Não há outro amor para mim.

39 A melhor segunda lua de mel possível.


Notas iniciais
Olá, amigas leitoras. Sejam bem-vindas a mais um capítulo dessa fanfic. Vamos saber o que Emma e Regina fizeram na viagem de férias? Façam uma boa leitura.


Tudo o que eu podia pedir era paz nos braços de Emma. Meu casamento e vida com ela não estavam ameaçados nesse momento, mas algo me dizia que a viagem nos devolveria a confiança que andamos perdendo na crise. Emma realmente se animou com a ideia, do jeito dela, mas se animou. Ela olhava meu pulso e a joia que havia me dado, sem dizer nada, apenas mostrando para mim que aquela frase gravada no ouro era sua resposta para minhas perguntas que eu fazia com meus olhos e ela percebia. Depois daquele momento no jardim dos fundos da nossa casa, tudo o que eu quero é aproveitar ao máximo as duas semanas que ficaremos em Bariloche.

Entramos, e nossa família nem suspeitou que eu estava sensível. A noite de natal foi a melhor possível. Espero que possamos fazer natais ainda melhores nos próximos anos, com os amigos presentes também.

Falando em amigos, liguei para Killian e Ruby. Os dois estavam de férias em Ohio com a família de Ruby. Meu amigo me contou que eles estavam bem e que aparentemente Ruby se sentia menos responsável pelo aborto que sofreu. Ele estava tranquilo também, mas em sua voz eu não sentia a mesma coisa. Algo parecia estranho com meu amigo, porém, preferi acreditar nele.

No dia seguinte, acordamos tarde. Fui a primeira a descer e encontrar meu pai fuçando na geladeira, procurando as sobremesas que eu e Mary Margaret fizemos. Cutuquei seu ombro e ele quase deu um pulo.

— Oh! Regina, minha pequena, eu não ouvi você chegar. — ele disse, fechando a porta da geladeira, todo desconcertado.

— Cheguei feito um gato, eu sei. O que está fazendo aí, pai?

— Ah, nada, querida, nada. — Ele pareceu ter desistido das sobremesas e andou comigo até a mesa onde tomávamos café. — Me diga, está ansiosa pela viagem que fará com Emma?

Nos sentamos e sorri para ela, tocando em sua mão, como era costume, uma mania que eu tinha desde pequena com ele.

— Muito, mas quero que essa viagem seja tranquila. Uma segunda lua de mel.

— Será, minha filha, só depende de vocês.

— Eu acho que ela gostou da ideia, pai. Espero que a gente coloque um ponto final nos nossos problemas com esses dias fora.

Meu pai me olhou com grande seriedade.

— Sabe, minha pequena, sua mãe e eu tínhamos algumas diferenças, mas acabávamos nos entendendo com conversas. Na maior parte das vezes eu dizia que devíamos viajar, fazer algo novo e provavelmente foi isso que salvou muitas vezes aquele gênio que Cora tinha. O que quero dizer é, que quando se faz uma viagem, seja para qual lugar for, pensamos em fazer tudo de um jeito diferente. Ares novos, pessoas novas, a falta dos amigos... Viajar é uma forma de sentirmos saudade de voltar para casa e fazer as coisas de outro jeito.

— É, pai. Nunca pensei por esse lado.

— Você e sua mulher são jovens ainda, precisam de muitas viagens como essa que farão futuramente.

— Pode ser, papai. Pode ser. — eu disse, apertando sua mão.

Talvez meu pai estivesse certo. Viagens serviam para mudarmos de atitude em alguns aspectos, melhorarmos em outros. Acho que esse é meu caso.

Depois desse momento, fiz um café da manhã, antes de todos se levantarem. O restante do dia foi igualmente agradável como a noite de ontem, e, no final, eu já estava triste porque todos iriam embora amanhã de manhã. Deu para matar a saudade que eu estava de todos pelo menos, mas não pretendo ficar muito tempo sem vê-los, nem meu pai e Zelena, nem os pais de Emma.



