23 de março de 1922

— Não quero ser grossa Zenitsu, mas caia na real, você não passa de um amigo do irmão dela.

Aquela fala de Aoi destruía seu coração, mas era uma verdade.

Sempre a amou, mas ela pareceu nunca corresponder.

Aquilo doía muito.

Ficou sem resposta, se calava perante ela. Não podia fazer nada além de baixar a cabeça.

Nezuko parecia não se lembrar dos últimos anos que foi uma oni.

Parecia não se lembrar dele e muito menos o que ele fez para poder estar com ela

Agora ela morava junto com Tanjiro e Kanao na mansão borboleta e lá ajudava nos afazeres.

Sempre que possível ele ia visitá-la.

Queria estar sempre perto dela.

Queria pedi-la em casamento.

Mas seu maior medo era ouvir um não.

Aquele pensamento corroía sua mente.

Daqui a algumas horas teria que ir a uma missão

Ele pensava continuamente em tudo isso.

Queria ter coragem de falar com ela sobre seus sentimentos. Assim como falava quando ela era uma oni.

Mas essa pouca coragem parecia ter sumido depois que ela retornou a forma humana.

Agora ela podia dizer não a ele.

— Zenitsu. Você está bem.

Aquela voz tirava ele de seu estado quase catatônico.

Era ela.

Estava ali na frente dele sentada na varanda que dava para um jardim interno

Ela comia algumas frutas da estação

— Você está bem

Voltava a perguntar

Ele apenas balançava a cabeça em um sim e ela lhe oferecia algumas frutas.

Sem pensar muito ele então se sentava ao seu lado separado pela cesta de frutas.

Ele pegou uma maçã e ficou olhando concentrado, mas logo começou a comer.

Por um momento nenhum deles falava.

Era um silêncio sepulcral.

Ouvia apenas o canto dos pássaros.

Mas queria mesmo ouvir a voz dela novamente.

— Esse jardim é tão bonito, não.

— Sim Nezuko chan.

— Tem certeza que você está bem ? Parece estranho.

A verdade é que ele não estava bem. Estava terrivelmente deprimido.

A muito tempo que não ficava tão ruim assim.

Mas não podia falar isso para ela, não queria preocupá-la nem a Tanjiro ou Inosuke que também morava ali desde que começou um relacionamento com Aoi.

— Sim…. estou

Aquele tom de voz claramente não era muito animado

— O que houve

— Só estou preocupado.

— Com o que ?

— Acho que vou morrer nessa missão

— Porque acha isso Zenitsu ? Você é muito forte. Já te vi lutando.

— Não sou, sou um fracasso. Não consigo nem...

Ele não terminava de fala.

Apenas abaixava a cabeça deixando Nezuko curiosa.

— O que você não consegue ? Se eu puder te ajudar.

— Eu não consigo…. Não consigo ... me confessar para a mulher que eu amo.

Decidiu tentar abrir o jogo. Talvez ele assim conseguisse tomar coragem de falar o mínimo do que deveria

— Entendo. Do que você tem medo ? De ela dizer não

— De ela dizer não e eu morrer sem poder ficar com ela

— Ela seria louca se falasse que não Zenitsu. Você é um homem tão bo

— Nezuko chan.

Aquelas palavras de Nezuko reacenderam uma leve esperança em si.

Talvez fosse hora de falar

— Nezuko chan…. Eu...

Mas antes de sequer começar a falar direito a porta atrás de ambos se abria e era Tanjir

— Zenitsu. Você está aí… Estão te chamando. Pelo jeito e hora de ir.

Então aceitando seu destino, Zenitsu se levantou e se despediu de todos para ir a sua missão

2 de abril de 1922

Estava em missão a alguns dias.

E dessa vez estava sozinho.

Sem Tanjiro.

Sem Inosuke.

E principalmente sem ela ao seu lado.

Tinha medo de morrer sem poder confessar seus sentimentos, sem estar do lado dela.

Mas por sorte já começava a amanhecer.

Acabou por acordar próximo a um oni que claramente teve a cabeça cortada e agora se desintegra ao seu lado.

— Como você cons....

O oni não conseguia terminar de falar, logo sumia.

Não entendia como aquilo podia acontecer.

Já havia ouvido de Tanjiro e Inosuke que ele lutava dormindo, mas era algo muito irreal para ele.

Mas talvez eles tivessem razão.

Seja como for ele poderia voltar agora.

Mas não conseguia mexer.

Não conseguia gritar.

Nem sussurrar.

Logo ele desmaiava.

Provavelmente morreria al

3 de abril de 1922

Abram caminho !

Nezuko imediatamente parava de guardar a roupa de cama naquela manhã e via dois homens se aproximando enquanto carregavam uma maca.

Atrás deles Inosuke e Aoi também Corriam.

Aquilo a deixou curiosa.

Eles iam até a enfermaria onde deixavam o corpo do doente em cima de uma das camas.

Parecia que mais uma alma desafortunada havia sido pego pelos onis.

Aquilo lhe dava calafrios.

Imaginava o que teria sido dela se ela tivesse devorado algum humano e se Tanjiro não tivesse conseguido trazer ela de volt

Por sorte isso não aconteceu

Ela ia até a entrada da enfermaria onde Aoi era uma das que cuidavam do doente.

Mas quando ia se aproximando Aoi fechava as cortinas não deixando ver. Parecia que era grave.

