— Basta não atrapalharmos — Gaara garantiu, e Ino sorriu ao dar a mão a ele e se permitir fingir que estava tudo bem.

Mas não estava… Konohamaru já sabia que as fofocas começariam assim que recebeu a foto de Gaara com Ino. Na hora, estava terminando uma sessão de fotos com Hanabi, ela sorria pela pausa do trabalho e conversava com ele animadamente até pegar o celular e checar as mensagens. O sorriso morreu, e os olhos perolados se umedeceram de forma tão rápida que Konohamaru sentou-se logo ao lado dela, atrapalhando-se ao buscar na bolsa um daqueles lencinhos de papel para oferecer. Acabou derrubando metade de seus pertences no chão antes de conseguir achar o lenço, mas pelo menos Hanabi sorriu no processo.

Ela aceitou o lenço e sorriu amarga.

— Eu sei, é idiota, ele já me dispensou, sei disso — ela falou baixo e secou os olhos tentando não borrar a maquiagem.

— Não é idiota — tentou consolá-la.

— Ele nem quis me dar uma chance….

— Gaara não gosta de iludir as pessoas — Konohamaru explicou e quis se bater no mesmo instante. — Quero dizer, ele não gosta de magoar as pessoas e ele sabia que… ah…

— Eu sei. — Ela sorriu, triste, e a voz alternou entre ironia e admiração ao prosseguir. — Ele é gentil demais para isso. Obrigada pelo lenço, a gente continua daqui a pouco?

— Sim, sim, estamos adiantado. A equipe de maquiagem via ter que fazer uma nova, pode tirar essa e vestir algo mais confortável se quiser.

— Obrigada. — Hanabi sorriu e, antes de se afastar, virou-se para Konohamaru uma última vez. — Você também joga? — perguntou, apontando para o chaveiro de um personagem de um jogo de videogame no chão.

— Sim, sou meio que… viciado. — Konohamaru riu sem graça, e Hanabi assentiu.

— Me adiciona para jogarmos um dia, adoro esse jogo. Meu usuário é @byakugan, com “y” e “k”.

Konohamaru abriu a boca, sem conseguir achar um modo de disfarçar a surpresa ou deixar o estado de choque. Concordou com entusiasmo e se levantou com o celular nas mãos para digitar rápido o usuário de Hanabi e mostrar a ela para confirmar se estava correto. Ele que não perderia a chance de adicioná-la por errar o nome de usuário, né?

— Isso. Posso? — ela perguntou ao pedir o celular, e ele não hesitou ao entregar. — Aqui, anotei meu número, me manda uma mensagem quando quiser jogar. Só não posso muito tarde porque minha irmã é bem rígida com minhas horas de sono e estudos.

— Claro! Vou mandar sim! Vou mandar com certeza! — Ele sorriu animado. — Vou avisar assim que for jogar! Pode deixar!

Hanabi riu.

— Até daqui a pouco. Eu vou ouvir um pouco de música e comer algo.

Konohamaru concordou, e Hanabi foi direto para o camarim tirar de vez aquela maquiagem e as roupas caras. Colocou os fones de ouvido e se sentou na área de lazer com os olhos fechados. Sabia que comentariam, que ela estaria na boca daqueles malditos vermes chatos que não sabiam cuidar da própria vida, mas também sabia que não tinha nada que pudesse fazer.

Quando Ino chegou e se sentou ao seu lado, quando os olhos azuis a encaram preocupados perguntando sobre seu bem-estar, não conseguiu nem mesmo sentir raiva. Que culpa ela tinha afinal? E, pelo modo como a observava, pela preocupação em seu toque e voz, ela nem devia saber sobre o fora que Gaara tinha lhe dado, ela não estava ali para debochar de dela ou para ser cruel como Hanabi tinha certeza que muitas modelos ali seriam. E, por isso, não conseguiu negar o convite para o almoço, embora devesse, duvidava que conseguisse manter qualquer coisa no estômago no estado que estava.

Comeu as barras de cereal que levava na bolsa e comprou outras duas de chocolate, estava triste, merecia aquele mimo e não seriam as palavras de Sasori que a fariam deixar de comer! Ignorou os olhares e os comentários, fingiu que não notou Sasori à distância com seu olhar superior, o fone de ouvido criava uma bolha de proteção temporária muito eficiente, e voltar depois para a nova sessão de fotos a distraiu, ainda mais com Konohamaru se esforçando para que se sentisse bem.

Talvez devesse tirar férias, conversar com a irmã para pedir uma pausa daquele mundo. Sabia que seria difícil, quase impossível, havia acabado de renovar o contrato, duvidava que pudesse fazer algo do tipo em tão pouco tempo.

Viu Ino e Gaara passarem ao longe em direção às salas de reunião. Ele sorria de leve, de uma forma que Hanabi quase assumiria não ter visto ali dentro da agência, o modo como observava Ino enquanto conversavam era romântico, como ela havia tanto desejado que ele a olhasse. Triste, mas só restava agradecer ao fato de que não teria que trabalhar com Gaara de novo tão cedo. Desviou o olhar quando percebeu que Ino a tinha notado e voltou a ouvir as instruções de Konohamaru.