Deixamos nossa família no aeroporto de manhã cedo, nos despedindo como já se podia imaginar. Dei um longo abraço em papai e ele me beijou a testa, me dando seu último conselho.

— Aproveite todos os momentos em que estiver com Emma nessa viagem, minha pequena. E quando eu digo todos, são todos, de verdade. A felicidade é feita de momentos. — ele apertou uma das minhas bochechas e seguiu para a sala de embarque, esperando Zelena.

Minha irmã me abraçou bem apertado e quis me falar também:

— Boa viagem para você e Emma. Tire muitas fotos e assim que voltar, me liga para contar tudo. Adorei as camisas que ganhei de presente. Te falei que elas ficaram ótimas em mim?

Sorri e agradeci Zelena. Menos mal que as camisas ficaram boas, porque Zel era exigente com presentes e eu sabia que se errasse com os dela, eu estava frita. Pisquei e prometi que a ligaria assim que voltasse.

Mary Margaret e David eram só elogios a mim pelo natal e pela hospitalidade. Bem, eles mereciam. Não eram o tipo de família da esposa que vê defeito em tudo que a nora faz. Eles são ótimas pessoas. Acho que consigo compreender de onde Emma tirou sua doçura e educação. Dei um abraço forte também em cada um e os vi ir embora.

Minha mulher e eu ficamos esperando os voo partirem, também ansiosas pelo o que iríamos no dia seguinte. Sendo assim, voltamos para casa e organizamos nossas malas para duas semanas de férias, de forma que quando acordássemos no dia seguinte, precisássemos apenas nos aprontar e seguir para o aeroporto.

Emma levou Pongo para um hotel de animais que nos recomendaram. O lugar, segundo ela, era muito chique, mas parece que Pongo se divertiria bastante. Nosso cachorro tinha isso de bom, ele era bem sociável, apesar de que de vez em quando ele demorava para se acostumar com alguma novidade.

Antes de irmos para a cama, Emma me esperou na sala enquanto eu terminava de secar a louça que ela já tinha lavado. Assim que acabei, estava subindo as escadas quando a vi mexendo nos bonequinhos de neve pendurados na árvore de natal.

— Meu amor, vamos subir?

— Já vou, gatinha. — ela respondeu.

Desci os degraus que tinha subido e andei até ela curiosa.

— O que está fazendo? Não coloquei os bonequinhos direito?

— Não, eu só estava olhando. Até que arrumamos um pinheiro de natal bonito esse ano.

Parei ao seu lado e olhei para o pinheiro bem mais alto que nós.

— Verdade. O natal todo foi bonito. Já está com saudades de todos, não é?

— É. Vamos tentar não demorar para visita-los dessa vez.

— E que não precisemos ir só quando ficarem doentes. — comentei.

— Tem razão. — Emma se virou para mim. — Posso perguntar por que escolheu Bariloche para passarmos esses quinze dias?

Vi ela cruzar os braços, muito interessada no que eu fosse falar.

— Bem, como eu não tinha ideia de qual lugar ir, pedi ajuda para a atendente da agencia de viagens. Ela sugeriu um lugar que não é tão frio nem tão quente nessa época do ano, Bariloche pareceu perfeito.

— Hum... E não é Estados Unidos também.

— É. Achei que indo para um lugar fora do país a gente pudesse se divertir tanto quanto naquela viagem de lua de mel para Cancun.

Emma deu uma risada.

— Aquela foi inesquecível mesmo. Sabe o que sua irmã me contou hoje?

A olhei e fiz que não.

— Não, o que ela disse?

— Que aposta que vamos aproveitar muito a cama do hotel.

Corei, entendendo exatamente o que minha irmã quis dizer à Emma.

— Zelena é tão engraçada, não acha? — falei entre risos. Emma me abraçou de lado e me encheu de beijos.

