Notas iniciais
Oi gente, então eu meio que tinha concluído a fanfic no Spirit e esqueci de postar aqui? Sorry! Mas aqui está o fim.

Shōyō tentava ignorar a lembrança do breve beijo que trocara com Tsukishima e ele tinha conseguido até metade do dia, já que estavam sempre cercados de outras pessoas na escola e a confusão de conversa o distraia.

Mas agora que os dois estavam sozinhos na cafeteria era muito mais difícil de ignorar e ele sabia que seu rosto estava um pouco vermelho enquanto tentava não encarar abertamente Kei.

Ele não conseguia ouvir uma palavra do que ele explicava do assunto e estava errando tantas questões que parecia que tinha voltado a época em que estudava sem a ajuda dele.

Ainda assim, diferente do começo, Tsukishima não parecia estar irritado com ele. Se fosse antes, ele já teria parado de falar e até mesmo se retirado do lugar até que ele conseguisse focar de novo. Mas agora ele não o tinha criticado de verdade nenhuma vez.

Por que Tsukishima conseguia ser tão lindo mesmo fazendo algo tão entediante quanto ensinar? Não era justo. Shōyō queria mais que nunca acabar com aquela distância entre eles e repetir o que fizeram da última vez e até mais…

Ele apoiou a cabeça na mesa, desesperado para esconder o próprio rosto, com medo de que alguma forma Tsukishima fosse capaz de adivinhar os pensamentos dele. Ele nem se importou com o que desconfortável estava.

Como ele podia olhar para Tsukishima e não se lembrar do dia anterior? De quão perto ele ficou, de sentir os lábios dele no seu...

— Você está bem? — Kei perguntou, suavemente, interrompendo os pensamentos dele.

— Sim — Hinata mentiu.

Kei não acreditou nem um pouco na resposta, mas preferiu não insistir no assunto. Até porque ele suspeitava a razão de Hinata estar agindo estranhamente. Ele não tinha conseguido olhá-lo diretamente o dia todo, sempre desviando o olhar assim que notasse que Kei estava o pegou olhando.

Ele não estava feliz que Hinata sentia-se tão mal com o que acontecera que não conseguia nem lidar com ele. Ele queria voltar a vê-lo sorrindo, respondendo despreocupadamente a alguma provocação que ele tivesse feito. Ele queria garantir a ele que isso não aconteceria de novo, que ele poderia ficar tranquilo.

Mas apesar de tudo isso, ele não conseguia se forçar a dizer as palavras, porque ele sabia que se pudesse escolher estaria o beijando no próximo segundo. E no outro. E todos depois.

Se ele achava que era ruim antes, agora que sabia como realmente seria, era dez vezes pior. Ele mal conseguiu controlar as vontades estranhas que tinha de tocá-lo, feito agora que Hinata com a cabeça na mesa, ele tinha uma vontade imensa de passar os dedos no cabelo dele e ver como era.

Kei queria dizer alguma coisa, qualquer coisa, para quebrar o silêncio entre eles.

— Se você precisar de alguma coisa, eu estou aqui — ele ofereceu por fim.

— Eu sei — falou Shōyō com um sorriso adorável.

Era verdade. Ele não sabia exatamente quando isso aconteceu, mas em algum ponto da sua vida Kei se tornara uma das pessoas que ele sabia que podia confiar, que sabia que podia pedir ajuda.

Kei ficou surpreso com a resposta dele, pelo jeito confiante que ele falou. Ele não lembrava de outra pessoa ter colocado tanta confiança nele e isso o deixava feliz.

— Podemos parar de estudar um pouco? — Hinata pediu.

Talvez, se ele não estivesse com aquela expressão esperançosa, Kei poderia negar, mas desse jeito não tinha como resistir. Além disso, eles não estavam progredindo mesmo.

— Okay, mas amanhã eu quero ver suas questões todas respondidas — Kei falou firmemente.

— Certo! — falou Hinata feliz demais com isso para se preocupar agora em como diabos aprenderia o que devia ter conseguido estudar hoje.

