Não há outro amor para mim.

47 Tento convencer Emma a não desistir.


Notas iniciais
Olá, amigas leitoras. Atendendo a pedidos, sejam bem-vindas a mais um capítulo dessa fanfic. Inicialmente, eu pensei em postar esse capítulo completo, mas prefiro dividi-lo, caso contrário ficaria enorme. Nessa primeira parte vamos saber a reação de Emma depois do teste de gravidez. Uma coisa que posso adiantar é que temos Emma loira de volta na história, mas talvez isso passe despercebido com tantas emoções a flor da pele a seguir. Façam uma boa leitura.


Ela me olhou com os olhos verdes tristes. Meu coração ficou partido ao ver sua decepção estampada neles. Peguei o teste de sua mão e o joguei fora voltando para abraça-la com todas as minhas forças. Emma afundou seu rosto em meu ombro e pude sentir exatamente como se sentia. Mas Emma não teve vontade de chorar, nem sentia raiva quando me abraçou.

Ficamos unidas ali no meio do quarto por algum tempo até eu leva-la para se sentar no meu colo, na cama. Foi difícil encontrar alguma palavra que a confortasse, embora eu soubesse que não adiantaria muito dizer a ela coisas bonitas nesse momento.

— Não acabou, meu amor. Essa foi apenas a primeira tentativa. — eu disse suavemente. Meus dedos roçavam seus cabelos devagar, contando os fios castanhos que outrora foram loiros. — Eu odeio ver você assim.

— Assim como? Decepcionada? Frustrada? — ela falou. — Triste comigo mesma por não ter feito dar certo?

— Não foi culpa sua, meu amor. Nós sabíamos que isso poderia ocorrer. É algo muito comum, é uma possibilidade. Eu sei que você queria muito que funcionasse logo de primeira, mas não deu. Infelizmente não foi dessa vez.

Ela respirou e soltou o ar fundo, pensava.

— Se eu tivesse relaxado...

— Emma, não dá para medir o quanto de culpa você teve ou não. Olha pra mim. — a toquei nos ombros e ela se mexeu, me vendo. — Você não pode se condenar, sofrer por uma chance que não deu certo hoje e pode dar certo amanhã. Se lembra do que minha mãe dizia? Que algumas coisas acontecem para depois a gente entender o porquê.

— É diferente agora.

— Não, não é diferente. Talvez seja melhor assim, talvez precise tentar de novo, talvez precise tentar até conseguir.

Emma se sentiu envergonhada. Passou a mão na nuca e desviou os olhos.

— Não sei quantas vezes vou ser capaz de aguentar sentir toda essa aflição. Eu me senti péssima e me sinto péssima por ter tido medo disso dar errado, e deu errado. Vai ser muito pior se der errado de novo, Regina.

— Como pode ter tanta certeza de que não vai funcionar se tentar outra vez? Emma, você não está sozinha nessa. Eu vou ficar com você e eu tenho certeza de que vai dar certo. Você não precisa me pedir para ficar, eu vou com você.

— Antes você nem queria ser mãe...

— Antes. Antes eu era uma idiota, o.k., admito. Mas e agora? Eu decidi atender a sua vontade, eu aprendi a querer me dedicar a uma criança tanto quanto você. Me parte o coração ver no seu rosto o que eu estou vendo, mas me partiria muito mais se você desistisse. Essa é só a primeira vez. Quantas vezes você tentou, trabalhou e suou para conseguir aquele Oscar? Quantos filmes precisou fazer para ganha-lo? Ele era seu maior desejo quando nos casamos, você se lembra? Antes disso, quantos meses mesmo tivemos que esperar para ficarmos juntas quando você veio para cá? E mais recente, quantas vezes tentamos reconstruir nosso casamento depois das crises? São tentativas, Emma. Quando se quer muito uma coisa nós temos que tentar.

Swan baixou a cabeça e prendeu os lábios.

Deixei que pensasse no que eu havia dito. Coisas que saíram espontaneamente da minha boca, todavia, coloquei toda minha sinceridade naquelas palavras, e isso deve ter afetado minha mulher. Por pouco comecei a me ver em uma situação semelhante à dela, uma frustração, e comigo não seria igual. Eu provavelmente desistiria de cara, o que era completamente hipócrita da minha parte. Mas veja, não era eu ali, era Emma, eu só queria que ela fosse feliz.

Como eu suspeitava, minhas palavras funcionaram de novo.

Toquei no rosto dela e o levantei para beijar suas bochechas. Tentei sorrir, mas ela me beijou a boca antes. Fez devagar como se estivesse me pedindo desculpas. Depois que parou, se sentiu confortável em encostar a cabeça em meu peito. Por pouco Emma não pegou no sono.

