Não há outro amor para mim.

20 Brincando com vinho e uma indicação ao Oscar.


Notas iniciais
Olá, pessoal! Sei que estou em dívida com vocês, e estou há dias tentando postar mais capítulos, mas só hoje consegui parar para escrever esse aqui. Com o término de Skin on Skin chegando, é eminente que Não há outro amor será atualizada com mais frequência daqui há algumas semanas, então não desistam dela. Espero que gostem desse capítulo. Façam uma boa leitura.


Algum tempo depois da morte de mamãe, Emma e eu chegamos em um momento crucial do relacionamento.

Até então, vivíamos juntas há exatos três anos, o que me pareciam meses, mas, sob a perspectiva de uma vida a duas, podia se considerar uma eternidade. Estávamos trabalhando muito, de fato, e, apesar disso, cientes de que queríamos fazer aquele casamento funcionar. Algo que acabou refletindo em nossas profissões.

Sendo mais específica, no verão daquele ano, dei um salto de repórter de externa à ancora de jornal, na TV; Após a ausência, por problemas pessoais, do jornalista que comandava o noticiário, precisei assumir o posto dele no estúdio. Foi um grande desafio, pois, para quem nunca havia feito algo do tipo, aquilo era um mundo completamente novo. Levei dois meses para me adaptar, mas no fim consegui segurar a barra, o que impulsionou minha carreira mais alguns degraus acima.

Já não podia mais andar em paz na rua sem ser reconhecida por duas ou três pessoas, especialmente quando eu ia à restaurantes com Emma. Aparecer na televisão cinco vezes por semana era como entrar na casa das pessoas e sentar para tomar café com elas. Notei isso quando uma senhora me abraçou no meio da rua uma vez e me disse que nunca havia conhecido uma pessoa tão carismática quanto eu. Algumas pessoas levavam essa coisa de televisão muito a sério na vida. Com Emma era a mesma coisa de vez em quando porque ela tinha bem mais fãs do que eu. Agora entendia como ela se sentiu em Portland na vez que jantamos e uma multidão se formou em volta dela na saída do restaurante.

Pelo menos tinha uma coisa boa em ser reconhecida em certos lugares: ganhávamos desconto na hora de pagar. Pois é, até os famosos gostam de descontos.

Apesar da nossa fama aumentando e os fofoqueiros de plantão aos poucos perceberem que Emma e eu éramos casadas, as coisas iam bem em casa.

Nossas vidas se resumiam em: trabalho, casa e cama. Cinco vezes por semana.

Para um casal como Emma e eu, o sexo sempre foi uma parte muito importante no relacionamento. Passamos daquela fase das fantasias sexuais, até porque não tínhamos mais tempo, estávamos sempre exaustas e nosso sexo começou a se resumir em rapidinhas na quarta à noite(se não estivéssemos exaustas), ou no final de semana. Talvez por essa razão Emma tenha libertado seu lado passivo na cama novamente para mim. Os papéis haviam se invertido, Emma estava gostando de ficar por baixo e foi dessa forma que descobrimos novas formas de fazer amor.

O fato era que usamos muito daquele tempinho namorando nos fins de noite, por mais rápidos que fossem nossos momentos, para esquecer os estresses e agitação que os trabalhos nos davam. Acontecia sempre depois do jantar, das novidades que ela me contava sobre seu dia no estúdio de filmagens, ou depois do vinho. A propósito Emma adorava vinho. E numa dessas noites exageramos na dose. Até hoje adoro me recordar da forma como minha loira derramou vinho de propósito em mim – coisa que ela sempre adorou fazer, por sinal — me obrigando a tirar a roupa. Caímos na cama nuas, nos beijando libidinosamente, e de algum modo, naquele momento, rolando com ela feito um algodão-doce, perdi a noção de qualquer pudor. E o que aconteceu em seguida não foi algo pensado... mas foi delicioso, se assim posso chamar; Desci pelo corpo de Emma, tomando dela a garrafa que tinha pouco mais que três dedos de bebida. Derramei vinho no vale dos seios dela, o que deve ter feito cócegas pois ela riu.

— O que você está fazendo? — ela perguntou com a voz manhosa e claramente embriagada.

— Saboreando Emma Swan com vinho tinto. — respondi, muito ocupada lambiscando a pele macia do meio de seus seios.

Emma gemia enquanto eu descia por seu corpo derramando o resto do vinho no caminho até entre suas coxas. Acho que ela sabia o que ia acontecer pois seus gemidos ficaram mais frequentes depois que lambuzei seu sexo com o restante que havia na garrafa.

— Oh, meu Deus, isso é tão bom! — urrou Emma que não demorou muito para vibrar por todo o corpo e me presentear com seu gosto. Emma com vinho foi uma excelente opção de sobremesa. Assim que voltei aos seus braços, depois de satisfazê-la e beijá-la inteirinha novamente, minha loira brincou: — Que fome, hum? — ela ainda estava de olhos fechados.