— O que está fazendo? — ele perguntou ao notar que Kei estava jogando tudo dentro da bolsa e tinha chamado a garçonete.

Kei o encarou confuso por sua vez. Já que eles estavam ali para estudar, ele tinha achado que agora que não tinha mais o que fazer eles iriam embora.

— Fique — ordenou Hinata, seu tom não deixando dúvidas do quanto ele queria a sua companhia.

Kei deu de ombros e sentou-se de volta, deixando Hinata começar a falar. Depois de um tempo, era como se não tivesse acontecido nada antes e eles conversaram tranquilamente, com Tsukishima fazendo piadas sobre Kageyama e Hinata por sua vez tirando onda do que soubera por Kenma (na verdade Kuroo) sobre Kei.

A garçonete interrompeu o momento, trazendo o segundo café que Hinata tinha pedido por alguma razão (ah, então era isso que ele tinha pedido — Kei estava totalmente distraído para ouvir o que ele tinha falado).

Hinata tomou um longo gole, satisfeito. Então simplesmente o ofereceu a Kei.

— Meu pedido de desculpas — ele falou simplesmente — Por estar tão distraído.

Kei sorriu e também bebeu um pouco do café. Estava tão gostoso quanto o cheiro e ele não se arrependia nem um pouco de tomar, mesmo já sendo o seu segundo. Mas ele não terminou tudo de qualquer jeito e simplesmente colocou na frente de Hinata de novo o copo.

Eles ficaram assim por mais um tempo, conversando tranquilamente e dividindo o café.

Nenhum deles queria que acabasse, mas estava escurecendo cada vez mais e Kei sabia que ainda teria que organizar algumas coisas em casa. Então eles pagaram a conta e caminharam até o local onde os caminhos se separavam, parando um instante.

— Ei… — Shōyō falou incerto.

Kei o olhou, curioso para ouvir o que viria a seguir. Ele sabia o que queria ouvir, mas duvidava que fosse isso. Hinata não ia se confessar assim.

Mas Hinata não disse nada logo, somente se aproximou mais e deu um beijo na bochecha dele. Chocado demais, Kei não teve reação.

— Até mais — Shōyō falou simplesmente antes de se afastar.

Indo embora, ele viu o olhar estupefato de Kei, que estava parado no lugar sem acreditar no que acabara de acontecer.

Era um treino normal como qualquer outro, com Ennoshita tentando acabar com o caos, Noya e Tanaka contando histórias de terror paras os primeiranistas enquanto treinavam o controle da bola.

Também era a primeira vez que Hinata e Tsukishima se encontravam depois do café e até agora Kei poderia jurar que ainda conseguia sentir os lábios dele no seu rosto. Ele tinha até mesmo corado um pouco ao rever Shōyō, mas se obrigou a controlar-se e focar no treino.

Todos do time já pareciam um pouco mortos quando Ukai finalmente deu uma pausa para eles beberem água e eles se espalharam pelo ginásio, em busca das garrafas. Todos menos Hinata, claro, que parecia tão energético quanto sempre ao lado de Tsukishima.

Kei não ia mentir, ele gostava que Hinata tivesse o hábito de sempre o procurar nessa pausa, ainda que usualmente isso significasse ter que tolerar Kageyama também. Por sorte, hoje o Rei da Quadra parecia ocupado tentando trocar alguma estratégia com Tanaka.

Ele estava só se divertindo, implicando com Hinata ao se recusar a devolver a garrafa d’água que roubara dele, colocando ela no topo da sua cabeça.

— Você devia tratar seu namorado melhor, Tsukishima! — replicou Hinata, por força de hábito. Eles implicavam tanto um com o outro assim no café que acabou saindo naturalmente.

Yamaguchi imediatamente olhou para Kei, chocado com a súbita declaração. Ele não parecia saber como reagir, simplesmente o olhando com pura confusão e um pouco de pânico.

Tsukishima estava grato que pelo menos só estavam os três nessa área, seria muito pior ter que encarar o time todo. Já imaginou se ele tivesse que aturar Kageyama pedindo explicações sobre o que ele sentia por Shōyō?

