Não Se Apaixone Por Mim...
13 Luz...
Notas iniciais
Olá meninas!
Aqui vai mais um capítulo de NSAPM. =D
Quem acompanha o grupo no face sabe que eu perdi metade do que já tinha escrito para esse capítulo, quando meu pc deu problema. Então, toda a parte que tive de reescrever está bem diferente. No capítulo original tinha a primeira noite de amor do jornalista e da estranha. Mas, quando comecei a reescrever, percebi que precisava desenvolver um pouco mais a relação deles, e contar mais sobre o segredo dela. Logo, a primeira noite de glória deles foi adiada. Mas prometo que será em breve! Por enquanto... curtam a paixão desses dois que está nascendo e se fortalecendo.
Boa leitura!
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RECOMENDAÇÕES: Gostaria de agradecer a Prity Weber e a Jcullen que recomendaram NSAPM recentemente! Adorei cada palavra, meninas! Dedico o capítulo a vocês. ♥
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Em algum dia de junho do ano de 2007...
O jovem casal permaneceu por incontáveis minutos envolto na novidade do momento. Entre beijos e carícias, trocados ali mesmo no sofá da sala dele e tendo a luz da tv como única testemunha daquele ato de ternura, o jornalista venerava a moça que finalmente tinha segura em seus braços, adorando cada movimento que o pequeno corpo fazia em resposta a uma provocação sua, cada expressão na face alva e imaculada e cada sorriso que ela espontaneamente lhe entregava enquanto, compenetrada, o ouvia falar qualquer coisa banal que fosse. A receptividade aos seus gracejos e espontaneidade com que ela aceitava a situação calorosa – e íntima, mesmo que minimamente — tanto o deixava confuso, quanto satisfeito. Verdade era que tais reações de positividade não deveriam existir entre eles, afinal a moça assumira uma postura extremamente rígida e contida desde o primeiro encontro, contudo, ela parecia bem à vontade ali. À vontade demais, na verdade. Seria essa a verdadeira personalidade de Isabella? Uma garota carinhosa, risonha e meiga? Ou sua verdade estava na mulher fria, complexa e voluntariosa?
Sem nem ao menos desconfiar do teor especulativo dos pensamentos dele, Isabella o encarou por alguns instantes, acabando por franzir o cenho e a sobrancelha bem talhada. A face que outrora ela mantinha relaxada, agora adquiria aos poucos sinais de preocupação e irritação... como se algo tivesse lhe desagradado e ela fosse iniciar uma discussão. Mas Edward tampouco precisou se preocupar com isso, pois gradativamente um sorriso tímido começou a se formar no canto dos lábios rosados e uma Isabella lindamente sonolenta se aconchegou ainda mais ao seu corpo másculo, repousando delicadamente a cabeça no ombro dele. Tal ato inocente deu-lhe a resposta daquele questionamento...
Todas aquelas personalidades eram Isabella.
Da garota frágil à mulher misteriosa, todas faziam parte da inerente complexidade da vendedora. Elas colidiam dentro da morena de uma forma estranhamente sincronizada, como em uma apresentação de ballet dramático onde ela encenava com maestria a peça “O Lago dos Cines”. A própria Isabella coordenava com uma organização impar o espetáculo, deixando entrar em cena a versão de si mesma que melhor saberia lidar com as situações impostas pela vida, ou seja, ela era o doce e frágil Cisne Branco para as ocasiões que lhe prometiam felicidade e paz, como a protagonizada com Edward no momento, e também dava vida ao feroz e sedutor Cisne Negro em todas as outras situações que lhe prometiam má sorte e dor, o que deveria abranger boa parte de sua vida e com certeza o seu passado... e ele adorava todas as versões dela!
No mais, a moça também lhe mostrara que era perfeitamente possível existir um mundo onde raras, belas e perfumadas flores poderiam desabrochar e sobreviver dentro das rachaduras das calçadas irregulares de nossas almas. Um mundo onde um coração ferido e maltratado por circunstâncias lúgubres ainda era capaz de ter fé em Deus, na vida e — por mais incrível que possa parecer — na humanidade. Ela tinha a aptidão de reunir as pontas soltas de sua fatídica história e tentar recomeçar, abrindo seu enigmático universo para o jornalista, confiando nele com todos os pedaços feridos de seu coração. Como em um momento de insight, Edward agora percebia que esse mundo extraordinariamente belo sempre esteve ali, escondido atrás da vasta tristeza agridoce contida nos grandes olhos castanhos. Ela só precisava do estímulo certo para desenvolver-se. Ou da pessoa certa...
