Notas iniciais
Olá, amigas leitoras. Sejam bem-vinda a mais um capítulo dessa fanfic. O capítulo de hoje pode deixá-las confusas, mas o que ocorrer, acreditem, precisa ocorrer para que o final da história tenha um sentido. Um super beijo para Swan Mills que fez uma recomendação e que me acompanha desde os tempos de Skin on Skin. Meu bem, você não sabe o quanto me sinto lisonjeada por ter leitoras de opinião como você. Muito obrigada! Sem mais conversa. Façam uma boa leitura.


Levei Emma para casa a fim de acalmar seu pânico momentâneo. Quando chegamos, minha mulher subiu correndo para o nosso quarto, sem dizer uma palavra sequer a Pongo ou a mim, nem mesmo enquanto estivemos no carro. Em outro caso, Emma estaria tagarela feito Anna do Frozen, mas hoje, seria difícil eu tentar arrancar alguma explicação de sua boca.

Da mesma forma que Emma subiu, fui atrás, largando minha pasta e as chaves do carro e de casa no sofá de qualquer jeito. Ela estava sentada na beira da cama, se desfazendo depressa das botas nos pés e da calça jeans. Me sentei ao seu lado e olhei para ela pacientemente, esperando alguma palavra, qualquer frase que justificasse o que ela sentia. Depois de quase ficar nua para ir tomar seu banho, Emma suspirou pesadamente e pegou minha mão sobre o colchão. Apertou forte, tanto que doeu.

— Você estará lá comigo? Estará lá no dia em que eu fizer o procedimento?

— Eu prometo que estarei. — disse de imediato.

— E se não der certo? O que faremos?

Puxei o ar e olhei para a parede, pensando rápido em uma resposta.

— Vamos tentar de novo. — eu achei a resposta.

Emma apertou meus dedos e senti sua aliança roçar na minha pele, foi aí que olhei para a mão dela e suspendi, prestando a atenção no detalhe da joia que trocamos no dia do nosso casamento. Algo me veio à mente para dizê-la.

— É o que os bons casais fazem... Eles tentam. Vamos continuar tentando até conseguir, porque é isso que queremos.

Fitei ela e toquei em seu queixo, levantando-o para oferecer um beijo em sua boca miúda e rosada. Ela aceitou. Me abraçou e caímos no colchão, uma por cima da outra.

— Você me deixa mais segura. Menos medrosa, mais calma. — ela suspirou, me olhando por baixo.

— Lembre-se o que o doutor Flynn disse, você precisa estar tranquila.

— Eu sei.

Rocei em seu rosto com o nariz e voltei a beijá-la.

Eu posso dizer que convencer Emma de que tudo daria certo é mais fácil do que me convencer a qualquer outra coisa. Com ela, os meus beijos e palavras podiam ser infalíveis. Foi assim nas semanas anteriores e agora às vésperas dela concluir o tratamento. E se quer saber, Swan aceitou meu conselho em se tranquilizar, mas adivinhe quem ficara ansiosa no lugar dela?



Não contei a minha mulher, mas passei a dormir mal desde então. Os dias pareciam nunca acabar, eu ia trabalhar com enxaquecas que nem as aspirinas que sempre me foram infalíveis resolviam. Só sei que quando chegava às 13:45 da tarde, eu sentia um alívio imenso por terminar de apresentar o jornal e poder sentar no meu escritório e ter algumas horas de paz. Foi assim durante uma semana. Mas eu não entendia o porquê do estranho frio na barriga e calafrios se não era eu quem engravidaria em alguns dias, seria Emma. Era como se o acontecimento que mudasse a minha vida fosse ocorrer e eu estivesse me dando conta de que agora sim seria de verdade. Ou, como se o estresse de Emma fosse contagioso e tivesse me atingido. Acho que a segunda opção é a mais correta a se dizer, porém, a primeira era a certa.

O ruim foi que minha ansiedade para saber o que iria acontecer com Emma me rendeu uma bronca na emissora, depois que editei mal uma matéria e noticiei uma informação errada. Não foi a primeira vez que cometi uma gafe no jornal, mas o detalhe era que a primeira vez foi há poucos dias, o que chamou a atenção de quem? Maleficent, a dona da emissora que desde que se tornara uma colega minha, era telespectadora assídua do noticiário principal de sua emissora.

