Não Se Apaixone Por Mim...
15 Confidencias...
Notas iniciais
Chegou a hora de saber o que aconteceu com Isabella e como se resolveu sua crise alérgica. E tem personagem nova aparecendo por aqui hoje! =DDD
Sem mais delongas... boa leitura!
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RECOMENDAÇÕES: Gostaria de agradecer a Clau_Swan e a AnnaJoyCMS que recomendaram NSAPM recentemente! Adorei cada palavra! Dedico o capítulo a vocês meninas. ♥
Dedico também a minha beta, pois sem a ajuda dela grande parte desse trabalho não estaria feito. Obrigada Dani! ;)
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Em algum dia de Julho do ano de 2007...
Um verdadeiro caos estava formado no pronto-socorro do hospital quando Edward chegou com Isabella. Pessoas doentes misturadas a um mar de enfermeiros e médicos, todos vestidos de verde e utilizando máscaras cirúrgicas, andando de um lado para o outro. Crianças chorando e mães desesperadas tentando acalmá-las. Ambulâncias chegando com pessoas ora feridas, ora passando mal, com seus paramédicos agitados, querendo entregar rapidamente o atual paciente para seguir para outra emergência.
Era apenas mais um dia agitado no hospital.
O jornalista sentou Isabella — que ainda tossia muito, respirava com dificuldade, se coçava e apresentava sinais de fraqueza — em uma das cadeiras da ala de espera e correu para o balcão da triagem. Duas moças conversavam, bem distraídas deve-se ressaltar, sobre a alta de um paciente que já estava assinada pelo médico plantonista, mas nenhum parente havia aparecido para acompanhá-lo na saída e sendo assim não poderiam liberá-lo. Esse fato o tornava um problema para o hospital, já que o paciente estava de alta e ainda ocupava um leito que deveria ser utilizado por outro moribundo qualquer. O bipe de uma das enfermeiras tocou, ela leu a mensagem e saiu correndo em direção aos elevadores, deixando Edward sozinho com a outra moça. Ele foi logo explicando o que estava acontecendo para a atendente ruiva, gordinha e que usava uns óculos com a armação grande demais para seu rosto. Em seu peito levava um broche banhado a ouro que ostentava a palavra “Enfermeira” com letras bem talhadas. Disse ele apontando para Isabella por sobre os ombros:
– Boa tarde! Ela é alérgica a amendoim e acabou comendo uma porção deles acidentalmente. Precisa ser medicada com urgência! – a voz dele saiu com um pouco mais de animosidade que o previsto.
Mas a enfermeira nem ao menos levantou a cabeça para analisar Isabella.
Aquela falta de interesse por parte dela começou a irritar Edward.
– Preencha essa ficha, me entregue e aguarde o atendimento. – disse a enfermeira ruiva, ainda sem levantar a cabeça ou demonstrar o mínimo de interesse enquanto entregava uma prancheta para Edward juntamente com uma caneta. Ele analisou incrédulo o longo questionário da triagem. Ficou um pouco mais irritado. Como assim “preencha a ficha e aguarde atendimento?”. Essa enfermeira louca e desinformada não sabia que uma crise alérgica, quando não tratada rapidamente, pode matar?
Isabella começou a tossir mais alto atrás dele.
– Ela não pode ir sendo atendida, enquanto preencho a ficha? – indagou. Sua voz transbordando indignação e um pouco alta demais para transpor a agitação que de repente se formara no lugar, devido a outra ambulância que havia chegado.
Era tudo muito barulhento.
Pela ordem natural das coisas, não se devia fazer silêncio nos hospitais? Não eram pra isso que ficavam pendurados nas paredes os quadros com a foto de uma mulher com o dedo indicador nos lábios?
– Não senhor. O atendimento nesse hospital é realizado apenas depois que a ficha é preenchida. – disse alto e secamente, dando duas batidinhas com sua caneta na prancheta que Edward ainda segurava nas mãos.
