Não Toque na Minha Maçã
5 Livro Aberto — Parte Dois
Notas iniciais
LIVRO ABERTO
PARTE DOIS
— E ele simplesmente disse que não faria! — O grito esganiçado foi quase demais para mim.
Afastei o telefone da orelha por um segundo e fitei meu pai com os olhos semicerrados em uma careta enquanto pegava sua segunda cerveja de lei depois do jantar.
Charlie Swan abriu a lata com um estampido e eu pedi socorro com os lábios, mentalmente tentando me recordar de quando eu achei que seria uma boa ideia dar o meu número para Jessica Stanley.
Tinha sido na hora do almoço, eu apostava. Estômago cheio sempre me deixava com a sensação de estar pronta para aceitar tudo. Eu ainda não acreditava que só a conhecia há dois dias. A intimidade havia chegado em tempo recorde.
Não que eu estivesse reclamando, pois já tivera amizades piores; a garota era divertida, legal e sabia absolutamente tudo de importante que havia para saber na Forks High School, porém falava como se estivesse disputando um concurso de palavras por minuto. Eu nunca ficava tão silenciosa quanto como quando estava tendo uma conversa com ela: seus assuntos não acabavam e se interconectavam de maneira francamente impressionante, gerando uma falta de necessidade de resposta enorme.
— Consigo escutar a epifania daqui — Charlie resmungou sem som, após um longo gole de seu lúpulo mortal.
Eu lhe mostrei a língua, convenientemente. Então, pressionei o telefone na orelha de novo; ela já havia se recuperado do grito, falava agora a respeito da missa no próximo domingo, dividida entre levar ou não cookies caseiros para sua futura sogra rica.
— Jessica, está sendo ótimo ouvir sobre o romance que só acontece na sua cabeça entre você e o pobre coitado do Mike, mas tenho que ir dormir — informei.
— Dormir? — A garota falou a palavra do outro lado da linha telefônica como se desconhecesse o significado ou como se eu estivesse falando em outra língua. — Sabe que horas são, Bella?
— Hora de morrer para o mundo e renascer para os sonhos? — sugeri, dando de ombros embora soubesse que minha colega de turma não podia ver.
— Não, sua bobinha — Riu escandalosamente de um jeito que só uma jovem de dezessete anos com uma alma de idade equivalente à de seu corpo conseguiria; infelizmente, eu era uma jovem com uma alma de setenta anos e a disposição também, diga-se de passagem. — Essa é a hora em que falamos sobre Tyler Crowley!
O som que saiu da minha garganta, meio abafado, meio prenúncio de vômito, foi o suficiente para que decidisse encerrar o assunto, junto da risada de meu pai, encostado ao balcão.
— Pense bem, Bella. Tyler Crowley pareceu interessado em você na aula hoje e ele é perfeito!
— Com perfeito, você quer dizer abitolado? — resmunguei. — O garoto mal sabe discernir a direita da esquerda, Jessica.
— Ele tem uma caminhonete maneira — disse como se isso anulasse a falta de coordenação mental do menino que dividia as aulas de Espanhol e Economia Doméstica conosco.
— Eu tenho uma caminhonete maneira! — rebati, revirando os olhos.
— Não me leve a mal, Bella...Mas, se você deixasse sua caminhonete estacionada por mais de dois dias no mesmo lugar, alguém a rebocaria para um ferro velho.
— Você é insuportável, Stanley — balbuciei com os cantos dos meus lábios se curvando para baixo. O trocinho era mesmo uma sucata e eu não podia discordar de Jessica naquele ponto, mas ele era muito amado. — Tenho que desligar.
— Mas, Bella, o Tyler...
— O que foi que você disse, pai? — inqueri, falando mais alto do que o socialmente aceito com o meu pai a dois metros de mim, encarando-me com o que eu só poderia chamar de satisfação paternal com o rumo de minha conversa vexatória.