— Você tem que ir trabalhar. — sussurrou ela, deitada comigo.

— Eu não quero deixar você hoje. — respondi.

— Não se preocupa, eu vou precisar sair mais tarde, tenho que ir gravar um comercial, ficar o dia todo fora, se esqueceu?

— É verdade. Tem certeza de que pode ir trabalhar hoje?

— Tenho. — ela suspirou.

— Por mim, não sairíamos dessa cama. — falei.

— Eu sei, minha vida, eu sei. — disse ela, se apertando uma última vez contra mim, como se eu fosse seu travesseiro quente. — Mas talvez seja melhor eu fazer esse trabalho do que ficar dentro de casa o dia todo remoendo na mente esse teste de gravidez.

— Promete pra mim que se sentir qualquer coisa você me liga?

— Prometo. — disse, entrelaçando seus dedos aos meus.



Fui trabalhar com a preocupação. Mesmo Emma me pedindo para não me distrair pensando nela hoje, eu não conseguia tirar da cabeça o semblante de decepção quando segurava o resultado do exame. Falaríamos com o doutor Flynn daqui um dia, eu havia decidido mas, enquanto o dia não chegasse, essa sensação de ter de começar do zero assombraria a mim e Swan.

Não sei o porquê mas hoje foi um dia bem atípico na emissora. Atípico no sentido de estranho. Todos me olhavam com certa curiosidade nos corredores e no estúdio de filmagens. Era como se soubessem o que havia ocorrido, ou era só impressão minha.

— O U.S.A News fica por aqui. Tenha uma excelente quarta-feira e até amanhã. — disse eu para a câmera a minha frente, enquanto o jornal ia saindo do ar.

Juntei os papéis que me serviam para me guiar nas notícias e acenei ao diretor que fez o mesmo para mim da sala de edições. Eu já podia me levantar da cadeira da bancada de apresentação e sair, se não fosse interrompida por Archie que apareceu de trás de sua câmera no estúdio.

— Regina, você está bem?

— Sim, acho que sim, Archie, por quê?

— Parece um pouco abatida. — Ele era meu amigo já há algum tempo, sabia quando eu estava bem, e muito mais quando eu estava mal. Não tinha como enganá-lo.

— Vou precisar conversar com a maquiadora, ela não deve ter passado a base direito. — brinquei.

— Não. Não é a maquiagem, é você. Parece chateada.

Dei um sorriso fechado, irônico.

— Tá bom, Archie, você venceu. Eu não estou cem por cento. Acho que pra você posso contar. Emma fez o teste de gravidez hoje e deu negativo.

— Ah, que pena. Eu sinto muito.

— Eu também. Mas passou, vamos tentar de novo, conversamos e temos que continuar. — dizia eu enquanto guardava a caneta no bolso do blazer.

— Eu ia dizer a mesma coisa. E isso pode ter acontecido porque é a primeira vez, costuma ocorrer muito na primeira vez nesse tipo de tratamento.

— Foi o que eu expliquei à Emma e o doutor também já tinha conversado conosco. Agora, Archie, quero pedir um favor a você. — me levantei.

— O que precisar. — ele disse, atenciosamente.

— Não conte a ninguém. Se perguntarem, até mesmo o diretor ou a Maleficent, diga que não sabe de nada.

— É para proteger a Emma, não é?

— Sim. Tudo o que minha mulher precisa é de paz pra que dê certo na próxima vez.

Ele concordou e prometeu guardar segredo.



Dessa vez quem ligou para pedir um consolo amigo fui eu. Killian estava no bar quando cheguei, não havia começado a beber e não o faria se eu não o acompanhasse.

— Vim o mais rápido que pude. Como você está? E Emma? — ela disse, puxando a cadeira para mim ao seu lado na bancada do bar e me dando um beijo numa das bochechas.

— Estamos indo. Sabe, Kill, eu não pensava que ficaria tão mexida com o que aconteceu.

— Eu te entendo. Acho que até melhor do que qualquer outra pessoa. — ele disse, coçando o cavanhaque recém crescido. — Vamos de que hoje? Scotch? Bourbon?

— Não me leve a mal, meu amigo. Vou ficar na água com gás. Não quero chegar em casa mal como cheguei naquele dia.

— Está certo, então vou tomar algo mais leve também. — ele fez nossos pedidos ao garçom e voltou-se para mim. — Por mais que o que eu vá dizer seja repetitivo, isso passa, Regina.

— Eu sei que foi a primeira tentativa, só que nada me tira da cabeça aqueles olhos. A decepção dela, a culpa que ela sentiu.

— Foi a mesma coisa que eu vi quando aconteceu com Ruby.

— Com você foi ainda pior.