— Sua irmã pode estar certa, ora. Vamos passear, e ficaremos cansadas, e no final vamos querer deitar e dormir na cama.

Gargalhei. Eu sabia que Emma estava brincando. Eu via na sua cara maliciosa suas reais intenções.

— Não tente me enrolar, sua danada. Sei que quer fazer mais que isso, afinal, essa será nossa segunda lua de mel. — comecei a belisca-la de leve na barriga.

— Quer saber de uma coisa? Acho lindo como você fica corada toda vez que comentamos sobre cama.

— É que cama me faz lembrar você e o que fazemos nela além de dormir. — Eu ainda tentava beliscar Emma, mas ela começou a segurar minhas mãos e desviar. Ríamos alto, e Emma finalmente conseguiu me agarrar e encher meu pescoço com mordidas que sempre me provocavam arrepios pelo corpo todo, aquela velha história.

Brincadeiras à parte, precisávamos descansar para a viagem do dia seguinte. E fomos. Nós acordamos cedo, nos arrumamos e checamos se tudo estava no lugar antes de pedir um taxi para nos levar ao aeroporto.

Estávamos preparadas psicologicamente para a longa viagem, trouxemos livros, o meu Ipod que não tinha problema de dividir com Emma e demos sorte de estar viajando na classe executiva, pois poderíamos assistir alguns filmes durante o voo.

Mesmo assim, quando o avião pousou na Argentina, Emma e eu estávamos exaustas.

Eu já sabia que perderia um dia descansando com Emma no hotel e foi assim que aconteceu. Só saí com minha mulher no dia seguinte, mas pela breve passagem do aeroporto para o hotel, tive uma prévia do que iria ver nos dias seguintes.

Bariloche parece uma grande vila, as casas e estabelecimentos são em sua maioria feitos de madeira. Há muitas árvores e verde. Existem lagos enormes, e dá para se ver o contorno das montanhas de todos os cantos. Um lugar lindíssimo que cheira a natureza. Mesmo sendo um ponto turístico ainda tem seu charme calmo de vilarejo em alguns cantos. Nessa época do ano especialmente não há neve, mas também não faz um calor absurdo como poderia ter visto se eu escolhesse ir ao litoral brasileiro, por exemplo. Em dez minutos de trajeto no carro que nos levou para o hotel, eu fiquei encantada. Bem que Zelena me disse para tirar muitas fotos e eu com certeza quero fazer isso.

Nosso primeiro dia oficial naquele lugarzinho simpático da Cordilheira dos Andes começou com um maravilhoso café da manhã que pedi antes de Emma acordar. Abusei, aproveitando que o hotel era um hotel de luxo e daqueles que não se concentravam em um prédio só. Nós ficamos em uma cabana que tinha todo o conforto possível. Liguei para a recepção e encomendei o que eles tinham de melhor para duas viajantes estrangeiras que queriam começar o dia naquele lugar com o pé direito.

Recebi o café da manhã no quarto, num carrinho alto, dando uma gorjeta ao funcionário.

— Gracias, buenos dias. — falei em agradecimento.

Logo que fechei a porta do quarto, Emma acordou e me viu empurrando aquilo até seu lado na cama.

— O que é isso? O café da manhã? — Emma perguntou em meio a um bocejo, limpou os olhos com os dedos e viu tudo o que eu colocava em cima de uma mesa logo ali perto. — Meu Deus! Quanta coisa!

— Bom dia, meu amor. Achei que ia fazer uma surpresa pra você mas você acordou antes. — eu disse, indo até ela e levando um pedaço minúsculo de pão doce até seus lábios.

— Humm... Que delícia. Pode não parecer mas eu estou morta de fome. — Ela me abraçou e selou minha bochecha depois que mastigou.

— Então vem aqui, eu pedi de tudo: pão, manteiga, fruta, chocolate...

