Não há outro amor para mim.
10 Surpresas e um inesperado pedido.
Notas iniciais
Eis a minha definição de pânico: imaginar Emma me trocando pela carreira no cinema. Se ela não tivesse me abraçado outra vez, eu juro que iria me debulhar em lágrimas ou teria me ajoelhado aos seus pés implorando para que ela não me deixasse. Mil coisas passaram pela minha cabeça naquele minuto.
Eu podia ver minha namorada sorrindo enquanto eu procurava meios de contar a ela sobre a promoção que estava prestes a ganhar no trabalho. Forcei alguns sorrisos numa mescla de alegria e dúvida só para fazê-la acreditar que estava tão feliz quanto. Acho que daria uma boa atriz, afinal, estava disfarçando bem. (Emma poderia me arranjar uma vaga em algum filme e trabalharíamos juntas, já pensou?)
— Meu Deus, eu preciso ligar para os meus pais! — disse ela, parando para pensar um pouco. Andou de um lado para o outro, disse uma porção de coisas que não consegui entender por causa da minha confusão mental do momento. Eu estava tão apavorada que mal conseguia pensar.
Antes que Emma me deixasse ainda mais ansiosa, peguei seu telefone dentro da mochila e a entreguei.
— Sim, faça isso. Eles merecem saber. — falei para incentivar.
Enquanto Emma contava a novidade para os pais, eu me afastei no quarto. Pedi aos céus que me ajudassem a achar uma forma de contar a ela que teria de ficar em Portland, porque até o momento não tinha nenhuma noção de como dizer aquilo e nem sabia o que esperar da reação dela. E se ela ficasse tão mal quanto eu? E se ela desistisse de ir para Hollywood por minha causa? Nosso romance acabaria?
Já estava imaginando que aquele era o fim de um breve namoro de inverno, ou algo com o qual teria de me acostumar. Supus que poderia me adaptar a qualquer situação por ela. Eu estava muito mal acostumada. Era embaraçoso perder a cabeça por uma mulher que eu conheci há quase cinco meses. Então, concluí que a ida para a Califórnia tinha um significado mais profundo, nós daríamos um jeito.
Por milagre, Emma não inventou de sairmos para comemorar. Ficamos por ali, com ela me contando um milhão de vezes repetidas do momento em que falou com o diretor do filme e de sua reação — quando Emma estava feliz, costumava tagarelar. Houve um momento em que tive vontade de me trancar no banheiro para que ela parasse. Foi a primeira vez que a odiei por algum defeito.
Quando finalmente nos deitamos naquela noite, ela um pouco mais calma e eu mais conformada, estive prestes a falar de minha promoção:
— Eu tenho que contar a você uma coisa — disse, deitada em cima de seu seio direito.
— Fala, minha vida. — ela respondeu, mas ainda estava muito absorta na alegria.
— Eu... Eu hoje... É... — de repente um nó travou minha garganta. Não consegui falar. Emma não percebeu ou não quis prestar a atenção em mim porque continuava olhando para o teto com aquele sorriso bobo na cara. Fiquei ainda mais sem jeito de lhe contar qualquer coisa. Eu não queria estragar sua alegria. Numa fração de segundos decidi não contar a ela, eu não devia. — Eu... É... Eu estou muito feliz por você, meu amor. Vai dar tudo certo! — falei bem firme.
Mais uma vez “atuei”, e para melhorar puxei ela para cima de mim, rolamos algumas vezes. Namoramos até ela se cansar. A partir dali, cada vez que fizéssemos aquilo, eu lembraria daquela canção chamada Besame Mucho: como se fosse a última vez.
Nos dias seguintes, tentei encarar a situação da maneira mais natural possível. Eu ia trabalhar; minha garota continuava indo ao teatro para encerrar a temporada até que uma nova atriz fosse escolhida para substituí-la.
Na última apresentação de Emma, o público que havia lotado o teatro mais uma vez a aplaudiu de pé por muitos minutos. Deram-lhe um buquê de flores e muitos presentes. Mesmo que a substituíssem no papel de Mary, a peça não seria a mesma. Por isso o espetáculo perdeu mais da metade do público após sua partida.
