Não Toque no Meu Cacto

2 Capítulo 1 - A imensidão do deserto - Victor


Notas iniciais
Primeiramente quero agradecer a pessoa que ta acompanhando e te pedir desculpas pela demora em postar. Bem, desejo uma boa leitura!

“Um cacto solitário sem a luz do sol.” – Éris.

Esgotado. De todas as formas possíveis. Os últimos dias foram cansativos e têm sugado minhas energias. Após a perda, parece que as coisas nunca mais vão melhorar. Sobrevivo. Incapaz de sentir novamente, consumido por esse vazio que a cada dia tem se tornado mais presente.

Mais uma vez saio de casa brigado com Kelly. É tudo o que temos feito ultimamente. Brigamos e gritamos um com o outro. Nossa relação só tem piorado. E o fato de agora ter me tornado “pai” não tem ajudado muito. A fixa ainda não caiu que essa agora é minha realidade. De que mesmo ambos não querendo estarmos juntos, somos obrigados por causa dessa criança.

A criança, nem Kelly têm culpa de nada. A vida as vezes simplesmente é fudida. Já deveria estar acostumado com isto.

Kelly tem se saído bem como mãe, mesmo estando tão cansada. Sei de suas noites mal dormidas, de seu esgotamento físico e mental. Vejo sua aparência agora desleixada. Suas olheiras aparentes e o cabelo preso de qualquer jeito. Um emaranhado de cachos. Mas mesmo assim, ela ainda continua incrivelmente linda, principalmente quando a vislumbro com aquele brilho no olhar, sorrindo enquanto brinca com o bebê. E esses sãos os únicos momentos em que sorrio.

Tenho sido o mesmo desgraçado egoísta de sempre. Ignoro o fato de que ela precisa de mim. Eu poderia ser mais presente e a ajudar. Porém, prefiro somente ser um mero espectador. Não consigo lidar com tudo isso. Simplesmente não sei o que fazer.

Recebi um vale “Desgraça” da vida. Parece que tudo conspira para que minha vida se torne ainda pior. Como se fosse possível? Infelizmente essa vadia está levando isso como um desafio. Tudo bem vida. Eu já estou de saco cheio de você! Mas não é como se isso fosse uma novidade.

***

É madrugada e caminho cambaleando pela rua de paralelepípedos por perto do prédio. Ela está deserta. Em uma mão seguro uma garrafa de cerveja já pela metade e na outra, meu companheiro fiel em todos momentos difíceis. O cigarro. Inalo a fumaça. Enchendo meus pulmões.

São três e meia da madruga e não sei para onde ir. Estou cansado. Apesar de todo o caos dentro de mim, minha mente insiste em dizer para que eu volte para casa. Casa...

Após, um curto tempo, encontro-me de frente para o nosso prédio. Acho que meus pés simplesmente se moveram sozinho, seguindo o caminho. Dou um leve aceno de mão para o porteiro e ele retribui com um de cabeça. O senhor Manuel já está acostumado comigo e principalmente por sempre chegar por esses horários.

Sento na calçada e em um só gole viro o resto de cerveja que sobrava. Jogo a guimba no meio da rua e enfio a mão no bolso a procura do março de cigarros. Ao tê-lo em mãos constato que este está vazio. Amasso a embalagem e a jogo para o lado.

—Porra! _ Arremesso a garrafa vazia para longe. Ela cai no meio da rua se espatifando. Suspiro, massageando minhas têmporas. – Já chega por hoje. _ digo a mim internamente.

Levanto-me, batendo em minhas calças para retirar um pouco da sujeira do chão. Sigo até o portão que dá um estalo, se abrindo.

—Boa noite, senhor Victor!

—Boa noite, Manuel.

—Noite difícil? _ aceno com a cabeça e sigo para o hall em direção aos elevadores. -Ainda bem que o elevador está aqui. _ Aperto o botão para o décimo oitavo.

Enquanto espero para chegar em meu destino. Dou uma olhada em meu reflexo no espelho. Minha aparência não está nada boa. Meu cabelo está um emaranhado de fios apontando em diversas direções. Olheiras imensas, barba por fazer e para completar um pequeno corte no lábio devido a briga que provoquei no bar. E minhas roupas: Completamente amassadas. As portas se abrem.

Tateio o bolso a procura das chaves. Rezando que elas estejam aqui. Se não, essa será a terceira vez somente esse mês que as perco. Suspiro aliviado ao achá-las.

***

Tranco a porta e retiro os sapatos. Assim que dou uma olhada melhor no ambiente, me vejo de cara com Kelly na sala, sentada, com o cotovelo sobre o braço da poltrona apoiando sua cabeça em sua mão e um olhar que transmite cansaço e tristeza ao mesmo tempo. E sei que sou o causador dessas emoções.

Dou alguns passos, em seguida sento-me em um sofá próximo a ela. Recosto-me no móvel. Encaro o teto branco por alguns segundos e somente o silencio absoluto domina o ambiente. Vejo se ela não acabou dormindo. E ainda está a me observar, do mesmo jeito.

—Não vai dizer nada?

—O que quer que eu diga? _ Suspiro. Ambos estamos cansados desta situação.

—Odeio esse cheiro de cigarro. Você está fedendo.

—Eu sei. _ Volto a me recosta no sofá com o olhar fixo a imensidão branca do teto.

Notas finais
Se vc gostou ou tem alguma sugestão, opinião não deixe de comentar. Sério, os comentários enriquecem a estória e a vida do autor ♥ E se tiver erros também estou super aberta a críticas construtivas.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.