Da pessoa certa...?
E o que isso dizia a respeito de Edward? Seria ele a pessoa certa para...
- Meu reino pelos seus pensamentos, jornalista... – sussurrou Isabella contra a pele exposta do pescoço dele. O hálito quente causando um arrepio macio e inesperado em Edward, que involuntariamente fechou os olhos para apreciar a sensação. A reação ao ato dela não foi calculada, porém, era inegável que fora muito bem vinda. E convidativa até.
- Seu reino? Mas, não seria muito para abrir mão? – brincou com ela após uma pausa na conversa. Depositou um demorado beijo em seus cabelos negros, inspirando o perfume de morangos, tão característico dela.
Mas sua resposta foi um estranho silêncio...
Ele não quis romper a aparente calmaria. Apesar de sua curiosidade – por vezes útil e por vezes inoportuna, infelizmente – lhe aporrinhar o juízo, manteve-se tão calado quanto ela. Edward torcia internamente para que, seja lá o que se passava na cabeça de Isabella, ela colocasse logo em palavras. Essa era uma característica agradável nela, pois apesar de sempre agir de forma circunspecta, a morena era franca ao falar o que ia em seus pensamentos. Ela era muito seletiva apenas no que tocava ao seu passado. A sinceridade às vezes pode ferir, pode prejudicar a nós ou a terceiros que gostamos, mas dizer a verdade é sempre o melhor caminho. Já diziam os mais velhos: é melhor uma verdade que doa, do que uma mentira que engane. O jornalista acreditava nisso e esperava que um dia, quem sabe, Isabella se abrisse com ele.
Os segundos se passaram tornando-se minutos e nada da resposta ser dita. Além de curioso, ele começou a ficar preocupado. Repassou mentalmente a brincadeira que fez, colocando-se no lugar dela, na tentativa de entender se a tinha ofendido. Mas não conseguia ver nada de insultante em sua inocente brincadeira. Que estranha reação tivera a moça...
Perdido em pensamentos, Edward notou que a respiração de Isabella estava passando de ofegante e forte para lenta e refinada, semelhante a quando se esta pegando no sono. Intrigado, ele arqueou um pouco o corpo para trás, a fim de ver claramente o rosto dela. Talvez, analisando suas feições pequenas de boneca, entenderia o motivo daquele silêncio tão incomodo e poderia se defender. Ataque e defesa. Eram assim que as coisas funcionavam com eles? Não era...?
Mas não tinham olhos castanhos especulativos ali para lhe responder. Ela estava dormindo?
- Por acaso você está dormindo, estranha? – sussurrou no ouvido da moça e mais uma vez não obteve resposta. Isabella ressonava tranquilamente no colo dele — Tão linda... – sibilou depositando outro beijo demorado na testa dela. Mas o breve contato a despertou de seu estado sonolento.
- Tão cego... — Isabella sussurrou completamente entorpecida, meio que sorrindo e meio que mal humorada, como se pedisse para deixá-la dormir em paz. Era engraçado.
- Tão resmungona. – replicou ele brincando.
- Tão chato. – retrucou com ele bocejando, apertando os olhos e se aconchegando mais ao corpo masculino.
- Você fica sempre tão mal humorada quando está com sono? – questionou divertindo-se com a situação da moça, fazendo pequenos círculos com os dedos em suas costas.
- Hmmm... você ainda não viu nada. Muitas coisas me deixam de péssimo humor. A privação do merecido sono, por exemplo, é uma delas. – manhosa, disse ela à meia voz. – Por falar em sono e coisa e tal, acho que já passou da minha hora aqui...
- Ok, ok! Já entendi. — respondeu o jornalista repentinamente afastando Isabella, que abriu os olhos e o encarou confusa, enquanto observada quieta ele se levantar, caminhar do sofá e sem mais nem menos desligar a tv. Em seguida Edward sumiu em direção a um corredor.