— Faz ideia de que poderíamos ir todos juntos na caminhonete dele...
— Foi mal, Jessica — interrompi com o que esperava ser um tom ressentido. — Meu pai acabou de cair no banheiro e está me gritando. O coitado de vez em quando tem uns espasmos estranhos, está ficando senil, acho.
Charlie imediatamente fechou a cara.
— O Xerife Swan? — A voz da garota se elevou vários tons na ligação. — Não me diga! Ele parecia tão bem quando o vi há alguns dias.
— Pois é — Um tom mais penoso agora. — A idade chega para todos, Jessica. Tenho que ajudá-lo. Nos vemos amanhã?
— Bella...
— Um beijo, querida — despedi-me. — Boa noite.
Bati o telefone no gancho rapidamente, sorri para a expressão colérica e avermelhada de meu pai e passei por ele, a caminho da escada.
— Boa noite, pai...Quero dizer, xerife Swan senil.
— Fique sabendo que você é uma péssima filha, Isabella — Escutei seus resmungos até alcançar o topo das escadas, mas ignorei, rindo comigo mesma ao entrar no quarto e, em seguida, debaixo das cobertas.
Forks era realmente fria, mas as pessoas, nem tanto assim. Embolei-me em meu casulo e apaguei a luz do abajur, ainda sorrindo.
Enfim, aquela noite foi silenciosa, sem o barulho dos ventos circulando pela casa. Dormi rapidamente, exausta por ser simetricamente formosa e inteligente ao mesmo tempo. As duas coisas exigiam muito de mim. Em breve, eu teria que escolher uma.
Para compensar, o que restou da semana foi calmo. Eu me acostumei rapidamente com a rotina das aulas e, entre quarta e quinta-feira, mais e-mails dos meus amigos de Phoenix chegaram e eu me senti menos abandonada enquanto os respondia. Minha mãe enviava um e-mail por dia, além de ligar em dias intercalados para fazermos o café da manhã juntas; eu sentia cada vez mais saudade dela, mas escutar sua voz ajudava muito.
Outro ponto positivo foi que consegui montar a nova coreografia para apresentar à equipe de torcida na semana seguinte. Havia ficado boa. Angela, Jessica e uma menina chamada Lauren tinham me ajudado com suas opiniões.
E Edward Cullen não voltou à escola.
Se eu fosse sincera comigo mesma, diria que as vezes olhava para a mesa deles e me perguntava onde raios aquele garoto tinha se enfiado; se a nave mãe percebeu que um dos seus alienígenas tinha se perdido num planeta estranho da galáxia e finalmente havia o abduzido de volta, mas isso não explicava porque os aliens-irmãos não tinham sido levados também.
Na sexta-feira, eu já estava perfeitamente à vontade, andando pela escola como se fosse a própria veterana. Não me preocupava mais em esbarrar com o olhar assassino de Edward Cullen nem com a loura perfeitamente sebosa que me encarava de vez em quando de sua mesa como se eu tivesse cuspido no cabelo dela. Eu não tinha culpa de nada. Era quase uma santa, exceto pela vez em que tinha espiado o vestiário masculino com Mariah por uma greta nos tijolos. Aquilo era ridículo.
Meu primeiro fim de semana em Forks foi tranquilo. Limpei a casa durante toda a manhã. Fui até a casa de Jessica e fizemos máscaras faciais e as unhas dos pés uma da outra no sábado à tarde. Para minha surpresa, Angela, Eric e algumas outras pessoas iam ao Dog’s à noite e me convidaram para ir também; como estava sozinha em casa e cansada de cozinhar todos os dias após a escola, fui comer com eles. Charlie estava de plantão na delegacia, então fiz todos os deveres no domingo, limpei e abasteci o meu trocinho de quatro rodas para a semana.
A chuva continuou, branda e incólume, por todo fim de semana.