— Regina, seu diretor me disse que não é a primeira vez que você comete um erro. Eu sei que todas estamos sujeitas a enganos e que provavelmente você fez essa matéria com pressa, pois o que lhe foi pedido não ficou nem na metade do previsto. — dizia a mulher, analisando as informações que eu havia noticiado no U.S.A News.

— Acontece que houve um engano, senhora... Quero dizer, Maleficent. — falei, corrigindo o modo de chama-la, que ela mesma preferia.

Maleficent olhava para a tela do seu MacBook, ia e voltava com o vídeo da matéria que eu havia apresentado e mexia a cabeça, insatisfeita.

— Tudo bem, não é algo grave, você teve tempo de corrigir como na semana passada. Eu só gostaria de saber o que há? Você está se sentindo bem? Cansada? — ela perguntou, tirando os óculos do rosto e me observando, preocupada.

— Um pouco. — respondi. — Eu estou desatenta, é isso.

De repente ela sorriu discreta.

— Você está desatenta? Imagino o porquê.

— É você pode imaginar. — cocei minha nuca. — A ansiedade de Emma veio toda para mim.

— Não seria a sua ansiedade em se tornar mãe também? — ela perguntou com um olhar inquisidor.

Subi a mão por trás, pela nuca, passando pelos meus cabelos.

— Eu não parei para pensar nisso.

— Não é a ansiedade dela que está te atacando, é a sua. Se achar interessante, posso dar uma licença para ficar com Emma nos próximos dias. Damos um jeito no jornal, eu falo com o diretor. O importante é que não se sinta desconfortável, no trabalho e muito menos em casa com sua mulher.

— Eu vou pensar, Maleficent. Acho que não preciso pedir uma licença. Isso atrapalharia ainda mais as coisas lá em casa, com Emma que parece ter se acalmado, e acho que eu iria piorar se não viesse trabalhar. — eu disse, abatida.

— Você é quem sabe. — Malefi compreendeu.

E lá estava eu encafifada com o comentário que Maleficent fez. Aceitei ser mãe, aceitei encarar tudo o que Emma fosse passar de hoje em diante, só que pela primeira vez eu me sentia com vontade de que acontecesse logo, como Emma antes, como nunca antes.

Era quarta-feira e minha chefe me liberou mais cedo depois da conversa que tivemos em seu escritório. Bronca recebida, eu devia ir para casa para esperar minha mulher e termos a rotina da semana, porém, o que eu fazia era olhar para o nada, com o carro parado no sinal de transito. Eu não queria voltar para casa ainda, eu queria ver Emma, eu queria conversar com ela, pedir carinho ao invés de dar carinho a ela. Eu precisava de um colo, ou de um ouvido, coisa que estava oferecendo à minha esposa em tempo integral. E de repente pensei em esperar a hora certa para voltar indo a um lugar onde eu poderia me sentir bem, o orfanato.

Hoje não era dia de história, as crianças estavam na aula de música quando cheguei. Henry foi um dos primeiros a me avistar quando apareci na janela da sala e dei um tchauzinho. E muito me surpreendeu sua alegria ao me ver. O garoto largou o instrumento musical que segurava e saiu correndo para o desagrado da freira que dava aula para as crianças, que até me olhou de cara feia.

— Regina! — ele disse, depois de dar a volta por dentro dos corredores e vir até o pátio. — Você veio.

Eu sorri para ela e abaixei um pouco para ficar da sua altura, me apoiando nos joelhos.

— Como você está, Henry?

— Eu estou bem. — assentiu. — A Emma não veio com você?

— Ela está trabalhando muito ultimamente.

— Ah, entendi.

Henry me mirava de uma forma engraçada, como se esperasse que lhe dissesse algo, uma novidade talvez.

— Parece que a professora não gostou de ver você saindo da aula de música. — falei para ele.

— Ah, ela já está acostumada comigo, eu sempre interrompo a aula dela, então às vezes ela me coloca de castigo, arrumando a sala no final da aula.

Achei graça disso. Voltei a ficar de pé e o convidei a andar ao meu lado no pátio.

— Você anda muito arteiro ultimamente.

— Não ando, eu sempre fui. — afirmou ele, colocando as mãos para trás, fingindo estar se comportando ao meu lado. — Aparências enganam.

Vínhamos andando, olhando o prédio do convento e notei estar me sentindo melhor. Parei e cruzei meus braços, olhando para o garoto de cima.

— Já pensou que para ser adotado por uma família você vai precisar ser um garoto comportado?