— Nezuko ? O que faz aqui ?

— Desculpa Aoi, tem como ajudar ?

— Não, não no momento.

Desde que retornou a forma humana, Nezuko começou a aprender sobre a área da enfermagem e sempre que possível ajudava Aoi e as meninas a cuidar dos feridos

Repentinamente Nezuko puxava a cortina sem permissão.

— Por favor deixe ajuda...

Ela nem conseguia terminar de falar.

O que viu a deixou em completo estado de choque.

Era Zenitsu que estava na cama.

E estava claramente muito ferido, cheio de ataduras.

— Ze…. Zenitsu ?

— Nezuko por favor se afaste.

— O que aconteceu ?! O que aconteceu?

— Ele foi encontrado caído, quase sem vida.

As palavras de Aoi doíam em seu coração.

— Nezuko? O que faz aqui ?

Ao ouvir a voz de seu irmão logo atrás ela corria para ele e começava a chorar copiosamente em seus braços.

Ficavam surpresos com aquela atitude dela. Não sabiam que ela considerava tanto Zenitsu.

— Vem, vamos deixar Aoi cuidar dele.

Tanjiro levava sua irmã para fora da enfermaria.

— Nezuko por favor se acalme, ele vai ficar bem, Zenitsu e forte… muito forte. Ele vai conseguir.

— E se não conseguir ... eu não...

Tanjiro então abraçava forte sua irmã que ainda chorava.

Era horrível ver ela nesse estado.

Mas ele também estava preocupado.

O estado de Zenitsu era grave.

Ele quase perdeu as pernas. Por sorte foi encontrado a tempo de ter os primeiros socorros e ser levado até ali

— Ele vai ficar bem Nezuko, eu prometo.

A noite chegou e as lamparinas foram acesas pela mansão

Zenitsu já parecia estar fora de perigo imediato mas ainda se encontrava desacordado na cama

Até Inosuke estava preocupado.

— Será que o Monitsu vai ficar bem ?

Pergunta ele na hora do jantar

Aoi ficava brava, sabia que aquela pergunta deixaria Nezuko ainda mais ansiosa.

— Sim, ele vai. Está fora de perigo. É só esperar ele acordar e se recuperar melhor.

As palavras de Aoi faziam Nezuko respirar mais aliviada.

Logo o silêncio retornava ao ambiente.

Mas Kanao retornava a conversa

— Nezuko estava bem triste hoje… não se preocupe, ele vai ficar bem.

— Sim. Admito que estou surpreso.

— Com o que Onii San?

— Não sabia que considerava tanto o Zenitsu.

Aquelas palavras de Tanjiro faziam Nezuko corar. Mas ela ficou ainda mais vermelha com o que Inosuke falava a segui

— Está apaixonada pelo Monitsu.

— Cala a boca.

Aoi simplesmente odiava quando Inosuke era tão inconveniente.

— Eu preciso ir.

Nezuko se levantava e saia rapidamente.

Não havia comido quase nada.

— Deixa que eu como o dela.

— Você não consegue ficar quieto né Inosuke ?

— Aoi, deixa ele… eu acho que o que ele falou é verdade. Talvez minha irmã goste do Zenitsu bem mais do que pensávamos.

Nezuko corria na direção de seu quarto.

Mas no caminho passava pela enfermaria.

Parava por um momento.

Ouvia uma voz, claramente era Zenitsu.

Ela então entra.

Pensava que ele havia acordado.

Mas não.

Ele falava enquanto dormia.

Ela se aproximava e o via ele se remexer na cama como se tivesse um pesadelo.

Ao botar a mão na testa dele via que ele estava ardendo em febre.

Imediatamente ela voltou à sala de jantar e chamou por Aoi.

— Zenitsu, está com muita febre !

Aoi se levantava e era seguida por todos que estavam igualmente preocupado.

Ela então administrava os cuidados

— Não se preocupem, ele vai ficar melhor agora.

Era bem tarde e já era hora de dormir.

— Vamos deitar…. Vamos Nezuko.

— Não, vou ficar aqui ,Onii San.

— Nezuko… você precisa descansar também.

— Vou ficar cuidando dele. Por favor me deixem aqui.

Antes que pudesse falar mais alguma coisa Tanjiro sentiu uma mão em seu ombro, era Kanao

— Tudo bem … qualquer coisa nos chame.

Todos saíram deixando Nezuko cuidando de Zenitsu.

Ela pegava a lamparina que estava perto da porta e levava para uma mesa de canto próxima a cama onde ele agora dormia tranquilo.

Era horrível ver ele nesse estado.

Seu coração pesava.

— Não se preocupe, eu estou aqui.

Ele pareceu dar um sorriso logo após as palavras de Nezuko.

Ela então via na mesa de canto um livro.

Talvez fosse bom ler para passar o tempo.

Ela então pegou o objeto e começou a folhear.

Pensava se por acaso aquele livro era de Zenitsu.

Não esperava que ele lia romances.

Mas ao abrir em uma página ela via diversas anotações.

Geralmente era grifado uma palavra ou frases e algo do lado escrito ao lado.

Parecia que ele estava estudando seriamente o livro.

Ela não entendia o porquê do seu nome aparecer ao lado de diversas frases grifadas.

Mas havia um padrão em todas elas.

Eram frases falando sobre amor.