Será que aquilo era um convite para ela se retirar? Ou será que Edward ficou chateado com o comentário a respeito da privação de sono? Questionava-se internamente. Bem, talvez ele tenha ido apenas ao banheiro. Pensou, tentando reconfortar-se. Não se martirizaria com aquele assunto a essa altura da madrugada... estava mesmo com muito sono e sabia porquê. Devido a uma ansiedade inexplicável, Isabella não dormia direito há exatos três dias e estava chegando a quase setenta e duas horas em claro. Essa equação fazia todo sentido se desconsiderasse os pequenos cochilos. Sem saber ao certo como agir, a moça recolheu as pernas para cima do sofá e descansou a cabeça nos joelhos, fechando os olhos e ensaiando uma breve e simples despedida para quando ele voltasse à sala. Um beijo e um adeus bastavam... queria chegar logo em seu apartamento, do outro lado da cidade, e dormir enquanto o sono se fazia presente e emanava de cada célula de seu corpo. Talvez a exaustão lhe poupasse dos pesadelos. E talvez não.
Os ouvidos sensíveis dela captaram um barulho no outro cômodo do elegante apartamento dos amigos. Parecia que Edward estava arrastando... uma cama? Abriu os olhos o máximo que pode com intuito de ficar acordada. Olhou ao redor da sala procurando alguma distração, até que viu um cubo mágico jogado aos pés da estante. Esticou-se até o objeto e o pegou. Faltavam poucas combinações para completar todas as cores. Hmmm... legal! Isso a manteria acordada. Vermelho na horizontal para a direita, azul na vertical para cima, amarelo na horizontal para esquerda e etc, etc e etc... cerca de apenas dezessete giradas aqui e ali e voilá! Isabella tinha completado as seis cores e o cubo estava perfeitamente montado, exatamente como se tivesse acabado de sair do fabricante.
- Ah! Fala sério, você montou o cubo! – Edward resmungou chamando toda a atenção da moça para si.
- O que tem isso de mais? – perguntou observando o jornalista que se mantinha encostado em uma das paredes da sala, com as mãos dentro dos bolsos da calça. Ele estava observando-a esse tempo todo e achando uma graça Isabella morder ora os lábios, ora a pontinha da língua, enquanto tentava montar o brinquedo do demônio.
- Como você montou tão facilmente? – a expressão no rosto dele era um tanto frustrada.
- Bom, na verdade não é tão difícil. Tem uma lógica a ser seguida. Aprenda a lógica e você monta qualquer cubo mágico do mundo. – ela explicou dando de ombros e tentando encurtar a despedida que estava ficando longa demais.
- Como você aprendeu a lógica? – estava intrigado com a nova habilidade dela. Ou só queria aprender também.
- Eu só costumava brincar com coisas assim quando era criança. – Isabella bocejou, mas dessa vez não foi de sono e sim teatralmente, apenas para impedir que o jornalista iniciasse um interrogatório do tipo “Com o que você gostava de brincar então?”. Ele entendeu o recado.
- Eu também! Mas nunca consegui montar esse troço. Para mim, a lógica do cubo mágico funciona como a lógica da vida... ou seja, é inexistente. – concluiu.
- Prometo que um dia eu ensino você. – a moça piscou e jogou os braços para frente, chamando-o para um abraço de despedida antes que o assunto “a lógica da vida” ficasse sério demais para o lado dela. Ele também entendeu esse recado. Mas despedida não era a intenção de Edward, que a pegou em seu colo, mesmo sob protesto.
- O que você esta fazendo jornalista atrevido? Me ponha no chão. – pediu tentando parecer convincente e agressiva, mas ao contrário do desejado, pareceu apenas cansada demais.
- Você está muito cansada, não está? – questionou enquanto a moça inutilmente tentava descer do colo dele.
- Sim, estou! Por isso preciso que me coloque no chão, para que eu possa ir embora dormir em casa. – tentou em vão explicar. O sentido daquilo era claro na cabeça dela. Já na dele...
- Ir embora? Só se eu fosse maluco! Você está quase bêbada de sono, Isabella. Nunca que eu iria deixar você sair assim, pilotando uma moto por aí! Nessas circunstâncias você provavelmente derraparia na primeira esquina e quebraria o pescoço. – retrucou apertando ela contra seu peitoral, para que ela parasse de tentar descer de seu colo. Esse sim era o sentido claro na cabeça dele. Já na dela...
