Não há outro amor para mim.
55 A loira misteriosa não desiste.
Notas iniciais
— Uma mulher loira? Você tem certeza, Killian? — eu disse, olhando meu amigo, depois a imagem do vídeo em seu celular. De tudo o que eu poderia esperar, uma mulher loira seria a última coisa, mas era isso que meu amigo estava me contando. Então, minha admiradora secreta era loira. Loira como Emma, minha mulher. Não, eu não acredito que seja Emma, ela não pode ser a admiradora, ela está em Vancouver, não poderia me mandar presentes todos os dias, então quem será essa pessoa? Ainda estou muito confusa.
— Absoluta, Regina. Foi o que o rapaz disse e a imagem não deixa mentir, parece mesmo que a mulher tem os cabelos claros. — disse, Kill, ainda segurando o aparelho.
— Mas e se ela estiver usando uma peruca?
— Ah, duvido muito — ele aproximou mais do rosto da mulher, coberto por um boné, e mal dava para ver os óculos escuros que ela usava. — Parecem ser naturais. Conheço as mulheres, e essa pessoa disfarçada é uma, minha amiga.
— Também conheço as mulheres, Killian. Sei que é uma, o jeito de se mexer, o corpo. Dá para ver que é uma. Mas não faço ideia de quem é essa pessoa. Não estou conseguindo pensar em uma mulher loira que não seja Emma.
Kill parou para pensar.
— Das suas amigas que conheço que são loiras eu só me lembro de uma...
— Quem?
— Aquela que é dona da MBC. Como se diz o nome dela mesmo? Melefi... Malefica?
— Maleficent. — falei.
De repente senti um calafrio estranho, um aperto no peito. Minha ficha caiu. E se fosse Maleficent? Só podia ser Maleficent. Loira, estatura média, esbelta. Nesse momento eu só conseguia pensar nela.
— Isso! Maleficent. Você e ela não ficaram amigas? Pode muito bem ser ela sua admiradora secreta.
— Mas não pode ser, não, eu não acredito. Na verdade só consigo pensar nela, mas por que ela faria isso comigo? Por que me mandar presentes? Por que escrever coisas românticas nos cartões? O que ela quer comigo? — eu estava espantada, e não era pouco.
— Ela deve estar apaixonada por você, é a única explicação.
— Não é possível. Ela é minha chefe. — falei, me levantando do sofá e passando uma mão pela testa.
— Claro que é possível, Regina. Qualquer pessoa pode se apaixonar por você. O único problema é que não tem muita chance, você é casada com a Emma. — meu amigo guardou o telefone no bolso.
Andei em círculos na frente do sofá e de Killian, completamente atordoada.
— Acha mesmo que minha chefe pode ter se apaixonado por mim? Que eu saiba ela é hétero e acabou de sair de um casamento.
— Nada impede ela de se apaixonar por uma mulher, ainda mais agora que ela está separada do marido. Talvez ela queira te conquistar com os presentes e bilhetes porque não arrumou forma melhor de dizer que te ama.
Cocei os cabelos por trás e abanei a cabeça.
— Isso é bizarro. Uma loucura. — devia estar com os olhos arregalados.
— Se você quiser posso continuar investigando, mas acho que vai ser difícil pegar mais alguma informação na loja. — Killian me observava.
— Deixe a investigação de lado por enquanto, vai que ela decide parar de me mandar presentes se eu começar a jogá-los fora. — pensei rápido.
Kill fez uma cara de quem gostara da ideia.
— Parece uma boa ideia.
Ele se levantou.
— Vou fazer o teste. Se for mesmo Maleficent, ela dirá algo.
Meu amigo assentiu.
— Não duvido.
Killian foi embora depois que bebemos um drink juntos e ele me contou sobre a separação de Ruby. Eu devia um grande favor a ele, na verdade vários favores. Desde a festa da MBC e a confusão com Lily, ele tem me ajudado bastante. Agora, me sinto em dívida, e muito mais depois que ele descobriu quem era a admiradora, em partes porque ainda não temos certeza se é Maleficent.
Eu guardei os presentes que meu amigo me trouxe de volta, mas não tinha certeza se ficaria com eles. Com relação aos que eu receberia, eu já sabia o que fazer. Essa admiradora está indo longe demais e por mais que tente me conquistar, não vai adiantar, que isso fique claro.
