Notas iniciais
Olá meninas, como vão? Demorei mas aqui estou eu. Obrigada pelos comentários, quase chegamos ao cem, é isso mesmo, por favor me ajudem a passar desta marca, por favor. Espero que gostem deste capítulo, att.

[RECAPITULANDO]

Os filhos? Sim, Fitzwilliam era bastante parecido com a mãe. Mas Charles? Tratava os empregados com respeito, tinha de admitir, mas não conside­rava Anne boa o bastante para fazer parte da família. Mas não podia dizer isso a Caroline.

— Sim, os filhos também.

— Pode me servir uma bebida?

— Não acha que já bebeu bastante durante o jantar?

— Eu mesma avisarei quando estiver satisfeita.

Jane providenciou uma garrafa e deixou-a sozinha.

***

O sábado foi um dia perfeito para o piquenique. O sol brilhava forte, mas a temperatura era agradável. Jane surpreendeu-se com o número de me­sas cobertas por toalhas e cestas cheias de comida. Jamais estivera em uma festividade tão informal, pois todos os conhecidos de seu pai eram ban­queiros e investidores de idade avançada e hábitos rígidos. Até as atividades escolares haviam sido formais, uma cavalgada por um parque de Londres fora o mais perto que estivera da natureza.

— Venha ver o troféu que fizemos para a competição deste ano! — Vários homens reuniram-se em torno de Charles, todos falando ao mesmo tempo.

— Anne?

— Não se preocupe comigo.

Mary conversava com algumas mulheres, esposas dos empregados, e Jane decidiu explorar a área sozinha.

Crianças corriam e brincavam, suas risadas alegres pairando no ar. Barracas abrigavam brincadeiras e jogos, e ela assistiu fascinada enquanto pessoas de todas as idades testavam a sorte ati­rando argolas sobre garrafas e arremessando bo­las contra caixas empilhadas.

— Sra. Bingley! Anne!

Jane olhou em volta.

Lidya Crane, carregando o pequeno David no colo e puxando Elissa pela mão, corria em sua direção. Jane admirou o vestido vermelho e azul que ela criara a partir de dois dos antigos trajes de Anne, usando o tecido extra para desenhar um modelo discreto e alegre.

— Olá — cumprimentou-os com um sorriso.

— Já bebeu alguma coisa? — Mary perguntou. — Deve estar com sede depois da viagem.

— Adoraria algo fresco — Jane respondeu.

— Venha comigo. — Mary levou-a a uma som­bra sob um enorme carvalho onde dois barris ha­viam sido acomodados sobre outros dois a fim de estarem acessíveis. — Este contém limonada, e o outro, chá. Se quiser, há um tonel de cerveja logo ali. Perto dos homens.

— Prefiro limonada. — Encheram dois recipientes de metal e beberam.

— Venha, quero que conheça outras pessoas. Jane acompanhou-a e foi apresentada às esposas de outros empregados da fundição. Várias delas usa­vam vestidos feitos a partir das roupas de Anne. Até as crianças exibiam camisas e aventais coloridos. Jane sorriu, esperando que Anne ficasse feliz por ter feito tantas outras pessoas felizes também.

Uma jovem chamada Vella brincou com Helena e conversou com Jane e Mary.

— Seu cunhado é um homem encantador — ela exclamou. — Esperamos por este piquenique todos os anos. O marido de minha irmã trabalha na Fundição Neligh, e as festas de lá não são tão boas quanto as que temos na Bingley.

— Seu marido trabalha para a fundição?

— Ainda não sou casada. Meu pai é um dos responsáveis pela fornalha.

Helena agitou-se, e Mary encontrou um lugar à sombra para Jane e o bebê. Lá ela o amamentou cercada pelas jovens mulheres e protegida por uma flanela estendida entre duas delas.

A menina adormeceu em seguida.

— Deixe-a aqui. Eu cuidarei dela — Mary su­geriu. David também havia dormido, e Elissa e outra menina da mesma idade brincavam com bo­necas de pano. — Por favor. É o mínimo que posso fazer por você. Assim terá uma oportunidade de divertir-se enquanto ela dorme.

— Bem... se tem certeza de que não se incomoda...

— Cuidar de um bebê adormecido não é nada comparado a tratar de uma família doente. Sei que não espera retribuição pelo que fez, mas agora a considero uma amiga, e os amigos sempre tro­cam favores.

— Obrigada, Mary. Pela oferta e por sua ami­zade. Acho que vou andar um pouco pelo parque, talvez jogar nas barracas.

— Vá e divirta-se.

Jane caminhou por entre as famílias dos tra­balhadores. Era como se todos a conhecessem. Era evidente que nunca a viram, mas o vestido negro que usava sobressaía entre as roupas das outras mulheres. De tempos em tempos, alguém parava para oferecer condolências ou agradecer pelas rou­pas, ou para comentar que sabiam que ela havia ajudado os Crane.