– Mas... – ele até que tentou argumentar, mas a enfermeira o interrompeu.
– Preencha a ficha, senhor! – foi grosseira ao dizer aquilo, deixando o jornalista mortificado com tamanho descaso daquela profissional da saúde. Que atendimento péssimo era aquele? Como o hospital ainda a mantinha ali?
Uma moça que estava sentada ao lado de Isabella e segurava em seu colo um bebê de aproximadamente um ano, levantou-se e foi na direção de Edward. Começou a reclamar.
– Esse hospital é uma vergonha! Estou com meu filho queimando de febre, já preenchi essa porra dessa ficha e nada de atenderem ele. – disse mostrando o bebê ao jornalista. O menino tinha as bochechas rosadas por conta da febre e se remexia agitado no colo da mãe – Se você não fizer um escândalo rapaz, sua garota vai morrer bem ali, naquela cadeira. – finalizou apertando o bebê junto ao peito e inclinando a cabeça na direção de Isabella.
Nesse momento o ar faltou à morena e ela fez um barulho estranho, enquanto tentava respirar pela boca e chamar por Edward, tudo ao mesmo tempo.
– Edward... – chamou o nome dele à meia voz abafada. Tão baixa que quase nem mesmo a própria conseguiu ouvir.
O jornalista virou-se para trás rapidamente e encontrou-a com as mãos espalmadas no peito, respirando ofegosamente. Largou a enfermeira mal educada e a prancheta no balcão, correndo na direção dela, tentando acalmá-la. Isabella fez menção de que queria abrir os primeiros botões da camisa para conseguir respirar melhor e Edward a ajudou. Ao fazer isso, notou que a pele fina do pescoço dela já estava completamente vermelha. Os nós dos dedos, os lábios e o contorno dos olhos começando a inchar.
– Calma! Você vai ficar bem! – disse baixo próximo ao ouvido dela, passando a mão nas costas da morena, ao passo que a moça tossia mais um pouco. A cada vez que ela emitia aquele som, a dor lancinante da culpa cortava um pouquinho mais o corpo de Edward. Ah, se ele não tivesse escolhido comida chinesa...
Outro rapaz se aproximou do balcão da triagem, trazendo com ele uma senhora em uma cadeira de rodas. Em meio à agitação do hospital, ele conseguiu entender que aquela senhora havia sofrido um acidente doméstico e por esse motivo tinha deslocado a perna. A enfermeira ruiva entregou outra prancheta para o rapaz pedindo para ele preencher a ficha. O rapaz começou a discutir sério com ela. O celular da enfermeira tocou e ela foi cara de pau o bastante para atender a ligação e deixar o rapaz boquiaberto e estático à sua frente. Olha aí... mais um chocado com o despreparo daquela que se dizia enfermeira.
E então tudo aconteceu muito rápido.
Isabella desmaiou.
O sangue de Edward ferveu em suas veias, fazendo-o enxergar tudo vermelho.
A força brotou de seu interior e ele pegou Isabella no colo. Determinado, a levou até o balcão. Apoiou metade do peso do corpo dela na peça de madeira e com uma das mãos livres, se debruçou por sobre a tal enfermeira, tomando o celular de sua mão e jogando-o com demasiada força na parede mais distante, finalmente chamando para si toda a atenção dela. Houve alguns aplausos no local.
– Ela desmaiou porra! Vocês vão atendê-la agora! – gritou a plenos pulmões, enquanto segurava o corpo flácido de Isabella.