Pelo menos para o melhor amigo dava para explicar um pouco do que estava acontecendo, ainda que ele preferisse morrer do que entrar em detalhes (como ele ia dizer que estava gostando loucamente de Shōyō e que eles foram confundidos com um casal, mas que por mais que ele quisesse, eles não tinham nada?).

— É, eu devia, mas aí não ia ter graça — respondeu Kei com naturalidade, dando a garrafa de volta para Hinata.

Kei se lembrou de que eles tinham estado em uma situação parecida um tempo atrás — com ele implicando com Hinata — mas agora era diferente. Dessa vez, o meio de rede parecia estar se divertindo mais que tudo. Havia um olhar muito mais acolhedor no rosto dele.

Só vê-lo daquele jeito fez valer a pena saber que teria que explicar para Yamaguchi mais tarde sobre ele o chamando de namorado e seus sentimentos. Além disso, era engraçado ver como o seu melhor amigo parecia prestes a desmaiar.

Yamaguchi tentava se controlar da crise de riso enquanto Tsukki terminava de explicar o que aconteceu no treino. Sério, foi como ter entrado em uma dimensão alternativa ver Hinata chamando Tsukishima de namorado com tanto orgulho e naturalidade. Ele sabia que eles estavam mais próximos, mas isso?

Nem em um milhão de anos ele teria imaginado que Tsukki e Hinata estudando juntos levaria a eles agirem como se fossem um casal. Ainda assim, os dois pareciam estar agindo felizes demais com o momento de cena para que tudo fosse fingimento.

— Mas você gosta dele? — ele perguntou, ainda que já soubesse a resposta.

— Sim — admitiu Tsukishima simplesmente.

— Então por que não o chama para sair? — Yamaguchi apontou o óbvio — Ou se confessa.

Por um longo instante, Kei somente o encarou e Yamaguchi aceitou que ele não ia dizer nada e já estava prestes a mudar de assunto, com medo de ter ido longe demais.

— Mas ele não gosta de mim — falou Tsukishima.

Yamaguchi pensou em tudo que vira desde que conhecera Hinata. Era bem verdade que o tratamento de Kei com ele tinha mudado, mas isso servia para ambos os lados. Hinata sempre parecia orgulhoso das coisas que Tsukki fazia. Ele sorria de um jeito diferente com ele. Hinata levara comida para Kei. Fora toda essa história de continuar agindo como um casal.

— Sabe, para uma pessoa muito inteligente, você consegue ser bem burro às vezes — ele falou.

— Ahn?

Yamaguchi revirou os olhos, decidindo deixar o assunto para lá por enquanto. Tsukki era inteligente o suficiente para descobrir sozinho o que ele quis dizer.

Tsukishima tinha o sono leve, por isso mesmo que dormindo ele conseguiu ouvir o som de notificação do celular dele. Ele ignorou na primeira vez, mas logo em seguida o celular sinalizou outra mensagem.

Ele estranhou, imaginando quem poderia ser, já que todo mundo que conhecia deveria estar dormindo. Com medo de que fosse algo sério, resolveu ler as mensagens.

Era Hinata perguntando se ele estava acordado e logo depois pedindo desculpas por atrapalhá-lo, dizendo que não tinha visto a hora nem nada disso.

Preocupado, Kei entrou em alerta e respondeu que estava acordado já, que não tinha problemas. Mesmo Hinata sendo bem inconveniente às vezes, ele nunca pertubava os outros de noite, pelo menos não que Kei soubesse.

Shōyo suspirou aliviado quando viu a resposta de Kei. Honestamente, ele não estava pensando quando pegou o celular e digitou uma mensagem para ele.

Ele tinha acordado de um pesadelo, e mesmo não conseguindo se lembrar sobre o que fora, ele sentia o coração batendo mais rápido e de repente o próprio quarto parecia tão frio e escuro.

Se tivesse que adivinhar, diria que o pesadelo fora causado pela briga que teve com o pai. Ele não tinha planejado gritar com ele hoje, mas quando chegou em casa e descobriu que o pai iria faltar a apresentação de dança de Natsu do colégio, ele não conseguiu se controlar.

