Não me chame para trair
1 Capítulo único.
Notas iniciais
Espero que desfrutem dessa história. Ela surgiu após um sonho danado que não me abandonou por cerca de dois dias. Não tive outra escolha senão colocá-la no papel e a dividir com vocês.
Aproveitem a história e conheçam essa Isabella que, nem de longe, é perfeita. Afinal, quem o é?
CAPÍTULO ÚNICO
28 de dezembro de 2021, 17h23min. – Em algum lugar de Seattle.
Com as chaves do carro em mãos após trancá-lo, me dirigi para o hall de entrada do prédio visitado com considerável frequência por mim durante os últimos seis meses. Aguardei com certa impaciência as portas do elevador se abrirem e, respirando fundo, adentrei no mesmo, apertando o botão que me levaria ao décimo primeiro andar.
Após o que pareceram horas as portas voltaram a se abrir e, encarando a porta do apartamento a minha frente, respirei de forma profunda antes de anunciar a minha chegada.
— Já não era seu tempo, Isabella. Estou te esperando há quase uma hora! – Parecendo indignado, o homem a minha frente exclamou.
— Desculpe, precisei de uma desculpa convincente para estar aqui. Outra vez. – O tom baixo de minha voz identificou a culpa que carregava em minhas palavras. A lista já estava imensa: reunião de última hora, um grave problema a ser resolvido, encontrar um cliente importante...
— Não se desculpe, entre antes que alguém lhe veja. – Dando espaço para que eu passasse, fechou a porta atrás de mim com um pequeno click, trancando-a.
Logo suas mãos seguraram em minha cintura e seus lábios buscaram meu pescoço – de fácil acesso, por conta do meu cabelo preso em um coque. Os beijos que antes eram capazes de acender meu corpo, agora, causava-me asco. Não dele, mas de mim mesma. Por isso, não tardei em me afastar do corpo que já se encaixava em mim.
— De novo, Isabella? O que está acontecendo com você? – Com um suspiro, passou a mão por seus cabelos perfeitamente alinhados, aproveitando a deixa para encher um copo com o uísque que se encontrava na mesa de centro.
Sentei-me no sofá, grande e confortável, no qual já nos deitamos outras vezes, e pensei sobre sua pergunta: o que estava acontecendo comigo? Ou melhor, o que acontece comigo há quase seis meses?
— Nós precisamos conversar. – Cruzando minhas pernas, aceitei o copo que me era oferecido.
— Sobre o que? – Perguntou, enquanto encarava-me com seus olhos claros.
— Sobre nós. Sobre isso. Sobre tudo.
Não seria uma conversa fácil, eu sabia disso, mas já estava preparada para seus possíveis argumentos.
— Por que? Estamos tão bem! É uma relação carnal apenas, não há porque envolver sentimentos nisso.
Com essa frase, fui tragada para o dia em que começamos a nos envolver. Nós já trabalhávamos junto há pouco mais de um ano, dividindo a mesma sala e clientes. Ambos éramos advogados e atendíamos as mais diversas áreas. Percebi seus olhares para mim desde quando fomos apresentados, mas pensei ser apenas minha imaginação. Até porque, não faria diferença. Eu era casada. Muito bem casada.
Contudo, com o avançar dos meses, com as longas análises de casos complexos que se estendiam até tarde da noite e com os problemas que começaram a habitar o meu lar, as coisas começaram a mudar.
Após mais uma briga em casa, por um motivo que sequer me lembrava, e algumas cervejas em um bar próximo a empresa para relaxar depois de tanto trabalho, aconteceu. Mal percebi quando sua boca se aproximou da minha e passei a corresponder seu beijo.
— Não pense muito, Isabella. Se entregue. Não há sentimentos, só um puta tesão por você.
Foi assim que nossa relação começou. Pelo que já havíamos conversado, ele estava noivo. Não conhecia a mulher, tampouco pensava nela durante nossos encontros. Na realidade, não pensava em ninguém a não ser nós dois naquele apartamento, deixando os problemas para fora da porta.