Só então entendendo a gravidade da situação, a enfermeira chamou os médicos da emergência no sistema de som do hospital, anunciando algo do tipo: “Código vermelho! Emergência!”. Questão de segundos depois, já haviam por ali uma maca toda equipada, um médico e dois enfermeiros que retiraram rapidamente Isabella do colo de Edward, deitando-a na maca e praticamente voaram em direção a um corredor, enquanto o médico realizava os procedimentos de reanimação cardiorrespiratória. Enquanto os enfermeiros empurram a maca, o médico abriu a boca de Isabella, inseriu ali um tubo com uma espécie de balão da ponta, que ele logo começou a apertar. Parecia estar jogando ar direto para os pulmões dela. Eles passaram por portas duplas e quando Edward seguiu atrás deles, outro enfermeiro, vindo sabe se lá Deus de onde, o segurou pelo braço impedindo sua entrada no local.
– Sinto muito. Ali o senhor não pode entrar! – gritou para chamar a atenção dele.
– Eu vou entrar sim! – gritou de volta. Estava desesperado sem saber o que fariam com Isabella ou se a situação dela era grave. Por Deus! Ela estava desmaiada! – Eu quero ajudar!
– O senhor não ajudara em nada estando lá dentro! Eles vão cuidar dela agora! E o senhor terá de esperar aqui nessa sala. – foi enfático ao dizer aquilo – O médico vem daqui a pouco te dizer como ela está! Fique calmo e sentado aqui! – finalizou sentando um Edward desesperado na cadeira da sala de espera. Ele encarou o jornalista com a cara mais ameaçadora que conseguiu fazer e correu em direção as portas duplas, por onde a pouco haviam levado Isabella.
Edward permaneceu sentado, mantendo os cotovelos apoiados nos joelhos e as mãos segurando o queixo. De repente pareceu sofrer de Síndrome das Pernas Inquietas, uma vez que não conseguia parar de mexer as pernas. Sua mente em desespero e preocupação recorrendo a Deus, para que Isabella se recuperasse logo. Fechou os olhos e elevou seu pensamento aos céus.
Que ela fique bem... por favor... por favor... que ela fique bem...
Repetia essa frase como um mantra em sua mente.
Abriu os olhos para encarar o chão frio e sem graça do hospital. Só então olhou ao redor e percebeu que não estava sozinho na sala de espera. Haviam mais três pessoas sentadas naquela ali, também esperando por notícias de seus familiares. Nada mais se ouvia no local além dos barulhos do ambiente: o tic-tac do relógio de parede, as portas duplas abrindo e fechando, as vozes dos médicos e enfermeiros, o som dos calçados novos dos funcionários do hospital rangendo contra o piso enseirado e as respirações dos presentes na sala. Longos minutos se passaram até que as portas duplas – que nem mesmo Edward não entendia o motivo pelo qual ainda não tinha arrancado de seu caminho, para ter o caminho livre até Isabella – se abriram pela milésima vez e todos encaram o médico com ar de expectativa.
– Quem é o acompanhante da morena com crise alérgica? – disse olhando para os rostos lívidos e preocupados a sua frente. Talvez fosse a luz forte demais da sala ou talvez fosse o susto mesmo, mas todos ali pareciam mais pálidos que o normal.
– Sou eu! – respondeu Edward já se levantando e indo em direção ao médico. A cadeira que ele estava sentado rangeu com o movimento rápido.
– Qual o nome dela? – questionou o doutor.
– Isabella. – o jornalista foi contido em sua resposta porque estava ansioso para saber notícias de sua morena e não por má vontade.
– Conseguimos reanimar a Isabella e já a colocamos no tubo respiratório. Ela está bem e tecnicamente fora de perigo. – comentou lendo alguma coisa em um papel que trazia em suas mãos. – Vamos começar com a medicação para combater a crise alérgica. Mas para sermos mais assertivos no tratamento e não desencadearmos uma reação adversa em cadeia, precisamos saber se ela é alérgica a mais alguma coisa. Ou a alguma mediação. Poderia nos dar essa informação? – questionou com a propriedade que só os médicos tinham do assunto.
E então Edward se deu conta de que não tinha essa informação.