A princípio achava estranho. Chegava a pensar na possibilidade de Zenitsu amá-la.

Mas ao mesmo tempo, para ela esse pensamento não fazia muito sentido.

Mas seria incrível se fosse recíproco.

Repentinamente ela se pega pensando nele novamente.

Talvez Inosuke tivesse razão.

Ele voltava a falar dormindo, mas nunca completava a frase, seja lá o que ele queria dizer.

Nezuko se aproximava e afastava os cabelos dele de sua testa para ver a temperatura.

Pelo jeito agora ele estava bem. Sem febre alguma.

Aquilo a acalmava um pouco.

Ela então o beijava na testa.

Voltava a ler o livro mas sempre parando para olhá-lo.

A noite passava e ela acordava. Percebeu que havia dormido sentada no banco ao lado da cama com o livro em suas mão.

Era bem cedo e os pássaros cantavam.

Ela então se levantava e abria as janelas para o ar entrar.

Era uma manhã fresca de primavera.

Em uma das janelas ela viu um pequeno passarinho chegar.

Era Chuntaro.

Ela reconheceu que era o pássaro que vivia com Zenitsu.

O passarinho entrava e pousava em cima da cabeceira da cama.

— Não se preocupe. Ele vai ficar bem.

Dizia para o pequeno animal que parecia entendê-la.

Ela saia e então voltava com um cuia de água que passava pela testa do loiro ainda desacordado.

— Ne...

Imediatamente parava o que estava fazendo e voltava sua atenção às palavras dele.

— Nezuko chan...

Se surpreende ao ouvir seu nome dito por ele. Pelo jeito ele sonhava com ela.

Fazia dias que isso também acontecia com Nezuko.

A dias sonhava continuamente com ele.

Sempre acordava com seu coração disparado, mas geralmente não lembrava muito dos sonhos, apenas que ele estava.

Aos poucos ela ia se lembrando do que aconteceu quando ela era uma oni.

Lembrava das conversas que ouvia dentro da caixa, do seu irmão e dele.

Tudo ainda estava um tanto embaçado em sua mente. Mas lembrava vivamente de toda vez que ele lhe trazia flores.

Ele sempre foi gentil.

Mesmo quando ela não demonstrava o menor interesse.

Ele sempre esteve ao seu lado quando precisou.

Aos poucos ela ia entendendo aquele sentimento.

— Será que ... eu o amo ?

Aquilo era uma dúvida atroz que a acompanhava desde quando ela começou a conseguir se lembrar das coisa.

Mas mesmo se realmente o amasse, ela não sabia o que ele pensava dela.

No fundo tinha o medo de não ser nada além da irmã do melhor amigo dele.

Ela então se levantava e ia até a cozinha preparar o café da manhã.

Todos estavam começando a acordar.

Zenitsu também.

Ele abria seus olhos dourados e torpes olhando para o teto de madeira.

Por um segundo não reconhecia o local.

Mas logo percebeu que não era um sonho, ele realmente estava vivo.

— Aaaah!!!!!!!!!!!!!!

Aquele grito fazia quem ainda estava dormindo acordar e Nezuko pular assustada.

Imediatamente todos foram à enfermaria.

Ele finalmente havia acordado.

— Zenitsu!!!

Todos corriam felizes até ele.

Mas a maior surpresa foi sentir o forte abraço de Nezuko que chorava.

— Que bom que você está bem Zenitsu. Estava tão preocupada.

— Nezuko chan….me desculpa

Ele também retribuía o forte abraço que ela lhe dava. Parecia bom demais para ser verdade.

Sonhou tanto com um abraço vindo dela.

— Zenitsu… fico feliz. Vamos trazer seu café da manhã.

Com as palavras de Aoi ele sorriu ternamente. Estava morrendo de fome.

Tanjiro trazia a bandeja para ele com uma refeição completa. Já todos os outros iam para seus afazeres da manha.

— Espero que esteja bom, Nezuko que fez o café hoje.

Ao ouvir que havia sido ela, ele começou a comer imediatamente

— Zenitsu !!! Calma !!! Não coma tão depressa.

— Tanjiro. Vocês me salvaram, obrigada.

Agradeça a Aoi e a Nezuko, elas passaram o tempo todo cuidando de você. Nezuko nem quis dormir, ficou o tempo todo aqui. Ela estava muito preocupada.

Ficava surpreso com as palavras de Tanjiro. Nunca esperava que Nezuko realmente reagiria assim

Aquilo o deixava realmente feliz, ela se importava.

— Vou falar. Obrigada.

Não muito depois que Tanjiro saia a Aoi entrava para dar os remédios a Zenitsu

— É verdade que a Nezuko chan ficou comigo ?

— Sim. E verdade…. acho que ela gosta de você mais do que eu pensava.

Ele abria um enorme sorriso ao ouvir Aoi.

— E agora, o que vai fazer ?

— Como assim ?

— Não vai se confessar ?

Imediatamente ele se tornou soturno.

— E se..

— Acho que você deveria. Tem mais a ganhar do que perder. Pense nisso. Agora tome seus remédio.

— Aoi… Obrigado.

Aoi dava um leve sorriso e então fechava a porta.

Zenitsu logo voltava a descansar. Ainda se sentia muito fraco.

Ficava assim por longos minutos. Olhando para o teto.

