Notas iniciais
Boa, leitoras! Como estão? Me desculpem essa demora, eu juro que não é intencional, até porque essa semana a tendinite me atacou e deixei de escrever por alguns dias, então imaginem a minha frustração de não conseguir postar antes do previsto. Espero que a partir de agora as coisas voltem ao normal. Eu havia prometido uma cena quente para esse capítulo, mas como me empenhei muito nela, achei que o capítulo ficaria imenso, então resolvi dividi-lo em 2, esse do casamento e o próximo sobre a noite de núpcias que será postado ainda esse fim de semana se possível, ok? Bem, espero que gostem dessa Regina noiva toda ansiosa do capítulo de hoje. Façam uma boa leitura.


N
a manhã seguinte, quando acordei, percebi que, com total certeza, um vendaval havia passado pela minha casa. Podia ouvir uma barulheira vinda lá de baixo, no jardim, enquanto abria meus olhos, implorando por mais uma hora de sono.

Arrastei-me para fora da cama, com a pior cara da face da terra. Espiei pela janela do meu quarto e vi toda a movimentação dos empregados no jardim, arrumando mesas, cadeiras, flores, entre outras coisas que meus olhos embaçados não conseguiram enxergar à distância. Mamãe estava certa quando me prometeu que seria uma linda cerimônia e que não devia me preocupar já que ela estaria organizando tudo. Além da casa que ganhamos, aquele era o segundo melhor presente que recebi. O apoio que Cora estava nos oferecendo mostrava o quanto ela se sentia feliz e que todo o seu receio quanto a Emma havia mudado.

Desci feito criança pela escadaria da mansão e encontrei mamãe e mais algumas empregadas cuidado da comida, na cozinha. E ali a situação era ainda pior, mal cabia uma formiga encolhida no recinto, com o tanto de pessoas se empenhando em fazer alguma coisa. E pensar que convidamos apenas cem pessoas para a cerimônia e festa.

Com certeza eu fiquei assustada ao ver aquilo. Minha boca aberta deve ter chamado a atenção de alguém que gritou: “Ela acordou! ” Minha mãe então, imediatamente deixou de fazer o que estava fazendo para vir falar comigo, me tirando dali como se eu estivesse assistindo algo improprio para minha idade.

— Querida, eu já estava indo te acordar... — ela disse. — Daqui à meia hora a maquiadora e seu vestido chegam. — dizia, me puxando pelo braço.

— Mas mãe... Eu... — tentei falar.

— Não se preocupe, eu cuidei de tudo. Vá, tome um café rápido, a mesa está pronta com todas as coisas que você gosta.

— Mas mãe, eu acabei...

— Não, eu disse que daria tudo certo, você confia em mim, não confia? Então, muito bem. Assim que terminar o café espere no seu quarto que eu quero ver como você vai ficar no vestido. Eu já estou acabando aqui e logo vou subir. — tagarelou Cora.

— Onde está minha irmã e meu pai? — perguntei.

— Eles saíram para buscar a roupa deles, logo mais estarão aqui... E, ah! Chegaram mais presentes, estão no quarto de hóspedes.

— Então vou tomar café sozinha?

Cora me olhou antes de virar as costas de novo.

— Você sabe que horas são?

— Não.

Ela me apontou o relógio da sala e vi que já eram quase onze da manhã. Céus! Eu acordei tarde no dia do meu próprio casamento. Mas também, fui dormir às três da manhã porque não conseguia pegar no sono de ansiedade.

Olhei consternada para o relógio e quando voltei para fitar minha mãe ela já havia sumido.

Desde então, as horas voaram. Conforme o tempo passava eu sentia um frio enorme na barriga. Imaginava se Emma estava assim tão ansiosa quanto eu. Na noite anterior a senti nervosa.

Meu vestido chegou e fiz uma última prova antes de me aprontar finalmente; um vestido de seda branco, decotado em V. rendado nas alças. Não sei ao certo quanto tempo demorei na maquiagem e no cabelo, mas creio que tenha levado pouco, até porque meu corte estava curto e prendê-lo não foi difícil. Ao me olhar no espelho, quase não me reconheci. Acho que isso era um bom sinal.

Quando apareci no topo da escada, segurando o buquê, mais perfeita e mais fiel que uma noiva de catálogo, vi os queixos de meu pai e minha mãe caírem. Eu desci com muito cuidado e quase não me segurei de emoção ao chegar perto dos dois.

— Minha filha... Você está incrível! — ele disse com os olhos marejados. Estava tão bonito na veste a rigor.

— Eu sabia que você ficaria maravilhosa nesse vestido, ótima escolha, querida. — disse mamãe, me abraçando em seguida. Ela também ficara muito bem vestida toda de roxo.