Livre para seguir com a carreira antes do previsto, minha loira decidiu ir para Los Angeles. Emma iria procurar um lugar para morar enquanto estivesse gravando o filme, depois contando com o sucesso, pretendia arranjar mais trabalho. Certa noite, nos sentamos para falar disso, e a conversa que tanto temia aconteceu. Emma deixou claro que não queria terminar comigo, e que eu fazia parte dos seus planos para o futuro.
— Eu sei que vai ser difícil. — disse ela. — Eu vou sentir sua falta em Los Angeles. Mas vou encontrar meios de te vir buscar logo.
Franzi os lábios. Tentei não me afetar com suas palavras.
— Emma, você não tem que se preocupar comigo. É a sua carreira, seu trabalho, você não pode perder a oportunidade. Uma hora eu sabia que você iria embora, eu sabia...
— Eu não vou simplesmente embora e te deixar como se você fosse apenas um episódio na minha vida. Não vou perder a oportunidade e tampouco você.
Quando ela me disse essas coisas, meu coração ficou mais confortável. Era como se ela tivesse entendido o que eu estava sentindo e o fato de que agora eu iria realmente sentir falta dela.
— Vou sentir sua falta. — admiti.
— Por favor, não desista de mim. — ela veio se aproximando no sofá. — Me espera. Confia em mim.
Fiz que sim com a cabeça. Sorri e a abracei.
Eu já sabia que seria daquele jeito, enquanto isso, me recordava que faltavam poucos dias para dar minha decisão a Sidney, se iria ou não aceitar a promoção. Por amor a ela continuei calada sobre esse assunto, não contei-lhe nada.
Na noite anterior à partida, ela me levou para jantar, depois para dançarmos onde sempre íamos, e assim que voltamos para o apartamento, fizemos amor de um jeito maravilhoso, com sabor de despedida.
De manhãzinha a levei até o aeroporto. Emma odiava dizer adeus, apenas frisou que me amava e que voltaria em breve para me ver e me buscar. Dei-lhe o abraço mais apertado do mundo antes que ela precisasse correr para pegar o avião.
— Te amo. Muito. — sussurrou ela ao pé do meu ouvido.
— Eu também, mais do que você possa imaginar. — nos olhamos ainda abraçadas. Eu estava quase chorando. — Agora vá... E me ligue quando chegar.
Depois de um breve beijo ela soltou de mim e foi.
Bateu um sentimento estranho depois que a vi cruzar o embarque. Fiquei acostumada com ela no curto tempo que partilhamos. Nosso romance foi intenso e, contudo, eu me sentia como se já estivéssemos casadas.
Fui para o apartamento cumprindo o prometido de cuidar de tudo na ausência dela. Até que suportei bem os primeiros dias, muito por conta do trabalho que deixei acumular de propósito para ter o que fazer. De qualquer maneira, toda noite quando me ligava para contar as notícias, eu sofria.
Seus primeiros dias em Los Angeles foram uma loucura, segundo ela. Antes que as gravações começassem, foi difícil achar um lugar para ficar nas proximidades do estúdio. Quando as gravações iniciaram de vez, Emma ainda estava hospedada em um hotel e por sorte, uma outra atriz do filme ofereceu-lhe vaga em seu loft. Ao que parecia, a moça estava morando na cidade há três anos e já havia dividido seu espaço com outras atrizes que buscavam trabalho. O nome dela era Ruby e Emma me assegurou que ela namorava um outro ator – não pude deixar de rir da preocupação em me contar aquele detalhe, mas achei muito bom.
Mesmo sabendo disso, eu não estava nem um pouco feliz. Ouvir sua voz e não vê-la, não tocá-la, me deixava triste. O ruim de tudo era me deitar na cama de casal e sentir um lado vazio. Passei a dormir agarrada ao travesseiro que tinha o cheiro de seu cabelo entranhado na almofada, me fazendo lembrar do quanto era bom abraça-la e adorá-la. Lembrando disso hoje, eu tenho a vaga impressão de que foi um exagero sofrer tanto, porém, estava fora do meu controle. E pensar que aquele era o primeiro mês sem ela. O filme levaria um tempo para ser filmado, sabe Deus quantos meses ficaríamos sem nos ver. Foi assim que minha abstinência em Swan só piorou e me fez pensar em coisas ruins.