— Algum problema? — Gaara estranhou quando Ino parou de falar.

— Não, nada — ela desconversou e continuou a andar. — Konan não deu nenhuma dica do que foi dito?

Ele sorriu com a ansiedade dela e foi automático segurar-lhe a mão enquanto andavam para tentar transmitir alguma segurança.

— Só saberemos agora na reunião, já te disse isso.

— Eu sei, mas… Ah! Não custava nada mandar um “ele amou, venham aqui” ou um “fudeu, já na minha sala” — resmungou, e Gaara balançou a cabeça sem acreditar. — Se eu fosse cardíaca, poderia estar passando mal nesse momento, ok?

— Fico muito feliz que não seja então — Gaara devolveu sorrindo ao pararem diante da porta da sala de Konan. — Quer fazer as honras?

Ino bufou e jogou o cabelo para trás ao bater na porta, os olhos azuis espiaram a sala já que as paredes resumiam-se a um vidro transparente e lhe permitiam ver Konan sentada atrás da mesa.

— Podem entrar.

Ino respirou fundo e olhou para Gaara.

— Seja o que Deus quiser.

* * *

Sasuke talvez não devesse ter aceitado aquilo. Teria prova na semana seguinte, então, onde é que estava com a cabeça para concordar com Naruto quando ele propusera ir à uma feira gastronômica na cidade vizinha? Bem, esse era o problema talvez, já tinha ele próprio feito o diagnóstico de que, com Naruto por perto, a última coisa que usava era a razão. Esticou o braço para desligar o despertador e resmungou quando os braços de Naruto o apertaram ainda mais, puxando-o de forma que o outro se aproveitasse para repousar a cabeça na curva de seu pescoço e entrelaçar as pernas às suas.

— Dobe, solta — resmungou, e teve que fechar os olhos e conter o suspiro quando sentiu Naruto beijar sua pele enquanto respondia alguma coisa incompreensível. — Preciso treinar, me solta…

Naruto abriu os olhos e piscou confuso, esticou-se para pegar o celular de Sasuke, sorrindo zombeteiro e sonolento ao ficar sobre ele no processo.

— Você é pesado, sabia? — Sasuke reclamou, a escuridão impedindo que o rubor fosse visto.

Naruto sorriu e voltou à posição de antes para então arregalar os olhos para o horário no celular.

— Sasuke, são cinco da manhã! A gente só tem que sair daqui umas oito…

— Ninguém ta mandando você levantar junto — Sasuke respondeu, conseguindo escapar de Naruto e sentando-se na cama.

Naruto coçou os olhos e bocejou. Viu Sasuke se espreguiçar com as braços esticados ao alto e não resistiu em se ajoelhar atrás dele e abraçá-lo.

— Teme, descansa mais um pouco comigo — resmungou esfregando o rosto contra o ombro dele e estava próximo o suficiente para ver nos olhos escuros que aquela era uma batalha perdida. — Por que precisa levantar tão cedo?

— Treinar — Sasuke respondeu, e Naruto o soltou pelo susto.

— Treinar? Às cinco da manhã? Por quê?

— Porque sim. Pode continuar dormindo, eu te acordo às seis e meia.

Naruto bagunçou o cabelo e passou a mão pelo rosto, frustrado e sem entender, mas a curiosidade o fez se levantar e seguir Sasuke até o banheiro. Cruzou os braços apoiado no batente enquanto Sasuke lavava o rosto e usava a escova de dentes que tinham comprado no dia anterior quando, depois de muita insistência, conseguira convencê-lo a ir para sua casa. Queria comemorar, havia conseguido seu lugar junto à orquestra durante os espetáculos e Sasuke não tinha mais que se preocupar com as audições, queria celebrar aquilo e, por isso, havia persistido tanto ao convidar Sasuke para jantar na noite anterior. Além disso, queria levá-lo a um lugar diferente naquele sábado, algo lhe dizia que Sasuke precisava se distrair e não seria ele a recusar um tempo a mais com o bailarino.

Observou-o escovar os dentes com os olhos fechados e sorriu ao reparar que ele estava na ponta dos pés. Aproximou-se, apoiando as mãos nos quadris dele enquanto lhe beijava a nuca e o via perder o equilíbrio. Sasuke cuspiu na pia, e Naruto achou adorável como ele tentava parecer irritado com pasta nos lábios.

— Por que você vive beijando o meu pescoço? — ele perguntou, e Naruto sorriu pelo vermelho que cobria as bochechas dele.

— Você gosta — Naruto respondeu, como se fosse óbvio. — E eu acho delicioso — completou com um sorriso de canto, os olhos azuis presos ao reflexo de Sasuke no espelho enquanto o nariz agora percorria com lentidão o pescoço de Sasuke. — Sem contar que eu gosto do cheiro da sua pele… eu preferiria morder, mas n-

— Ok, eu já entendi! — Sasuke arregalou os olhos e voltou a escovar os dentes evitando olhar o espelho e ter que encarar o sorriso que ele tinha certeza que Naruto lhe direcionava.