— Foi. Você tem sorte. Se acontecesse com Emma como foi com Ruby, você não iria deixar Emma se entregar.

— Mas você não deixou Ruby sozinha, esteve com ela o tempo todo.

— E do que adiantou? Eu a perdi. — ele abanou a cabeça.

— Killian, você e Ruby... O que tem acontecido? — perguntei, inocente, sem saber ao certo o que tinha ocorrido depois de tantos meses.

— Eu pedi o divórcio na semana passada. Não dá mais. Agora quem não quer sou eu. — Killian falou convicto.

Eu fiquei boquiaberta com o que tinha acabado de escutar. Franzi o cenho e olhei para frente.

— Vocês eram tão apaixonados...

— Disse a verdade. Éramos. Ruby se perdeu no desgosto, se perdeu dela mesma e especialmente de mim. Se não podemos recomeçar, melhor acabar logo com o casamento.

— Killian, eu sinto muito.

— Tudo bem, Regina, eu sou apenas um cara que não tem a mesma sorte que você, ou só um cara que mete os pés pelas mãos.

— Kill, você tem a vida toda pela frente. Não deu certo com Ruby, mas vai dar certo com outra pessoa. Basta ter paciência. — toquei em seu ombro. — Que coisa. Acho que hoje é meu dia de falar sobre segundas chances.

Ele apoiava o rosto com uma das mãos fechadas sobre o balcão.

— Você pode ter razão. E sobre Emma, não deixa ela se perder como aconteceu com a Ruby.

— Não vou deixar.



Fui para casa chateada por saber do fim que teve o relacionamento do meu casal de amigos favorito. Imaginei como Emma ficaria ao saber da notícia.

Conversei com Zelena e meu pai pelo computador, mas não contei que o procedimento havia dado errado de primeira. Eles estavam contentes demais para que eu estragasse suas expectativas assim. Pelo menos consegui disfarçar bem meu desanimo.

— Mande o meu abraço para Emma, e convença ela de vir aqui qualquer dia. Sentimos falta de vocês. — comentou papai da tela do computador.

— O.k., pai. Vou falar com ela.

Zelena ao lado dele disse depois:

— Ah, venham mesmo, quero apresentar meu novo namorado. Ele até hoje não acredita que você é minha irmã.

— Poucas pessoas acreditam, Zelena. — eu falei. Ouvi o barulho do carro de Emma estacionando na garagem e me despedi da minha família. — Bom, pessoal, Emma chegou. Eu vou mimá-la um pouquinho e depois vamos descansar. Vocês se cuidem. Amo os dois.

— Amamos você também. — disseram juntos e desligaram.

Foi o tempo de Emma. Me levantei da mesa e ouvi minha mulher abrindo a porta. E ao me virar tive uma bela surpresa.

— Emma!

— Oi. — ela sorriu simples, parada de onde estava. O que havia de diferente? Seu cabelo. Emma voltara a ser loira. Eu havia me esquecido que o comercial que Swan gravaria hoje era sobre uma tintura de cabelo que fazia parte dos cosméticos que a usavam de garota propaganda. — Que foi? Por que está me olhando assim?

— O seu cabelo. — me aproximei para confirmar. Minha boa e velha loira estava de volta. — Eu senti falta dele.

— Vai me dizer que gosta mais de mim quando estou loira? — ela arregalou os olhos.

Toquei em suas madeixas e pensei.

— Eu amo você morena, ruiva, careca, com cabelo curto, cabelo enrolado, cabelo liso, é que eu conheci você loira. Sabe, nostalgia. Me esqueci que você ia fazer o comercial de tintura de cabelo.

Ela me beijou no rosto e andou até o sofá.

Tinha cara de cansada. Deve ter sido uma tarde cheia, ainda mais depois do que ela havia passado de manhã. Me sentei ao seu lado enquanto ela tirava os sapatos dos pés e se desfazia da mochila nas costas.

— Então acabou sendo uma surpresa. Mas que bom que você prefere assim, porque eu não pretendo mudar a cor tão cedo. — ela me olhou de canto.

— Mas e a série? Sua personagem era morena.

— Vou conversar com os produtores, não custa mudar um pouco, né? Pode até ser que a audiência aumente com o novo visual que a personagem adotar.

Eu tive que concordar.

Passei a mão em seu rosto de lado, colocando os fios mais rebeldes do cabelo para trás de sua orelha e esperei até que ela dissesse algo mais. Mesmo de cabelo mudado, seu rosto não havia mudado nada do que eu havia visto de manhã. Me perguntava se ninguém percebeu enquanto ela trabalhava.

— Está com fome?

— Não, querida, eu não tenho apetite algum. Não comi nada, nem quero nada. Me deram uma fruta lá na sessão de fotos e um suco também. Não se preocupa. — ela forçou um novo sorriso.