- Dormir aqui? Fala sério, Edward! – ao dizer isso, a moça brevemente pensou no que seu pai militar e extremamente conservador lhe diria, se estivesse ali para ver a cena. Isso seria um dos sete pecados capitais para ele! Rejeitou o pensamento inoportuno... não pela opinião de seu pai em si, mas sim porque ele não estava mais ali para expressá-la. – Não acho... errr... apropriado.
- Por que não seria apropriado? Você arrombou a porta do meu apartamento, estranha! Esqueceu? Acho que isso nos torna íntimos o bastante para que seja permitido você passar uma noite aqui em casa. – concluiu vitorioso.
- Aiii! Jogou baixo agora, hein. – escondeu um sorriso tímido que insistia em nascer no canto de seus lábios.
- Cada um joga com as armas que tem. Não é assim que diz o ditado? – piscou para ela.
- Então, eu ir embora agora não é mesmo uma opção? – mas o sono se fazia mesmo presente nela, pois sua frase nem tinha terminado e ela estava bocejando novamente. E de novo.
- Não mesmo! — Touché!
- Ok! Você venceu. – sem ter mais argumentos, Isabella fechou os dedos ao redor do pescoço de seu jornalista e descansou a cabeça em seu ombro, deixando-o conduzí-la para o quarto que seria seu aposento naquela noite.
Edward cuidadosamente deitou Isabella em sua cama. A moça nem se mexeu, de tão exausta que estava. Ele se voltou para o guarda-roupa.
- Olha, aqui tem algumas roupas limpas minhas para você se trocar. Deve querer dormir com algo mais confortável. – disse ele.
- Hmmm... obrigada. – ela ainda mantinha os olhos fechados.
- Vou tomar um banho. Ok? — Isabella apenas assentiu quase que imperceptivelmente e Edward saiu, deixando-a sozinha em seu quarto.
Já no banho o jornalista imaginou que poderia refletir um pouco melhor a respeito das coisas sérias e relevantes que a morena tinha dito naquela noite, mas não obteve muito sucesso. Não se concentrou nas palavras dela e nem mesmo na porta arrombada do apartamento que teria de consertar no dia seguinte. A tensão sexual acumulada não deixou. Fazia meses que ele não se relacionava com ninguém. Sua última parceira tinha sido Victória – a vendedora ruiva e de seios fartos da floricultura – e isso tinha sido a um bom tempo, após um encontro muito tedioso. Na verdade, a única mulher que o corpo de Edward desejava no momento estava a poucos metros dele, bem deitada em sua cama. Tentando resistir a aquela sensação e acima de tudo para não parecer um adolescente impúbere, abriu ainda mais o chuveiro deixando a água gelada cair em suas costas e mantendo as mãos espalmadas na parede fria, bem longe de seu corpo que chamava por alívio.
***NSAPM***
A roupa limpa separada para ela permanecia intocada. Meu Deus! Há quanto tempo essa moça não tinha uma longa e boa noite de sono? Era o que Edward pensava, enquanto checava o cabelo e encantado, admirava sua feiticeira dormir. O cansaço de Isabella devia estar mesmo muito forte, para ela não ter tido ânimo ao menos para trocar de roupa. Bom, agora o serviço tinha sobrado para ele! Então, para que ela pudesse dormir minimamente confortável, Edward foi estender sua toalha e voltou para trocá-la. Tirou suas botas, cachecol, casaco e o jeans, vestindo-lhe a calça de moletom surrada que inicialmente tinha escolhido para ela. Não deixou de reparar em parte da tatuagem que ficou exposta assim que ele puxou a calça jeans. Ramificações de flores vermelhas desciam perfeitamente delineadas pela coxa da garota. Nossa! A tatuagem deveria ser mesmo grande, afinal tomava as costas e uma pequena parte das coxas. Assim como a cicatriz. Engoliu seco ao lembrar-se da tal marca que ela confessou carregar no corpo.
A troca de vestimenta não demorou tanto, pois mesmo dormindo e sem cooperar com ele, o corpo de Isabella ainda permanecia leve e gracioso. Vantagens de ser pequena. Ela resmungou palavras incoerentes em todo processo, arrancando risadas dele.
- Fico pensando, será que alguém já te disse que você fica bem mais estranha quando está com sono? Chega a ser engraçado! – comentou sorrindo.