Ergueu-se de novo na ponta dos pés, e Naruto apoiou o rosto em suas costas, a respiração calma denunciando o sono e, pelo modo que os braços estavam relaxados ao redor de seu corpo, Sasuke não duvidava que o outro acabasse dormindo de pé mesmo naquela posição. Terminou de escovar os dentes e lavou o rosto de novo, Naruto bocejou alto e não o seguiu ao sair do banheiro. Pegou o celular e o fone de dentro da mochila e foi para a sala. Retirou a camiseta e a deixou dobrada sobre o sofá, havia espaço para que se movesse sem esbarrar em nada nem quebrar alguma coisa e, assim, apenas colocou os fones no ouvido e colocou o celular no bolso fundo da calça de moletom.

Já terminava o alongamento quando Naruto apareceu na sala. Os cabelos loiros mais bagunçados que antes entregavam a Sasuke que ele tinha cochilado naqueles quinze minutos, e era engraçada a expressão inconformada que Naruto ostentava em sua face, uma mistura de incredulidade e revolta, mas sem estar de fato irritado. Viu-o ir para a cozinha, ligar a cafeteira e fechar os olhos com os braços cruzados enquanto aguardava, e Sasuke deixou um sorriso divertido escapar quando Naruto caiu no sono outra vez daquela forma, a cabeça pendendo para frente e então para o lado.

Teimoso. Havia dito que ele poderia continuar a dormir, não havia necessidade de se levantar. Terminou o aquecimento. Sentado no chão, aproveitou para esticar a perna e subir a barra da calça até revelar o joelho para analisá-lo. Não doía nem estava inchado, não havia sinal algum de lesão nem desconforto, tocou e massageou a área apenas para ter certeza e, quando ergueu o rosto, deparou-se com o olhar analítico de Naruto, o cenho franzido e duas xícaras em mãos.

Pausou a música e tirou os fones. Naruto lhe estendeu a xícara preta, e Sasuke o viu assoprar o próprio café e sentar-se no sofá. Evitava tomar café de manhã, mas não faria essa desfeita; além disso, o aroma estava delicioso, e, pela expressão de satisfação de Naruto ao bebericá-lo, sentiu-se tentado a experimentar.

— Obrigado — agradeceu.

Naruto cruzou as pernas em cima do sofá e viu o bailarino beber o café. Terminou o seu e deixou a xícara no chão, ignorando o olhar reprovador de Sasuke e indo sentar-se no chão de frente para ele.

— O que houve com sua perna? — Naruto questionou, e as mãos já sabiam de sua vontade e não tardaram a tocar o joelho de Sasuke em uma rápida inspeção.

— Nada — Sasuke respondeu, e Naruto não pareceu satisfeito.

— Dói?

— Não.

— Doía? — Naruto corrigiu a pergunta, e Sasuke estalou a língua no céu da boca.

— Redução de cartilagem, mas já fui no médico e está tudo bem. Medicado e sob acompanhamento e instruções já.

— E você tá obedecendo essas instruções, Teme? — Naruto sorriu divertido, e Sasuke estreitou o olhar preferindo não responder. — Posso fazer uma massagem se quiser. Sou ótimo nisso! Lembra quando teve cãibra?

Ah, sim, Sasuke lembrava… e por isso mesmo negou:

— Não precisa, estou bem, já disse.

— Uma passagem não vai te fazer mal, sabia? Vamos, Teme, pode até ajudar no seu treino! Com os músculos tensos e cheios de nós, você dificilmente vai conseguir treinar direito, não ter um bom aproveitamento — Naruto falou, ciente de que sabia onde apertar para fazer Sasuke ceder. — E… ainda mais agora, depois das audições, você exigiu demais do seu corpo. Aposto que está todo travado.

— Não estou, não — Sasuke rebateu de imediato.

— Tá sim.

— Não, não to.

— Sasuke, eu apertei suas costas todas ontem, se não se lembra. — Naruto sorriu sem conseguir impedir que o sorriso entregasse o quanto havia gostado de quando Sasuke o tinha prensado contra as paredes do apartamento. — Se tem algo que posso afirmar com certeza, é que você está sim tenso.

— Você não vai desistir, não é?

— Já me viu desistindo de algo?

Sasuke suspirou e olhou o relógio. Era mais fácil concordar com Naruto e assim terminar logo com aquilo do que gastar todo o seu tempo discutindo.

— Tá, mas seja rápido.

— Perfeito! — Naruto sorriu abertamente. — Vou pegar creme, pode deitar no sofá!

Sasuke observou com tédio enquanto Naruto corria para o quarto. Pegou as xícaras vazias de café e as levou até a cozinha. Aproveitou para beber um copo d’água antes de voltar à sala e deitar-se no sofá com o celular na mão, ajeitou as almofadas sob a cabeça e bocejou. Havia uma mensagem de Shikamaru e outra de Neji, mas decidiu ler depois quando Naruto apareceu. Nem era como se ele estivesse morrendo de sono segundos antes… como Naruto conseguia ser tão animado? Ainda mais àquela hora?

— Sabe fazer isso? — perguntou quando Naruto se sentou no sofá perto de suas pernas.

— Sim! Meu pai aprendeu quando perdeu uma aposta com minha mãe e acabou me matriculando junto dele no curso para “surpreender as namoradinhas” — respondeu rindo, e Sasuke deixou que ele subisse sua calça até as coxas onde o tecido permitia.