Mas antes de conseguir dormir ele ouvia a porta ser aberta novamente de maneira bem devagar.

Era ela.

Conseguia identificar o som que vinha da mesma.

Era o som mais lindo que ouvira.

Ele então se virou na cama e se sentou para olhar para ela.

— Desculpa eu te acordei… não queria. Me perdoe.

— Não me acordou Nezuko chan… não se preocupe.

Ela se aproximava dele e o olhava feliz.

Havia um sorriso sereno em seu rosto. Ela parecia aliviada.

— Estou tão feliz que você voltou. Você precisa de alguma coisa ?

— Nezuko chan. Obrigada por se preocupar. É muito importante pra mim. Você não faz ideia.

Nezuko corava imediatamente.

— Não foi nada Zenitsu. E claro que me preocupo com você. Você também é amigo do meu irmão...

Ao ouvi-la ele voltava a ficar um tanto soturno.

Talvez Aoi tivesse razão. Não passava de um amigo da família.

— Sim… Mas… preciso te falar algo Nezuko chan… Eu...

Ele novamente era interrompido dessa vez por Inosuke que entrava no quarto sem nenhuma cerimônia.

— Aoi disse para ver como você está.

— Estou bem Inosuke, obrigado.

A cara de Zenitsu naquele momento era de poucos amigos. Odiava quando era interrompido. E quase sempre era culpa do Inosuke.

— Tem certeza ?

— Sim. Obrigado.

Inosuke então saia do quarto e ia falar com Aoi deixando Zenitsu e Nezuko a sós novamente.

Mas ao ser interrompido sua coragem de falar sobre seus sentimentos havia sumido.

— O que você queria dizer ?

— Nada …nada de importante.

— Vou pegar um lanche para você. Precisa comer.

Ela saia, então ele suspirava pesadamente.

Seu coração batia rápido. Era sempre assim quando estava do lado dela.

Sempre passava pela sua cabeça o que deveria dizer a ela. Era constante.

Mas na hora era muito difícil.

Zenitsu nunca escondeu seu amor quando ela era uma Oni. Porque agora seria tão difícil assim?

Ela voltava com uma bandeja cheia de comida para el

— Coma o quanto quiser.

Ele então pegou a bandeja e colocou em seu colo logo começando a comer

Ela ficava ali ao seu lado olhando com um sorriso carinhoso e ele retribuía aquele ato

— Nezuko chan. Você não se lembra de nada ?

— Quase nada… mas aos poucos as memórias têm voltado. Aos poucos vou me lembrando, principalmente das flores que você me trazia, você era sempre tão gentil comigo.

Ele se surpreende ao ver que aos poucos ela realmente se lembrava. Aquilo dava certa esperança que ela se lembrasse de tudo com o passar do tempo.

— Você consegue se levantar Zenitsu ? Gostaria que fosse ao jardim comigo em algum momento se você puder.

— Sim. Eu vou a qualquer lugar com você.

Ela sorria e então se levantava.

— Vou ver se tem uma cadeira de rodas para levar você comigo.

Nezuko então saia, mas em questão de poucos tempo ela voltava com uma cadeira de rodas feita de madeira e trançada de palha.

— Não se sinta obrigado Zenitsu.

— Nezuko chan. Faço de tudo para ficar com você.

Aquelas palavras faziam Nezuko corar novamente. Mas Zenitsu não percebia isso no momento pois havia sentado na cadeira de rodas de costas para ele.

— Vamos então.

Ela começou a empurrar a cadeira para fora.

Chegando no jardim ela parava.

Achava que ele deveria tomar um pouco de banho de sol.

— Está bom aqui ?

— Está perfeito Nezuko chan.

Ela se sentava no chão ao lado dele.

Era tão bom poder ver ela no sol com os cabelos ao vento.

Seu maior medo no passado era de perdê-la.

Mas agora ela estava ali, humana de novo.

Ele sorria ao observá-la enquanto Nezuko olhava para o céu.

— É ótimo poder ver você debaixo do sol num dia lindo como esse.

Ao ouvi-lo ela sorria e então se aproximou mais apoiando suas mãos no braço da cadeira de rodas.

— É tão bom ter você de volta. Estava muito preocupada… na verdade ainda estou, mas vejo que está bem melhor, isso acalma meu coração.

Zenitsu ficava um pouco surpreso com as palavras dela.

Sua esperança de que o seu sentimento fosse recíproco só crescia.

— Obrigada Nezuko chan. Você também é muito importante pra mim, você não tem ideia.

O coração de ambos batia forte naquele momento. Mas tentavam não transpassar ali agora.

— O…obrigada.

Ela sentada no chão ao lado dele logo pegava uma flor que estava próxima.

— Miosótis.

— E o nome dessa flor ? Como você entende tanto de flores Zenitsu ?

— Bem. E me interesso, então leio sobre.

— Você é muito inteligente. Lembro que minha mãe falava que cada flor tinha um significado, mas ela nunca me explicou cada uma.

— Sim. É verdade. Geralmente são usadas em buquês.

— Você sabe o significado dessa ?

— Sim.

Ele então pegou a delicada flor azul da mão de Nezuko e a botou no cabelo dela.

— Significa amor sincero e fidelidade.

Ela corou profundamente com aquele gesto de Zenitsu.

Então voltava a se levantar.

Estava agitada.

