Notas iniciais
Olá, meninas, estamos de volta com Não há outro amor para mim, mil perdões pela demora, mas quem faz faculdade deve me entender, é complicado. Eu quero super agradecer mais duas leitoras que mandaram recomendações lindas para a fanfic... Lola e Skye, um beijo enorme pra vocês, eu já agradeci e falo de novo, vocês são duas fofas! Obrigada mesmo e espero que a história aqui continue do agrado de vocês, vou me esforçar para isso, ok? Bem, o capítulo de hoje será um capítulo triste, pois é, e vocês já devem imaginar o porquê. Sem mais delongas, façam uma boa leitura.


Chegamos no hospital geral de Portland às duas da manhã depois de pegarmos o primeiro voo que saísse de Los Angeles.

Emma e eu encontramos minha irmã e meu pai desolados no final de um dos corredores. Ao que parecia mamãe ainda estava na sala de cirurgias, mas pela cara de minha irmã eu soube que a situação não era das melhores. Papai se levantou e me deu um forte abraço, estava tentando se manter firme. Minha irmã chorava quando me abraçou da mesma forma. Eles não precisavam falar nada para eu entender que o estado de Cora Mills era grave.

Depois de cumprimentar Emma e se sentar novamente, meu pai nos contou o que havia acontecido. Mamãe havia visitado um cliente em Beaverton e na estrada de volta perdeu o controle em uma curva. Quando soube disso meu coração se apertou. Emma me segurou, me abraçando enquanto eu tentava não chorar em seu ombro.

O silêncio pairou perturbador enquanto esperávamos alguma notícia, até que a maca e a equipe médica finalmente apareceram no fim do corredor. Nós os seguimos até um quarto na emergência do hospital mas ninguém nos deixou entrar antes de falarmos com o doutor Whale, um velho conhecido da nossa família.

— Fizemos tudo o que podíamos. — disse ele. — O quadro ainda é grave. Foram muitas fraturas além do traumatismo craniano.

Zelena se virou colocando as mãos na boca para conter seu pranto. Papai e eu nos entreolhamos e ele perguntou:

— Quais são as chances de vida que ela tem, doutor?

— Poucas. — Whale demorou a responder, mas foi sincero.

Entramos um de cada vez para ver mamãe no quarto onde ela ficou em observação, eu fui a última e pedi para Emma me esperar mesmo ela querendo ir comigo. Ver minha mãe deitada naquela cama, muito ferida e inconsciente partiu meu coração ainda mais. Toquei em sua mão direita e rezei para que ela voltasse sã e salva para nós. A Cora que eu conhecia sempre fora uma mulher tão forte, não dava para acreditar mesmo vendo ela daquele jeito.

— Mamãe... Eu estou aqui, mamãe, eu vim te ver assim que soube — disse com uma pequena esperança de que ela pudesse me escutar mesmo inconsciente. — Por favor aguenta, resista.

Repeti minhas preces por muitas vezes, mas infelizmente já era tarde.

Meu maior medo na vida sempre foi o de perder meus pais. Eu estava perdendo minha mãe para um trágico acidente e nem consegui dizer o quanto a amava antes dela partir. Me doía pensar nisso, eu me senti dentro de um pesadelo e não achava justo perder minha mãe logo agora que tudo estava indo tão bem na minha vida. Cora jamais me veria estrear como repórter de TV, nunca mais leria minha coluna no jornal, ou me chamaria de filha desnaturada se eu me esquecesse de ligar para ela nas noites de quarta como passei a fazer desde que me mudei.

Zelena foi para casa descansar e disse para meu pai fazer o mesmo. Emma ficou comigo a noite inteira no hospital apesar dos meus protestos para ela voltar à Los Angeles pois iria gravar no dia seguinte.

E quando foi por volta de seis da manhã mamãe parou de respirar. Os médicos entraram no quarto com pressa para tentar reanima-la. Mesmo querendo evitar a cena acabei vendo da janela as tentativas desesperadas dos doutores de trazê-la de volta a vida, mas não adiantou. Nós perdemos Cora. Ela não resistiu aos ferimentos.



Foi um dos piores dias da minha vida. Eu não concebia a ideia de ter perdido minha mãe daquela forma.

Os policiais que investigavam o acidente fizeram muitas perguntas a meu pai e, pelo o que constava em todos os relatórios, realmente mamãe abusava da velocidade quando perdeu o controle do carro.

Meu pai se sentia péssimo, culpado porque naquela noite ele e Cora haviam combinado de jantarem juntos e ela corria na estrada justamente para não se atrasar para o compromisso.