Droga! Essa era mais uma das muitas coisas relacionadas à Isabella que Edward não sabia. Pelo menos não ainda...
– Infelizmente, não sei se ela é alérgica a mais alguma coisa... – respondeu deixando os ombros caírem. Estava tão frustrado por não conseguir ajudar. Pode até ouvir atrás dele um zumbido também de frustração vindo dos outros acompanhantes que permaneciam na sala.
– Bom, então eu sugiro que ligue para alguém que saiba de alguma coisa. E que faça isso rápido.– o médico respondeu conciso, anotando algo no papel. – Vou na enfermaria entregar esses papeis dela e volto em dois minutos. Seria bom o senhor já ter a informação. Não queremos realizar um procedimento no escuro, pois na situação de Isabella, não podemos trabalhar com tentativa e erro. Ela está fora de perigo, pois desobstruirmos o canal da traqueia, o que a permite respirar. Mas uma medicação ministrada errada poderia agravar o quadro. Ok?
– Ok, eu entendo perfeitamente.
– E quando puder, preencha essa ficha. São dados que precisamos para formalizar a internação dela, como dados do seguro saúde, tipo sanguíneo, essas coisas... – disse entregando o papel a Edward.
E assim o médico saiu da sala de espera.
O jornalista deixou o corpo cair de qualquer jeito na cadeira, que protestou novamente rangendo alto, e analisou com afinco o papel em suas mãos. Era o mesmo que a enfermeira ruiva havia lhe entregado na recepção. Tantas informações que ele, dada às circunstâncias, era incapaz de responder. Eram perguntas do tipo:
– O paciente já teve alguma doença grave? Se sim, qual? E quando?
– O paciente possui Seguro Saúde? Se sim, qual?
– Qual o tipo sanguíneo do paciente? Já fez alguma transfusão? Se sim, quando?
– Já fez alguma cirurgia? Se sim, qual? E quando?
– Está fazendo algum tipo de tratamento médico? Se sim, qual?
Nos segundos que se seguiram, a mente do jovem jornalista trabalhou rápido demais a fim de buscar uma alternativa que ajudasse Isabella e respondesse todas as questões que os médicos necessitavam saber para iniciar o tratamento correto, mas todas as suas alternativas eram limitadas. Sem ter muito o que fazer, ou a quem recorrer, decidiu ligar para o único que conhecia a moça o bastante.
Seu tutor.
Dobrou o papel do questionário e colocou em cima do banco ao seu lado. Nesse momento notou que a atenção dos outros acompanhantes da sala estava completamente voltada para ele. Não se envergonhou com aquilo. Tateou o bolso da calça atrás do celular e por um milagre o aparelho estava ali. Agradeceu aos céus por, na correria que foi para trazer Isabella ao hospital, não ter se esquecido de pegar o celular. Acessou rapidamente a agenda, encontrou o número de Sam Uley e apertou a tecla send. Ele atendeu no segundo toque.
– Alô? – disse naturalmente a voz rouca de Sam do outro lado da linha.
– Sam? Aqui é o Edward. Errr... Edward Cullen. – respondeu o jornalista, passando impacientemente a mão livre pelos cabelos, bagunçando-os ainda mais. Estava tão ansioso e desolado que seria capaz de arrancá-los fio a fio. Como dizer para Sam que, mesmo sem querer, havia intoxicado Isabella e agora ela estava no leito de um hospital?
– Edward, o que houve? Aconteceu algo com Isabella? Ela está com você? – Sam agora transparecia um pouco mais de preocupação na entonação de sua voz.
– Na verdade, aconteceu algo sim. E ela está comigo. Estamos em um... hospital.