Enquanto dobrava e guardava a roupa da moça, ele a observava dormir tão inocentemente, que despertou em Edward uma ternura até então desconhecida. Gostou de vê-la daquele jeito, com uma feição tão serena e despreocupada, que a fazia ficar ainda mais bonita e jovem. Até mesmo inocente. Quase como se ela não vivesse morrendo de medo de seu passado vir à tona e destruir seu castelo de muros altos e resistentes. Quase como se não tivesse alguém perigoso atrás dela, que voltava para atormentá-la de tempos em tempos. Quase em paz. Quase feliz...
No silêncio do quarto e sentado à beira da cama, Edward fez uma promessa para si mesmo. Iria cuidar de Isabella. Faria de tudo para ela voltar a ter uma vida feliz e em paz. Estaria incondicionalmente empenhado nisso. Era o que ela estava lhe pedindo. Não era? A dúvida pairava sobre ele. O jornalista de alguma forma perguntaria isso a moça quando acordasse. Ela já tinha dito que estava entregando o “resultado do jogo” nas mãos dele. Mas ainda assim restava a dúvida. Até onde Edward poderia ir? Qual era o Limite de Isabella? Queria ouvir isso da boca dela para ter certeza, porém nas entrelinhas entendia que sim, uma vez que a moça estava ali tão entregue e exposta, para seus próprios padrões, era o jeito de ela dizer que confiava nele para trilharem um caminho juntos, por mais que sua vida e seu passado fossem obscuros. Essa era a rachadura que ela estava abrindo para a luz poder entrar em sua vida. A comparação o fez lembrar um verso.
- “Tem uma rachadura em tudo. É assim que a luz entra.” – sussurrou para si mesmo, querendo decorar cada palavra daquele verso. A citação fazia tanto sentido para ele.
- Conheço esse verso. É de Leonard Cohen. – a moça murmurou meia voz, apertando os olhos e assustando Edward que não esperava sua resposta. Ela não estava dormindo a meio segundo atrás?
- Afinal, você está acordada ou dormindo? Estou ficando confuso. – brincou.
- Juro que estou tentando dormir, mas você não está fazendo disso uma tarefa fácil. –disse esticando os braços, timidamente convidando-o para deitar também. Sem mais nada a ser dito, ele apagou a luz e se deitou ao lado da morena, apertando-a em seus braços. Ambos adormeceram sorrindo.
***NSAPM***
O sol nem havia nascido quando o pesadelo veio atormentar o sono da moça. Há cinco anos ela era invadida por imagens angustiantes da noite mais triste de sua vida. Entre tantas lembranças tristes e crueis, aquela era a que mais lhe machucava... porque era o começo do fim de tudo.
“Isabella e Jacob tinham finalmente conseguido sair da casa em chamas e se escondiam atrás de uma grande árvore do jardim, tentando recuperar o fôlego. Ambos respiravam com dificuldade por conta da fumaça tóxica do incêndio e tentavam fazer o mínimo de barulho possível. Estavam atrás deles! A criança olhava para a casa com os olhos castanhos marejados e com a respiração ofegante e chorava baixinho agarrado à irmã. Será que ele entendia o que estava acontecendo ali?
Um misto de tristeza, ódio, dor e desespero tentava tomá-la, mas a adolescente resistiu a tudo aquilo. Ela lutaria até o fim. Precisava manter-se lúcida e firme, até seu irmãozinho estar são e salvo. Apenas por ele resistiria à dor lancinante que cortava seu corpo e seu coração. Jacob era toda sua família agora. Era toda sua vida. Uma explosão vinda do interior da casa fez um arrepio de adrenalina percorrer todo o corpo dela, deixando-a em alerta máximo. As vozes daqueles que queriam lhes fazer mal estavam cada vez mais próximas. Ela precisava tirar Jacob dali, e com urgência.
- Irmão, olha pra mim... – disse com dificuldade, devido sua garganta doendo por conta de toda fumaça inalada. Utilizou um tom de voz extremamente baixo... afinal, aqueles que eram seus algozes estavam no jardim à procura deles. Jacob olhou para ela com tristeza. – Nós vamos ficar bem. Eu prometo! Você acredita em mim?