Emma veio atrás de mim e olhava tudo na mesa com os olhos bem abertos.

— Ah, você pensou em tudo o que eu gosto, meu amor. — ela disse, me selando. — E o que vamos fazer depois do café, já escolheu no roteiro da viagem?

— Bem, tem muito lugar pra ir. Por que não conhecemos a cidade hoje e pensamos nos outros passeios enquanto rodamos tudo?

— Perfeito. — Emma disse, me deixando para se sentar na cadeira, eu fiz o mesmo.

Da janela do quarto já se podia ver uma parte do Nahuel Huapi, o lago gigante, uma das principais paisagens. Nos distraímos olhando para ele enquanto comemos tudo o que eu havia pedido. Minha mulher pegou minha mão por cima da mesa e a levou aos seus lábios. Pelo menos, todo esse clima que eu esperava ter, acho que encontrei em Bariloche.

E de fato o lugar era muito simpático, as pessoas também. Andamos pelo centro cívico sem sermos incomodadas até que Emma fosse reconhecida, o que demorou um pouco por causa de seu cabelo acastanhado. Os fãs vieram falar com ela, alguns pediram autógrafos e fotos, mas isso não demorou demais.

Aceitei a ideia de um dos fãs de Emma que nos disse que devíamos andar de teleférico para ter uma bela vista da região, o que foi muito difícil decidir porque haviam três mirantes na cidade que nos proporcionavam o passeio e as três vistas eram lindas. Acabamos indo no Cerro Campanário. Até aí tudo bem, flutuamos em cima das árvores que estavam em um tom lindo de verde naquele meio de tarde. Isso nos rendeu a primeira centena de fotografias. Ficamos um tempo no topo fotografando, admirando a paisagem que, na minha opinião, era algo cinematográfico. Logo tirei uma foto muito bonitinha de Emma com óculos escuros, tendo a paisagem de pinheiros atrás dela, então um guia turístico nos disse que aquelas árvores haviam sido importadas do nosso pais. Bem que eu desconfiava que aqueles pinheiros estavam muito parecidos com o nosso de natal lá de casa.

Decidimos visitar os outros dois Cerros nos outros dias seguintes, mas eu estava ansiosa para fazer trilha com Emma, depois que descobrimos que essa era uma das atrações daquela época em Bariloche, para isso trouxe meu tênis de caminhada e avisei para minha mulher comprar um para ela, mas a esquecida não fez isso. Assim que voltamos para o centro entramos numa loja de alpinismo e trilha, um lugar que me deixou louca só de imaginar como devia ser aquilo no inverno.

De noite, ficamos no quarto do hotel vendo todas as tralhas que compramos pelo caminho no centro, e não foi pouca coisa. Emma tinha comprado três toucas, dois coletes, uma camisa, um boné e o sapato de trilha. Eu comprei outro sapato(era uma bota na verdade), um chapéu e chaveiros de lembrança da cidade para distribuir para os amigos.

Sobrou um tempo para a gente namorar depois do jantar, só que o passeio do dia fora cansativo e nem nos demos conta. Antes das onze da noite na Argentina, estávamos roncando, largadas, quase nuas na cama, depois de trocarmos carinhos. Mas eu não estava ansiosa para ter sexo com Emma ali. Eu queria desfrutar da companhia dela e ver que ela estava se divertindo com a minha, isso sem dúvida era o principal fator. E nessa toada, continuamos nossos passeios por Bariloche, seguindo o roteiro que tínhamos num mapa dado pela agência de viagens, pelos quatro dias seguintes; teleféricos, passeio de barco, trilhas, passeios de bicicleta, vento gelado no rosto, sorvetes, o sol sobre o lago gigante no final da tarde para enfim, voltar para nossa cabana/hotel e nos jogarmos na cama e rir feito duas bobas alegres.