***nsapm***
– Me explica como eu deixo Isabella com você, por um único dia, e ela vem parar no hospital? – Sam questionou rindo assim que entrou na sala de espera e encontrou Edward sentado nas cadeiras de plástico, encarando o questionário médico e se dando conta de que não conhecia quase nada da morena. Não estava bravo com o jornalista e nem poderia estar, afinal, não era culpa dele. Edward não tinha como saber da alergia da moça a amendoim. Havia sido tudo um grande mal entendido e o que importava, no final das contas, era que Isabella estava bem. Sam já havia falado com o médico da moça pelo telefone mesmo e tinha respondido a todas suas perguntas. Só conversaria com Isabella para que, com isso, ela aprendesse a lição e entendesse que existem certas coisas que deveriam sim ser do conhecimento de Edward. Ela não precisava esconder absolutamente tudo do rapaz.
Segurando a mão de Sam estava uma garotinha de aproximadamente oito anos, vestindo um conjunto de casaco rosa, calça bege, tênis All Star preto, cachecol branco de bolinhas lilás, com o cabelo preto e liso amarrado em um rabo de cavalo folgado.
– Bom, como eu disse, ela acabou comendo amendoim. Acidentalmente, é claro. – disse Edward meio que se justificando e meio que se desculpando pelo triste episódio. Ele guardou o questionário no bolso e levantou para cumprimentar Sam. Eles apertaram as mãos e o tutor de Isabella lhe apresentou a garotinha.
– Edward, essa aqui é minha filha Leah. – anunciou orgulhoso. O típico papai coruja.
– Olá Edward! – disse a garotinha com sua linda voz infantil, esticando a mão livre para cumprimentá-lo como faziam os adultos.
– Olá Leah! – a cumprimentou sorrindo, correspondendo ao gesto e apertando a mão dela. Com aquele sorriso ele pôde perceber que na boca da criança faltavam dois dentes.
– Então foi você que envenenou a bailarina? – perguntou Leah, mantendo uma expressão séria no rosto. A garotinha parecia estar bem chateada pela situação de Isabella, e acabou atribuindo toda à culpa a Edward.
De repente e antes mesmo de responder aquela pergunta, Edward se deu conta do apelido que Leah havia utilizado para se referir à morena...
Bailarina.
Então aquela moça intrigantemente estranha que há meses dominava seus pensamentos, além de uma vendedora, também era uma bailarina? Isabella era, de fato, uma caixinha de surpresas.
Com isso concluiu, com uma pontada de inveja e certo egoísmo, que até mesmo a garotinha à sua frente sabia mais a respeito de Isabella do que ele próprio. Invejou internamente cada momento que elas passaram juntas. Cada brincadeira que as duas pudessem ter feito. Cada sorriso que a menina de forma inocente possivelmente tinha roubado dela. Por mais que aquele sentimento fosse infantil demais, não conseguiu se controlar e evitar senti-lo. Essas coisas não se controlam...
– Bailarina? – perguntou olhando da garotinha para Sam e vice e versa.
– Sim! E ela me dá aulas particulares! – resmungou a criança parecendo magoada – Hoje era dia de aula e íamos começar a ensaiar um novo passo.
– Mas ela é tipo... uma bailarina profissional? – a pergunta agora fora direcionada a Sam. O jornalista não entendia porque estava tão frustrado por Isabella não ter contado nada a respeito disso para ele. Afinal, ela não lhe contava quase nada mesmo.
– É coisa delas... – respondeu o tutor dando de ombros, como se quisesse mudar de assunto. – E envenenar é uma palavra muito forte, Leah. Isabella foi intoxicada porque é alérgica e Edward não teve culpa de nada. – corrigiu Sam, enquanto olhava ao redor querendo chamar a atenção de um dos médicos que passavam pela sala.
– Foi sem querer, Leah. Eu juro... – novamente se desculpou o jornalista, estranhamento preocupado com os sentimentos da criança. – Você me perdoa?
– Eu só vou perdoar depois que souber que a bailarina está bem! – retrucou a garotinha cheia de marra, largando da mão do pai para cruzar os braços magros na altura do peito. Eita criança geniosa!