Seu coração não parava de bater daquele jeito.

— Tudo bem Nezuko chan ?

— Sim… sim. Estou bem.

— Está passando mal ?

— Não. Estou bem. Obrigada Zenitsu.

Repentinamente ambos ouviram Tanjiro chamar por Nezuko.

— Pode ir Nezuko chan… não se preocupe.

Ela então ia até seu irmão deixando Zenitsu no jardim.

— Que flor é essa no seu cabelo ?

— Estava com o Zenitsu tomando um banho de sol. Ele que me deu.

— Vocês têm ficado muito juntos. Isso é bom.

— O que você quer Onii San ?

— Preciso de sua ajuda. Se puder me dar um pouco do seu tempo.

— Claro.

Nezuko então seguia seu irmão.

— Desculpa te chamar, e que todos estão ocupados e não quero pedir ao Zenitsu que ainda está convalescente.

— Não tem problema.

Durante a função ambos conversavam sobre os mais variados assuntos.

Se divertiam juntos. A muito tempo que não faziam isso.

Ele lembrava do desespero que foi no tempo em que sua irmã foi uma oni.

Mas a mesma sempre pareceu muito resiliente.

Foi uma característica que ela sempre teve.

— Você está calado.

— E que eu me lembrei do passado. Você se lembra de alguma coisa ?

— Não muitas. Minha memória tem voltado aos poucos. Lembro mais de você e do Zenitsu.

— Você lembra dele ?! Ele vai ficar muito feliz em saber disso.

— Eu falei com ele sobre. Ele realmente pareceu muito feliz.

— Zenitsu sempre gostou muito de você Nezuko. Ele me ajudou muito a conseguir você de volta. Quando o mesmo percebeu que você não lembrava dele ele ficou arrasado, mas vejo que aos poucos ele vai voltar a ser feliz.

— Voltar a ser feliz ?

— Sim. Zenitsu teve vários problemas. Foi muito sozinho por um período muito longo. Mas...

— Mas ?

— Deixa pra lá. Não devia estar falando disso. Ele que deveria te falar.

— Por favor me diga.

Tanjiro então olhou para sua irmã que estava claramente ansiosa pela resposta.

— Ele disse mais de uma vez que ao seu lado ele encontrou a felicidade.

O coração dela disparava.

Com aquelas palavras de seu irmão tornava óbvio o que Zenitsu realmente achava de Nezuko.

— Nezuko… seja qual for seus sentimentos, não lhe dê falsas esperanças. Seja sincera com ele e consigo mesma. Você o ama ?

— Eu não sei…. Aos poucos vou me lembrando e cada vez mais e meu coração bate forte quando estou ao lado dele. Eu nunca senti isso.

Tanjiro sorria ternamente com as palavras de sua irmã.

Era claro que ela o amava.

Ele também já sabia como era esse sentimento graças a Kanao.

— Entendo… pense no que eu te disse. Seja sincera. Pense bem e fale com ele sobre isso quando você tiver certeza.

A manhã passava sem grandes percalços.

Logo chegava o almoço.

Nezuko ajudava as meninas a fazer a comida para todos que estavam ali.

— Nezuko. Você sabe costurar ?

As gêmeas Sumi, Kyio e Naho se aproximavam de Nezuko perguntando em uníssono para a jovem Kamado.

— Sim… o que vocês querem que eu faça ?

— Zenitsu San perguntou se alguém poderia consertar o kimono que era do avô dele… mas não sabemos costurar direto.

— Pode me dar, eu faço.

— Obrigada.

O almoço era servido e todos iam para a sala de jantar.

O almoço estava ótimo e era muito animador.

Claramente todos estavam muito felizes hoje.

Zenitsu sentado na frente de Nezuko não conseguia parar de olhar para ela.

Todos percebiam isso.

Ele então começou a puxar conversa com Nezuko e durante todo o restante do almoço eles falaram somente um com o outro.

Naquela tarde ela não teria mais serviço a ser feito.

Então ela decidiu se ocupar com a costura do kimono.

Zenitsu sempre falava com muito carinho de seu avô.

Que ele foi o primeiro a acreditar nele e não abandoná-lo

Queria tê-lo conhecido. Parecia ter sido uma pessoa muito boa.

— Nezuko chan ?

Zenitsu entrava na sala e se surpreende ao ver que Nezuko costurava seu kimono.

— Zenitsu… você está bem ?

— Sim. Obrigada por consertar o kimono. É muito importante pra mim. Ainda mais vindo de você.

— Não tem problema. Era do seu avô não era ?

— Sim… é a única coisa que me sobrou dele, infelizmente.

Quando eu uso parece que ele está comigo.

— Ele sempre está com você. Independente do kimono que você usa.

— Você não tem nada de sua família ?

— Não.

Nezuko então lembrava quando voltou com Tanjiro à sua antiga casa que morou com a sua família.

Foi muito doloroso ver a casa abandonada, destruída pelo tempo.

Percebendo que Nezuko ficava mal com aquele assunto ele decidiu mudar.

— O importante é manter as boas lembranças com a gente. E honrá-los. Tente pensar que eles também estão com você e Tanjiro.

— Obrigada Zenitsu. Você é uma pessoa muito boa.

— Quero sempre estar aqui para você, Nezuko chan.

— Eu também quero ajudar você sempre que possível.