— Eles sabem que você é gay?

— Eu sou bi, mas sim, eles sabem — respondeu derramando uma quantidade considerável de creme nas mãos. — E você?

— Eu? — Sasuke perguntou e sentiu o gelado do creme deslizar de seu tornozelo até um pouco acima do joelho.

— Seus pais sabem?

— Não moro com meus pais, não falo com eles faz um bom tempo para ser sincero. Sai de casa faz alguns anos já.

— Mora com seu tio, não é? Lembro de Sakura e Neji terem dito algo assim. Moram só vocês dois?

Sasuke suspirou com a pressão das mãos de Naruto em sua panturrilha.

— Não. Moro com ele e com Mito e Hashirama. São os sócios e os companheiros dele. E, antes que pergunte, sim, o relacionamento dos três funciona muito bem há anos.

Naruto riu.

— Eu não ia perguntar, mas, considerando isso, você não deve ter problemas em casa pela sua orientação, certo?

Sasuke fechou os olhos, as mãos de Naruto definitivamente sabiam o que faziam e agora chegavam ao seu joelho, os dedos analisando bem o local e movendo sua perna para sentir o movimento da articulação.

— Não sei — respondeu por fim. — Imagino que eles saibam, mas nunca falei com todas as letras. Não por medo ou qualquer coisa, mas não acho que seja da conta deles com quem eu saio. Eles sabem que namorei um homem e também sabem que uma ou outra vez com mulheres, então devem ter uma boa noção disso.

— Você não é muito de falar sobre sua vida.

— Falo quando é conveniente. Se Madara me perguntasse diretamente isso, eu responderia, mas ele é meu tio, me conhece, e é bastante inteligente e atento, ele sabe a resposta com certeza. E, além disso.. ai… aí dói…

Naruto viu Sasuke abrir os olhos e diminuiu a pressão que aplicava, mudou de perna e ouviu o suspiro de agrado que Sasuke não conseguiu ao começar os toques.

— Posso perguntar por que não tem mais contato com seus pais?

— Se eu disser não, você vai esquecer o assunto? — Sasuke ironizou.

— Sim, quer dizer, por enquanto. — Naruto riu sem graça, e Sasuke apoiou-se nos cotovelos enquanto via as mãos dele massagearem seu tornozelo. — É capaz que eu te pergunte de novo mais pra frente, já que pelo visto você não é de contar sua vida espontaneamente. E eu quero te conhecer, então muito provável que eu pergunte.

Sasuke riu anasalado.

— Meu pai me expulsou de casa quando descobriu que eu usava o dinheiro dele nas aulas de ballet em vez de artes marciais. Ele gritou que, enquanto eu morasse sob o teto dele, teria que seguir suas regras e que ele não criaria um viadinho. Desde então moro com Madara, o que é muito melhor. Minha vida seria outra se eu tivesse ido morar com ele desde sempre, mas meus pais nunca o acharam uma boa influência.

— Por causa do relacionamento dele?

— Ah, não só isso… — Sasuke sorriu. — Meu tio é… como posso descrever… ele não segue regras, ele cria, entende? Se você disser que ele não pode fazer algo, ele fará só por teimosia, ganhou duas tatuagens assim. E Madara é… radical em alguns pontos, ele não mede esforços para defender o que acredita nem as pessoas próximas, vai passar por cima de quem for para alcançar o que quer, e isso inclui medidas que muita gente desaprova.

— Em outras palavras, ele consegue ser mais teimoso que você? — Naruto provocou, e Sasuke o olhou enfadado. — O importante é que você parece se dar bem com ele.

— Somos parecidos.

— Não duvido — Naruto sorriu. — Dói? — perguntou quando sentiu Sasuke retrair a perna.

— Um pouco.

— Vou apertar um pouco mais forte. Me avise se for insuportável.

Sasuke concordou. As mãos de Naruto estavam quentes, a despeito do creme, deslizavam por sua pele com facilidade, e os dedos moviam os músculos, percorriam sua extensão e o faziam suspirar em deleite toda vez que lhe davam a impressão de desobstruir alguma coisa em si. A pele de Naruto era mais escura que a sua, criava um contraste toda vez que se aproximava, os toques eram firmes, sem hesitar, e havia uma combinação agradável de cuidado e força quando as mãos se arrastavam por seu corpo. Sentiu a boca secar enquanto observava, seu coração até então calmo tinha acelerado gradativamente, e tentou disfarçar ao voltar a deitar, encarando o teto.

— Dói, Sasuke?

Não… não doía, era bom, bom demais…

— Não.

— Mesmo?

Engoliu em seco e respirou fundo.

— Mesmo, Usuratonkachi.

— Isso é ótimo. Vire-se, deixa eu dar um jeito nas suas costas agora.

Sasuke respirou aliviado, não teria que encarar Naruto naquela posição e poderia apenas manter os olhos fechados no processo. Girou, ajeitou as almofadas sob a cabeça e arqueou a sobrancelha para Naruto quando o sentiu se sentar sobre seu quadril.