O médico de Isabella entrou na sala de espera nesse mesmo momento, reunindo os acompanhantes ansiosos dela a sua volta. Três pares de olhos especulativos o encaravam com tamanha ansiedade, que até o médico conseguiu sentir o clima meio tenso no ar.
– Isabella está bem. Já iniciamos a medicação e a crise alérgica foi controlada com sucesso. Agora ela está descansando, mas acredito que dentro de poucas horas vocês já possam falar com ela.
Respirações aliviadas foram ouvidas na sala, tanto por parte dos acompanhantes da morena, quanto dos acompanhantes dos outros pacientes. Sabe como é... em salas de espera dos hospitais os familiares dos pacientes acabam meio que criando um vínculo de carinho e boas energias. É como se isso ajudasse a passar a má fase e os fizesse acreditar que tudo vai sempre melhorar, para ambos os lados.
– Preciso que assinem algumas papeladas do seguro saúde dela. Quem irá fazer isso? – questionou o médico olhando para Edward e depois para Sam de maneira excessivamente especulativa, como se ele estivesse concluindo que um era marido e outro amante de Isabella. Jornalista e tutor sentiram isso na pergunta capciosa do doutor.
– Eu assino os papeis. Sou o tutor dela. – afirmou Sam de maneira taxativa, encerrando qualquer pensamento infame que o médico poderia ousar ter a respeito da conduta dela.
– Então me acompanhe por gentileza. – o médico disse, abrindo e segurando a porta para que Sam entrasse com ele na outra sala.
– Edward, você pode olhar a Leah por alguns minutos, enquanto eu assino essa papelada? – pediu abrindo a carteira e tirando de dentro uma nota de dez dólares – E se não for pedir demais, poderia levá-la pra tomar um lanche? Saímos praticamente correndo de casa e ela não conseguiu almoçar. Com certeza ela está morrendo de fome.
Como se aquele pedido tivesse a mínima chance de dar certo...
Sam não havia notado que a filha não tinha ido nem um pouco com a cara dele?
A garotinha encarou o jornalista com expectativa. Por mais que em seu julgamento infantil e imparcial o declarasse culpado pela estada de Isabella no hospital, estava morrendo de fome. Abriu um sorriso com dois buraquinhos onde um dia estiveram dentes, para que Edward entendesse que ela iria se comportar como uma mocinha. Além do mais, ela sabia que Isabella gostava e confiava no rapaz alto e bonito a sua frente. Tinha escutado, escondida, a moça contar isso ao seu pai na noite anterior. E o sorriso caloroso derreteu todos os muros que Edward começava a pensar em construir no relacionamento com a menina.
– Ok, eu cuido dela sim. – disse e o sorriso da criança abriu ainda mais em seu rosto infantil. Edward, impotente diante de tal atitude, abriu também um sorriso, apesar de este ter sido mais contido. Ficou ali, no canto dos seus lábios. O jornalista esticou a mão e a menina segurou.
Subitamente, como uma lâmpada que se acende, lembrou-se que tinha uma pergunta importante para fazer ao pai da criança.
– Sam, só uma pergunta...
– Que foi? – disse o tutor colocando apenas a cabeça para fora da porta. O médico já havia entrado na outra sala.
– Por acaso a Leah também não é alérgica a amendoim ou a qualquer outro alimento, certo? – questionou erguendo a sobrancelha, alarmado de repente. Já pensou se a menina também vai parar no hospital por intoxicação?
– Eu não sou nada não. Pode ficar tranquilo. – a garotinha respondeu antes mesmo de seu pai e puxou com força o braço de Edward, querendo trazê-lo mais para próximo da saída. Poucos passos a separava da lanchonete. O estômago dela roncou alto de fome.
O jornalista, a garotinha e o tutor não contiveram a risada.