Ele então sorria e ia ao lado dela ainda na cadeira de rodas.

— Me conte mais sobre você. Você fala tanto do seu avô mas nunca me contou sobre o restante de sua vida.

Ele ficou surpreso com o interesse dela. Mas logo sorri.

Então ele começou a contar desde a sua primeira lembrança da vida até o dia que conheceu Tanjiro e Inosuke.

— Você se lembra quando nos conhecemos ?

— Na verdade, não. Eu me lembro de várias coisas sobre você mas não lembro quando nos conhecemos.

— Não tem problema. Talvez um dia você se lembre… mas fico muito feliz que você tenha diversas lembranças de mim.

Ela sorria gentil para ele.

Aquele sorriso dela o derretia por inteiro.

Ele também sorria como um bobo apaixonado.

De longe próxima a porta Tanjiro observava eles dois com um sorriso em seu rosto.

Era óbvio que Zenitsu ainda amava Nezuko.

E pelo jeito ele seria correspondido.

— Eu sempre tento me forçar a lembrar um pouco a cada dia. Às vezes consigo tirar algo do fundo da memória. Principalmente quando se trata de você ou do meu irmão.

— Não precisa se forçar Nezuko chan. Cada coisa tem seu tempo. Logo se lembrará de tudo.

— E o que você lembra sobre mim ?

Ao ouvi-lá ele corava imensamente.

Realmente não esperava por essa pergunta.

— Lembro como se fosse hoje quando te vi pela primeira vez. Eu sabia que tinha um oni dentro daquela caixa. Mas tive medo quando a caixa se abriu. Lembro que tentei desesperadamente me esconder no armário. Mas então eu te vi… mesmo sendo uma Oni você era tão linda e incrível.

— Para ser sincera eu tinha vergonha de minha aparência quando estava daquela forma, isso eu me lembro bem.

— Não diga isso Nezuko chan. Você é a mulher mais linda do mundo.

Ao ouvir as palavras dele, ela começou a rir sem graça.

— Você é muito exagerado Zenitsu.

— Estou sendo sincero. Você é linda. Cada dia que passa fica melhor.

Ela continua rindo sem graça.

Como Zenitsu gostava daquele sorriso.

Era tão lindo e sincero.

Seu coração balançava violentamente dentro dele.

— Nezuko chan. Quando ficar melhor quero te levar a um lugar, eu lembro que a muitos anos atrás fui com meu avô a um jardim botânico aqui mesmo. Você gostaria de ir ?

— Claro. Também vou a qualquer lugar com você.

O sorriso que Zenitsu dava era contagiante.

Nunca esteve tão feliz até agora.

— Ótimo. Vou falar com o Tanjiro, vamos passar o dia todo juntos.

— Não vejo a hora.

A conversa transcorreu pelos mais variados assunto.

Até o momento que Nezuko terminava de costurar o kimono.

Quando perceberam já estava começando a anoitecer.

— Nossa, já está ficando escuro.

— Sim, eu nem percebi o tempo passar.

—Pronto, terminei. Depois experimenta para ver se ficou bom ou se precisa de mais alguma coisa.

— Vou fazer. Mas tenho certeza que ficou perfeito Nezuko chan.

Os dias passavam e cada vez mais Nezuko lembrava do passado.

E também tinha cada vez mais certeza de seus sentimentos.

Amava Zenitsu, profundamente.

Mas ele até agora não tinha falado diretamente sobre os seus sentimentos por ela.

Tinha medo acima de tudo.

Mas estava determinado a pedir Nezuko em casamento.

11 de julho de 1922.

Depois de voltar de uma outra missão, Zenitsu passou por uma loja na cidade que chamou sua atenção.

Era uma joalheria.

Havia ouvido falar de um costume ocidental de anéis de casamento.

Então decidiu entrar para ver.

— Bom dia. No que posso ajudar ?

O homem do lado de dentro do balcão era um senhor de idade avançada, lembrava um pouco seu avô, só que muito mais alto.

— Bom dia. Eu gostaria de ver anéis de casamento. O senhor tem ?

— Sim. Temos esses aqui.

Zenitsu começava a olhar um por um. Principalmente o preço ao lado. Alguns o preço era viável, daria para comprar para ela.

— O senhor tem ideia de que tipo de jóias ela gosta ?

Na verdade nunca vi ela com nenhuma jóia, mas estava pensando em algo floral, ela ama flores e é algo muito simbólico entre nós dois.

— Temos esses aqui.

Zenitsu logo que olhou gostou de um deles. E daria para comprar para ela, não era tão caro se comparado a outros ali.

Seria esse.

Já sabia que iria pedir a mão dela quando eles fossem ao jardim essa semana.

E pela primeira vez ele tinha reais esperanças de que ela aceitaria.

— Tanjiro… cadê a Nezuko chan ?

— Ela saiu com as meninas, pelo jeito foram à feira.

— Posso falar com você por um segundo ?

— Claro. O que você quer ?

Quero sua aprovação. Pretendo pedir a Nezuko chan em casamento. Mas não farei nada se você não permitir.

Zenitsu se jogava aos pés de Tanjiro fazendo uma exagerada reverência.

Tanjiro ficou surpreso com aquilo. Sempre soube do amor e carinho que Zenitsu tinha por sua irmã. Ele nunca escondeu isso.

Mas ficava surpreso dele pedir daquela maneira tão formal e subserviente.