Transávamos feito loucos. Em todo o canto, quando houvesse oportunidade e vontade. Até cheguei a pensar que estava me apaixonando por ele, mas não. Foi apenas um momento de loucura. Por óbvio, sempre usávamos camisinha. Não que fosse uma preocupação engravidar, mas não queria levar nenhuma doença para o homem que me esperava em casa. Pelo menos sobre isso eu pensava.
— Esse é o ponto. Se não tem sentimentos, porque estamos nos envolvendo? Para aliviar a tensão?
— Eu transo com você porque gosto, Isabella. Você é gostosa. Qual o problema nisso?
— Eu não quero mais isso. Eu não posso mais fazer isso. Nós não podemos. Não é justo...
Seus olhos claros miraram os meus parecendo não acreditar em minhas palavras. Enchendo seu copo com um pouco mais de uísque, sentou-se ao meu lado no sofá, colocando sua mão em minha perna.
— Deixa de ser boba. A gente só se curte. Qual o problema? – Acariciando minha perna, tentou subir sua mão por baixo do vestido preto simples que usava naquela noite. O impedi, segurando firme em sua mão.
— Não é justo com a sua noiva. Não é justo com o meu marido. Nós não nos gostamos, não nutrimos qualquer sentimento além de tesão um pelo outro. Por que minar a relação sólida que temos com eles?
— Ora, se fosse tão sólida você não estaria me visitando na véspera de natal. Ou eu estou errado?
Não, ele não estava errado. Mas foi justamente no dia posterior, no Natal, que pude perceber algo.
A ceia aconteceu na casa da minha sogra, em um lindo condomínio fechado. Apenas a família, que já era consideravelmente grande. Jantamos, trocamos presentes e, durante toda a noite, percebi meu marido distante.
— Estou cansado, Bella. Só isso.
Foi sua resposta para meu questionamento. Ele era um renomado médico que dividia seus dias entre atender no Hospital St. Clair e em uma clínica para pessoas carentes na parte mais pobre da cidade. Ele nunca, durante os nossos cinco anos de casado, havia reclamado sobre estar cansado. Por isso, naquela noite, me questionei: cansado do que? Da nossa vida, do cotidiano, de nós dois? Pensar sobre isso havia doído em meu coração, como há tempos não doía. Nem quando brigávamos, ou melhor, quando eu brigava com ele.
A sensação em meu peito piorou no dia seguinte, quando acordei e não encontrei seu corpo deitado ao lado do meu em nossa cama. Ele não estava em nenhum canto da casa e, naquele dia, almocei pela primeira vez sozinha no Natal.
Meus pais já haviam falecido há algum tempo e, desde que conheci ele, não havia passado mais nenhuma data comemorativa sozinha. Sua família tinha me acolhido, ele tinha me acolhido – em sua vida e em seu coração.
Dessa forma, sozinha, comecei a pensar nos últimos meses de nossa relação. Das cobranças dos familiares, da rotina cansativa, das discussões, de tudo. Acabei percebendo, naquele momento, que imaginar meus dias sem ele eram inimagináveis e, percebi também, que todas as nossas brigas aconteceram por minha culpa.
A toalha em cima da cama. A gaveta que não estava fechada. O atraso para o almoço. Inúmeras reuniões por minha parte. Minha ausência em um importante evento do hospital. A ausência de filhos. Ele nunca havia me cobrado sobre esse último ponto, mas eu me sentia um lixo por não ter proporcionado a alegria de ser pai à ele mesmo depois de cinco anos juntos.
Ele seria um pai incrível. Sua sobrinha Maggie o idolatrava. O seguia por tudo que é canto, gritando aos quatro ventos o quanto seu tio era demais e que iria casar com ele quando fosse maior. Nós ríamos de sua declaração infantil, mas eu via o quanto ele amava aquela menina. Imagina sua filha...
Nos últimos dois anos, eu tive quatro abortos. Espontâneos, sem explicações. Não havia nada de errado comigo, tampouco com ele. Mas mesmo assim, não vingava. Talvez isso pudesse ter sido o início dos meus erros...