— Relaxa a cabeça, Teme, e braços ao lado do corpo — Naruto respondeu, como se não tivesse se dado conta da situação. — Ta sentindo dor em algum lugar?

— Não.

— Ok. O gelado é do creme, tá? Então, não tem contato com seus pais desde os dezoito?

— Por aí… mas nunca fomos muito próximos.

— Por quê não?

— Eu tinha um irmão mais velho, não me lembro dele. Ele morreu quando eu ainda era muito pequeno, quando eu tinha dois anos se não me engano. Ele tinha oito na época, era o orgulho dos meus pais, sabe? Mas ele tinha problemas respiratórios e um dia pegou uma febre na escola. Meus pais fizeram de tudo, mas ele não sobreviveu. Meu tio diz que meus pais mudaram depois disso, que me criaram diferente, que não souberam lidar com a morte de Itachi. E é por isso que Madara sempre foi presente na minha vida, ele teve que ajudar. — Fechou os olhos e sentiu Naruto começar a deslizar as mãos por seus ombros. — Pelo que Mito me falou, eu era muito apegado a Itachi, ele passava o dia todo comigo e, quando morreu, eu não parava de chorar. Meus pais não tinham paciência, não tinham cabeça para cuidar de uma criança durante o luto. Eu ficava alternando entre minha casa e a de Madara. Sempre que meus pais não se sentiam bem para “me aturar”, eles davam um jeito de me fazer ir dormir na casa do meu tio, como se eu só estivesse indo visitar um parente, mas eu sempre soube que não era só isso. Meu pai me matriculou em artes marciais como havia feito com Itachi, e meu irmão era um prodígio pelo que soube, tem fotos até hoje dele com quimono e tudo mais. Só que eu odiava aquilo… E então deu no que deu.

— Não é justo descontar em uma criança as próprias dores — Naruto falou baixo, sentia-se incomodado pelo tom conformado com que Sasuke falava e não poder encará-lo enquanto o ouvia contar algo tão pessoal o deixava mais preocupado.

— Não acho que eles tenham feito por mal. Foram uns filhos da puta? Foram, mas pelo menos eu não preciso mais olhar para a cara de nenhum deles mais, e nem vou. Mito sempre agiu como uma mãe para mim, Hashirama surge para conciliar tudo e dar uns conselhos de vez em quando, e Madara nunca me deixou faltar qualquer coisa, me apoiou no ballet e em tudo que quis fazer. Não tenho porque ficar lamentando não ter na minha vida pessoas que não quiseram o meu bem quando estou melhor com aquelas que sei que se importam comigo. Para mim, meus pais servem apenas para preencher o espaço em branco na carteira de identidade. E já acho isso muito, eu os apagaria até dos documentos se pudesse.

Naruto não soube responder, a voz de Sasuke soava tão verdadeira que isso o desconcertou. Era impossível não se imaginar em situação semelhante, e só a ideia o fazia sentir-se mal. Não sabia como seria sua vida se não tivesse o apoio dos pais, um mundo sem a imagem protetora de sua mãe gritando com qualquer um que lhe fizesse mal era algo até… irreal. E sua mãe tinha o gênio forte… lembrava-se dela em cada reunião do colégio, de todas as vezes que ela falava tão mal dos garotos que implicavam consigo que seu pai tinha que interferir e implorar que não seguisse à risca os conselhos de sua mãe. Era triste saber que experiências do tipo tinham sido negadas ao outro.

— Família é complicado — sussurrou por fim. — Meu vô não aceita minha sexualidade. No último jantar, minha mãe gritou à mesa e mandou meu pai resolver isso. Eles conversaram e parece que meu vô jurou nunca mais pisar na nossa casa enquanto eu não tomasse jeito e virasse homem. E eu sei que parte da família concorda com ele e não vai mudar de ideia tão cedo. Mas acho que posso dizer que, por um lado, temos sorte.

— Sorte? — Sasuke abriu os olhos e o espiou sobre o ombro.

— Você teve seus tios por perto e agora mora com eles. Eu tive meus pais me defendendo até mesmo dos próprios pais e irmãos. Vendo pelo lado positivo, temos pessoas do nosso lado. Isso é mais do que muitos têm. Então, acho que podemos dizer que temos sorte. Você vai dormir se eu colocar música?

— Não.

Naruto pegou o celular do bolso e selecionou a música, deixando o telefone no braço do sofá sobre a cabeça de Sasuke.

— Ok, respira fundo — Naruto sussurrou, e Sasuke obedeceu, sentindo as mãos de Naruto afundarem no ápice de suas costas.

Doía, era capaz de sentir os dedos de Naruto encontrando e desfazendo os nós em seus músculos. Não continha os suspiros, nem disfarçava o quanto aquilo era bom. Os toques eram sequenciais, havia uma ordem e um ritmo próprio. De cima para baixo, do profundo ao superficial, seguindo a delimitação de seus músculos e repetindo ao menos três vezes em cada posição.

— Respira — Naruto pediu, e Sasuke inspirou profundamente, soltando o ar em surpresa e deleite quando sentiu o desconforto sob sua escápula desaparecer deixando uma sensação de alívio e prazer para trás. Naruto riu. — E ainda tem a cara de pau de me dizer que não estava tenso.