No final do quinto dia, que havíamos dedicado para ir a uma colônia de arvorismo onde fizemos um circuito de tirolesa e eu quase quebrei meu pé quando pisei em falso em meio a trilha, caímos novamente na cama, olhando para o teto emadeirado do quarto, ofegantes demais para conversar. Eu usava roupas de esporte, um short de corrida, camisa dry-fit de manga e o boné na cabeça. Emma estava assim também, o que mudava era sua camiseta regata que exibia seus braços tão definidos.

Olhei para o lado e vi e ouvi a respiração de Emma, uma pequena gota de suor descer por sua têmpora... Qual era a novidade? Eu me sentia excitada.

Me virei, tirando o boné e deitando por cima dela. Arranquei um beijo guloso de Emma, retirando seu boné e tocando seus cabelos. Não deu nem tempo dela me olhar, eu já tinha abocanhado seus lábios e procurado sua língua para roçar na minha. Swan, parou o beijo depois de um tempo, atrás de mais fôlego.

— Eu sei que você quer isso tanto quanto eu, mas eu quero sugerir que a gente faça isso naquela banheira de hidromassagem. — disse ela.

— Boa ideia. — sorri maliciosamente e a levantei, correndo para o banheiro, me livrando das roupas suadas o mais depressa possível.

Deixe-me tentar resumir o que houve na banheira, uma verdadeira batalha. A luta começou quando entrei na água borbulhante antes de Emma; Desci minhas mãos com as unhas compridas pelos braços de Emma, voltando a abocanhar sua boca. Meus ansiosos dedos procuravam cada parte do corpo dela, eu precisava apertá-la, senti-la e enche-la de marcas naqueles ombros cheios de pintas e seios delicados. Emma segurou minhas mãos para tentar tomar as rédeas, mas não resistiu e se entregou, talvez mais excitada que eu depois de tantos beijos e chupões que deixei por sua nuca.

Dava para sentir a água bem morna quando Emma se sentou no meu colo, me olhando nos olhos como se pudesse dizer que era toda minha naquela hora. Minhas mãos alcançaram seu rosto e eu a beijei novamente, sedenta. Apesar da temperatura da banheira nos envolver, Emma parecia ainda mais quente. Rocei por seu busto, o beijei, e não satisfeita apertei seus seios. Agarrei Swan de tal forma para conseguir tomá-los nos lábios também. Deixei que uma das mãos escapasse lá para baixo, entre eu e ela e a vi tomar ar quando cheguei naquele ponto entre suas coxas que a fazia tremer. Emma fechou seus olhos e os abriu devagar para mim. Entrei nela com meus dedos, foi quando seu rosto erubesceu, ela se apoiou em meus ombros e me guiou ali embaixo. Era apertada, sempre foi, mas eu achava maravilhoso senti-la por dentro, aquelas contrações e espasmos de prazer.

Ela respirava pela boca, sem tirar seus olhos tortos pela proximidade dos meus. Eu ia e vinha dentro dela cada vez mais agressiva, indo até onde eu podia com meus dedos. Conseguia sentir que minha amada estava quase lá, ela queria ter aquela sensação me olhando nos olhos e quando teve, seu corpo se reteve sobre o meu, ela urrou de um jeito que nunca fez antes. Apertou meus dedos dentro dela e senti um imenso prazer só de vê-la se render a mim daquela forma. Ficou tão fácil penetrá-la que entrei com mais um dedo. Swan pegou meus cabelos e ergueu meu rosto para conseguir me beijar e gemer contra minha boca abafadamente, sofridamente.

Levei meus três dedos melados de prazer dela aos seus lábios e Emma os lambeu. Eu sorria como se estivesse dando a ela sua recompensa, mas também senti de seu gosto quando ela voltou a me beijar. Deus, era deliciosa.

E como era de se imaginar, ficamos famintas depois da euforia erótica que tivemos na banheira.