De que adiantava o pai trabalhar tanto se ele não conseguia nem comparecer a isso? Ele já conseguia ver o quanto ela ficaria triste quando percebesse que ele não veio, mais uma vez.

Entretanto, Shōyō nem pensava mais no pai quando acordou, somente no próprio pânico desmotivado que sentia e como queria alguma coisa, qualquer coisa, para o acalmar.

De alguma forma, seu cérebro não totalmente acordado achou que seria uma boa ideia mandar mensagem para Tsukishima no meio da noite.

Ele não sabia porque, mas sabia que de todas as pessoas que conhecia, Kei era o que mais conseguiria acalmá-lo agora. Ele queria ficar o mais próximo o possível dele.

Só depois ele pensou no quanto isso era egoísta e que o menino não tinha nada a ver com sua insônia, não merecia ser acordado por algo tão besta. Ele imediatamente pediu mil desculpas, dizendo que não era nada.

Mas para a surpresa dele, Kei não soava irritado (pelo menos que ele conseguisse dizer) e ele disse que já estava acordado.

Hinata queria ligar para ele, mas sabia que isso já era ir longe demais e se contentou em conversar um pouco com ele por mensagem.

Kei sorriu quando mais uma vez Shōyō tentou argumentar que o time que ele torcia era melhor. Mas de jeito nenhum, só porque o de Kei estava passando por uma fase ruim não apagava todos os títulos que eles tinham.

Kei mandou mais uma vez a quantidade de medalhas que eles já tinham ganhado e Shōyō replicou que eles conseguiram fazer três aces seguidos (!) no jogo passado.

Tudo parecia tranquilo, porém Kei não conseguia afastar a sensação que tinha algo errado com Shōyō. Claro, o fato que ele mandara a mensagem de madrugada era uma boa indicação, mas ele soava esquisito também.

Hinata estava 100% cansado. Isso não queria dizer que ele não estava feliz.

Mesmo com o pouco sono que tivera, a conversa com Tsukishima tinha o deixado de tão bom humor que nem se importou com o cansaço que sentia.

Ele sorriu para os amigos enquanto sentava-se na mesma cadeira de sempre, perto de Kageyama. Não demorou muito para o levantador também chegar e o perguntar se ele iria comemorar o aniversário de Yachi.

Hinata o encarou assustado. Tinha totalmente esquecido disso! Ele nem dera parabéns para ela.

— Se você está tão incomodado com isso, por que não vai dar agora? — sugeriu Kageyama.

— Essa é sua primeira boa ideia — falou Hinata, contente, levantando-se da cadeira e aproveitando que a aula ainda demorar um pouco para começar.

— Ei, idiota! Eu tenho ótimas ideias! — protestou Kageyama, irritado.

Hinata o ignorou enquanto seguia na direção da sala de Yachi.

A primeira coisa que Tsukishima fez quando chegou na sala foi deitar sua cabeça na mesa. Ele estava exausto e não estava com humor para aturar ninguém.

Ele colocou os fones de ouvidos e deu play na última playlist que estava ouvindo, só para não ter que aturar o barulho da sala de aula. Ele sabia que não ia adiantar muito, mas estava desesperado para recuperar um pouco do sono que perdera.

Não era como se ele tivesse realmente arrependido ou irritado de ter ficado mais de uma hora conversando com Hinata no meio da noite, porém ele definitivamente sentia falta do descanso que deveria ter tido.

Ele pensou mais uma vez em quanto ele gostava de Hinata Shōyō. Por que nunca parecia suficiente o tempo que ele passava com ele? Por que ele tinha que ser tão diferente de todo mundo? Por que ele conseguia atrair a atenção dele não importa o que ele fizesse?

Ele sabia que estava apaixonado por Hinata e por mais que ele tentasse ignorar o que Yamaguchi tinha o dito, ele não conseguia parar de pensar nisso. Ele queria saber como seria ter seus sentimentos correspondidos, como seria poder fazer tudo que queria com Shōyō.