Zelena estava devastada, mal conseguia falar. Nos abraçamos muito e choramos, choramos muito juntas, até a hora em que cansamos.

Papai declarou luto de uma semana na firma, assim teria tempo para se recuperar da tragédia. Ele tentava ser forte, nos acalmar, mas por dentro nós sabíamos o quanto ele estava mal. Isso me fazia sentir um medo tremendo de perder o amor da minha vida, Emma. Se um dia acontecesse de Emma morrer eu nem sei o que seria de mim. Eu juro que não sei e não desejo que isso aconteça nunca, pelo menos não da forma trágica que ocorreu com minha mãe.

Durante todo o tempo Emma ficou comigo. Justificou sua ausência nas gravações que teria de fazer, por telefone só para poder ficar ao meu lado me dando o apoio que eu necessitava naquele momento. Minha mulher era incrível. A forma como sempre se preocupou comigo era surreal e foi o que me manteve nos dias de luto. Eu sabia que Emma ficaria exausta no final disso tudo, mas ela estava ali para mim, apenas para mim, sem me dizer nada, apenas me dando seu carinho incondicional sem pedir nada em troca. Não sei se outra pessoa faria a mesma coisa por mim, mas eu tenho certeza de que faria o mesmo por ela quando ela precisasse. Por isso eu a amo tanto a cada dia que passa e nesses momentos lembro de minha mãe me dizendo: “O amor requer sacrifícios”. Sabias palavras.


Foi um dia chuvoso o do enterro. Desde muito cedo o tempo estava nublado e gélido, como se conspirasse para nossa tristeza. Cada um de nós jogou uma rosa sobre o caixão de Cora antes de enterrá-la. Quando vi a terra cobrindo o corpo de minha mãe apertei a mão de Emma que me olhou como se pudesse dizer com os olhos, “Está tudo bem, eu estou aqui com você”.

Infelizmente, algumas tragédias aproximam as pessoas. Foi o caso da minha família. As irmãs de minha mãe vieram da Virginia para o enterro. Há muitos anos não via minhas tias e com uma delas eu até tinha receio de conversar mesmo que por telefone pois soube de sua reprovação quando me assumi e comecei a namorar Emma. Tia Alice pareceu mudar de ideia depois de perceber a atenção que minha esposa tinha comigo. E sensibilizada também por conta da nossa perda ela pareceu esquecer de uma vez suas diferenças e nos elogiou muito.

Voltar para a mansão foi outra coisa estranha. Agora não veríamos mais Cora descendo a escadaria, abrindo a porta quanto chegássemos para visita-la, ou cuidando do jardim e saindo para trabalhar em seu Jaguar preto. Isso era tão triste. Cada pedaço daquela casa tinha o dedo de mamãe, especialmente a decoração.

Eu precisava voltar com Emma para Los Angeles, já estávamos em Portland há quatro dias e mesmo de luto nós tínhamos de voltar para trabalhar. Mamãe não iria gostar se parássemos de fazer tudo só para chorar por ela, se eu bem a conhecia.

Na manhã seguinte, participei do café da manhã mais funesto de todos os tempos. Assim que eu cruzei o portal de acesso à sala de refeições, vi meu pai ocupando a cabeceira da mesa, enquanto Zelena estava sentada na esquerda. Ela me mostrou um sorriso murcho ao me ver sentar ao seu lado. De qualquer maneira, não havia assunto algum que pudéssemos falar; o silêncio era absoluto e até o içar das xícaras aos lábios parecia um movimento em câmera lenta. Não dava para evitar o clima por mais que tentássemos.

Ao ocupar a cadeira ao lado de Zelena, falei:

— Volto para Los Angeles hoje. — servi um pouco de café em minha xícara, adicionando três colheres de açúcar.

Meu pai e minha irmã trocaram olhares.

— Minha querida — meu pai se empertigou na cadeira. — Não acha prudente passar mais alguns dias aqui conosco?

— Não, papai, eu e Emma precisamos voltar para nossos trabalhos, por mais chata que seja essa situação.

— Você tem certeza, filha? Há coisas de sua mãe que você poderia levar consigo. — ele disse me olhando com seus olhos pesados.

— Não vou levar nada agora, papai. Deixa passar um tempo, ainda é cedo para pensarmos nas coisas dela, não acha?

Zelena colocou sua xícara no pires e concordou:

— Isso mesmo. A Regina tem razão. — ela falou forjando um meio sorriso.

Henry Mills suspirou pesadamente, mas pareceu concordar.