A criança afirmou que sim, deixando mais lágrimas escaparem e Isabella o apertou mais em seus braços flácidos e cansados. As lágrimas rasgando o rosto de Jacob doíam mais que a queimadura nas costas dela. Pensou rapidamente em um plano até encontrar uma saída.
- Então, agora eu preciso que faça uma coisa. Quando eu contar até três, nós vamos correr em direção à estrada. Você tem que correr muito rápido Jake, mesmo que eu fique para trás, ok? – ele assentiu novamente, porém parecia ainda mais assustado. Jacob já tinha sete anos e era uma criança robusta. Seria impossível a irmã carregá-lo no colo. Ela se odiou por ser tão pequena, fraca e estar tão machucada. – Não quero que pare a sua corrida por nada. Entendeu? Você só vai parar quando chegar à delegacia, que fica na beira da rodovia. E se quando chegar lá eu não estiver com você, vai procurar um policial e contar tudo o que aconteceu com a gente. Vai pedir ajuda. Entendeu?
- Entendi... – disse baixinho a criança em meio a um soluço sentido.
- Ok. Está pronto? – questionou e o menino assentiu várias vezes. Ele confiava mesmo na irmã. Isabella se aproximou de Jacob e depositou um beijo em sua testa. Esse sinal de proteção sendo como uma leve lembrança ou uma reverência a um costume antigo da família Swan, agora completamente dilacerada.
- Um, dois, três!!!
Então adolescente e criança correram em direção à estrada, deixando para trás a casa em chamas que um dia chamaram de lar, o corpo gelado e sem existência de uma das pessoas que mais amavam no mundo, todos seus melhores sonhos e a promessa de ser feliz ao lado da família.
- Eu ainda vou encontrar vocês, Isabella! Eu prometo! – gritou a voz feminina atrás deles, seguida por uma sequência de quatro tiros, que não os acertaram.
E os irmãos continuaram correndo, sem ao menos olhar para trás ou para a vida deles que se desmanchava em cinzas junto com a casa.”
Essa era sempre a parte que Isabella tentava acordar. Sempre conseguia. Mas dessa vez o pesadelo fora tão gráfico e tão real, que a moça sentia como se estivesse realmente vivendo aquilo de novo e o medo – ou o ódio que nutria por aqueles que destruíram sua família – a mantinha em uma espécie de torpor, deixando seu corpo pesado e inerte. Com certa dificuldade ela se remexeu pela cama, apertando o lençol entre os dedos e tentando abrir os olhos. Não conseguiu. O grito agonizante foi inevitável.
E acordou Edward.
- Isabella? Isabella, o que houve? Isabella! – ele gritava aquele nome sentindo o tamanho do seu desespero. Percebendo que a moça estava absorta nas profundezes de um pesadelo, Edward tomou-a em seus braços, na urgência de tranquilizá-la. A adrenalina agora percorria o corpo dele também. — Shiii! Shiii! Se acalme, eu estou aqui! – disse acariciando os cabelos negros dela. Ela finalmente abriu os olhos, se sentando de forma desengonçada. Ele levantou para apoiar seu corpo, ficando frente a frente com ela.
- Edward? Ah, Edward! Eu pensei... pensei que não iria conseguir correr. Estava tão preocupada com ele! Tadinho! Ele estava... estava tão assustado! E meu corpo doía demais... – as palavras desconexas jorraram de sua boca, parando apenas quando ela perdeu o fôlego.
- Se acalme! Já acabou! Já acabou! – repetiu para ela como um mantra.
- Mas... dessa vez foi tão real. – ela choramingou baixinho sem encarar o homem preocupado a sua frente. Edward puxou o rosto dela com os dedos. Precisava trazê-la a realidade. Os olhos castanhos o fitaram em meio a angústia.
- Sabe o que é real, Isabella? Isso é real... – disse acariciando a face dela com as costas dos dedos, bem lentamente para que ela sentisse o contato. Isabella fechou os olhos apreciando o toque. – E isso também é real... – Edward encostou os lábios nos dela, deixando-a absorver todo o calor daquele singelo beijo. Novamente fora apenas movimentos simples e descomplicados, mas tão cheios de significados que tanto o jornalista quanto a estranha ficaram intimamente assustados. Ele encerrou o beijo para olhá-la nos olhos. – Seja lá o que aconteceu nesse pesadelo, não passou de um pesadelo. Essa é a sua realidade agora. Entendeu?