Numa madrugada em que eu não conseguia pegar no sono por causa da saudade, olhava nossa foto na praia enquanto minha cabeça confabulava com a ansiedade. Não quis ligar para ela. Eu pensava comigo mesma se valeria a pena ficar em Portland pelo trabalho e se esperar por Emma seria a coisa certa. Não consegui encontrar respostas. Eu sabia que chance como a que estava prestes a aceitar no jornal poderia demorar a acontecer outra vez, mas a ausência de Swan ficou insuportável ao ponto de me fazer ter crises de choro crônicas.
Por um segundo, uma ideia absurda passou pela minha mente: eu tinha de ir até Los Angeles para tirar as dúvidas da cabeça, eu precisava me encontrar com Emma e tinha de ser naquele momento. Só que havia um detalhe: faltava apenas um dia para aceitar ou não a proposta de promoção no jornal.
Não me pergunte como me arrumei tão depressa. Eu não raciocinava bem naquele momento. Só me lembro do taxi me deixar no aeroporto bem cedo naquela manhã e eu conseguir milagrosamente uma vaga no voo das oito, o primeiro que partia de Portland para Los Angeles. Também não me lembro como consegui atravessar aquela cidade quando cheguei. Eu não conhecia absolutamente nada de L.A. Mas o taxista que me levou do aeroporto até o lugar anotado no papel foi muito legal em entender que eu estava em apuros.
O prédio onde Emma estava morando era bem comum, talvez mais comum que o nosso em Portland. Eu tinha anotado tudo o que ela me passara para mandar aos poucos suas coisas que não pôde levar de primeira, então sabia qual era o número do apartamento. Um minuto depois e ela abriu a porta.
— Regina?!
— Emma!
Nossa única reação foi o abraço. Eu sei que ela não entendeu nada, mas eu estava ali, por isso começou a me tatear para saber se eu era real.
— Não estou sonhando... É você mesma! — ela disse, se afastando um pouco para olhar meu rosto. — Como você veio parar aqui?
— Meu amor, me desculpa, eu não consegui passar mais tempo longe de você — peguei-a pelos ombros, notando o que estava vestindo: uma calça jeans, camiseta e o par de tênis. Estávamos nos parecendo por sinal. Eu sorria ao mesmo tempo que parecia nervosa demais, falei tanto que Emma se assustou. — Me perdoa, eu precisava vir, você não sabe como é ruim ficar sem você. Não me mande embora, eu prometo que não vou te atrapalhar, eu só preciso de você um pouquinho...
— Regina, calma. Calma. O que houve? — e ela me puxou para dentro. — Que que tá acontecendo? Quando você chegou?
— Agora praticamente. — respondi depois de tomar ar.
Emma ficou me olhando com surpresa ao mesmo tempo que queria sorrir. Me agarrei de novo a ela, a beijei por todo o rosto e a apertei como se fizessem duzentos anos que não a via.
— Não estou acreditando. — ela disse, toda desajeitada comigo ali. Mais do que depressa eu a belisquei no braço. — Ai!
— Acredita agora? — perguntei.
Alisando o braço ela me respondeu e sorriu:
— ‘Tô começando a acreditar. Mas minha nossa! Como? — ela começou a rir.
— Eu sei que o que eu fiz foi uma loucura, que você não entendeu nada. Acontece que estava fora do meu controle, meu amor. Eu precisava te ver.
— Hey, calma. — ela se aproximou de novo. — Sentiu tanta falta assim de mim?
— Muita. Eu não te contei mas sempre depois que você me ligava, eu ia pra cama chorar, me agarrava no seu travesseiro e imaginava que era você que estava ali comigo.
— Uau, que coisa incrível... — Emma parecia como uma pessoa que acabara de levar um soco no estômago. — Me desculpa fazer você passar por isso.
— Não é culpa sua. Não tem que pedir desculpas.
— Mas eu vim para cá e te deixei sozinha, você está sofrendo.
— Por causa do seu trabalho.
— Eu não queria que você sofresse. — ela deu um suspiro — Quer saber de uma coisa?
— Sim.
— Eu também estou sofrendo.
— Jura?