As pessoas acenavam e sorriam grande para mim na segunda-feira. Até mesmo pessoas de outros anos que eu nem sabia o nome. Estava frio, mas não chovia. Eu estava usando um lindo suéter de cashmere vermelho bordô que tinha ganhado de Renée como presente de despedida e um par de grossas meias pretas que se estendiam até a minha cintura e me possibilitava usar um vestido grosso de lã naquele dia — Charlie tinha me olhado torto quando sai de casa —, então estava feliz, e sorri para todo mundo de volta. Mike apareceu ao meu lado quando eu estava indo para o sul e fomos juntos para a aula de Inglês.
Quando saímos da sala de aula, porém, o ar estava cheio de milhares de pontinhos brancos rodopiando com o vento e grudando-se ao chão arenoso. Eu parei sob a neve, surpresa, olhando para cima. Como eu só frequentava Forks nos verões e por pouco tempo, eu nunca tinha visto a neve, ainda mais fora da temporada já que estávamos em março. Pensei que eu deveria parecer uma legítima garota do Arizona para o meu grupo de amigos agora.
Eu dei uma risada quando a neve bateu no meu nariz com o vento e fez cócegas. Eu odiava mesmo o frio, mas aquilo até tinha um certo encanto.
— Puxa, está nevando — disse Mike, constatando o óbvio.
Eu continuei olhando para aqueles pequenos tufos brancos parecidos com algodão que rodopiavam ao meu redor.
— Você nunca tinha visto a neve?
Eu abaixei o rosto e olhei para Mike. Meus olhos deviam estar brilhando como os de uma criança. No momento, não me importava que tudo aquilo depois fosse derreter e virar água nas minhas meias. Mentira, importava sim, mas não havia muita coisa que eu podia fazer sobre aquilo.
— Claro que sim — Eu parei e dei de ombros. — Na TV, durante o especial de natal.
Mike riu. E aí uma bola pequena, macia e gotejante de neve empapada bateu na parte de trás da cabeça dele com força. Ele se virou para ver de onde veio. Eu tinha minhas desconfianças com razão de Eric, que estava se afastando, de costas para nós — na direção errada da primeira aula dele com os ombros encolhidos.
Mike virou para mim a fim de compartilhar sua opinião, mas eu tinha aproveitado seu momento de distração e juntado eu mesma uma bola de neve bem presunçosa. Joguei em sua direção, mas minha pontaria não era uma das melhores. Mesmo de perto, só consegui acertar de raspão a sua bochecha.
— Você me atacou! — Ele parecia incrédulo.
Dei de ombros.
— Você parece um bebê reclamando, Newton. Vai chorar, é?
Ele revidou minha ofensa usando toda a sua experiência de anos com neve para me alvejar. Corri, mas não adiantou muito porque minhas pernas são irritantemente curtas. Consegui usar Eric como escudo por um tempo, mas acabei ensopada de todo jeito.
Quando nos cansamos, estávamos cinco minutos atrasados para a aula, contudo, não éramos os únicos. Muita gente estava obviamente animada com o tempo. Até mesmo alguns professores estavam circulando ali pela área.
Eu bati a neve da minha saia e Mike se aproximou, ofegante, mas sorrindo abertamente para mim.
— Você é uma garota que sabe aproveitar o momento, Swan.
Eu ri, mas quando percebi que ele estava prestes a passar o braço pelo meu ombro, me abaixei para preparar outra bola de neve. Essa acertou em cheio o rosto de Mike Newton.
Por toda manhã, todos bateram papo animadamente sobre a neve; obviamente, pensei que eu iria ficar de fora, já que era uma inexperiente nata no assunto, mas para minha surpresa, todos estavam ansiosos por uma versão da neve pelos olhos de uma garota do sol.
Segui em estado de alerta e perigo para o refeitório com Jessica após a aula de espanhol. Paramos mais de uma vez por termos sido alvejadas por bolas empapadas e a altura em que cheguei no refeitório, me convenci de que seria impossível ficar seca durante aquele dia.