Depois do café voltei ao meu quarto para chamar Emma que deixei na cama descansando. Me sentei ao lado dela e alisei seus cabelos para acordá-la. Eu havia emprestado à Emma um pijama velho que tinha guardado. Com a pressa que saímos de casa depois da ligação de Zelena no dia do acidente de mamãe, não trouxemos nada de roupa.

— Hey, bom dia. — disse ela se espreguiçando após abrir os olhos e me ver.

— Bom dia, meu amor.

— Que horas são agora?

— Nove. Deixei você dormir mais um pouquinho. — eu disse tentando sorrir para ela.

— Você devia ter me chamado na hora em que levantou. — Emma se sentou na cama e esfregou sua cara amassada. Havia dormido bem depois de toda a correria e estresse dos últimos quatro dias. Senti pena dela, minha mulher precisava descansar.

— A senhora precisava descansar. — eu disse me esticando para selar sua boca. — Bem, falei com meu pai e minha irmã. Vamos voltar para Los Angeles hoje, mais tarde.

— É isso mesmo que você prefere?

— Sim. É melhor também, esse lugar, essa casa vai me trazer muitas lembranças da minha mãe se eu ficar mais tempo aqui. — suspirei.

Emma segurou meu queixo entre seu polegar e dedo indicador.

— Pensa que ela está bem agora, que ela está em um lugar melhor. — e sorriu para mim.

Retribui com um beijo carinhoso em seus lábios e antes que pudesse dar um abraço nela fomos surpreendidas por duas batidas na porta. Era minha irmã querendo falar comigo.

— Zel?

— Sou eu, Gina, posso entrar?

— Claro. — falei me levantando, Emma fez o mesmo e Zelena abriu a porta entrando.

— Bem, vou tomar um banho rápido. — disse Emma, pegando suas roupas e entrando na suíte.

Vi Emma sair enquanto minha irmã se aproximava, parecia querer conversar comigo.

— Você vai no voo de qual horário? — perguntou minha irmã, se sentando na beirada da cama, bem ao meu lado. Voltei a fazer o mesmo.

— Pretendo ir de noite.

— Ah... — ela ia falar mais alguma coisa mas eu interrompi.

— Às vezes eu penso que devia haver uma lei proibindo as pessoas que amamos de morrerem. — dei um riso desanimado. — Quando seu pai morreu foi assim? — perguntei com receio, mas precisei saber o que ela tinha sentido pois já havia passado por aquilo antes de mim.

Zelena ficou quieta por algum tempo. Talvez aquele não fosse um assunto que ela gostasse de falar.

— Acho que sim, é que eu não me lembro muito, eu era muito pequena. — ela se aproximou mais de mim. — Mesmo assim mamãe sempre estava lá quando eu precisava. Ela costumava dizer que quando perdemos algo ou alguém que amamos muito não é o fim, é um novo começo.

— O que isso quer dizer? — perguntei.

— Acho que ela quis dizer que mesmo perdendo nós ganhamos alguma coisa. Quando meu pai morreu, nossa mãe precisou amadurecer para me criar e trabalhar. Talvez ela estivesse certa. — Zelena tocou em minha mão.

Sorri ao ouvir minha irmã falando de Cora. Minha mãe havia sido uma mulher incrível. Tinha a personalidade muito forte e não deu lições apenas para mim, para minha irmã também, pelo visto. Sorri e abracei Zelena bem forte depois disso. Outra lição que nós duas aprendemos dela era a de nos mantermos unidas apesar de qualquer coisa. E eu gostava muito de Zelena, ela foi uma boa irmã apesar de suas loucuras e falação desenfreada que me atormentava às vezes.



Depois de nos certificarmos de que tudo ficaria bem com meu pai e Zelena, passamos aquele dia com eles e voltamos para Los Angeles de noite.

No dia seguinte voltei ao jornal para trabalhar. Meu chefe o senhor Gold me ofereceu alguns dias de luto, porém, o que eu mais queria fazer era trabalhar. Gravei algumas matérias para o jornal da TV que estrearia, além de adiantar tudo o que estava previsto para fazermos só no outro mês na coluna que eu tinha no Los Angeles Diário. Foi um restante de mês agitado, mas pelo menos eu distraí minha cabeça e a sensação de tristeza por ter perdido mamãe parecia diminuir.

Com Emma trabalhando num ritmo, se não igual até mais pesado que o meu, ficamos alguns dias nos encontrando só no horário do jantar e, às vezes, só nos víamos na cama, quando ela chegava em casa e eu já estava dormindo, e invertíamos o papel quando amanhecesse.