— Uhum. — fez que sim e me tocou os cabelos com os dedos. — Não tenho dormido bem. Acho que me acostumei tanto a dormir com você que agora só consigo pegar no sono imaginando você do meu lado.
Achei aquilo bonito.
— Bom saber.
— Você é doidinha, hein? — ela disse e em seguida me beijou.
Passamos algum tempo naquilo, matando a vontade e aí sua ficha caiu.
Demoramos tanto no beijo que a colega de Emma chegou nos pegando bem na hora em que Swan me dava uns amassos, com a mão bem na minha bunda.
A atriz pigarreou antes de bater a porta do loft. Tomamos um baita susto.
— Oi. — falou a mulher.
Ruby era uma mulher magra, com mechas vermelhas nos cabelos e olhos azuis escuros. Se Emma não tivesse me contado que ela era solteira, eu com certeza estaria morrendo de ciúmes.
— Oi. — dissemos juntas.
Emma tratou de me apresentar, depois de limpar os lábios do batom que eu deixei por boa parte do seu rosto.
— Ruby, essa é Regina, minha namorada.
— Oi, Regina. — disse a outra atriz, estendendo a mão e sorrindo após perceber que chegara numa hora não muito adequada. — Muito prazer. Emma me fala muito de você.
— Fala? — perguntei com surpresa.
— Fala sim. — ela assentiu. Estava vestindo um vestido curto que denotava suas pernas e silhueta. Ele estava bem amarrotado pelo o que vi. Depois Emma me contou que a colega estava em uma festa e passou a noite fora, por isso chegou naquele horário em casa. Os atores, especialmente mais jovens, costumavam ser convidados sempre para “festinhas” em boates e danceterias da cidade, rolava de tudo, bebidas, cigarros, coisas mais pesadas e até o que eu não imaginava. Desses detalhes não quis saber muito. — Desculpa atrapalhar o que vocês duas faziam, eu não sabia que tinha chegado.
— Ah, imagina.
— É que eu não aguento quando vejo a Regina, sabe, Ruby? Ainda mais depois de tanto tempo sem vê-la. — Emma falou se aproximando de mim por trás.
— Eu estou vendo. — disse Ruby rindo da nossa cara.
Ruby foi muito gentil me deixando ficar o tempo que precisasse. Ofereceu sua cama a nós mas a noite eu preferi dormir no sofá com Emma. Naquele dia, as duas foram trabalhar mais tarde. Gravaram duas cenas longas. De noite, depois de jantarmos omelete feito por Emma e Ruby sair para se encontrar com o namorado, ajudei Emma a decorar o texto para o dia seguinte de gravação, mesmo que ela só precisasse dizer uma dúzia de palavras. Até que seu papel de coadjuvante em um filme de terror parecia bacana. De um filme Hollywoodiano esperava-se muito, e até eu fiquei impressionada com o roteiro.
Minha loira e eu conversávamos, foi então que finalmente eu tive coragem de contar a ela da promoção. Swan ficou muito espantada, talvez mais do que quando me viu na porta do loft mais cedo. Tentei acalmá-la.
— Eu ainda não disse nada ao meu chefe, não sei se deveria aceitar.
— Regina, você conseguiu o que tanto queria e não vai aceitar?
— Mas se eu aceitar terei de ficar em Portland, não poderei vir para cá te ver sempre. No avião eu estava planejando comprar uma casa aqui e a gente começar uma vida nova.
— Minha vida — ela tocou minhas mãos. — as coisas aqui em L.A. não são tão fáceis como se pensa. E se você não conseguir uma vaga dessas em outro jornal? Você perderia tempo vindo atrás de mim, querendo ficar aqui.
— O que que eu faço?
— Aceita a promoção, trabalha.
Respirei fundo.
— Eu sinto muito a sua falta.
Emma levou a mão até minha bochecha para afaga-la.
— E eu a sua. Confia em mim. Não foi você mesma que disse que daria tudo certo?
— Foi. É que você me deixou mal acostumada.
— Quero ficar com você, quero te trazer pra cá, mas não se você não estiver feliz. Você trabalhou muito para ter essa chance, então se quer passar mais algum tempo no jornal, eu vou entender.
— E como é que eu vou suportar mais tempo sem você?