Agora, faltava pouco. A confusão que vi do lado fora de manhã cessou. Tudo estava pronto. Dei uma bisbilhotada pela janela e vi os convidados – alguns já sentados, alguns de pé conversando entre si — vi também o grande tapete vermelho estendido até o altar, montado no centro do jardim, entre os pinheiros que abriam passagem para o restante da propriedade, tudo com um toque cintilante a cada parte que se olhava. Seria uma festa bonita e foi. Eu mal podia acreditar que a hora estava chegando.

A cerimônia estava marcada para o final da tarde. Era verão, fez um lindo dia e a noite seria tão bela quanto. O carro que trouxe Emma e seus pais chegou exatamente em cima da hora. Confesso que eu estava prestes a comer todas as unhas dos meus dedos, achando que tinha sido largada no altar. Quanta bobeira a minha!

Meu pai e eu devíamos entrar. Emma e eu combinamos de fazermos na contramão, eu a esperaria no altar. Os músicos iniciaram uma bonita melodia, enquanto minha mãe, Mary Margaret, Zelena, Killian e Ruby (sim, ela também veio para o casamento) entraram na frente. Dei um longo suspiro, apertando a mão de meu pai que me acalmou com um sorriso, por fim entrando ao lado dele e todos que estavam sentados se levantaram para nos receber.

Me concentrei em não tropeçar nos meus próprios pés. Henry Mills parecia o homem mais feliz da face da terra, me conduzindo com tanta firmeza que tive a sensação de estar ao lado de um rei, desfilando pelo tapete real.

Depois foi a vez de Emma, que surgiu assim que cheguei ao altar, esperando-a... Eu não sei você, mas sabe quando sentimos nossa cabeça pairar e a única coisa que conseguimos enxergar é a pessoa que amamos? Bem, foi assim quando vi Emma entrar. Não se parecia nadinha com a loira que conheci na boate, beijei no parque e dormi nos braços por tantos dias antes daquele. Fizera algo com os cabelos; não estavam soltos, nem presos como ela gostava, mas enrolados em uma elegante trança. Seu vestido era branco sem alças, de um fino tecido etéreo. E sorria, um sorriso um pouco nervoso, era verdade. E nem por isso deixou de ser a mulher mais bonita que eu já havia visto em toda a minha vida.

O senhor Swan me entregou a mão dela e então olhei fundo em seus olhos, o que me fez emudecer mais ainda. Minha única reação foi sorrir para controlar a imensa vontade de abraça-la. Emma lutava para conter sua emoção e confesso que eu também fiquei bastante comovida com aquilo.

Enquanto o Juiz de Paz começou a falar sobre o matrimônio e os benefícios da vida a dois, minha loira entrelaçou seus dedos nos meus, me olhando de lado às vezes. Meu coração batia acelerado como na primeira vez que nos beijamos. Trocávamos olhares, passando o restante do discurso do Juiz naquela reciproca forma de dizer eu te amo com os olhos.

O Juiz parecia muito simpático quando nos fez a tão esperada pergunta; Emma apertou minha mão ao dizer que sim. Em seguida, era minha vez. Respirei fundo e sem sombra de dúvidas confirmei com um outro sonoro sim.

— De acordo com a vontade que acabaram de manifestar perante a mim, eu em nome da lei e com os poderes que me conferem o estado, as declaro casadas. — concluiu o Juiz.

E num segundo nos tocamos, dando um beijo cinematográfico na frente de todos que nos aplaudiam de pé. Emma e eu éramos um poço de alegria naquele instante. Bem depressa, assinamos o livro, depois, Killian e Ruby fizeram o papel das testemunhas, então fomos liberadas para os abraços. Mamãe foi a primeira a me cumprimentar; tentou esconder, mas tinha um resquício de lágrimas em seus olhos, assim como meu pai. Até os pais de Emma estavam emocionados quando me abraçaram.

Passada meia hora que gastamos falando com todo mundo que veio ao casamento (e todo mundo mesmo, pois nenhum convidado faltou), o pessoal se dirigiu as mesas espalhadas pelo jardim. Havia acabado de anoitecer.

Assim que vi uma brecha, puxei Emma para dentro, numa salinha perto do escritório, para ter um momentinho com ela. Eu não estava me aguentando. Chegamos ali, continuando aquele beijo do altar, enquanto suas mãos e as minhas se demoraram cuidadosas para não amassar os cabelos nem os vestidos.

Emma sem ar me pediu calma e, de fato, eu parecia uma louca no momento em que a beijei.

— Eu não vou fugir, calma...

— Você está linda! Eu não esperava que fosse te ver assim. — eu disse, acariciando suas bochechas.

— E você está ainda melhor do que eu imaginava, não vejo a hora de irmos pro hotel. — tocou meu queixo. Selei sua boca muitas vezes, pouco me importando se perderia o tom do batom.