Charles se mantinha entre os empregados, be­bendo cerveja, rindo e conversando como se fosse um deles. Mary passou boa parte da manhã entre as mulheres mais velhas, costurando e trocando im­pressões sobre receitas e outros assuntos domésticos.

Apesar de serem os patrões, interagiam com os empregados de igual para igual. A sobrevivência daquelas pessoas dependia dos Bingley, mas era evidente que eles tinham conhecimento de que também dependiam do trabalho daquelas pessoas.

A admiração e o respeito que sentia por Charles cresceram.

De repente a multidão foi tomada por um di­ferente nível de excitação, e os homens reuniram-se sobre uma pequena encosta às margens de um riacho. As mulheres também se dirigiam para lá, e Jane aproximou-se de Helena para que Mary pudesse juntar-se aos outros. Ela estava acordada, apreciando as folhas da árvore com ar fascinado.

— Achei que gostaria de ir ver o que eles estão fazendo.

— Devia ir também. É um cabo-de-guerra.

Jane trocou Helena, abriu a sombrinha para protegê-la do sol e juntou-se ao grupo.

Os homens estavam divididos em dois grupos. Um deles, o que Charles participava, atravessou o riacho por uma ponte estreita e foi posicionar-se na margem oposta. Uma corda foi jogada por sobre o rio. Charles apanhou a ponta e os homens enfileiraram-se atrás dele, assumindo suas posições ao longo da corda.

A mesma formação repetiu-se do outro lado do rio, e um grito anunciou o momento em que todos deviam começar a puxar a corda.

As mulheres aplaudiam, e algumas correram até a ponte de onde podiam ter uma visão privilegiada.
Jane nunca vira nada parecido. Se um dos la­dos não puxasse com força suficiente, todos seriam arrastados para dentro do riacho.

— Essa é a ideia — Mary confirmou rindo. — Os vencedores serão aqueles que permanecerem secos.

— Que divertido!

Era estranho ver Charles e Fitzwilliam participando dos jogos dos empregados da fundição.

A brincadeira estendeu-se por vários minutos, até que o time de Charles foi arrastado para den­tro do riacho. Rindo, todos se reuniram novamente para trocar congratulações.

Jane seguiu Mary e Vella e sentou-se com as crianças enquanto as mulheres serviam a refeição. A tarefa foi cumprida em pouco tempo, e depois Jane foi procurar por Mary. Encontrou Charles com ela, a camisa branca molhada e amarrotada e a calça ensopada, como os sapatos. Mas ele não parecia incomodado.

— Gostou do cabo-de-guerra, Helena? — Charles perguntou com tom divertido, olhando para o bebê nos braços de Jane. — Assim que ganhar mais alguns quilos, poderá me ajudar.

Mary pegou a menina e pediu a Jane para es­tender um cobertor.

— Vai ter que deixá-lo comigo durante o resto da tarde — disse. — Nós, mulheres idosas, também precisamos de um pouco de diversão.

Encheram os pratos com a impressionante va­riedade de comida espalhada sobre as mesas e foram sentar-se no cobertor aberto sobre a relva. Jane comeu até não poder mais, surpresa com o sabor especial de cada prato.
Os Crane acenaram de um cobertor a alguns metros de distância.

Jane retribuiu e observou a família por alguns segundos.

— Onde está Fitzwilliam? — perguntou.

Charles olhou em volta com ar despreocupado.

— Deve ter encontrado alguém com quem co­mer. Trouxe um pedaço de torta para você.

— Obrigada, mas... creio que não consigo comer mais nada.

— Pelo menos experimente.

Ele estendeu o garfo onde havia um suculento pedaço de massa crocante com recheio cremoso. Jane não teve outra escolha senão aceitar a ofer­ta. Abriu a boca e deixou que ele a alimentasse.

— Hum. Deliciosa — disse com sinceridade. Os olhos dele se tornaram mais escuros e bus­caram seus lábios.

Jane sentiu o coração bater mais depressa. O calor invadiu seu rosto.

Encarou-o e soube que ele estava pensando nos beijos ardentes que haviam trocado. Lembrou-se de como reagira às carícias e foi tomada de assalto pelo constrangimento. Olhou para Mary, mas ela havia terminado de comer e brincava com a filha.

— Quer mais um pedaço? — Charles ofereceu.

Jane balançou a cabeça e manteve os olhos baixos.

Ele terminou de comer e permaneceu sentado sobre o cobertor, relaxado e satisfeito. Depois de alguns instantes Jane também relaxou e esque­ceu o momento de estranheza.

— Estão se divertindo? — uma voz feminina perguntou.