Nesse embalo o noticiário da manhã estreou e foi muito bem na audiência. Emma dizia que estava acordando mais cedo só para me ver aparecendo na TV. O fato é que eu estava morrendo de vergonha de fazer aquilo, mas o profissionalismo falava mais alto. Los Angeles inteira que estivesse acordada naquele horário e plugada no canal cinco me veria ao vivo em algum canto da cidade quando o apresentador do estúdio me chamava: “Agora, vamos saber das condições do transito na cidade com a nossa repórter Regina Mills.” Ou, “... e agora vamos ao link ao vivo com a nossa repórter Regina Mills que está no local exato...” No final das contas acabei me acostumando e não me sentia mais dura ao segurar aquele microfone com o logo do noticiário quando entrevistava alguém ou falava das condições do transito em algum ponto da cidade.

Minha esposa estava tão orgulhosa de mim que dizia para todo mundo que era casada com a “repórter bonita do noticiário da manhã”. Só ela para me colocar nessas. E foi até legal quando conheci seus colegas de trabalho no novo set de filmagens, todos já me conheciam por terem me visto no noticiário.

As coisas foram voltando ao normal aos poucos. Emma passou mais três meses gravando a todo vapor e eu continuava no noticiário. O ruim disso era realmente só conseguir parar para dar atenção a minha esposa nos finais de semana e assim era muito pouco para nós.

Um dia Emma foi me fazer uma surpresa no estúdio. Eu estava terminando de arrumar o equipamento de filmagem com Archie quando ela apareceu nos bastidores a minha procura.

— Emma?

— Hey, babe. — ela me viu e abriu o sorriso mais lindo do mundo.

— Quem é? — perguntou Archie para mim, ele ainda não a conhecia.

— Esta é minha esposa, Archie. Emma, a que eu havia lhe dito. — disse enquanto ela se aproximava e envolvia um braço em minha cintura para depois me dar um beijo no rosto.

— Oi. — disse ela para meu amigo câmera.

— Oh, nossa! É você mesma? A Emma atriz? Aquela do Sent to Hell? — ele perguntou abismado. Finalmente se lembrou que Emma era atriz.

— Sim sou eu mesma. — ela disse ao meu lado. — Muito prazer.

— Uau! — disse Archie boquiaberto. Acho que ele gostava de filmes de terror.

Emma pediu licença e me puxou para um canto.

— Vim te ver um pouquinho, matar essa falta que eu tô sentindo de você. Tá tão difícil.

Nos abraçamos e eu a puxei para outro lugar para que ninguém nos visse.

— Que surpresa maravilhosa! Eu sei, meu amor. Vamos sair esse final de semana? Que tal o clube? — perguntei enquanto a puxava até meu camarim.

— Não, quero ficar em casa. Mas olha, vem aqui. — Emma parou e me fez se virar junto para fita-la.

— Que foi, meu amor?

— Eu trouxe uma coisa pra você.

Emma me entregou um embrulho que estava escondendo desde que chegou.

— O que é isso? — perguntei o pegando.

— É uma coisa pra você colocar no seu camarim. Algo muito importante que eu sei que você vai gostar de ver sempre por perto.

Não entendi do que ela estava falando, mas assenti e abri o embrulho.

— Meu Deus, Emma...

Minha mulher havia colocado uma foto minha e de minha mãe num porta retrato. Era minha foto predileta de nós duas, mamãe mais jovem vestindo uma jardineira me segurando em suas costas quando eu tinha oito anos. Senti meus olhos arderem ao ver e tocar o porta retrato. Que saudades eu sentia de mamãe e, mesmo trabalhando muito, Emma sabia que eu sentia uma falta imensa dela e tentava esconder.

— É pra você lembrar que ela sempre vai estar por perto.

Olhei minha esposa, segurando aquela foto. Eu quase chorei, mas lutei bravamente para que nenhuma lágrima caísse dos meus olhos.

— Obrigada. Você sempre me deixa sem palavras. — falei a abraçando e dessa vez a puxando para um beijo apaixonado em seus lábios.

Emma sempre me surpreendia, nunca mudou quanto a isso. Junto da nossa foto na praia eu coloquei a de minha mãe. Por muito tempo mantive essas fotos juntas onde quer que eu fosse. E toda vez que as vejo, eu sorrio.

Notas finais
Cora se foi... que pena, né, gente? Mas acredito que como a Zelena disse, algo se vai e nós ganhamos outra coisa em troca. Deixo o espaço aberto pra vocês conversarem comigo, perguntarem qualquer coisa, fiquem à vontade. Vou tentar ser mais ligeira nos próximos episódios dessa história, podem ter certeza de que ainda haverão muitos capítulos. Fiquem bem, um beijo enorme, bom final de semana.