Na manhã seguinte, cheguei na MBC ansiosa, sentindo um frio estranho no estômago. Eu vinha com minha pasta pelo corredor do escritório, imaginando se haveria algum novo presente sobre minha mesa e se Maleficent estaria mesmo por trás daquela história. Tive uma péssima noite, tentando absorver a ideia de minha chefe ser minha admiradora secreta. Não era nem um pouco confortável pensar nisso, chegava a me dar náuseas. Para piorar, eu havia me esquecido que hoje era dia de reunião com a produção do jornal e era óbvio que ela estaria lá.
Minhas náuseas estavam com total certeza me deixando branca como papel e isso deve ter piorado quando Archie passou por mim no corredor, me dando um susto danado.
— Regina. — veio ele, saindo de uma sala, repentinamente.
Quase dei um pulo, precisando tomar ar.
— Archie! Que susto. — eu disse, aborrecida.
— Me desculpa. — ele disse rápido, me observou e viu como eu estava estranha. — Nossa, você está com uma cara horrível, o que houve? Isso tudo é saudade da Emma?
— Um pouco. — eu disse. — Mas que susto, nunca mais faça isso.
— Eu só estava saindo daquela sala. Você quer que eu arranje algo para tomar?
Ele devia estar preocupado, e na verdade eu precisava mesmo de algo para tirar aquele frio na barriga idiota que estava sentindo.
— Sim, preciso de algo para ansiedade.
— Eu arrumo. — meu amigo falou, indo buscar algo parecido com um calmante para que eu tomasse.
Me sentei no escritório e tomei o comprimido junto de um pouco d’água. Archie esperou.
— Será que isso te ajuda até a hora do jornal? — perguntou ele, pegando o copo da minha mão.
— Tem que funcionar pelo resto do dia. Tenho uma reunião logo mais com a produção do noticiário.
— Se achar que não consegue apresentar eu aviso o diretor para chamar seu substituto.
— Não, deixe, Archie, eu estou começando a melhorar. — me levantei da cadeira e fui até o armário que havia no meu escritório. Quando abri, meu amigo pôde ver a quantidade de ursinhos de pelúcia, caixas de chocolate e outras coisinhas fofas eu havia guardado ali. Tudo da admiradora secreta.
— Caramba! — disse ele espantado com a quantidade de presentes.
— Preciso da sua ajuda. — Peguei uma porção daquelas coisas nos braços e joguei sobe a mesa. — Tenho que me livrar dessas coisas.
— Isso tudo são presentes? Quantos admiradores, hein? — Archie brincou.
— Não são tantos assim, querido. — falei com ironia na voz. — É apenas uma pessoa, uma admiradora, que ainda por cima não quer que eu saiba quem é.
— Como?
— Isso mesmo que você ouviu, ela está me enchendo de presentes e cartas, e manda assinar essas cartas apenas como “admiradora”.
Archie coçou a cabeça, olhando para as coisas na mesa.
— Não sei não, Regina, você não desconfia de ninguém?
Olhei para ele e fiz que sim.
— Tenho uma desconfiança, mas acho melhor não dizer antes de confirmar. Bom, livre-se disso para mim, por favor, jogue fora, faça o que quiser com esses ursos, chocolates... E se algo chegar para mim na portaria, avise para devolverem de onde veio.
— Mas qual desculpa eu dou?
— Diga que não posso aceitar presentes de uma admiradora. — Eu estava com as mãos paradas na cintura.
Archie me fitou e perguntou com curiosidade.
— Regina, Emma sabe que você está ganhando todas essas coisas de uma mulher?
Engoli em seco. Bem, essa seria a questão que todos me fariam quando contasse que tinha uma admiradora, principalmente tratando-se de uma mulher. Eu achei que Archie seria a última pessoa para quem fosse contar, porém, estava enganada.
— Não. Não ainda. Mas ela vai saber logo. — desviei o olhar.
— Vou dar um jeito nessas coisas para você, Regina. Porém, se eu fosse você, mandava alguém investigar de onde vem tudo isso.
Archie não sabia que eu havia mandado Killian investigar para mim. E ele havia feito isso perfeitamente. A loira misteriosa poderia ser qualquer loira da cidade de Los Angeles, mas havia apenas uma mulher com aquelas características que eu conhecia e via regularmente.
Pois bem, lá estava ela, na reunião com a produção do noticiário, no meio da tarde. Maleficent entrou por último na sala e assumiu a cabeceira da grande mesa que recebia todos os envolvidos na produção do U.S.A News, incluindo eu, dois lugares distante dela.