— Você está certo. Mas eu percebi que não posso mais continuar com isso. Não posso mais fazer isso com ele, comigo, com nós! Assim que voltarmos ao trabalho, não serei mais sua colega de equipe. A partir de hoje também não sou mais sua amante. É um ponto final pra nós.
— Você tem certeza disso? – Me perguntou, olhando de forma fixa em meus olhos. Ele sabia que não havia dúvidas na minha afirmação.
— Sim, tenho certeza. – Levantei-me, dirigindo-me para a porta – Essa relação nunca deveria ter começado. Sinto muito. Seja feliz com sua noiva, cuide dela. Eu tenho certeza que ela é uma mulher incrível e não merece o que fizemos com ela.
Ele então segurou meu braço — Foi bom o tempo que passamos juntos, Isabella.
— Foi. Mas não deveria ter acontecido. Seja feliz... e, por favor, vamos esquecer tudo o que aconteceu até aqui. Eu farei isso, espero que faça o mesmo. Adeus.
Fechando a porta atrás de mim, senti um peso ser retirado dos meus ombros e uma fisgada atingir meu coração. Era chegado o momento. E, pra esse, eu não estava preparada.
28 de dezembro de 2021, 21h54min. – Forks.
A casa estava silenciosa. Se não fosse pela jarra de água em cima da bancada da cozinha e a luz acesa, poderia dizer que eu estava sozinha novamente. Mas não estava. Ele estava ali, me esperando, como em todas as noites.
Tirei meus sapatos aproximando-me do cômodo. De costas, podia ver que ele estava procurando algo na geladeira. Sem camiseta e com uma calça de moletom, meu marido estava relaxado. E lindo.
Na verdade, não há, no mundo, homem mais lindo que ele. Como pude me enganar? Os músculos de suas contas eram definidos, os braços torneados, fortes. Os cabelos loucos apontavam para todos os lados e seus pés estavam descalços. Sorrateiramente, cheguei mais perto dele e passei meus braços por sua barriga, sentindo o perfume gostoso que exalava dele. Deveria ter saído do banho há pouco.
— Já é tarde, Bella. Aonde você estava? – Sua voz não passava de um sussurro, cansada. Em todas as outras vezes em que me fez a mesma pergunta eu havia o ignorado, fazendo qualquer coisa para evitá-lo. Mas naquela noite eu não faria isso.
— Eu estava com James.
Meus braços caíram ao lado do meu corpo e eu me afastei dele, apoiando-me na pia ao seu lado. Fechando a porta da geladeira com um suspiro profundo, virou-se pra mim, colocando as mãos nos bolsos de sua calça.
— Outra reunião?
— Não. Eu preciso conversar com você. Te contar algo e..
— Eu sei que você tem um caso, Bella. – Interrompendo o discurso que eu iria iniciar, fui surpreendida. Ele sabia? Desde quando? Como? Como se lesse meus pensamentos, prosseguiu – Você não respondia minhas mensagens e já estava tarde. Fui te encontrar na empresa, talvez você poderia ter ficado sem bateria e precisasse da minha ajuda. Mas não, você saiu e entrou no carro do James. E só chegou em casa quase três horas depois disso, cheirando a um perfume masculino que não era meu.
Droga! Eu lembrava disso. Como esquecer? Eu não era descuidada, sempre tomava banho após me encontrar com James. Mas naquele dia em específico havíamos perdido a hora e não havia tempo para isso.
— Edward... eu não sei o que dizer. – Iniciei, encarando meus próprios pés, com vergonha demais para encarar os olhos verdes que me hipnotizaram desde quando esbarrei com ele nos corredores da faculdade.
Ele já estava quase finalizando a escola de medicina e eu ainda tinha mais dois anos para formar-me. Naquele dia, ele procurava por seu primo Jasper – namorado da minha melhor amiga e que, coincidentemente, havia me indicado para o emprego em que eu estava hoje.