Sasuke não respondeu. Havia um perigo naquilo, um que ele notava conforme as mãos de Naruto desciam por suas costas. Fechou os olhos, no intuito de se concentrar na música e se fazer esquecer do atritar do quadril de Naruto contra o seu e dos toques em sua pele.

Não havia resistência às mãos de Naruto, tinha percebido que suas costas recebiam bem o modo como era tocado, tão bem que o permitiam analisar detalhes que, durante os momentos de afobação em que se agarravam como na noite anterior, passavam despercebidos. As mãos dele se encaixam com perfeição sob suas escápulas, o polegar contornava a borda tirando um longo suspiro de seus lábios, mas foi o chegar em sua cintura que o fez ficar apreensivo e curioso.

Queria testar sua resposta ao mesmo tempo que tinha medo de qual seria. A primeira reação que percebeu foi o arrepio, era capaz de sentir a própria pele se arrepiando quando Naruto escorreu os dedos de leve por ela; o corpo se arqueou um pouco, de modo que Sasuke precisou cerrar os punhos para se obrigar a permanecer quieto.

— Não contraia os músculos, respira e relaxa — Naruto falou, e Sasuke tentou seguir o que ele dizia. — Já estou terminando, não se preocupe.

Sasuke não soube dizer se comemorava ou lamentava isso. As mãos de Naruto estavam na base de suas costas, na linha da calça, apertando-o e fazendo com que a mente de Sasuke o traísse, trazendo as lembranças de quando elas se fecharam com vontade em seus quadris, de quando puxavam seu corpo na direção do outro enquanto Sasuke rebolava para forçar o atrito da ereção contra a coxa de Naruto.

Naruto sorriu. De onde estava, tinha uma visão completa do que acontecia e não conseguia deixar de sentir-se satisfeito. Permaneceu massageando as costas de Sasuke mesmo após desfazer cada nó, gostava de como o outro se contorcia sob suas mãos e do contato das peles, do vermelho que deixava na pele clara, era delicioso ouvir os suspiros e os gemidos baixos que Sasuke não dava conta de conter.

Apertou a cintura dele, inclinando-se sobre o corpo que agora cheirava a hortelã do creme, e beijou-lhe a nuca sem esconder suas intenções.

— Prontinho, Teme — sussurrou.

Sasuke mordeu o lábio, não podia sair daquele sofá, pelo menos não com Naruto ali do lado. O corpo havia respondido e de uma forma constrangedora para se levantar sob o olhar atento do outro. Bufou, irritado, a ereção desperta o fazendo querer bater em Naruto.

— Quer ajuda? — Ouviu-o perguntar sem nem ao menos esconder a diversão em sua voz.

— Fez de propósito, não é? — Encarou-o de forma acusatória, e Naruto não pareceu nem um pouco arrependido a continuar beijando seu ombro e sua nuca.

— Posso ir tomar um banho primeiro já que vamos sair daqui a pouco, mas posso te ajudar antes se quiser. Vai ser um prazer, aliás.

A mão dele deslizou de sua cintura para o quadril, e Sasuke relutou… Ergueu os braços, afundando-os sob as almofadas debaixo de sua cabeça e respirando fundo com os olhos fechados ao erguer minimamente o corpo, só o bastante para que a mão de Naruto deslizasse para baixo dele.

— Ah… — Naruto sorriu ao descer a mão pela pelve. — Me sinto honrado — provocou, sentindo a extensão do membro endurecido de Sasuke sob a calça de moletom.

— Calado — Sasuke respondeu ríspido, e Naruto beijou seu pescoço com um sorriso de canto.

— Ergue um pouco o quadril…

Sasuke prendeu a respiração. As mãos tremiam, escondidas pelas almofadas, e o coração batia tão depressa que ele desejou desistir apenas para que Naruto não se desse conta disso. Entretanto, era como se seu corpo respondesse aos pedidos de Naruto mesmo que sua mente ainda estivesse mergulhada em caos. Havia deixado Naruto erguer seu quadril, a mão dele acariciava sua ereção por cima do tecido e parecia esperar sua autorização enquanto brincava com o elástico da calça.

— Teme… — Naruto chamou, e Sasuke abriu os olhos com a cabeça virada para o lado afim de poder enxergá-lo. — Estou cruzando alguma linha? Não vou fazer isso se não quiser.

— O q-

— Está tenso, e eu consigo sentir você tremendo — Naruto explicou, suave, a mão livre subindo para encontrar a de Sasuke sob as almofadas.

— Está acabando com o clima, Dobe… — sussurrou.