Era uma sensação muito esquisita você saber que uma pessoa estava te olhando e você não conseguir retribuir o olhar. Isso estava acontecendo exatamente comigo. Quando Maleficent acenou para mim, me cumprimentando, dei-lhe um sorriso fechado, sem graça, mais desconfiada do que nunca. Passei a reunião inteira a olhando de banda e, quando dei por mim, eu estava imaginando Maleficent me jogando beijos no ar.
Abanei a cabeça e foi nesse momento que ela me percebeu de novo, fazendo uma pergunta:
— Regina, qual sua opinião sobre o quadro que queremos inserir no noticiário?
— Hum... Oi? — eu acordei. De repente todos na mesa me olhavam e me dei conta de que não havia prestado nenhuma atenção na conversa. — Eu acho ótimo. Deveríamos investir na ideia. — respondi rápido.
— Muito bem. Se temos a aprovação da apresentadora, acho que podemos conversar melhor sobre a ideia. — ela continuou, apontando para mim. — Marcaremos uma nova reunião para a próxima semana. Quero que os novos quadros sejam inseridos na grade de programação de verão, o que acham? — Todos na mesa se manifestaram assentindo.
Após isso a reunião terminou, para o meu alívio.
Enquanto eu me levantava da mesa junto dos diretores, Maleficent conversava com algum produtor e não me viu deixar a sala de reuniões.
Voltei para o escritório. Não havia nada de novo sobre minha mesa, isso queria dizer que Archie havia feito o que eu o pedi de manhã. Das duas, uma. Ou ela se daria conta de que eu não gostei de receber presentes e cartões, ou ela apareceria para revelar quem era.
Passei uma semana evitando topar com Maleficent nos corredores da MBC. Quando meu trabalho no jornal terminava, eu voltava para casa, dava uma corrida com Pongo no quarteirão e arrumava algo para fazer. Quando não era uma matéria do trabalho para adiantar, era algum cômodo da casa que resolvia arrumar.
Hoje decidi limpar o quarto de hóspedes do final do corredor do segundo andar. Um cômodo pouquíssimo usado que só estava servindo para acumular poeira e cheiro de quarto fechado. Pensei nesse como um quarto ideal para Henry quando ele viesse a morar aqui em casa. Eu precisava arrumar móveis novos para decorar o quarto e perguntar a ele o que ele gostaria de ter desenhado nas paredes, se ele gostava de um super-herói ou qualquer coisa do gênero.
Dei uma breve varrida no quarto e voltei para a sala, foi nesse momento que Emma me ligou no Skype. Corri até a mesa e atendi.
— Oi, meu amor. — Vi Emma vestida com um casaco pesado e touca. Ela estava em uma externa e me ligava do celular.
— Oi, gatinha. — ela acenou. — Como está hoje? Sentiu minha falta?
— Eu sinto sua falta toda hora. Estou bem, querida e você? Que lugar é esse aí?
— Ah, essa é uma externa em um parque dentro da cidade. Hoje está frio e devemos gravar até tarde, por isso te liguei. Quando acabar vou voltar para o hotel e dormir um bocado.
— Bem, depois que as gravações voltaram você não tem quase parado. Será que você vai demorar para voltar dessa vez? — perguntei, colocando um tom de preocupação na voz, Emma entenderia.
— Não sei, meu bem. Realmente não sei, mas eu quero muito voltar. A cama do hotel pode ser muito boa, mas nada mais confortante que um abraço seu.
Abri um sorriso largo para ela. Óbvio depois de ouvir e me derreter.
— Você tem toda razão. — eu disse,
— Ouça, você havia reclamado que eu só te dava coisas de comer de presente quando voltava das viagens, então ontem passei em uma loja num shopping depois da gravação e comprei algo pra você. — Emma viu que fiquei surpresa e riu. — Ah, nada de perguntar o que comprei. É surpresa.
— Emma, você é uma tirana! — falei entre dentes, enquanto ela se divertia da minha cara. Ela sabia como eu era curiosa. — Tudo bem, vai... Eu espero.
— Muito bom, moça bonita do jornal da hora do almoço. Você sabia que aqui no Canadá eles assistem muito você?
— Ah, é mesmo?
— Muito. O pessoal daqui gosta mais de você do que de mim.
— Para de ser boba, Emma.
— Uma boba que você adora. — ela riu. — Agora eu vou gravar, se cuida, meu bem. Quando for ver o Henry manda um beijo pra ele.