— Isso é um sonho, meu amor, eu estou vivendo um sonho. — disse, toda apaixonada.

— Eu também acho que estou vivendo um sonho... E se é mesmo um sonho que eu nunca acorde dele. — ela disse, alisando meus braços. Me derreti toda, beijando-a com entusiasmo, porém, tínhamos deixado nossos convidados lá fora, e claro, as noivas fizeram falta mais rápido do que eu pensava.

Mary Margaret abriu a porta do quarto e nos chamou. Ao que parecia, ela foi a única a nos ver saindo de fininho.

— Meninas, eu odeio interrompê-las, mas está na hora da dança. — disse a mãe de Emma.

Minha nossa! A valsa. Como eu pude esquecer?

Não fui tão mal assim. Emma e eu tínhamos o costume de dançar músicas lentas e românticas desde o nosso primeiro encontro. Então não foi difícil girar com ela pela enorme pista de dança, ao som de “A Thousand Years” . Distribuímos carinhos, sorrisos e beijos uma na outra, mantendo meus olhos nos dela, sem deixar de perceber nossos convidados nos observando também. E depois que a música acabou, para começar outra, muitos deles vieram para a pista de modo que deixamos de ser o centro das atenções. Meu pai e minha mãe dançavam próximos a nós duas e os pais de Emma estavam bem atrás. Vi meu chefe Sidney bailar com sua esposa, que a propósito era bem mais jovem que ele – parecia uma garota — os amigos do teatro de Emma haviam se arranjado com minhas primas, Ruby dançava com um cara que não reconheci de costas mas me surpreendeu muito quando viraram e enxerguei quem era: Killian. Tenho de admitir, eles formavam um belo par, a não ser pelo fato de que Ruby tinha namorado, ou não tinha mais, não sabia dizer ao certo, enfim, eles pareciam mais em sintonia que Zelena e seu namorado – via minha irmã fazer frequentes caretas sempre que o cara pisava em seus pés.

A canção romântica acabou e, de repente, o melhor da festa começou ao ouvirmos a banda começar uma música muito mais movimentada. Nos divertimos muito balançando no ritmo agitado e nessa dançamos mais umas dez músicas. Foi muito bom ver todo mundo animado, até minha mãe que nunca fez questão de brincar nas festas que frequentava dessa vez estava com o rosto todo afogueado de dançar. Era sem dúvida uma das mais animadas da pista. Emma me pegava pela cintura, me girava, só faltou me jogar pro alto. No final eu me sentia no “Grease”.

Quando a música seguinte terminou, todos aplaudiram a banda mais uma vez e eu puxei Emma para a mesa de comidas. Estávamos famintas e de quebra enchemos a cara de bebida para aliviar a animação, mas quem disse que nos livramos daquilo? Tive de ir dançar com meu pai e Emma com o dela, pelo menos um pouco. Papai me disse que esperava que eu fosse muito feliz ao lado de Emma e que ele queria muito que eu viesse visita-los todo final de semana. Fatalmente com a distância entre Los Angeles e Portland, iríamos nos ver menos.

Sidney pediu licença ao patriarca Mills para dançar comigo. Ele foi um ótimo chefe e lamentou quando eu disse que deixaria o jornal. De qualquer forma, ele me prometeu me dar uma boa carta de recomendação a um jornal parceiro da Califórnia, e eu poderia partir segura para Los Angeles, pois teria emprego garantido.

Killian veio por último. Meu amigo me desejou boa sorte na viagem de lua de mel e disse para esperá-lo quando eu me mudasse, pois ele acreditava que em breve iria para a Califórnia também. Não sei o porquê mas creio que aquela ideia tinha algo a ver com Ruby. Eu percebi os olhares trocados na pista de dança.

Pousei para mais algumas fotos com Emma e logo decidimos jogar o buquê para podermos deixar a festa em seguida. Zelena e Ruby foram as sortudas que os pegaram.

Me despedi brevemente de minha família, sabendo que minhas coisas e as de Emma já estavam no hotel para que de lá seguíssemos rumo à lua de mel em Cancun. Antes disso eu já me preparava para a noite de núpcias, que com certeza deveria ser inesquecível. E, quer saber de uma coisa? Foi tão boa que passamos a repetir o que fizemos naquele quarto de hotel muitas vezes ao longo do casamento.

Notas finais
Então, meninas? Que tal o casamento? Será que a Regina vai fazer alguma surpresa para Emma na noite de núpcias? O que vocês gostariam de ver no próximo capítulo? Eu sei que sempre agradeço quem me acompanha e comenta e faço questão de dizer mais uma vez meu muito obrigada a todas, valeu mesmo meninas, vocês são uns amores. Aguardem o próximo, até logo. Beijos ;*