— Tem-

— Naruto — interrompeu-o, firme, apertando a mão de Naruto entrelaçada à sua e o olhando por sobre o ombro. — você nunca vai fazer algo que eu não queira. Acredite, te castro antes de isso acontecer... agora, me beija e continua…

Sasuke era teimoso, havia algo errado ali, e Naruto conseguia ver isso, mas o que fazer quando Sasuke não parecia disposto a lhe contar? Não desviou o olhar enquanto a mão escorregava para dentro da calça dele, registrou cada reação, desde o apertar mais firme em sua mão até o abrir surpreso dos lábios quando enfim o tocou. Sentiu o erguer mínimo do quadril dando-lhe mais liberdade, e assistiu aos olhos de Sasuke se fecharem lentamente enquanto o rosto saía da palidez para corar-se aos poucos. Não resistiu a beijá-lo, no canto da boca, em um pedido mudo para que Sasuke lhe permitisse fazer o que ele próprio havia pedido. E o beijo então confirmou algo que já suspeitava, algo que lhe soava absurdo devido às próprias experiências, mas que em Sasuke encaixava-se muito bem. Sasuke era virgem, não tinha dúvidas disso, e talvez por isso reagia tão intensamente a cada toque e cada investida sua... Era como na adolescência, com as primeiras namoradas e depois nas primeiras vezes que saiu com garotos. Sasuke agia daquela mesma forma, como se começasse a vivenciar aos vinte e três o que ele tinha feito aos quinze.

Inconscientemente ou não, o beijo se tornou mais carinhoso, e Naruto continuou a beijá-lo, intercalando breves e demorados, até que o tremor da mão entrelaçada à sua diminuísse. Queria que Sasuke se sentisse bem, que aproveitasse, queria a mesma névoa de prazer nos olhos dele que havia visto quando o tinha levado para casa depois da noite na boate. Tocou-lhe a ereção sem qualquer barreira de tecido e separou as bocas apenas para poder ouvir o gemido que Sasuke soltou na hora. Permaneceu próximo, atento à cada expressão, a mão deslizando pelo comprimento com experiência enquanto Sasuke fechava os olhos com força.

— Sasuke… — chamou, a boca deixando um rastro de beijos pelo ombro do outro. — Olhe pra mim… Não fecha os olhos, Teme, eu quero te ver…

Sasuke mordeu o lábio, a voz de Naruto era baixa, sedutora e o convencia com pouco… Abriu os olhos, o sorriso ladino que Naruto lhe direcionava o fazia perder o ar e apertar ainda mais a mão dele sob as almofadas. Gemeu, os dedos de Naruto espalhavam a lubrificação por toda a sua ereção e o faziam arquear as costas, um arrepio subindo até a nuca que Naruto tanto gostava de morder e beijar. Sentia-se entregue, e isso era assustador, sentia-se literalmente nas mãos de Naruto e isso o fazia querer correr desesperado ao mesmo tempo em que uma grande parte sua desejava apenas terminar de se arremeter contra a mão dele e gozar. Ele o tocava, como não tinha permitido que outra pessoa fizesse, e, apesar do corpo ainda hesitar em defesa, tudo o que ele queria era o calor do corpo do outro para fazê-lo se esquecer de tudo e todos.

Viu a camisa de Naruto ser jogada no chão e suspirou quando a pele quente do peito dele colou-se às suas costas. A mão soltou a sua, desceu por seu braço, apertando-o todo, até chegar em seu peito e cintura, abraçando-o. A boca de Naruto lhe marcava, tinha certeza que estaria com mais marcas do que antes em seu pescoço e costas, e só conseguia gemer toda vez que a língua de Naruto o serpenteava até a orelha, respirando excitado contra ela e aumentando a velocidade com que o masturbava.

— Desce um pouco a calça… não farei nada, juro, é só para ficar mais fácil, aqui — Naruto explicou, apertando a ereção de Sasuke e mostrando a dificuldade que a veste criava. — Confia em mim — ele pediu, e Sasuke respirou fundo enquanto a mão livre de Naruto ia até a calça, abaixando-a devagar, os olhos azuis presos aos seus como se tentassem lhe transmitir segurança durante o ato.

Engoliu em seco ao ficar exposto, a mão de Naruto deslizou de sua cintura à base das costas, subindo e se prendendo nos cabelos de sua nuca onde a boca sugava a pele, castigava-a apenas para ouvi-lo gemer e fazer com que segurasse mais forte as almofadas, o quadril tentando mover-se sem sucesso.

— Vem pro meu colo, Sasuke, você vai gostar, vem…

Não… ficaria ainda mais exposto daquela forma, o coração já batia acelerado demais, a respiração o entregava, mas, de alguma forma, os braços de Naruto ao redor de seu corpo pareciam criar um escudo, não se sentia acuado ou pressionado, era um convite… um convite que ele não conseguia simplesmente negar. O corpo seguiu Naruto, deixou que as mãos o puxassem para o colo, as costas apoiadas no calor do peito enquanto a cabeça repousava no ombro dele. A mão em sua nuca foi ao pescoço ao mesmo tempo que Naruto mordia seu queixo, a língua escorreu por sua pele até a boca, devorando-a enquanto sua ereção voltava a ser estimulada.

— Ah… caralho… ah… mais rápido… mais rápido...

Não soube o que fazer com as próprias mãos, elas estavam perdidas e desejosas por tocar algo, por buscar qualquer apoio naquela tempestade. Levou uma para trás, para os cabelos de Naruto, e não se sentiu nem um pouco mal pelo gemido dolorido que recebeu em meio ao beijo. Impulsionou o quadril, fervia, como se a pressão de dentro do seu corpo lutasse para sair. Era diferente, diferente demais de quando ele próprio se tocava, era muito mais intenso, muito melhor… e isso o fez rir baixo, descrente do que fazia, apavorado e excitado talvez na mesma intensidade.