— Só me responda uma coisa, Bella. E seja sincera, por favor. Por que você está me contando isso? – Sua voz quebrava-me por dentro.
— Porque acabou, Edward. E eu preciso saber: Ainda há tempo para nós?
O silêncio tornou-se ensurdecedor. Fechando a porta da geladeira, encostou-se ao meu lado no balcão, sem falar uma única palavra. Se não houvesse o som de nossas respirações, as batidas descontroladas do meu coração poderiam ser ouvidas de longe. Pude me recordar, naquele espaço de tempo, de alguns dos momentos já vividos por nós nessa mesma cozinha.
— Você não é nem louco de jogar essa farinha em mim, Edward Anthony Cullen! – Gritei ao vê-lo me encarar com um olhar divertido. Sua resposta foi correr atrás de mim, agarrando-me por trás e deixando meu rosto totalmente branco. – Eu vou te matar!
— Só se for de amor, princesa!
[...]
— Sente-se, senhorita. O jantar já será servido. – Meu marido puxou a cadeira para que eu sentasse enquanto tirava a venda dos meus olhos. O meu dia no trabalho havia sido infernal. Mesmo sendo especializada em consultoria de empresas, precisei “quebrar um galho” para o meu chefe e realizar a mediação do divórcio de um casal da alta sociedade. Duas pessoas vazias que só pensavam no lucro que a separação iria dar para cada um.
Contudo, ao chegar em casa, o cheirinho de algo bom invadiu o meu nariz. Minha barriga roncou automaticamente e segui direto para a cozinha. Antes de chegar no cômodo, porém, fui interceptada por grandes mãos que seguraram minha cintura.
— Não, não, mocinha. Suba direto para o quarto, tome um bom banho e depois me espere lá em cima. Tenho uma surpresa para você.
Meu marido era incrível. Mesmo trabalhando incansavelmente, sempre arrumava um tempo para mimar. Fiz o que ele mandou, tomando um banho relaxante e colocando minha camisola preferida. Tinha certeza que, se eu não fosse o jantar, com certeza seria a sobremesa.
Dito e feito. A noite foi incrível.
[...]
Senti vontade de chorar. Por culpa, remorso, por acreditar ter perdido o grande amor da minha vida. Como pude esquecer de todos esses momentos? Como pude deixar levar-me pelas dificuldades e fantasmas de mim mesma e trair esse homem incrível que está ao meu lado?
— Eu só queria entender o porquê, Bella. Eu não te amei o suficiente? Te desejei o bastante? Não te fiz feliz? – Edward me encarava com olhos questionadores, esperando uma resposta que eu não tinha.
— Não é nada disso. – Respondi, suspirando – Sendo sincera, não sei explicar o que aconteceu comigo durante esses meses. Desvio de caráter? Com certeza. Fui uma vadia? Não tenho nem como negar. Mas não foi culpa sua, nunca foi e nunca será. Eu acho que... não sei. Eu realmente não sei.
— Desde o último aborto você tem ficado mais distante, Bella. Me afastando, na realidade. – Edward pegou em minhas mãos, deixando-nos de frente um para o outro. – Eu não te culpo. Eu não te cobro. Nós podemos ser felizes, apenas nós dois. Você é a minha vida, princesa. Por que fazer isso com a gente?
As lágrimas acumuladas em meus olhos não tardaram a rolar por meu rosto. Ouvindo-o falar assim, desse jeito tão carinhoso, só me fez sentir pior... um monstro.
— Você idolatra a Maggie, Edward. Ela te idolatra. Como posso não proporcionar isso pra você, pra nós? Eu quero uma casa cheia, um cachorro destruindo as minhas almofadas, um gato acabando com o nosso sofá e umas três crianças correndo por todo o canto. Mas eu não consigo sequer gerar um bebê, que merda!
Um choro desesperado saiu de mim. Acho que tudo o que guardei durante os últimos tempos, enfim, se desprendeu. Todas as vezes, após cada aborto, vesti minha armadura e dediquei-me a pensar que nada havia acontecido. Acreditei que doeria menos.