Mas ele também sabia que ele não ia dizer nada sobre o que sentia. Não tinha chances de Hinata sentir o mesmo. Não quando ele era ele. Ele nunca gostaria de uma pessoa como Kei quando era capaz de arranjar alguém muito mais simpático.

Hinata sentia-se melhor agora que tinha falado com Yachi e tinha sido perdoado por ela, que dissera que não tinha problemas em ele ter esquecido de dar os parabéns, contanto que ele realmente fosse para a casa dela no dia combinado.

Ele estava prestes a voltar para sala, quando impulsivamente resolveu ir para a sala de Tsukishima. Ele entrou lá, ignorando os olhares curiosos que recebeu.

Só quando estava perto da cadeira de Kei foi que percebeu que o outro estava dormindo e usando fones de ouvidos, em um sinal claro que não queria ser incomodado. Ele parecia tão tranquilo ali, com um sorriso relaxado, que era extremamente adorável e mais uma vez Shōyō foi pego de surpresa pelo quão bonito ele era.

A visão causou coisas esquisitas nele, ele não conseguiria explicar bem o que sentia, mas era um misto de admiração com culpa. Será que Kei estava tão cansado assim que resolvera dormir porque eles tinham ficado conversando de madrugada?

— Oi, Hinata. Está tudo bem? — perguntou Yamaguchi.

Hinata quase deu um pulo de tão surpreso, ele não tinha notado Yamaguchi se aproximando de tão absorvido que estava encarando Kei. Mas olhando para o pinch server ele percebeu que ele estava com um sorriso diferente, como se soubesse algo que ele não sabia.

— Er, sim — Shōyō respondeu nervoso — Eu vim só perguntar uma coisa para o Tsukishima, mas ele deve estar cansado…

Yamaguchi sorriu e eles conversaram um pouco até o sinal tocar e Hinata ir correndo desesperado para sala. Kei só acordou depois que ele saiu.

Tsukishima estava na festa de aniversário de Yachi. Ela tinha chamado só ele, Kageyama, Hinata e Yamaguchi para irem para casa dela, tendo aparentemente comemorado com as outras duas melhores amigas dela no próprio dia.

Ele tentava ignorar o quão bonito Hinata estava, usando roupas decentes pra variar. Ele disse a si mesmo que como era aniversário da amiga (ou algo assim) dele, ele devia dar atenção a ela e não focar em como ele secretamente queria beijar Shōyō de novo.

A festa em si estava boa, com todos se divertindo e zoando uns aos outros. Eles tinham até feito uma série de desafios, incluindo fazer Kageyama mandar um vídeo se declarando para Shimizu-senpai, depois de um debate de como seria se os dois mais frios gostassem um do outro. Mas antes mesmo dela responder, Kageyama explicou que era só um desafio e ela simplesmente mandou um legal.

É verdade que no começo, foi um pouco esquisito, porque ninguém sabia muito bem o que fazer, fora Hinata. Porque Kei podia garantir que nunca tinha ido para casa de outras meninas nem Yamaguchi e podia apostar que o Rei também não. Hinata, por outro lado, parecia completamente à vontade, conversando a mil com todos, mas principalmente com Yachi.

As coisas ficaram mais confortáveis quando eles começaram a jogar videogame e Yachi praticamente destruiu todos eles, sendo que Yamaguchi foi o único que chegou perto de derrotá-la.

E se ele tinha ficado especialmente feliz quando estavam jantando pizza na mesa e sua perna ficou encostada na de Hinata, ninguém precisava saber.

Shōyō saiu do aniversário de Yachi muito feliz. Em parte porque ele tinha percebido que Yamaguchi gostava dela e agora podia afirmar para amiga que ela não estava sofrendo em vão, mas principalmente porque tinha sido algo tão divertido e diferente.

Tudo tinha saído o mais tranquilamente possível, desconsiderando os gritos que eles deram que não tinham como evitar ou as provocações que Tsukishima e Kageyama fizeram um ao outro (mas até essas não eram violentas de verdade).