— Zenitsu por favor se levante !

Zenitsu fazia o que seu amigo pedia e ficava frente a frente.

Logo ele sentiu a mão de Tanjiro em seu ombro direito.

— Claro que eu aceito Zenitsu. Você sempre amou minha irmã e sei que ela será feliz ao seu lado. Inclusive não teria conseguido trazer ela de volta se não fosse por vocês.

Era tudo o que ele queria ouvir.

Novamente ele fazia uma reverência a Tanjiro que sorria para seu amigo.

— Quero lhe mostrar o que comprei para dar a ela.

Zenitsu então tirava do bolso uma pequena caixa de veludo vermelho.

Ao abrir Tanjiro ficava completamente surpreso.

— Zenitsu, isso deve ter sido caro !

— Tudo pela minha Nezuko chan. Você acha que ela vai gosta ?

— Tenho certeza. É muito bonito.

— Chegamos.

Era a voz de Aoi, Nezuko e Kanao que vinha direto da sala.

Ao ver que Zenitsu havia chegado da missão são e salvo, Nezuko se jogou nos braços dele que a abraçava forte depois de disfarçadamente voltar a esconder o anel no bolso.

Era tão bom se sentir amado assim.

— Que bom que você voltou.

— Sempre vou voltar pra você Nezuko chan.

Tanjiro e Zenitsu então começaram a ajudar a guardar as compras da feira.

Logo Inosuke também chegava da rua.

— Nezuko chan Posso falar com você, a sós.

— Claro Zenitsu.

— Por favor, venha comigo.

— Ela dava a mão a Zenitsu e ambos saiam da casa.

Próximo dali havia um campo cheio das mais diversas flores

Levava ela para lá.

Estavam relativamente longe da mansão borboleta.

Não seria interrompido ali.

— Nezuko chan...

Ele virava-se para ela depois de chamá-la.

Ela olhava concentrada para ele.

Não sabia o que ele falaria ali.

Mas esperava do fundo do seu coração que ele fosse confessar.

Não conseguia se segurar para contar só no final de semana quando iriam ao jardim botânico.

Precisava falar agora.

— Nezuko chan… eu… e..

— Você ?...

Ele travava por um momento. Se sentia um completo idiota por deixar isso acontecer novamente.

Mas tomava fôlego e recomeçava.

-Eu amo você. Apaixonadamente. Sempre amei, e sempre vou amar, até o último segundo da minha vida. Isso nunca vai mudar. Eu sei que não se lembra de mim completamente, mas eu juro que farei daqui em diante você só ter boas lembranças de nós dois juntos, porque você é a mulher da minha vida. Por isso eu te perguntar...

Ele parava por um segundo e tirava do bolso a caixa de veludo vermelho e mostrava o lindo anel com brilhante para ela.

— Casa comigo, Nezuko chan. Eu preciso de você na minha vida.

Nezuko ficava esturperfata.

Seu coração nunca esteve tão acelerado, mas de uma forma boa.

Ele realmente a amava.

Ela então sorria ternamente para Zenitsu, se abaixando ela pegou uma flor.

Sabe, eu me lembrei essa semana quando nos conhecemos…. Eu lembro que quando você se jogou aos meus pés me pedindo por amor eu fiquei bem assustada.

Era muito novo alguém agir assim comigo. Mas você sempre foi tão bom pra mim, mesmo quando eu ainda estava na caixa… você sabia que eu era uma oni e mesmo assim me protegeu e me amou de todo o coração.

Eu também me apaixonei com o tempo.…. E por isso que eu digo sim. E o que eu mais quero Zenitsu.

Ele não acreditava nisso.

Estava perplexo por ser realmente correspondido por ela.

Então não conseguia se segurar, começava a chorar emocionado.

— Nezuko chan. Estou tão feliz. Prometo te dar o casamento perfeito. Quero estar com você pra sempre.

Nezuko sorri e então o abraçava.

Ele claramente retribuía o abraço mas logo se afastava e botava o anel no dedo de sua futura mulher.

Logo voltou a se aproximar dela novamente.

Então tiveram seu primeiro beijo.

Voltando à mansão Nezuko queria mais do que nunca falar com seu irmão.

Precisava contar para ele.

— Onii San ! Olha só !

Ela corria logo entrando na mansão novamente. Zenitsu vinha logo atrás.

— Nezuko ?

Tanjiro não entendeu o motivo da gritaria até que sua irmã lhe mostrou o anel em seu dedo.

— Você aceitou !

— Zenitsu falou com você ?

— Sim.

Zenitsu chegava e ele estava extremamente sorridente. Nunca havia visto seu amigo tão radiante.

— Quero que vocês sejam muito felizes minha irmã.

Logo todos da mansão ficaram sabendo, já que Nezuko e Zenitsu faziam questão de falar com todos.

Aoi faria uma janta especial para comemorar.

O tempo passava e o casamento era planejado nos mínimos detalhes.

Queria que tudo estivesse perfeito.

Estava cada vez mais ansiosa para seu casamento que seria este mês.

Já estava tudo preparado.

Agora era só esperar pelo dia.

Ficava imaginando como seria o resto de sua vida com o homem que amava.

Um sorriso vinha em seu rosto ao pensar nele.

Estava muito ansiosa.

— Nezuko. Pode vir aqui ?