— Eu sei disso. Inclusive essa tática já funcionou com o George, um garoto que morava aqui e foi embora na semana passada. Pergunte à senhorita Blue, ela vai dizer que ele era o pior, mas foi uma família chegar e ele fazer cara de garoto de embalagem de leite em pó que resolveram leva-lo.

Soltei uma risada.

— Henry, de onde tira essas coisas?

— Eu só observo, é observando que se aprende. — ele sorriu abertamente e pude ver seus dentes de leite quase todos no lugar, um deles faltava.

— Olha, você perdeu um dente aqui na frente. — apontei.

O garoto colocou a mão na boca.

— Foi na semana passada também. Não conte à senhorita Blue, mas ele caiu enquanto eu brincava de pique esconde no dormitório com os outros garotos. Alguém abriu a porta e eu estava atrás. — ele explicou, massageando o beiço de cima depois de falar da porta.

Tive de rir de novo.

— Mais cuidado da próxima vez. Se bem que esse dente cairia mais cedo ou mais tarde.

Ele assentiu.

— Sim. — disse, me observando. Passou um minuto inteiro olhando para mim e quase perguntei o que estava errado comigo. — Regina, é verdade que você e Emma vão ter um bebê? — perguntou de repente.

Não sei como Henry sabia daquela informação, mas ele parecia muito curioso ao fazer a pergunta. Pensei em não responder, em mudar de assunto, mas por que fazer aquilo com ele? Era melhor responder.

— Sim, é verdade. Quem contou a você? Posso saber? — tentei falar gentilmente.

— As freiras do refeitório. Elas tinham uma revista em que dizia que você e Emma vão ter um bebê.

Eu o fitava, perplexa.

— A revista não estava mentindo.

— Poxa, e é para quando?

— Não sabemos ainda, Henry. Emma precisa fazer a inseminação. Você sabe o que é uma inseminação?

— Acho que sei. É uma forma que algumas mulheres que não conseguem engravidar têm.

— Isso. Um dia vão explicar melhor a você, mas por enquanto, dentro de alguns dias minha mulher será mãe.

— E você também. Não se sente contente?

Meneei a cabeça e arregalei os olhos, pensativa.

— Muito. Muito contente.

Ele deu riso leve.

— Você parece nervosa. Minha mãe me contou que quando eu estava quase nascendo, meu pai teve um crise nervosa. Ele era um homem ansioso, não via a hora de me pegar no colo. Acho que você deve estar sentindo a mesma coisa. Você prefere que seu bebê seja menino ou menina?

— Bem, Henry, não pensei nisso ainda para falar a verdade.

Ele sorriu sem mostrar seu sorriso banguela dessa vez.

— Sabe que você tem cara de que vai ser boa mãe?

— Eu tenho? — fiz a pergunta ligeiramente surpreendida.

— Tem sim. — Ele sorriu de novo.

Tive de fazer o mesmo.

Até então, eu não havia refletido sobre ser boa mãe ou não para uma criança. Esse era o momento de fazer isso, afinal, Swan não seria a única a cuidar do bebê que teríamos, e um sonho já havia me mostrado esse fato. Se até para Henry eu parecia ansiosa, era porquê de fato eu estava e tanto que já transparecia.



Em casa, de noite, já bem tarde, eu terminava de escrever a redação de uma matéria para o noticiário no momento em que Emma chegou, fazendo barulho com sua moto. Ela entrou com sua mochila nas costas e capacete na mão, despejando aquilo no sofá e bufando de cansaço.

— Olha, ainda bem que vamos gravar só mais a próxima semana, porque está cada dia mais cansativo. — ela falou, se desfazendo das luvas que usava para pilotar a moto, vindo em minha direção.

Eu estava praticamente pronta para ir deitar, só esperava por ela para conversarmos um pouco. Vestia uma camisa tamanho grande e uma calça larga. Nos abraçamos depois que eu levantei da mesa.

— É seu primeiro seriado, devia saber que seria assim. — comentei, tocando suas bochechas e selando sua boca demoradamente.

— Eu devia saber mesmo. Você está bem? — falou ela.

— Estou. Podemos conversar um pouco antes de dormir?

— Lógico. O que foi?

— Não aconteceu nada de mais, eu só queria contar a você que fui ao orfanato hoje.

— Você fala sério?!

— Sim. Eu vi o Henry, as outras crianças... Precisava espairecer, como você ia demorar hoje, decidi ir até lá.