Era um dia que ele queria reviver mil vezes e ainda nem estava acabado. Ele agora estava pegando o ônibus junto com Tsukishima para voltar para casa, já que era mais ou menos o mesmo caminho (Kageyama e Yamaguchi ainda estavam na casa de Yachi, esperando os pais).

Eles tinham acabado dividindo o fone de ouvido depois que Tsukishima tinha começado a ouvir música sozinho e Hinata tinha o encarado diretamente por alguns minutos, depois o cutucando. Kei tinha suspirado e sem dizer mais nada, ofereceu o fone e eles estavam assim desde então.

— Eu estou muito feliz que você tenha vindo — falou Hinata, quebrando o silêncio.

— Como assim?

— Eu não tinha certeza se você vinha — Hinata deu de ombros. — Sabe, você é muito fechado às vezes e não quer interagir com ninguém.

Isso era justo; Tsukishima normalmente preferia ficar sozinho do que ter lidar com a idiotice dos outros. Mas parando para pensar, fazia um tempo que ele não se incomodava para ser chamado para as atividades loucas que Yachi e Hinata inventavam de fazer de vez em quando. Na verdade, ele até gostava.

— Não é tão ruim sair com vocês — foi o que Kei admitiu.

Hinata sorriu para ele, como se fosse um presente de Natal adiantado.

— Isso é bom. Porque eu gosto de você — ele falou simplesmente, como se fosse algo totalmente normal.

Kei ficou totalmente imóvel ao seu lado, como se tivesse levado um choque.

— Você não quer dizer… — ele começou a falar. Não era possível que ele tivesse entendido certo, ele devia estar supondo coisas. Claro que Shōyō queria dizer como amigo e nada além disso.

— É tão difícil assim de acreditar? — Shōyō falou.

Sim, Kei quase respondeu. Shōyō era tão diferente de si que era estranho imaginar que ele pudesse se interessar por alguém como ele.

Mas…

Agora que Kei pensava nisso, tinha tido alguns sinais. Shōyō sempre o procurando, sempre feliz ao seu lado, o bolo… não reclamar do beijo. Eram pequenas coisas… mas era algo.

Será que ele estava falando a verdade?

Antes que ele conseguisse colocar os pensamentos em ordem, porém Hinata sorriu para ele e se afastou dele.

— Essa é minha parada. Até mais, Kei — ele falou.

Esse foi o golpe final. Kei sabia que ele nunca ia esquecer o jeito que Hinata pronunciou o nome dele. Ele queria ouvir de novo.

Shōyō estava surtando. Ele não sabia o que tomou conta de si. Era verdade que ele nunca fora uma pessoa de guardar segredos ou pensar nas coisas, mas até ele devia ter pensado melhor do que somente jogar essa bomba em Tsukishima.

E se o menino não gostasse dele? E se ele nunca mais quisesse falar com ele? Pior e se ele se recusasse a treinar com ele e Hinata tornasse tudo complicado para o time inteiro?

Ele tinha achado que Kei provavelmente correspondia o que ele sentia, considerando que ele tinha o beijado e o tratava de forma diferente dos outros. Mas podia ser que o dia que ele o beijara na casa dele tivesse sido só impulso ou mesmo atração. O que ele faria?

Kei certamente não respondeu como ele esperava, ficando parado e somente o olhando em pânico. A situação tinha ficado tão esquisita que Hinata tinha se desesperado e tinha aproveitado que a porta do ônibus estava se abrindo para uma mulher idosa sair e foi junto com ela.

— Eu até desci uma parada antes… — ele falou sozinho, sacudindo a cabeça depois.

Ele estava ficando doido. Por que tinha feito uma besteira dessas? Ele podia culpar a euforia do dia na sua impulsividade, mas sabia que não era. No fundo, ele queria que Kei soubesse.

Para completar a bagunça que fizera, ele tinha chamado Kei pelo primeiro nome. Era verdade que fazia um tempo que ele pensava mais nele como Kei do que como Tsukishima, mas ele nunca tinha dado permissão para chamá-lo assim. E se ele não gostasse?

Tsukishima sentia-se esquisito, entrando na sala de aula de Hinata, especialmente considerando que eles não tinham se falado desde a súbita declaração dele. Mas ele tinha que se certificar que Shōyō iria para a aula deles no café.