Pousei um beijo delicado em seus lábios, segurei seu queixo notando o estado relaxado de minha esposa. Emma ficava linda corada daquele jeito, depois do sexo.

— Você se esqueceu que sou viciada em você? — perguntei.

— Essa frase é minha. — disse ela, lembrando que sempre me dizia isso. Emma sempre foi melhor nas declarações de amor do que eu. — Na próxima vez quem terá a ideia brilhante de usar bebida serei eu.

— Você não está reclamando, está?

Ela riu enquanto se ajeitava por baixo de mim, me beijando o rosto e sussurrando:

— Não. Só gostaria de poder comer a sobremesa na cama mais vezes também.

— Você irá, babe, em breve. É que é muito difícil resistir ao seu corpinho assim tão entregue a mim.

— Eu sou uma atriz, tenho que atuar bem até na cama.

— E está muito convincente no papel de mulher dessa relação. — falei com voz rouca.

— Mesmo? Então você prefere que eu seja a mulher da relação? Já posso engravidar?

Quase dei um salto da cama nesse momento. Sem querer acabei entrando no assunto que andava temendo há meses.

— Oh... — me senti estranha nesse momento. — Acho que precisamos tentar mais vezes.

Emma deu uma gargalhada.

— Já entendi. Você é que prefere engravidar.

Aquilo não era uma pergunta e sim uma afirmação. Emma achava que eu gostava da ideia de ser mãe. O problema era que eu odiava a ideia. Eu não tinha maturidade nenhuma para isso, por mais que ela quisesse. Para mim ainda era muito cedo e eu havia pedido que não adiantássemos essa ideia por enquanto, não com nossas carreiras tão badaladas como andava acontecendo. Era terrível para mim e quase impossível dizer um não à Emma, sendo assim, eu preferia jogar a conversa para escanteio.

— Isso é o que veremos, meu amor. — disse me virando para o lado na cama, sem dizer mais nada. Ela me abraçou por trás, beijou minha nuca e por um minuto pensei que diria mais alguma coisa, mas acabamos adormecendo, cansadas e saciadas.



Mais um mês se passou desde a noite do vinho. Emma havia finalizado as gravações de seu último filme, mais um drama por sinal, e diziam que seu desempenho fora tão bom, que a academia iria indica-la para Oscar. Fora isso, nossa popularidade como casal começou a crescer ainda mais quando nos convidaram para ser capa de uma revista de celebridades, nos elegendo o casal do ano. Com muitas estreias previstas para Emma e meu trabalho de ancora no jornal, o casamento acabou virando lucro para nossos bolsos.

As revistas começaram a nos chamar para entrevistas, fotógrafos nos sondavam pra sessões de fotos e algumas empresas ligavam para nós a fim de nos usar como garotas propaganda. O bom dessa história era que voltamos a passar mais tempo juntas, mesmo que fora de casa, participando dessas publicidades. Confesso que eu estava adorando a vida de celebridade com Emma. Minha imaginação ia longe pensando se chegaríamos a ser um casal tão influente quanto Brad Pitt e Angelina Jolie. Nós quase chegamos lá, se quer saber, até porque depois de um tempo a fama deixa de ser algo bom, ela também tem seus defeitos.

Outra pessoa que andava muito bem era Ruby. Nossa amiga estava trabalhando em um seriado Teen, que segundo ela só conseguiu entrar por causa das mechas ruivas que a deixavam com cara de uma menina rebelde de vinte anos. Mas o mais surpreendente foi saber que Ruby havia desmanchado seu noivado, o segundo, para ficar com ninguém mais, ninguém menos que Killian, meu grande amigo de Portland. Pois é, Ruby se apaixonara por ele desde o dia em que foram nossas testemunhas de casamento e dançaram juntos.

Killian havia prometido a Ruby que iria para Los Angeles assim que acertasse sua situação com o jornal em que trabalhávamos em Portland, mas isso demorou a acontecer e ele só conseguiu um emprego em L.A. com a minha ajuda. Com a vaga que deixei no Los Angeles Diário depois de aceitar ser ancora do jornal da TV, arranjei o emprego para meu amigo poder se estabelecer na cidade. Eu estava muito feliz por Killian estar por perto, porém para ele, foi muito difícil se adaptar à nova cidade que era três vezes maior que Portland.

No feriado do dia da independência, chamei Ruby e Killian para jantar conosco. Falamos de um monte de coisas, rimos um bocado, e comemos muito tudo o que Emma havia preparado. E mais tarde, enquanto minha mulher e Ruby conversavam sobre qualquer coisa na cozinha, ficamos sentados perto da lareira bebendo algo forte, colocando os assuntos em dia. Killian me contou que estava apaixonado por Ruby e gostou dela desde a primeira vez em que a viu. Falou de como gostava da gargalhada dela, e no quanto achavam que combinavam, é meu amigo estava caidinho de amores mesmo. Quase tão parecido comigo quanto quando conheci Emma, que foi graças a ele, por sinal. Após se lembrar desse detalhe ele quis saber sobre como andava tudo.