— Você também, meu amor. Eu mando, deixa comigo. — pisquei e joguei uma porção de beijos para minha mulher.
Emma havia me feito lembrar de duas coisas; A primeira era que eu ganharia mais um presente, que seria o dela quando ela voltasse, e pelas minhas contas, com ele, seria trigésimo no mês, contando com os da admiradora secreta. A segunda coisa era que eu devia voltar ao orfanato para ver Henry e perguntar como andava o processo de adoção.
No dia seguinte, no orfanato, a senhorita Blue caminhava ao meu lado no corredor ao lado do pátio, onde as crianças brincavam antes do lanche da tarde.
— O processo de adoção envolve algumas etapas, Regina. Como demos entrada recentemente, precisamos esperar a instituição avaliar suas condições para cuidar de Henry. Acredito que dentro de dois meses saberemos se você e Emma poderão adotá-lo, depois acontece o processo de adaptação e em seguida vocês poderão ficar com ele em definitivo. — dizia ela.
Nós duas observávamos o menino correr pelo pátio, brincando de pique.
— Eu jamais pensei que diria algo desse tipo, é que não vejo a hora de poder adotá-lo — Nós paramos na entrada para o pátio, esperando que Henry me enxergasse ali.
A senhorita Blue me olhou e sorriu gentilmente.
— Tenho a impressão de que além de querer dar esse presente que é ter um filho à Emma, você deseja tanto quanto ela ser mãe.
— Para ser sincera, eu tinha pavor dessa possibilidade. Então conheci Henry, e procurei entender Emma, percebi que havia um pouco de mãe dentro de mim também.
— Isso é muito bom, Regina, muito bonito.
— Sim, realmente. — fiz que sim, cruzando os braços.
Henry se virou na direção onde estávamos e finalmente me viu. Ele largou a brincadeira para correr em minha direção, pulando nos meus braços feito uma Lebre.
— Regina! — disse ele, me abraçando com todo o carinho do mundo.
O segurei firme, quase caindo para trás com o pulo que ele deu.
— Henry, vá com calma, desse jeito você vai matar a Regina. — disse a senhorita Blue.
— Não se preocupe, eu aguento... — eu disse, o segurando enquanto ele me apertava.
— Senti sua falta, Regina. — Henry desceu dos meus braços.
— Eu também, querido. Como está? — toquei suas bochechas.
— Muito bem. — ele sorriu e pude ver um dente crescendo onde havia caído um de leite há algumas semanas.
— Vou deixar vocês dois conversando, está na hora de organizar o refeitório para o lanche da tarde. Com licença.
A freira se afastou e Henry me puxou pelo pulso para nos sentarmos em um banco no pátio.
— Que bom que você veio, eu adoro quando você aparece de surpresa. — ele ainda sorria, mas estava ofegante por causa do corrida que havia dado.
— Eu também adoro vir de surpresa. — parei para olha-lo ao meu lado.
— Emma mandou um beijo para você, ela não vê a hora de você ir lá para casa. — comentei com ele.
— Se você quer saber, eu também não vejo a hora, às vezes nem acredito que você e ela querem me adotar.
— É verdade, pode acreditar.
Ele me deu um novo sorriso.
— Sabe, eu estava pensando em uma coisa...
— Que coisa, Henry? — o olhei, curiosa.
Henry coçou a cabeça por trás e desviou o olhar.
— Bom, é que eu estava pensando em como ficaria meu nome se eu fosse adotado por vocês. Você se chama Regina Mills e o sobrenome da Emma é Swan. Então isso quer dizer que meu nome ficaria Henry Mills Swan?
Dei um riso com o pensamento dele, mas o menino estava certo. Seu sobrenome mudaria quando fôssemos registrá-lo, isso se ele quisesse, é claro.
— Acho que combinaria mais Henry Swan Mills. Acontece que você só recebe outro sobrenome se você desejar.
— Ah, entendi. Eu posso escolher se quero um novo sobrenome mesmo?
— Sim. — assenti várias vezes.
— Bom, então vai faltar eu me acostumar apenas uma coisa. — ele voltou a me olhar. — Você se acostumar a me chamar de filho.
Henry me deixou sem palavras. Fiquei a observá-lo com grande surpresa, tentando encontrar algo para dizê-lo, no entanto não conseguia sequer falar.
— Espero que isso não seja muito difícil, porque eu já sinto que posso chamar você e Emma de mães.