Ela sinalizou que sim com a cabeça e em seguida se entregou a um choro sôfrego e barulhento, tão agonizante quanto o seu grito. Isabella fechou os braços ao redor dele, buscando pelo conforto e pela segurança que somente ele tinha a oferecer, como se fosse um bote salva vidas para ela ou mesmo a cura do câncer para toda a humanidade. Ela derramou as lágrimas acumuladas de cinco anos como se nunca tivesse feito antes. Já havia chorado por aquele fato, claro que tinha. Mas sempre fora um choro seco. De ódio. Essas lágrimas eram diferentes... era o choro mais impotente e injusto que poderia existir na face da Terra. O choro da saudade.
Após perceber que Isabella tinha minimamente recuperado o controle de suas emoções afloradas, ele a acomodou em seu colo e se limitou a fazer carinho em suas costas. Os dedos descendo, subindo e tranquilizando a moça de uma maneira positiva. Ele não disse ou perguntou nada. Até mesmo porque, por hora, não havia nada a ser dito. A morena finalmente se acalmou ao ponto de dormir, ainda agarrada a ele. Antes de a inconsciência lhe tomar também, as palavras de Leonard Cohen gritaram em sua mente: “Tem uma rachadura em tudo. É assim que a luz entra.”. Um sentimento latente se formou em seu peito. A transformação de uma vida destruída só se dava através da luz. Somente ela afastaria os demônios do passado que não a atormentavam somente o dia a dia, mas também atormentavam os sonhos da moça. A rachadura estava aberta, disso agora ele tinha plena certeza, e nem precisava mais ouvir qualquer afirmação da boca dela.
Edward seria a luz para Isabella.
Notas finais
Olá meninas!!! Tudo bem?!
OINNNNNNNNNNN CAPÍTULO LINDOOOOO! Reencontro perfeito ;)
Acho que a Isabella deu um passo muito importante nesse momento... deixou Edward entrar e deu uma chance não apenas para ele adorá-la como gostaria, mas para ela também, por permitir-se ser amada, cuidada, consolada! Sem dúvidas ela é uma garota extremamente forte e corajosa, mas que esconde muita dor atrás dessa postura. Edward entendeu isso muito bem, tanto que me deixou ainda mais apaixonada por ele (se é que possível rs!), por todo respeito e reverência com que tratou dela essa noite, do começo ao fim!
Agora não poderia deixar de comentar o sonho ou lembrança da Isabella! A Juh, nossa torturadora ahaha, está soltando aos pouquinhos o que aconteceu com ela. Olha... tive MEDO por ela e o Jake! Tenho para mim que o plano de quem quer que seja era o de exterminar a família Swan, tipo queima de arquivo mesmo! O pai da Isabella era militar, o que indica que pode ter se envolvido com pessoas muito perigosas.... será??? Ou teria sido uma espécie de vingança por motivos pessoais? Só sei que para tentar ferir duas crianças dessa maneira, deve ser uma pessoa extremamente sem escrúpulos e perigosa!
Todas ADORANDO TUDO como eu, certo?! Então hora de comentar e motivar nossa querida autora!!! Aproveito para dizer que acompanho todos eles e fico super feliz por saber que leem meus comentários enorrrrrrmes aqui heheh e que dividimos opiniões e suspiros por NSAPM!!!
Beijossss para todas e até breve!
Dani ;)
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Notas da autora:
Olá meninas!
Estão todas bem? Espero que sim.
Primeiro, peço um milhão de desculpas pela demora na atualização. Foram tantas coisas que me atrapalharam... semana de provas, dias sem internet, depois sem pc e depois sem internet de novo. Mas, graças a Deus consegui terminar o capítulo. O próximo tentarei postar mais rápido.
E agora estou curiosa para saber o que acharam! Me contem tudo nos reviews. Pesadelo revelador esse da Isabella. Então, ajudei um pouco a clarear o passado de nossa estranha? Ou atrapalhei ainda mais? rs.
Quanto ao nosso jornalista, posso dizer que adoro escrever as cenas dele! Tão carinhoso e cuidadoso. Apaixonante! ♥
Obrigada por todos os reviews e recomendações. Vocês são umas lindas!
Fiquem com Deus e até o próximo post.
Bjsss,
Juh Cantalice.
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