— E como vão as coisas no paraíso? — perguntou ele, se referindo a Emma e eu.

Sorri e me sentei no sofá fazendo cara de boba provavelmente.

— Ótimas. Se melhorar estraga.

— Fico feliz em saber. Minha aposta deu certo então.

— Sua aposta?

Killian riu e se sentou na poltrona bem na minha frente.

— Sim. Eu apostei com o pessoal do jornal que o casamento de vocês passaria de dois anos. Vou precisar voltar à Portland para buscar meu dinheiro.

— Você é um engraçadinho, Killian. Mas quer mesmo saber? Acho que vamos continuar vingando por muito tempo. — disse, dando ênfase no muito.

— Eu sabia. Emma faz o seu tipo. — ele olhou na direção da cozinha por um instante. — Quando vocês pretendem ter filhos?

A pergunta dele soou tão repentina que me assustei.

— Quando o quê? Como?

— Crianças, Regina. Quando vão adotar?

— Ahm... Não sei. Não acho que seja preciso. — respondi torcendo a boca.

— E por que não é preciso? Por um acaso você não gosta de crianças?

Percebi que Killian era um cara com a mesma cabeça de Emma. Muito família, carinhoso, sensível e receptivo, além de aberto à ideia de ter filhos. Naquela época eu pensava diferente. Eu começava a perceber que dentro de mim, no meu casamento com Emma, não havia espaço para uma criança, e não era por conta de trabalho que não gostava da ideia e sim porque eu não queria dividir minha esposa com ninguém. Demorei a notar a razão, não queria admitir pois, afinal, esse era um pensamento muito egoísta.

— Não é o momento. Talvez no futuro. Estamos casadas há apenas três anos, não podemos ter filhos agora, Killian. — expliquei.

Killian me fitou com ar suspeito. Ele me conhecia, ficou desconfiado da minha resposta. Acho que se arrependeu de ter perguntado.

— É, vocês trabalham muito. Mais umas capas de revistas e vão virar o casal mais querido da américa. — ele brincou. — Não há tempo para crianças. Se Ruby virar uma atriz badalada eu vou precisar controlar meus ciúmes.

Achei engraçada a forma como ele disse isso. Já havia me esquecido no quanto Killian era ciumento. Pelo menos três das moças com quem ele namorou na época da faculdade romperam com ele por causa de ciúmes.

— Como você lida com isso? Sua mulher é uma atriz famosa, no seu lugar eu ficaria maluco. Acredita que até agora não consegui ver uma cena do seriado da Ruby?

— Você tem que confiar mais na sua namorada. — falei entre risos. — Mas eu entendo você. Quando comecei a namorar Emma foi muito difícil. Só que agora sendo alguém de mídia eu compreendo melhor do que os artistas passam nessa cidade.

— É, em L.A. se você trabalha na TV ou no cinema já pode ser considerado celebridade. — ele disse de forma despachada.

Falamos bem mais que aquilo. Ele me contou de como iam as coisas no Los Angeles Diário e em como o senhor Gold paparicava sua esposa que também era atriz. Parecia que naquela cidade todo mundo era artista e nós rimos muito se dando conta desse detalhe outra vez.

Passei a ver Killian diariamente pois o estúdio de TV ficava bem próximo à cede do jornal.

Passados alguns meses, a calmaria voltou a reinar em nossas vidas, os filmes de Emma já não eram tão novidade assim e minha cara diária no jornal já estava cansando o público. Até que num belo dia de domingo, acordamos mais cedo e enquanto Emma descia para fazer o nosso café da manhã, eu fazia preguiça na cama com direito a tapa olhos na cara, ouvi um berro vindo do andar de baixo da nossa casa.

De súbito me levantei assustada. Era Emma quem havia gritado. Depois que desci as escadas com os cabelos emaranhados e o tapa olhos altura da testa, vi minha mulher na porta da sala olhando alguma coisa que segurava.

— Emma, o que houve? — cheguei toda esbaforida ao lado dela.

Emma segurava uma carta, ou algo maior que isso, eu não consegui identificar de primeira. Estranhei pois o correio não passava aos domingos, o que poderia ser? Ela se virou, branca igual a um fantasma vestido de pijama listrado.

— Regina, eu não acredito! — ela disse me entregando a carta. E quando tomei da mão dela li o cabeçalho: Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Olhei para Emma e meu queixo caiu. Como andavam dizendo e todos suspeitavam, Emma tinha sido indicada ao Oscar de melhor atriz.

Notas finais
Emma foi indicada ao Oscar, que barato! Será que ela ganha? Algo me diz que ela tem grandes chances. Façam suas apostas. Muito obrigada a quem favoritou e começou a acompanhar recentemente. Muito obrigada também a quem esperou pela atualização e acompanha fielmente essa fanfic, valeu mesmo, não vou decepcioná-las. Até o próximo capítulo. Fiquem bem e bom final de semana todas.