— Se você soubesse o quanto fica lindo rindo excitado desse jeito — Naruto sussurrou rouco, e Sasuke gemeu, o corpo se contraindo pela voz tão próxima de seu ouvido, o membro pulsando em resposta. — O quanto a sua boca parece deliciosa vermelha assim… ah, Sasuke… você tem noção do quanto é bonito?

Virou o rosto e fechou os olhos, não conseguia responder, nem sabia se devia. Corou com os dedos de Naruto contornando sua boca e gemeu alto quando os movimentos em seu membro aceleraram. Naruto arfou, mordendo o próprio lábio quando Sasuke rebolou de forma inconsciente contra sua ereção. Virou o rosto dele para si e o beijou para se controlar, a língua ditando o ritmo segundo o desespero das batidas do seu coração. Se pudesse, tomaria Sasuke para si naquele momento, se enterraria nele como seu corpo implorava para que fizesse, faria com que ele gritasse de modo que nunca mais fosse capaz de se esquecer de como seu nome saía da boca de Sasuke… Mas não podia, Sasuke tinha outro ritmo, outras regras, e não colocaria tudo a perder por uma foda.

Arfou quando Sasuke jogou a cabeça em seu ombro para gemer, segurou o corpo dele junto ao seu enquanto espalhava o pré gozo e sorria pelo quanto Sasuke estava molhado. Sentiu o aperto em sua nuca aumentar, e Sasuke levou a outra mão para junto da sua que o segurava. Entrelaçou os dedos aos dele e sorriu quando os olhos negros buscaram os seus, reconhecia aquela urgência na voz, a forma ébria com que Sasuke balançava a cabeça de um para o outro antes de esconder o rosto em seu pescoço e respirar afoito contra sua pele.

— Não prende, vem, goza pra mim, Teme.

Sasuke fechou os olhos, com força, o corpo tremendo pela eletricidade que o abatia. O tom malicioso de Naruto o arrepiava da cabeça aos pés, o cheiro da pele dele tão próxima ao seu rosto, o calor das mãos por seu corpo, a ereção contra seu quadril, tudo parecia tão convidativo, tão seguro… Perdeu o fôlego e gemeu alto contra o pescoço de Naruto ao ser pego de surpresa pelo clímax. A mão em seu peito o segurou, e Naruto não pareceu se importar nem com o puxão no cabelo nem com a força com que apertava a mão dele. O corpo vibrou ensandecido, e a risada maliciosa e depravada de Naruto acompanhou os jatos fortes que deixaram seu membro.

O coração batia de modo a querer sair do peito, respirar era difícil e demorou até que conseguisse fazer o ar voltar aos pulmões. Gemeu, baixo, a sensação da mão de Naruto ainda o masturbando após gozar era deliciosa e o fazia suspirar em deleite e fechar os olhos. Os beijos em seu rosto eram mornos, gostava da pressão que Naruto usava antes de chegar à sua boca e exigi-la. O beijo era urgente, e Sasuke podia jurar que se excitaria de novo apenas com aquilo se Naruto continuasse.

Engoliu em seco, sabia que Naruto estava duro, sentia-o mais do que bem contra seu quadril, mas…

— Gostou? — Naruto perguntou contra seus lábios, os dedos retirando a franja de seus olhos com carinho.

— Seu sofá vai ficar manchado — respondeu após limpar a garganta.

— Ele sobrevive. — Naruto o beijou de leve. — Descansa mais um pouco. Vou tomar um banho primeiro, pode usar o outro banheiro se quiser. E aí tomamos café! O que acha?

Sasuke estreitou o olhar, e Naruto segurou sua mão quando tentou lhe tocar a ereção.

— Por que não?

Naruto fingiu pensar e levou a mão de Sasuke aos lábios.

— Fica pra próxima. Temos que nos arrumar e tomar café ainda. Não desisti de te levar onde quero… e, para isso, não podemos nos atrasar! — falou, beijando Sasuke uma última vez antes de se levantar. — Quer que eu te carregue até o banheiro?

— Eu sei andar, Dobe — respondeu mal criado e subiu a calça antes de se por de pé.

Naruto sorriu mais animado, e Sasuke o viu correr ao quarto. Engoliu em seco ao cair sentado no sofá novamente, buscou o celular e abriu a conversa que tinha tido com Shikamaru na noite anterior, enviando uma mensagem breve, mas que o amigo entenderia: “Preciso de ajuda. Amanhã às 17h?”. A resposta não demorou a ser respondida assim que lida, e Sasuke suspirou aliviado quando Shikamaru concordou.

Caminhou até o banheiro no automático, sem saber como as pernas o levaram ali. Não encarou o reflexo no espelho por medo e apenas ligou o chuveiro na temperatura mais baixa enquanto se sentava debaixo d’água. Afundou o rosto nas mãos e respirou fundo antes de se livrar da calça e da cueca. Tinha ido longe daquela vez, mais longe do que já havia se permitido, e tinha se sentido seguro, confortável… só precisava agora parar de tremer…

Notas finais
Desculpem os possíveis erros ^^' Gostaram? Reviews?