Emma ficou admirada.

— Foi ao orfanato para espairecer? Regina, você anda tão mudada.

— Eu mudei para entender você, me entender de certa forma também.

Ela alisou meu queixo.

Contei sobre a conversa que tive com Henry, e antes sobre Maleficent. Minha mulher estava adorando cada revelação que eu fazia a ela e parecia especialmente entretida quando eu disse que Henry achava que eu seria uma boa mãe.

— Que interessante. — ela falou. — Ele é mais inteligente do que eu pensava.

— Muito inteligente. Tenho a impressão de que ficou feliz quando confirmei que teríamos um bebê.

— Ele gosta muito de você, eu percebi isso das outras vezes que voltamos. — Swan continuava. — E o que achou quando ele disse que seria boa mãe?

— Fiquei um pouco envergonhada. Sabe, meu amor, eu não tinha pensado em como vou lidar com o bebê depois que ele nascer, era como se estivesse esperando acontecer para ver o que faria. Sinceramente ainda não me vejo colocando um bebê pra dormir, cantando uma canção de ninar, dando a mamadeira. Sempre foi uma ideia bloqueada na minha cabeça, e é como se eu estivesse com a chave para abri-la nesse momento, prestes a descobrir se posso ser essa boa mãe que Henry disse.

Emma prestava atenção em mim com seus olhos muito expressivos cheios de brilho. Para ela era um deleite me ouvir falar sobre um assunto que por tanto tempo foi um problema entre nós. Eu sentia que naquele instante ela queria me encher de beijos e que estava se contendo muito para fazer quando subíssemos.

Ao invés disso, ela disse:

— Pois se você não se sentir segura para abrir essa barreira dentro de você, eu prometo que vou te ajudar, como você tem me ajudado a me sentir segura. Eu só estou nessa por sua causa. Se não fosse por tudo o que tem feito para me manter sã, eu acho que já tinha desistido.

— A última coisa que desejo é que desista.

Rocei meu nariz no dela, então subimos para descansar.

Cuidamos uma da ansiedade da outra e no final já havia amanhecido um outro dia. O dia em que soubemos a data em que Emma faria a inseminação.

O doutor Flynn nos ligou às nove da manhã, pouca coisa antes de minha mulher e eu sairmos para trabalhar. Emma atendeu a ligação e conversou com o médico. De acordo com ele, a partir da semana seguinte ela poderia fazer o procedimento, pois seria seu período fértil no mês, o tempo ideal para ser fertilizada.

Nos abraçamos quando ela desligou e senti um suspiro dela, não de alívio, mas como se estivesse pronta.

Foi a semana em que ela mais trabalhou nas gravações por serem cenas importantes para o seriado. Swan chegava quase todos os dias morta de cansaço, porém, fazia questão de seguir à risca os conselhos do doutor sobre sua alimentação e tranquilidade. Ela conseguiu. Enquanto isso, comigo, as dores de cabeça cessaram, voltei a me tornar uma máquina de escrever e editar matérias, mas estava óbvio que usei desse tempo todo concentrada no trabalho para não pensar no que estava para acontecer e me sentir ansiosa outra vez. Queria deixar os sentimentos para o dia D.

E o dia mais esperado por nós demorou a chegar, por incrível que pareça. Foi na terça-feira, pela tarde. Swan já estava livre do trabalho e eu pude ir até a clínica assim que apresentei o noticiário. Prometi à Emma que estaria lá com ela e quando cheguei, o amor da minha vida estava deitado numa maca, vestida para o procedimento, recebendo as últimas instruções de uma enfermeira. Eu tinha a visto de manhã e Emma estava pouca coisa diferente, mais pálida que o comum, com seus olhos prestes a lacrimejarem.

— Querida — eu me aproximei dela depois que recebi autorização para entrar na sala. Peguei em sua mão e apertei firme. — Vai dar tudo certo, finalmente. — falei para ela, beijando sua testa.

— Tomara. Estou sentindo aquilo de novo. Mas eu quero que dê certo, eu juro que quero. — ela falou.

— Vai, vai sim, não duvide. Vou ficar ali fora assistindo, você vai conseguir me ver da janela. — mostrei a ela.

— Tudo bem. Obrigada. — Emma se sentou e me abraçou forte. — Eu amo você. — sussurrou.

— Eu também, muito, muito. — respondi.