Ele encontrou o menino cercado de colegas de classe, rindo enquanto contava uma história. Por sorte ou azar, Kageyama não estava perto dele.

— Hinata? — ele chamou, fazendo o outro parar no meio da frase.

Ele parecia ter visto um pesadelo quando se virou para ele, totalmente assustado e isso causou desespero em Tsukishima. Mas ele logo sorriu o sorriso normal dele.

— Já vou — ele respondeu e se distanciou dos colegas um pouco, de forma que ele e Kei tivessem certa privacidade.

Kei ainda sentia-se bem nervoso e observado, mas ele relaxou mais ao ter Shōyō perto de si.

— Eu só queria confirmar se você vai para a aula hoje — falou Kei.

Por um segundo, ele podia jurar ter visto decepção no olhar de Hinata.

— Sem problemas. Eu vou estar lá — ele falou muito mais frio do que o normal — Era só isso?

Kei assentiu. Não tinha mais nada que ele quisesse dizer, pelo menos não ali, não na frente de todo mundo.

Hinata pareceu decepcionado, mas voltou para o grupo de amigos dele e ignorou totalmente a presença de Tsukishima enquanto o outro saía da sala.

Hinata disse a si mesmo que podia fazer isso. Era só um café, nada comparado ao que já tinha enfrentado. Mas a ideia de passar um tempo a sós com Kei e fingir que nada acontecera era enlouquecedora.

Ele se arrependia de como tinha sido frio naquele dia com o amigo, mas não tinha conseguido evitar. Ele tinha ficado tão esperançoso que ele fosse responder a confissão que fizera e, ao invés disso, Tsukishima só queria saber de estudar.

— Vamos lá — ele disse para si mesmo, antes de colocar um sorriso e abrir a porta do café, encontrando Kei já sentado na mesa de sempre.

Kei estava nervoso. Ele era bom com muitas coisas, mas não com sentimentos e tinha medo de estragar o que tinha com Hinata. Se não soubesse que precisava fazer isso para não machucá-lo, provavelmente nem teria coragem de tentar.

— O que você quer ver hoje? — perguntou Shōyō, em um tom muito mais sério que o normal.

Isso agoniou Kei. Ele queria vê-lo aberto, sorrindo e fazendo imitações estúpidas, não tão distante.

Mas ele conseguia entender porque ele estava fazendo isso. Ele devia achar que Kei não gostava dele ou não se importava com ele. Era hora de desfazer esse mal entendido.

— Hinata — ele chamou.

— Hum?

— Eu acho que eu finalmente descobri o que eu quero que você faça — Kei falou — Pelas aulas.

— E é…? — ele tinha um olhar incerto, como se não soubesse se deveria estar desconfiado.

Kei podia ouvir o coração batendo e ele nunca teve mais assustado na vida antes. Agora era o momento. Ele ia arriscar tudo. Talvez fosse o momento que Shōyō sumiria para sempre da vida dele.

— Eu quero que você me beije — ele falou.

Hinata sorriu. Ele virou o rosto e não hesitou antes de terminar a distância que tinha entre eles. Dessa vez o beijo foi bem mais intenso que o outro, realmente aproveitando o tempo que tinham para explorarem um ao outro.

— Mas só para deixar claro. Eu fiz porque queria, não porque você me deu aula — ele falou.

Kei não se importava qual tinha sido a motivação dele, embora tenha ficado ainda mais feliz em ouvir que ele tinha feito porque ele queria, contanto que eles pudessem fazer isso mais vezes.

— Eu gosto de você também, Hinata Shōyō — Kei falou.

Notas finais
E aí? O que acharam? Até pensei em fazer mais um cap, mostrando a reação de Karasuno e Tsukishima aparecendo para ver a apresentação de dança de Natsu. Mas acho que terminar aí fica mais organizadinho (e só Merlin sabe quanto tempo eu ia demorar p escrever o outro cap). Só por curiosidade, a última cena da fanfic na vdd escrevi logo após o primeiro cap ;)
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!