Juntei as mãos perto do queixo e a observei. Não aguentei e precisei falar como me sentia a vendo daquela forma.

— Eu odeio te ver desse jeito.

Ela assentiu, coçou a nuca.

— Juro que tentei disfarçar, é que é difícil.

— Posso imaginar o quanto. Se pra mim está sendo difícil, imagine você.

— Só queria não ter acordado hoje. Queria apagar hoje de manhã da minha mente. — Por breves segundos, percebi seus olhos marejados. — Eu vinha dirigindo e pensando, será que eu fiz alguma coisa pra merecer? — de repente me mirou séria. — Droga!

— Emma, o que foi que conversamos hoje cedo? Não significa que você não vai ter outa chance de engravidar. Vamos tentar de novo.

Ela fez que não, impaciente.

— Já não sei, Regina. Eu já estou começando a achar que eu não nasci pra ser mãe.

Cocei meu rosto, ficando tão impaciente quanto ela. Aquela conversa literalmente me aborrecia.

— Por que um teste deu negativo? Só por isso? Sinceramente, Emma, você está parecendo uma criança que acabou de perder um brinquedo.

Ela ficou ofendida.

— Um brinquedo que você não queria. Eu devia ter prestado atenção no que você dizia. É, aquelas coisas de não querer adotar, não querer que eu fizesse a inseminação porque tinha medo, porque odiava a ideia desde que nos conhecemos. Se eu tivesse escutado você e se eu não tivesse aceitado o maldito papel da doutora na série, eu jamais pensaria nessa história de novo. Eu desisti uma vez por sua causa, porque achei que seria uma boa para nós duas, e agora? Eu teimei, eu fui atrás disso, insisti e fiz você aceitar uma coisa que nunca coube na sua ideia. Resultado, eu não engravidei e nem devo engravidar de novo. — esbravejou.

— Emma, pode gritar, falar alto o quanto queira. Isso não muda nada. — falei, enérgica. — Só não comece a me culpar pelo exame ter dado errado. O que eu dizia e pensava anteriormente não vem ao caso hoje. Do jeito que você fala, se parece Ruby quando perdeu o bebê dela e se culpava porque não queria engravidar cedo.

— É muito diferente, Ruby estava grávida.

— Pode ser diferente, mas a sensação que você está sentindo é de como se tivesse perdido um filho. Você está aumentando bastante os fatos, Emma. Convenhamos. Eu me sinto muito mal, passei o dia todo pensando em você e na sua cara quando segurava aquele teste. Eu também me sinto péssima, mas se estivesse no seu lugar eu tentaria de novo, porque eu quero ser mãe nesse momento, talvez não com a mesma vontade que você, mas eu quero. Parece que não tivemos aquela conversa mais cedo, parece que você se esqueceu de tudo o que eu disse.

— Eu não esqueci. Eu só não posso evitar de me sentir como eu me sinto.

— Não proíbo você de se sentir mal, jamais, Emma. Eu só não posso concordar quando diz que não engravidou porque fez ou deixou de fazer algo. Eu sinto muito, do fundo do coração que não tenha conseguido.

Ela não baixava os olhos.

— Acho que mal começamos e paramos sobre ter filhos.

Suspirei pesadamente.

— Quer saber? Está muito recente, você precisa descansar, não pôde parar direito para refletir e está tirando muitas conclusões. Pensei que devíamos ir até a clínica amanhã, mas acho que não é o momento.

— Eu não quero mais falar disso hoje. Chega. Se continuarmos vamos acabar brigando. — ela estava corada, tentando se controlar. — Me desculpa. Me segurei o dia todo, fingindo estar tudo bem para trabalhar e estou descarregando tudo em você agora.

Peguei em sua mão, encostada sobre a perna e a puxei para um abraço.

— Passou. Não vamos falar mais disso hoje. — sussurrei em seu ouvido e deixei ela afundar o rosto na minha roupa.

A levei para a cama depois que adormeceu, fazendo um esforço tremendo em carrega-la no colo, pois Emma era pesada apesar de esbelta. Tirei suas roupas e a deixei confortável para repousar. Acho que tudo o que ela queria era dormir e só acordar quando suas frustrações passassem.

Notas finais
Eu imaginava que ficariam desapontadas no capítulo passado, e repito... Para que as coisas façam sentido, Emma precisou passar por essa. Sobre Henry, aguentem firme, saberemos também o que acontecerá com ele, e antes disso, Emma vai encarar uma decisão que Regina contará no próximo capítulo que já está quase pronto. Um brigadão para todas que favoritaram a fanfic no último capítulo e aquele beijo especial para quem comenta sempre. Até o próximo. Fiquem bem.