— Você não vai ficar sem mim...
E Emma estava certa. Não fiquei sem ela por muito tempo.
Passada uma semana que voltei à Portland e aceitei minha vaga na edição do jornal, minha calma parecia voltar ao normal. Eu estava bem conformada e segura de que meu relacionamento com Swan se tornara ainda mais firme depois de ter feito aquela loucura de ir até ela em L.A. sem mais nem menos.
Era sábado, eu lia um livro, quando bem tarde da noite a campainha do apartamento soou e me levantei da cama para atender. Achei estranho que alguém aparecesse ali naquela hora, mas pensei que poderia ser alguma emergência. Para minha surpresa era quem eu menos esperava. Dei um grito ao olhar no olho mágico e ver quem era.
— Emma! — disse abrindo a porta, e ela com seu sorriso mais lindo me abraçou, me empurrou para dentro, me roubando um beijo delicioso.
Não deu tempo de falar mais nada. Ela empurrou a porta com o pé, largou sua mochila no chão e como da primeira vez que fizemos amor, me carregou para o quarto. E, aparentemente sem qualquer esforço, nossas roupas formaram uma trilha no chão para rapidamente eu notar que estávamos nuas na cama e eu já começava a perder o fôlego.
Emma não se prolongou em distribuir seus beijos e beliscões por todo meu corpo, em especial nos seios. Desceu por minha barriga e se fartou lá embaixo, bem dentro de mim com sua língua e dedos.
Mais tarde, deitamos uma nos braços da outra, e falamos, beijamos, cochichamos. Que surpresa maravilhosa ela me fez, porém, não havia acabado.
— Regina... — ela me olhava estranhamente enquanto eu ria toda esparramada com ela ali.
— Que tal uma nova rodada? Hum? — perguntei, me virando e descendo por seu umbigo. Ela me segurou, sentando-se.
— Não.
— Por que não? — perguntei.
— Preciso dizer uma coisa.
Não gostei do tom da voz dela. Por isso, me sentei, segurando o lençol em cima dos seios. Mesmo no escuro consegui ver sua cara séria.
— O que foi? — fiz a mesma cara.
— Eu não sei como dizer isso... Droga! — ela reclamou consigo mesma. — Você sabe que eu te amo, não sabe?
— Sim, eu sei.
— E que eu faria tudo para que você continuasse acreditando nisso, não é?
— Aham. — assenti.
— Certo. — ela se esticou para pegar da jaqueta uma coisa que não consegui ver direito, achei que era um papel, mas era muito mais que isso. — Eu queria que você soubesse que... Está sendo muito difícil viver longe de você... E na última vez em que te vi, tive certeza de que não quero correr nenhum risco de perdê-la... — parecia uma garotinha ao dizer aquilo
— Emma? — perguntei meio rouca. Não podia ser o que eu estava pensando.
— Fica comigo, Regina. — então pegou minha mão direita e colocou algo no meu dedo anelar. Sim, era o que eu estava pensando. — Casa comigo?
Fiquei atônita. Meus olhos estavam arregalados, minha boca tremia, eu não sabia se queria rir ou chorar. Emma estava me pedindo em casamento. Céus, aquilo estava mesmo acontecendo.
Pensei depressa, a olhava tremendo toda. Ela estava tão linda fazendo aquela cara de medo, não pude resistir. Intuitivamente, me inclinei e a beijei. Quando ela fez o mesmo eu sabia a resposta para a pergunta.
— Sim! Eu aceito! — eu ri, gargalhei amando-a mais ainda.
— Você aceita? Aceita mesmo? — ela perguntou por baixo.
— É claro que eu aceito. — confirmei e ficamos a rolar na cama. Como aquilo foi bom.
Era difícil acreditar no que estava acontecendo.
— Eu te amo, minha vida, eu te amo... — sussurrou. — Agora somos uma da outra para sempre.
Jamais esperava que Emma me faria tal surpresa. Eu também a amava, era óbvio que aceitaria o pedido.
Agora, mesmo que nos afastássemos, continuaríamos sendo uma da outra, como ela mesma disse, para sempre. Aquela aliança passava a sensação ainda maior de que dali em diante estávamos destinadas a ficar juntas.
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