As enfermeiras vieram busca-la para leva-la até a próxima sala e eu a segui. Parei e esperei da janela até que começasse. O doutor me viu ao entrar e logo se dirigiu a Emma, conversando alguma coisa com ela. Minha mulher assentiu, permitiu que a colocassem na posição correta para a inseminação e eu conseguia a ver mais ou menos de lado da janela pequena, não pude ter muita noção do que ocorria com ela, até porque era uma área restrita. Tive sorte de conseguir ser liberada para ficar espiando o procedimento inteiro.

Foi rápido. Emma recebeu uma dose de anestesia para não sentir qualquer coisa em seu interior. Esteve acordada o tempo todo, vendo quando um dos assistentes trouxe a amostra do sêmen que iria fecunda-la. Eu vi quando encostou a cabeça na maca e fechou os olhos para relaxar, e logo após isso, o doutor havia terminado. Soltei um suspiro pesado quando o homem fez um sinal de positivo para seus assistentes. Agora era questão de esperar.

Me encontrei com Emma em um quarto, depois que a liberaram para descansar, meia-hora após.

— Você viu como foi rápido?

— Muito rápido. — eu disse a ela, entrando no recinto. — Daqui a pouco eu vou levar você pra casa e vamos ligar para sua mãe para contar a novidade.

— Sim. — ela disse animada, finalmente calma e tranquila.

Conversamos sobre o que o médico lhe disse na sala, e ela me contou como foi sentir uma leve pressão, depois como demorou para relaxar.

Vendo Emma deitada naquela cama de quarto de hospital, tive a impressão de que a qualquer momento uma enfermeira entraria com nosso bebê. Premonição ou não, a verdade é que deveríamos esperar mais um mês para saber se Emma havia engravidado.



Bom, esse um mês não foi dos mais fáceis. Eu me dividia em dar atenção a Swan e meu trabalho, uma coisa que me entristecia toda vez que eu deixei o meu amor em casa me esperando até anoitecer. Emma passou a ir novamente ao orfanato, matou a falta que sentiu das crianças enquanto dessa vez eu não podia ir vê-los também. Henry mandou vários recados através dela e num deles, num bilhete com um desenho, dizia que me esperava para comer os sanduiches do orfanato outra vez. Além de ir visitar as crianças, Emma voltou a participar de algumas campanhas publicitárias, capas de revistas e eventos que deixavam sua conta bancária mais gorda. O bom dessa história é que havia um jantar delicioso preparado por ela toda vez que eu chegava em casa. Emma aproveitou para se dedicar aos seus dotes culinários e inventava cada prato digno de Master Chef. Devo ter engordado uns dois quilos nessa brincadeira.

Embora todas as tarefas de Swan no mês, eu sabia que sua insegurança ainda exista bem lá no fundo, embora estivéssemos muito mais contentes e esperançosas que antes. O pior já havia passado. Todas as vezes que eu olhava para minha mulher, sentia que ela me dizia um claro Obrigada por ter dado aquela chance a ela. E dizendo com todo o meu coração, se não conseguirmos agora, eu quero tentar de novo. Eu darei todas as chances que ela precisar.



Quatro semanas se passaram, e na manhã do dia em que completava um mês da inseminação, acordamos juntas.

— Pronta? — perguntei a ela, olhando-a do travesseiro enquanto ela fazia o mesmo.

— Pronta. — ela disse.

Me levantei e peguei em uma gaveta do banheiro o teste de gravidez que compramos para confirmar. Entreguei a Emma antes dela entrar e ela estava com o coração vindo à boca quando pegou a caixa.

Emma se fechou no banheiro e esperei pouca coisa do lado de fora, apoiada na parede com meus braços cruzados, a fim de não roer minhas unhas. Então, ela abriu a porta e saiu, segurando o resultado. Estava quieta, não dava para definir a expressão em seu rosto.

— E então? — perguntei, me aproximando.

Ela não me disse nada naquele instante, apenas me mostrou. Havia apenas uma linha no exame. O resultado era negativo.

Notas finais
Sei que falta algum tempo para chegarmos lá e tanto vocês quanto eu não queremos que o final chegue, mas por mais frustrante que algumas situações sejam, sempre há saída. Sei também que vocês têm boas opiniões sobre o rumo da história para daqui em diante, então não me escondam nada. ;D Obrigada a quem tem comentado, me procurado e favoritado a fanfic. Vocês são as melhores, continuem assim. ♥ Até o próximo, beijo enorme.