— Acho que precisamos pedir o jantar. — Emma falou, abraçada ao meu corpo, com a cabeça encostada em meu ombro esquerdo.

— Eu também acho.

— Você deve estar com mais fome do que eu, e acho bom porque vai precisar de energia logo mais.

— Eu vou? — perguntei surpreendida, quase rindo.

— Vai. Pode apostar. — disse ela, completamente cansada, mas muito disposta a fazer tudo o que eu fiz com ela em mim.

Pense em uma refeição boa. Pois é, Swan e eu comemos duas vezes cada uma e estranhamente a comida tinha um gosto espetacular hoje. Desde que chegamos não comemos uma truta tão boa. Era típico eles servirem truta naquela região, junto de verduras cozidas em pedra, realmente um prato cheio. Mas quem disse que isso impediu Emma de fazer o que tinha em mente comigo? Minha mulher e eu ficamos até tarde da noite rolando na cama, voltando àquela luta corporal que resultava em lambidas e gemidos agudos. Sobrou para mim, e eu não reclamei, claro. Ser dela era sempre delicioso e estimulante. Só que eu gostava do que vinha depois do sexo, o carinho exagerado, as juras de amor e aquele contato que trocávamos nos olhando, namorando.

— Já disse que você é a mulher mais bonita do mundo, Regina Mills? — dizia Emma por cima de mim.

— Hoje ainda não. Acho bom a senhora se explicar porquê esqueceu desse detalhe. — falei, observando ela com os olhos semicerrados.

— Eu não me esqueci. Eu na verdade estava muito ocupada admirando a senhora, observando a paisagem do lago, os pinheiros, as montanhas. — Swan lambeu os beiços.

Mordi meu lábio inferior.

— Ah, por isso ficou muda enquanto andávamos pelo mirante?

— Exatamente.

Sorri. Ela tocou meu queixo e me selou pela centésima vez naquela madrugada.

Afastei-lhe os cabelos que caiam no rosto para trás de suas orelhas. Emma fica absurdamente linda à meia luz, até mesmo com seu cabelo castanho, mas seus olhos, seus olhos são os mesmos, intensos, famintos.

Acho que fizemos amor a madrugada inteira, pois não me recordo a hora em que fui deitar, mas certamente já amanhecia.

O resultado disso foi perdermos o café da manhã porque acordamos muito tarde, porém, o dia não estava perdido.

Fomos a outro mirante famoso o Cerro Catedral. Naquela época não dava para se esquiar, mas existiam milhares de outras atrações no topo do mirante. Paramos para dar atenção a um grupo de fãs de Emma – isso não deixou de acontecer em todos os dias em que ficamos em Bariloche. Nós almoçamos por lá, depois andamos por uma breve trilha até mais uns quinhentos metros e encontramos um lugar sossegado que tinha vista para o outro lado das montanhas. Guardei meu mapa na bolsa e saquei a câmera fotográfica.

— Faça uma pose, bonitona. — pedi a Swan.

— Como queira, senhora fotografa. — Emma riu e se virou para mim, jogando os cabelos presos para o lado.

Bati a fotografia e em seguida programei a câmera para poder bater uma foto de nós duas, já que ficamos sozinhas naquele canto. Pousei a câmera em uma pedra e corri para o lado de Emma. A foto saiu perfeita.

— Que tal essa? — perguntou Emma.

— Eu adorei, veja. — mostrei nós duas com a vista da montanha atrás no visor da câmera, depois a pendurei no meu pescoço.

— Essa vai para a cabeceira da nossa cama.

Emma me abraçou por trás, houve um momento em que ficamos em silêncio.

Pressenti que ela me diria alguma coisa. De repente, meu coração começou a acelerar de nervoso.

— Tenho uma coisa para contar a você.

Ela não me olhava, mas me apertava, quase que pedindo para que eu não fugisse dali.

— O que, meu amor? — perguntei, receosa.

— Te vi conversando com aquele menininho no orfanato.