Naquela altura, já havia imaginado o rostinho dos meus filhos, parecidos com o pai. Os mesmos olhos, a mesma boca... tudo. Não consegui pensar em nenhum nome, parecia errado escolher sem antes conhecê-los ao vivo e a cores. Mas foi errado perde-los antes mesmo de poder tê-los em meus braços.
— Nós temos tempo, minha princesa. Uma vida toda. Perdê-los dói em cada pedacinho do meu coração, sempre vai doer. Mas nós estamos aqui, meu amor.
Percebi a voz dele embargada e não pude não encará-lo. Aquelas lindas esmeraldas transmitiam o maior amor do mundo, carinho... e compreensão. Todos os sentimentos que eu já não era merecedora.
— Você deveria me colocar pra fora de casa, Edward. Nunca mais olhar pra mim. Olha o que eu fiz, olha que...
— Shiu, fica quietinha. – Colocou um de seus dedos sobre meus lábios, interrompendo minha fala atrapalhada – Eu te amo. Na alegria e na tristeza, lembra?
— Claro que lembro... mas no discurso do padre não havia nada sobre trair o amor da sua vida por um motivo que nem sabe dizer qual é.
— Menina boba. Não vou mentir dizendo que eu vou voltar a confiar em você totalmente do dia para a noite. Mas eu quero tentar. Recomeçar. Eu te amo, Isabella Maria Swan Cullen. Desde quando te vi de longe andando pelos corredores da faculdade, até você enfim aceitar namorar comigo. Te amo desde quando você acorda de manhã com TPM até quando vai dormir toda enrolada no cobertor. Eu sei dos meus sentimentos. Mas e você? Me ama ainda?
Não precisei pensar duas vezes para responder a sua pergunta. É claro que eu o amava. Acredito que, inconscientemente, só quis afastá-lo por não me achar merecedora de seu amor.
— Eu te amo, Edward. E tenho certeza que nunca deixei de te amar também. Eu me orgulho de você, eu me espelho em você. Eu te amo, te amo, te amo – Beijei repetidamente vezes os seus doces lábios, agarrando-me ao seu corpo – Eu vou pedir demissão. Não piso nunca mais naquela empresa. Vou me dedicar ao meu projeto de atender mulheres e crianças. De fazer a diferença no mundo. Vou me dedicar em te fazer feliz, em te mimar, te adorar. Me deixa fazer isso, por favor.
— Nós vamos fazer isso, Bella. Nós vamos fazer dar certo. – Edward então beijou meus lábios de forma lenta e doce, como sempre fazia, fazendo com que eu me derretesse em seus braços.
Aquele homem era o céu no meu inferno. A calmaria depois da tempestade. De fato, não sei o que fiz para ser merecedora do seu amor, mas já que tive a oportunidade de reconstruir o que destruí, não vou a desperdiçar.
Edward Cullen iria se sentir amado todos os dias de sua vida. Eu iria me encarregar disso.
28 de novembro de 2022, 19h10 – Residência de Edward e Isabella.
Eu estava nervosa. Meu Deus, nervosa era eufemismo. Mesmo que o frio estivesse presente lá fora, eu sentia o suor molhar minhas mãos. Naquela noite, enfim, eu iria inaugurar o meu escritório, aquele que tanto planejei no decorrer dos meses passados.
Hoje também fazia um ano desde o dia em que Edward e eu resolvemos recomeçar. Foi difícil retomar o que tínhamos no início do nosso relacionamento – e não o julgo, afinal, eu o magoei mais do que posso imaginar. Contudo, com muito diálogo, paciência e amor, evoluímos dia após dia, nos completando como nunca.
O primeiro passo para que isso acontecesse foi, de fato, o meu pedido de demissão. Assim que o escritório retomou suas atividades, procurei por meu chefe para informa-lo da minha decisão.