Mike nos encontrou quando passávamos pela porta, rindo, com gelo desmanchando seu cabelo espetado. Ele realmente ficava muito bonito com aquela figura descontraída e eu, provavelmente, teria ficado admirando se naquele momento não tivesse passado os olhos aleatoriamente pela mesa dos burgueses sem-panelinha e notado que havia cinco pessoas na mesa. Cinco. Aquele número ímpar queria dizer muito.
Minha calcinha se desmanchou igual a neve lá fora quando vi Edward Cullen esquisito e bonito como sempre em sua mesa. Deixei até cair a minha lata de refrigerante no pé de Jessica. Ela me xingou.
— O que há com a Bella? — perguntou Mike a Jessica.
Eu despertei de meus pensamentos, abaixando para pegar minha lata de soda cancerígena.
— Nada. Achei ter visto um rato ali no canto.
Eles fizeram cara de nojo e depois seguimos para a nossa mesa, que ficava cada vez mais cheia de gente.
Enquanto eu mastigava o meu purê de abóbora, decidi que queria dar uma olhada para a mesa da família Cullen e foi o que fiz. Eles estavam mais ou menos como as pessoas da nossa mesa — rindo, molhados, com neve derretendo no cabelo —, mas de alguma forma pareciam muito mais bonitos, como se estivessem encenando um comercial de adolescentes que rejeitavam as drogas. A neve realmente combinava com os burgueses. Até o jeito como escorria pela roupa era mais decente.
Além dos risos e das brincadeiras, que não tinham nada a ver com o comportamento deprimido de sempre, havia algo diferente que eu não conseguia perceber o que era. Examinei o alvo da minha raiva e do meu fascínio com mais cuidado. A pele dele estava menos pálida, concluí — talvez, corada pela guerra de neve —, os círculos em torno dos olhos, bem menos perceptíveis. Mas, havia alguma outra coisa. Eu refleti, encarando, tentando isolar a mudança que o tornava ainda mais atraente.
— Cuidado, Bella. Mais um pouco e o Cullen vai poder te denunciar por secar toda a água do corpo dele de tanto olhar — Jessica cochichou do meu lado.
— Cale a boca, criatura — guinchei, desviando o olhar para ela enquanto corava até a raiz dos cabelos por ter sido flagrada enquanto fazia uma investigação minuciosa do ex-garoto Cullen desaparecido. — Você quer que eu conte para Mike que você está cozinhando o coitado em fogo baixo para casar em 2008 e conseguir uma fortuna com um divórcio em comunhão de bens em 2009?
— Você é uma víbora — Ela reclamou. — E Edward Cullen está olhando para você.
Eu o encarei de esguelha. Ele estava olhando mesmo. Rapidamente desviei. Não queria parecer estar dando confiança e levava tempo para configurar o meu olhar de ódio mortal. Ainda não estava pronto.
— Ele está com cara de quem quer matar uma virgem para fazer um ritual satânico? — resmunguei para Jessica.
Ela riu alto. Era um pouco retardada, a coitada.
— Hum...Não — Ela ponderou. — Na verdade, ele parece estar com um tesão em você. Um belo de um tesão.
Sacudi a cabeça enfaticamente. Não que a possibilidade de um cara bonito como aquele ter um tesão em mim fosse desagradável, mas eu não sofria de perda de memória recente. Lembrava perfeitamente do olhar de asco e repugnância que ele tinha me lançado antes no laboratório. Se ele estivesse com tesão, com certeza era na ideia de me matar e me jogar em um lixão onde dificilmente eu seria encontrada.
Suguei meu refrigerante pelo canudo, depois esperei Mike parar de tentar ouvir o que cochichávamos e disse para Jessica:
— Acho que ele realmente tem alguma coisa contra o sexo feminino. Sinto que ele não gosta de mim.