***nsapm***
Sentada em cima de uma estátua que ficava no jardim do hospital, Leah terminava de comer o seu lanche enquanto era atentamente observada pelo seu responsável provisório. Edward não sabia muito bem o que uma criança poderia ou não comer, e por isso a deixou escolher. Ela acabou por pedir uma Coca-Cola e um cachorro quente. Enquanto a menina comia, mantinha uma conversa animada com o jornalista.
Leah era uma verdadeira tagarela.
Comentou a respeito das árvores e flores do jardim, fazendo Edward perceber o quanto o paisagismo dali era mesmo muito bonito. Reclamou que sentia falta do sol e afirmou categoricamente odiar o tempo frio como aquele, apesar de gostar dos vários cachecóis e botas que tinha, fazendo Edward se dar conta que não tinha ideia se gostava mais do tempo frio ou do calor – ele nunca tinha parado pra pensar nisso. Disse ainda que entrara em poucos hospitais, mas que aquele não parecia tão ruim, pois as cadeiras de plástico brancas estavam inteiras, haviam plaquinhas de sinalização nas portas e todas as salas eram bem iluminadas. Só o que ela não gostava no hospital era o cheiro forte de álcool. Tal declaração fez o jornalista respirar fundo para confirmar se seu olfato estava funcionando bem, afinal, não se lembrava de ter sentido cheiro nenhum de álcool – o teste foi satisfatório, uma vez que conseguiu captar perfeitamente o aroma do jardim em que se encontravam. Devia estar mesmo muito preocupado com a situação de Isabella, tanto que sua atenção não captou outra coisa que não fosse informações dela. Depois ela contou a Edward que seu pai estava quase ligando para a polícia localizar Isabella e que eles podiam, de alguma forma que ela não podia explicar, fazer isso por um computador. Esse último comentário permaneceu bem vivo na mente do jornalista... ele daria um jeito de entender melhor essa história depois que tudo se acalmasse.
Edward e Leah conversaram tanto que nem viram a hora passar.
– Quando você ligou, estávamos começando a almoçar. Mamãe está viajando por causa do trabalho dela e papai não cozinha muito bem. Com certeza esse cachorro quente está melhor que o macarrão salgado que ele ia me fazer comer. – disse a garotinha satisfeita assim que mordeu o último pedaço do lanche.
– Quer dizer que então eu salvei seu almoço?
– Com toda certeza! – piscou a menina para ele de forma conspiratória. Edward riu.
O celular tocou em seu bolso. A ligação era da delegada Bree. Edward ficou um tempo decidindo se atendia, pois não estava com cabeça pra resolver problemas no momento. Leah ficou encarando-o com uma cara de “Não vai atender não?”. Decidiu, por fim, que independente de qualquer coisa, tinha que continuar honrando o compromisso assumido com a delegada e com o Caso Soho. Precisava separar o profissional do pessoal. De certa forma aquela ligação serviu como uma alavanca para trazê-lo de volta a realidade e ao tempo presente.
– Leah, eu preciso atender essa ligação. Vai levar só um minuto, ok?
– Beleza! – concordou e em seguida bebeu um grande gole do seu refrigerante.
Edward atendeu a ligação.
– Olá Bree. – disse.
– Olá Sr. Holmes. – cumprimentou-o a delegada.
– Aconteceu alguma coisa?
– Nada de grave. Só estou ligando pra avisar que Mike está sentado aqui na minha frente, feito um dois de paus, querendo saber se você vem pra aula de defesa pessoal hoje. Parece que você está atrasado. Ai quem pergunta é eu... aconteceu alguma coisa? Pra onde foi sua pontualidade britânica? – disse tranquilamente a delegada. Edward ouviu Mike resmungar o que pareceu ser um palavrão do outro lado da linha. Talvez ele tenha ficado ofendido com toda aquela sinceridade de Bree.