Engoli em seco.

Não demorei a replicar.

— Eu também tenho algo para contar. Eu sei o que você e sua mãe conversaram na cozinha na véspera de natal.

Emma se agitou.

— Sabe?

— Eu escutei um pouco da conversa, atrás da porta, estava passando e ouvi vocês. — me virei em seus braços. — Olhe, eu sei que você quer ficar comigo, que me ama e que independente do que eu decidir, você não vai me deixar. Também sei o que acha de mim agora que me viu conversando com aquele menino. Ter escutado vocês foi algo feio da minha parte, mas depois que comecei não consegui parar até te ouvir dizendo que eu seria uma ótima mãe se quisesse. Não precisa ficar chateada e saiba que eu não estou chateada e nem inventei essa viagem por conta disso.

— Eu sei que não está chateada. E eu disse o que eu disse para minha mãe porque senti necessidade de compartilhar isso com ela. É verdade, Regina, tudo o que eu falei é o que eu penso. Só não quero que se assuste com a conclusão que eu cheguei.

— Não vou. Tá tudo bem. Eu acho que estou aprendendo afinal.

Swan pegou meu braço e me mostrou outra vez o bracelete que andava no meu pulso para todo lugar.

— Você sabe o que isso significa, não sabe?

— Significa uma das coisas que falou para sua mãe.

— Uhum. — Emma gemeu. — Só quero que entenda que estou muito feliz, por você e com você.

Nossa breve conversa sobre o que vimos e escutamos ficou por ali, em meio a um abraço apertado e um beijo. Era o último dia do ano e o assunto ficou com o ano velho, por enquanto.

Como prometemos uma para a outra, a prioridade dessa viagem era ela e eu. Mas antes disso, existiam nossas promessas de dizer sempre o que sentíamos e Emma nada mais fez o que precisava, ela foi honesta comigo e eu com ela.



Os dias seguintes foram repetições dos anteriores com algumas mudanças, mais lugares para descobrirmos. Eu fiquei triste quando completamos os quinze dias da viagem. Passou muito depressa.

Voltamos para casa com mais duas malas, mais de mil fotografias, calos nos pés, mas muito alegres. A viagem superou minhas expectativas e eu estava a toda com Emma, que aproveitou até mais do que eu cada passeio.

Chegamos da longa viagem ainda comentando que deveríamos voltar lá no inverno. Emma largou as malas ali mesmo na sala, eu deixei as minhas no corredor e me sentei no sofá ao lado dela.

Ela me abraçou e alisou meu corpo, era tudo o que eu precisava depois de ficar sentada por tantas horas. A gente tinha preguiça de levantar dali, mas não dava para saber se era preguiça de voltar a realidade depois de tantos dias ou preguiça porque finalmente chegamos em casa.

Emma estava agarrada a mim quando o telefone da sala tocou.

— Já adivinharam que chegamos? — ela disse e eu a fitei.

— Pode ser. — disse eu, me levantando até conseguir pegar o telefone. Atendi. — Alô.

— Alô? Regina! Graças a Deus.

Reconheci a voz, era da senhorita Blue do orfanato.

— Senhorita Blue?

— Regina, desculpe estar ligando para você, nós estamos com um problema e não sei se você tem alguma pista.

— Como é? O que está acontecendo?

— Uma das crianças fugiu do orfanato. O Henry, foi ele.

Toda vez que eu recebia uma notícia ruim era por telefone. Os aparelhos aqui de casa já estão cansados de cair da minha mão. Com o da sala não foi diferente.

Notas finais
É, ninguém esperava por esse final. Pelo menos nosso casal favorito passa a impressão de ter espantado suas diferenças e a crise. Um beijo para quem comentou, quem começou a acompanhar agora a história e um beijo especial para o pessoal que compartilhou. Em breve tem mais, a fanfic não para. Um beijo grande, fiquem bem.