A Stanley fez um gesto de descaso com a mão.
— Querida, não se sinta privilegiada. Os Cullen não gostam de ninguém. Bom, eles não abaixam o nariz o suficiente para perceber alguém de quem possam gostar, mas ele ainda está olhando para você como se quisesse te comer viva.
Eu virei, torcendo para estar sendo discreta, e o encarei também. Dessa vez, Edward Cullen não desviou o olhar, suas írises me perfurando avidamente a distância. Eu também não estava disposta a recuar, mas Mike me chamou com a voz animada e eu desviei para ele; estava planejando uma épica batalha de neve no estacionamento depois da aula e queria que fôssemos também. Jessica e eu topamos. Eu queria me vingar por todas as bolas de neve de mais cedo. Supus que ela devia estar investindo tempo no seu futuro marido rico.
Pelo resto da hora do almoço, conversamos sobre a neve e eu não olhei mais para Edward Cullen, embora estivesse muito consciente de que ele estava me olhando. O assunto nunca se esgotava quando o tema era neve. Sempre tinha alguém planejando uma vingança estoica contra alguém.
Quando o sinal tocou, fui desanimada para a aula de Biologia II. Era realmente bom ter a bancada só para mim. Sempre havia sido uma pessoa espaçosa, fazer o quê?
Meu desânimo aumentou ainda mais quando vimos que tinha começado a chover. Aquilo significava adeus, neve e eu não era tão complacente assim com a chuva. Fiquei tristinha.
Mike e eu desfiamos avidamente um rosário de queixas a caminho da aula no prédio quatro.
Depois que entrei na sala, vi com alívio que minha carteira ainda estava vazia. Eu não me importava realmente que Edward Cullen fosse sentar comigo e compartilhar do meu ar precioso, mas me importava que desse para espalhar todas as minhas geringonças sem ninguém para ficar me olhando como se eu fosse um claro exemplo da desorganização.
Ouvi com muita clareza quando a cadeira ao lado da minha se mexeu, mas mantive meus olhos no desenho que eu esboçava de Jessica se encolhendo de uma bolada de neve. Francamente, estava péssimo. Eu tinha entrado em um curso de desenho humanista no verão passado; meus traços ainda não eram bons, todavia, eu não rabiscava mais os clássicos bonecos de pauzinhos.
— Oi — disse uma voz baixa e grave, quase musical, perto de mim.
Olhei para cima e constatei que era Edward Cullen que falava comigo. Ele tinha um sorriso discreto nos lábios finos e sensuais. Minha vontade foi derreter e formar uma poça aos seus pés ali mesmo porque, sinceramente, nunca me fiz de muito difícil, ainda mais quando não é todo dia que um cara lindo como aquele olha para mim e me direciona um sorriso que deveria ser proibido.
Mas, então, lembrei como ele havia sido rude e como havia me feito passar os dias pensando em uma forma bem cruel de bater o meu livro na cara dele, e minha expressão permaneceu vitoriosamente fechada. Eu o encarei, impassível, não me importando que estivesse sendo mal-educada.
Se era uma atitude infantil? Provavelmente, sim, mas para o azar de Edward Cullen, a responsável por toda a minha criação havia sido Renée Dwyer e minha mãe nunca havia sido conhecida por sua misericórdia com o sexo masculino. Meu pai, disfuncional, traumatizado e solitário após dezesseis anos do fim do casamento era uma prova viva disso.
Por mim, Edward Cullen podia perfeitamente criar raízes ali, esperando que eu o respondesse. Nem minha vontade de dar para ele me faria esquecer que ele era um louco com poucas habilidades sociais. Ponto final.
Arqueei a sobrancelha e encarei profundamente seus olhos da cor de um caramelo derretido, o cabelo úmido da neve e o sorriso claro e amistoso naquela boca atraente.
Okay, talvez não um ponto final, mas certamente uma vírgula.
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