Não sei de onde a vontade de chorar veio, todavia com certeza eu estava com os olhos cheios d’água. Virei o rosto, tentando disfarçar, mas Henry havia percebido que eu estava emocionada demais. Ele se levantou do banco e veio até mim, me abraçando com o mesmo carinho que eu havia dado a ele na primeira vez que o vi.
Sinto que a cada vez que o visito nossa relação melhora e o que ele me disse é certo. Falta pouco para que eu me acostume a chama-lo de filho como minha mulher já faz.
Mais alguns dias se passaram, eu continuei indo ao orfanato ver Henry, indo trabalhar na MBC e conversando todos os dias com Emma pelo telefone. Minha mulher já tinha uma data para vir me ver, aproveitando um intervalo das gravações de seu filme em Vancouver. No trabalho os novos quadros do jornal estrearam, eu ainda era a principal jornalista da atração e a audiência ia muito bem como no último mês. Acho que depois que Lily deu a entrevista se desculpando, ganhei mais alguns novos telespectadores.
Sobre a loira misteriosa, eu ainda pensava que ela estava mais perto do que eu imaginava, embora eu fugisse de Maleficent há dias dentro da emissora. Minha chefe e eu não tínhamos contato desde a reunião do U.S.A News, desde esse mesmo dia em que me desfiz de seus presentes. Eu não conseguia pensar em outra pessoa me mandando aquelas coisas. A descrição era a dela, ela me conhecia, e gostava muito de mim, era a única que tinha a capacidade de fazer algo desse tipo. No fundo eu estava muito chateada em pensar que Maleficent havia se apaixonado por mim. Era muita gentileza dela, acho até que não merecia tanto, ela poderia simplesmente chegar e me contar que estava gostando de mim. Porém, ela preferiu me mandar presentes e tentar fazer algo que jamais daria certo, me conquistar. Eu esperava que a decisão de devolver os presentes para a loja tenha a feito perceber que nada poderá acontecer entre nós duas
Eu sabia que uma hora ou outra iria acabar encontrando com ela na emissora e sabia que o clima não seria nada agradável, só não sabia que isso aconteceria hoje.
Logo cedo, assim que voltei com Pongo da caminhada matinal depois do café, fui para o banho e me arrumei para ir trabalhar. Eu desci as escadas, procurando o bracelete que Emma havia me dado de natal, quando a campainha da casa soou.
Fui até o olho mágico e espiei, era o carteiro com uma cesta enorme nas mãos. Abri a porta imediatamente.
— Regina Mills?
— Sim, eu mesma. — respondi.
— Encomenda para a senhora. Assine aqui por favor. — ele me entregou uma prancheta e assinei num papel, em seguida me entregou a cesta embrulhada e foi embora. — Obrigado, tenha um bom dia.
— Igualmente. — respondi, fechando a porta, carregando a cesta. — Que diabos é isso?
Levei-a até a mesinha de centro e abri o embrulho. Um papel se soltou do laço e estava escrito: “Uma cesta de café da manhã para a mulher mais bela das manhãs.”
Eu não acreditava que era dela, não de novo da loira misteriosa, até ver assinado no canto do papel “Sua admiradora”.
Era ela, a loira misteriosa atacando de novo, mais precisamente Maleficent atacando meu sossego e, dessa vez, ela havia ido longe demais, mandado uma cesta de café da manhã no meu endereço, na minha casa.
Passei a mão pelos meus cabelos, olhando a quantidade de coisas que vieram na cesta. Ela só poderia estar louca.
Tomei ar e procurei pensar rápido do que fazer. Novamente a sensação de náusea. Ela não deve ter se conformado com o fato de eu ter recusado seus presentes, então estava me mandando em casa. Acontece que para mim aquilo bastava. Levantei e peguei o cartão da cesta, saindo de casa com pressa.
Cheguei na MBC e fui direto para a diretoria procurar minha chefe. Entrei na recepção como um furacão, sem nem mesmo deixar a secretária me anunciar na sala de Maleficent. Ela estava olhando algo em seu computador e nem se assustou quando abri a porta bruscamente, levantou os olhos por cima dos óculos de leitura e falou comigo.
— Regina, há quanto tempo, como vai?
Suspirei e andei até sua mesa, jogando o cartão na frente dela.
— Eu odeio ter que dizer isso, Maleficent, mas... Quero que você pare. — falei com convicção.
Minha chefe me olhava com uma mescla de surpresa e dúvida na cara. Mal sabia ela que eu não acreditava nem um pouco que estava mais confusa do que eu nesse momento.
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