— Sr. Carter, eu agradeço imensamente a oportunidade que me foi ofertado durante esses anos. Inegável todo o conhecimento que adquiri e o quanto cresci pessoal e profissionalmente. Entretanto, é chegado o momento de me dedicar a um projeto que há muito estava adormecido. – Falei, sentada na cadeira de frente para a sua luxuosa mesa.
Meu chefe era um homem beirando os sessenta anos, muito bem conservado. Era discreto, respeitador e um excelente profissional. Iria sentir falta de suas orientações no decorrer do dia.
— Estou surpresa, Sra. Cullen. Não imaginava iniciar o ano com uma baixa tão grande no quadro dos meus colaboradores. Porém, se é isso que deseja, só posso agradecer por sua dedicação e desejar boa sorte na sua caminhada. Será uma concorrente e tanto, Isabella!
Envergonhada por seus elogios, levantei-me da cadeira oferecendo minha mão para que o Sr. Carter a apertasse. Assim, tive uma visão privilegiada de Seattle que a janela de sua sala proporcionava.
— Eu agradeço as palavras, Sr. Carter. Ainda tenho algumas pendências, mas se não fosse abusar de sua bondade, gostaria de saber se poderia finalizá-las em minha casa. São poucas coisas. – Pedi, esperando que fosse atendida.
— É claro! Não se preocupe com isso. Novamente, agradeço por todo o trabalho desenvolvido por você até aqui. Faço votos de sucesso, muito sucesso!
— Muito obrigada, foi um imenso prazer. – Afastei-me de sua mesa e segui para a porta. Precisava pegar meus pertences pessoais em minha antiga sala.
Era claro que James estaria lá. Nos olhamos por um breve momento, mas ninguém pronunciou nenhuma palavra. Não havia mais nada para ser dito. Por isso, apenas peguei algumas fotos, itens de decoração, meu notebook e alguns outros itens que pertencia a mim.
Enfim, me despedi do local e de tudo o que ali estava. Sem olhar para trás.
Fui tirada de minhas lembranças quando Edward abraçou-me por trás, me inebriando com seu perfume másculo. Encarei-o pelo espelho e o vi sorrindo, dando rápidos beijos em meu pescoço.
— Você está linda, princesa. Não fique nervosa, já deu tudo certo. O escritório está lindo, nossa família estará lá lhe apoiando e eu não sairei do seu lado um segundo sequer, prometo.
Virei-me para ele, passando meus braços por seu pescoço. Eu estava um pouco mais alta graças ao sapato de salto altíssimo que eu usava para completar meu look: um vestido vermelho escuro de mandas longas, até um pouco abaixo das canelas e com uma gola bem quentinha. Meu marido também estava belíssimo, usando uma calça jeans escura e uma blusa verde escuro de lã, combinando perfeitamente com seus olhos.
— Eu acho muito bom você não sair do meu lado, amor. Esses saltos vão acabar me fazendo tropeçar, ou cair, ao longo da noite! Já imaginou?
— Não pense bobagens, princesa. A noite será espetacular, não tenha dúvidas.
Sorrindo, pensei em suas palavras. Naquela noite, além da inauguração, também aconteceria algo ainda mais especial. Escondido no fundo do meu closet estava uma caixa branca, com um laço bem bonito a enfeitando. Dentro, havia um par de sapatinhos amarelos e um lindo cartão anunciando que há um novo bebê Cullen a caminho.
Edward iria amar e eu, com certeza, amaria ainda mais o pai incrível que meu marido se tornará. Mal posso esperar por viver todos os momentos que nos foi arrancado durante os últimos anos e, enfim, construir a família que tanto sonhei.
É claro, ainda faltava um cachorro, um gato e mais duas crianças. Mas teríamos tempo para isso. Afinal, naquela fatídica noite há doze meses, eu ganhei a chance de consertar o maior erro que já cometi na minha breve existência.
E eu não erraria novamente. Nunca mais.
Notas finais
Curtiram? O que acharam da história desse casal?
Em breve, espero voltar com mais histórias! Espero que tenham gostado, um abração, se cuidem!
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