Ela ia até ao seu quarto que era de onde vinha a voz de seu irmão.

Chegando lá ela ficava completamente surpresa.

A sua frente havia um lindo e elegante kimono de casamento.

— Eu te prometi que lhe daria o mais belo kimono que eu achasse para você minha irmã. Acho que é a hora.

Nezuko então abraçava Tanjiro.

Ela não tinha nem palavras para descrever.

— Deve ter sido muito caro.

— Não se preocupe com isso. É seu casamento. Você tem que vestir algo que te deixe ainda mais linda.

— Obrigada onii San.

— Experimente.

28 de março de 1923.

Finalmente o dia chegava. O casamento seria no final da manha.

Era bem cedo quando Nezuko acordava.

Teria que se preparar, hoje seria um dos dias mais importantes de sua vida.

Ela então se levanta.

No corredor da casa podia ouvir Kanao e Aoi conversando enquanto se aproximavam.

Elas ajudariam Nezuko a se preparar para o dia de hoje.

— Fui visitá-lo um pouco, está incrivelmente agitado, ele disse que nem conseguiu dormir direito pensando no casamento.

— Ele realmente a ama muito.

— Sim. Temos sorte de termos encontrado meninos tão bons, não são todos que têm essa sorte.

— E o Inosuke ? Ainda não te pediu em casamento.

— Não, mas suspeito que ele está apenas tentando não deixar muito óbvio, eu vou te contar depois o que eu achei…. Bom dia Nezuko, já está de pé.

— Bom dia Aoi, Kanao. Dormiram bem ?

— Sim. Obrigada. Vamos nos arrumar ?

— Mas é Claro.

Kanao e Aoi ajudavam Nezuko a se vestir e se maquiar.

As três acabaram virando melhores amigas apesar de serem tão diferentes umas das outras.

— Você está linda.

Dizia Kanao com um sorriso em seu rosto.

— Sim. Ele vai ficar ainda mais louco por você.

Aoi sorria contagiante para Nezuko que também sorria logo em seguida.

Nezuko então vai ao espelho se ver, e pelo espelho ela pode ver a porta sendo aberta.

Era Tanjiro.

Ele parecia surpreso ao ver sua irmã daquela forma.

Sua vontade era de chorar.

Como todos da família estariam felizes agora se estivessem vivos.

— Nezuko. Você está linda minha irmã.

Nezuko sorria gentil com as palavras de seu irmão e o chamava para se aproximar.

— Todos estariam tão felizes ao ver você assim. Com certeza Mamãe e papai iriam chorar.

— Eles estão felizes meu irmão.

— Sim.

Tanjiro respondia sua irmã com a voz embargada pelo choro que ele lutava ferrenhamente para segurar.

— Ei vamos. Está na hora !

Ao ouvir Inosuke todos saiam.

O casamento seria no templo da cidade.

Nezuko saia de casa já devidamente vestida e junto com seu irmão e suas amigas.

Inosuke ia na frente ver se Zenitsu já estava pronto.

É claro que ele estava.

Ao ver Nezuko de noiva, Zenitsu teve vontade de chorar.

Estava tão feliz que finalmente ia se casar com a pessoa que mais amava.

Seu avô estaria muito feliz.

Por um segundo pensou em ter visto ele ali no meio de todos.

Devia estar alucinando.

— Você está linda Nezuko chan.

Ao ouvir baixo as palavras de seu futuro marido ela sorria serenamente para ele.

— Você também esta.

Logo a cerimônia começava.

Nem conseguia acreditar que finalmente estaria junto para sempre de sua Nezuko.

Agora depois de todo o cerimonial ela era senhora Agatsuma.

Estavam tão felizes.

Tanjiro deu uma pequena festa em sua casa para comemorar o casamento de sua irmã.

Sentiria falta dela, mas ela moraria perto dali. Poderia vê-la com facilidade.

— Vamos.

— Sim

Depois de se despedirem, Zenitsu e Nezuko entravam em um Reiki xau que levaria até a casa nova que ele havia comprado com o dinheiro que ganhou como caçador de onis.

Havia escolhido essa casa especialmente para ela.

Era ampla com muitos quartos. Daria para muitos filhos.

Mas ele parecia um pouco sério.

— Zenitsu. Tudo bem ?

— Sim. Só estou pensando.

— No que ?

— No que eu vi… parece que vi meu avô em nosso casamento. Ele estaria tão feliz.

— Eu também pensei ter visto minha família por um momento.

Eles então olhavam um para o outro.

Talvez tivessem alucinado. Ou viram os espíritos deles.

Aquilo era estranho.

— Será que eles gostariam de mim ?

— Claro, tenho total certeza disso Zenitsu.

— Nezuko chan, eu sei que não supre sua perda mas quero ter uma família grande com você. Eu prometo fazer você feliz por todo o restante de nossa vida.

— Eu já sou muito feliz com você.

Ao ouvi-la ele sorria e então dá um outro beijo em sua mulher.

No passado,sempre que ela saia da caixa ele estava ali para recebê-la com flores, a levava para o campo, fazia coroas e cordões para ela.

E prometia que logo ela voltasse a ser humana e eles seriam felizes.

Ele agora havia cumprido aquela promessa.

Seriam felizes a vida inteira.

Notas finais
Muito obrigada por lerem. Passei uma noite inteira escrevendo. XD
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!