Notas iniciais
Ola meninas como vão? Espero que estejam bem, muito obrigada pelos comentários de vcs. prometo que postarei novamente esta semana, então espero que gostem do capítulo,bjs

[RECAITULANDO]

O cansaço o dominou. Os dias seriam mais fáceis depois do que havia enfrentado nas últimas horas. Acreditara que dar à mãe a notícia sobre o aci­dente de trem havia sido difícil. Pensara que re­conhecer o corpo de Fitzwilliam e mandá-lo para casa fora uma provação. Havia considerado cansativo encontrar Anne viva e tomar todas as providên­cias por ela e pelo bebê.

Mas aparecer diante dos amigos e dos parentes durante o serviço religioso requisitara toda a reserva de coragem que ainda possuía. Nada seria tão difícil.

A menos, é claro, que tivesse de continuar lu­tando contra a sórdida atração pela cunhada e tentando entender o sentimento de traição que passara a assombrar suas noites.

*****

Ele a estava provocando, simplesmente. E estava caindo na armadilha por causa da completa falta de preparo. Não tinha ideia de quem haviam sido Fitzwilliam e Anne Bingley. E como parecia que sua estadia na casa da família prolongava-se indefini­damente, era melhor fazer alguma coisa para suprir a deficiência de informações. E depressa.

Podia descobrir muitas coisas sobre Fitzwilliam com Mary. Ela adorava falar sobre o filho, e seria muito natural compartilharem da perda.

Mas Anne era outra questão. Quanto mais pen­sava nisso, mais tinha certeza de que Charles mandara investigá-la para proteger os interesses da família. Nesse caso, os resultados da investi­gação deviam estar em algum lugar do escritório, provavelmente na mesa. Se pudesse ler o relatório teria ideia de quem devia imitar. Saberia as mes­mas coisas que Charles sabia.

Descobrira com Mary e os criados que ele ia à fun­dição todos os dias, e a partir daí traçou um plano.

Na noite seguinte, depois do jantar, convidou Mary para ir tomar chá em seu quarto e, sem muito incentivo, ouviu dezenas de histórias sobre a infância, a juventude e a vida adulta de Fitzwilliam Bingley. Sentia-se próxima de Mary, mais do que tinha direito, e apreciava o tempo e a atenção que recebia dela. Retribuir com consolo e compa­nhia era o mínimo que podia fazer.

Temia que um dia a verdade a magoasse de maneira irreparável.

Na manhã seguinte o médico a examinou e per­mitiu que passasse a andar apoiada em muletas, desde que procurasse ajuda sempre que precisasse subir ou descer a escada.

Jane logo descobriu que poderia vencer a ta­refa sozinha, desde que descesse sentada. E foi o que fez logo que o médico partiu. Mary havia saído para visitar uma amiga, Charles fora para a fun­dição e Helena dormia no berço. Era o momento que havia esperado.

Com cuidado, foi até o escritório e vasculhou todos os arquivos e armários, mas não encontrou nada. As gavetas da mesa estavam trancadas, e a chave não estava em parte alguma. Teria de descobrir onde ele as guardava e voltar para exa­minar as gavetas.

Mary e Helena cochilavam todas as tardes no mesmo horário. Seria menos arriscado aproveitar esses momentos para procurar o relatório sobre Anne Bingley, porque de manhã as criadas lim­pavam os aposentos e uma delas poderia encon­trá-la.

Na tarde seguinte, deixou a sra. Gardiner co­chilando na cadeira ao lado do berço e atravessou o corredor do segundo andar, abrindo portas e verificando aposentos.

Reconheceu o dormitório de Mary assim que aproximou-se da porta, pois o aroma de violeta pairava no ar. Silenciosa, seguiu em frente até passar para uma ala mais afastada. Não havia ninguém por perto, e os tapetes espessos abafa­vam o som das muletas contra o chão.

Rápida, passou pela porta no fundo da ala e descobriu-se em uma suíte ampla e muito orga­nizada. O quarto de Charles, certamente. A mo­bília escura e a decoração sóbria atestavam uma preferência masculina, e a escrivaninha além da cama comprovava que o habitante daqueles apo­sentos tinha uma grande preocupação com o tra­balho. Portas entreabertas davam passagem ao quarto de vestir e a um cômodo menor e vazio.

Por onde começar?

Se Charles carregava a cha­ve no bolso, como era bem provável, estava per­dendo tempo e se expondo a riscos inúteis. Mas os papéis que queria encontrar tinham de estar em alguma parte da casa.

A escrivaninha era o lugar mais adequado para iniciar a busca. As gavetas não estavam tranca­das, e Jane examinou cada uma delas, encon­trando apenas tinta, penas e papéis, além de ma­ços de cartas.

Todas haviam sido enviadas por Fitzwilliam. Abriu a primeira, datada de vários anos antes, e leu o relato sobre experiências inovadoras em uma produção do teatro londrino. A segunda carta contava sobre seu envolvimento com uma mulher que conhecera no les­te, e em outra era possível quase sentir a excitação da noite de estréia de uma de suas peças.

Devolveu quase todas as cartas à gaveta, guardando algumas no bolso do vestido. Charles não sentiria falta delas, e pretendia devolvê-las assim que soubesse mais sobre Fitzwilliam. O conhecimento seria útil quando Charles a testasse novamente.

Desapontada com a escrivaninha, dirigiu-se ao armário de roupas. Ali também não havia nada de interessante. Talvez na cômoda... As gavetas continham apenas roupas e objetos de uso pessoal. Sobre o móvel, uma urna de madeira guardava duas rosas, uma seca e outra murcha, porém mais nova que a primeira, dando a impressão de ter sido guardada ali poucos dias antes.

Mas por quê?

Jane lembrou as flores sobre o túmulo de Fitzwilliam e soube a resposta.

De onde teria vindo a flor mais antiga, então?

O retrato sobre a lareira do escritório passou por sua mente como um re­lâmpago.

Do funeral de seu pai?

O sentimentalismo da ideia parecia incongruente com o homem seco e desconfiado que conhecia.

Um anel com um brasão de família, vários al­finetes de gravata de diamantes, um relógio de bolso e algumas moedas de ouro ocupavam o res­tante do espaço da urna.

Jane examinou o criado-mudo e as gavetas da mesa na saleta na entrada da suíte. Nada.

Um gongo soou e ela se virou sobressaltada, olhando em volta. Um relógio sobre o armário pa­recia acusá-la comseus ponteiros vigilantes.

Era inútil. Se ele queria esconder uma chave, po­dia fazê-lo atrás dos quadros ou nos bolsos das rou­pas penduradas no armário. Ou levava-a com ele.

Era evidente que não havia nenhum papel importante no quarto, e seria inconveniente para ele ter de subir sempre que quisesse trabalhar. E se Charles levava a chave com ele, jamais teria acesso às gavetas do escritório.

Jane ajeitou as muletas sob os braços e pre­parou-se para partir. O som de passos do lado de fora provocou uma onda sufocante de terror.

Rápida, moveu-se em direção contrária, procu­rando um lugar para esconder-se. Havia acabado de entrar no pequeno cômodo vazio quando a porta da suíte se abriu e Charles entrou praguejando em voz alta.