– Ah! É isso! Então, tive um imprevisto pessoal e não vou fazer a aula hoje. Já ia ligar pra avisar. – Edward mentiu nessa última parte. No meio de toda aquela confusão, não tinha nem sequer lembrado da aula. — Mas por que ele não me ligou diretamente? – questionou única e exclusivamente para desviar o assunto dele e do tal “imprevisto pessoal” que confessou ter tido, antes que a curiosidade de Bree fosse aguçada.
– Porque, apesar da proximidade com o povo daqui, você ainda é visto como uma celebridade mega importante, querido. Acho que o rapaz ficou com vergonha ou com medo. Mas a parte do motivo ainda estou decidindo, sabe...– novamente Mike resmungou um palavrão alto e nítido. É... ele estava irritado com aquela avalanche de sinceridade que naturalmente saia da boca da delegada.
– Bom, então fala para o povo daí que eu não sou uma celebridade megai mportante. Sou apenas um jornalista. – disse rindo. – Põe o Mike na linha, por favor.
– É, precisamos mesmo desmistificar essa sua imagem. – respondeu também rindo. – Só um minuto que vou chamar o medroso.
O jornalista pode notar que Bree tapou o bocal do telefone. Provavelmente estava convencendo Mike a falar com ele, e o rapaz devia estar vermelho igual um pimentão do outro lado da linha. Edward sempre soube que seu sucesso precoce na carreira de jornalista, de certa forma, afetava as pessoas ao ponto delas olharem para ele com tamanha admiração, que o distanciava demais delas. Como dissera a delegada, precisava começar a desmistificar essa imagem. Os colegas precisavam entender que ele não era um deus ou como uma aberração. Era um profissional normal, que apesar de dedicado, também era passível de erros. Afinal, quem não é?
– Eu já sabia que você era uma celebridade mega importante. – comentou casualmente Leah, assim que ele desligou a ligação de Mike.
– Por que está dizendo isso? – perguntou curioso.
– Porque eu ouvi a Isabella falando isso para o papai ontem. Eles ficaram um tempão falando de você e da sua profissão. E de que ela não queria te envolver em coisas do passado, pra não te prejudicar. Depois ela saiu desesperada, correndo lá de casa e dizendo que precisava te encontrar. É estranho, mas eu acho que ela gosta de você, Edward! – respondeu a garotinha e depois tomou o último gole do seu refrigerante. Sugou o líquido tão forte com o canudinho que fez até barulho. Ela ficou envergonhada. – Opa! Desculpa.
– Sem problema. – riu e Leah começou a contar que a mãe sempre a repreendia quando fazia isso, dizendo que era falta de educação...
Mas a atenção de Edward na conversa já estava em outro lugar, perdida entre a curiosidade a respeito do que Leah tinha, sem querer, lhe dito – mais precisamente na parte em que ela confessou achar que a morena gostava dele. E entre a ética social – pois estava na dúvida se arrancar informações de uma menininha de oito anos era algo feio de se fazer. Será que Leah perceberia que ele estava meio que se aproveitando do conhecimento dela dos fatos? Talvez não, afinal (a) ela era uma criança inocente (b) ela já tinha dado a ele muitas informações importantes, mesmo que involuntariamente. Isabella uma bailarina? Podendo ser rastreada por um computador da polícia?
Seu conflito interno foi interrompido por um SMS de Sam que dizia:
“Isabella acordou. Ela procura por você.”
***nsapm***
Ansiedade de criança é realmente algo incontrolável.
Foi impossível convencer Leah esperar alguns minutos, para que Edward pudesse ver Isabella a sós. O médico não havia colocado restrição quanto ao número de visitantes por vez, apenas de tempo, pois a morena precisava de repouso. Ainda assim, ele não se sentia confortável para encarar Isabella na presença da criança ou do tutor. Era egoísta ao ponto de querer estar sozinho com ela no momento do reencontro. Logo o jornalista cedeu deixando a garotinha entrar primeiro e Sam a levou. A visita não demorou muito tempo e em poucos minutos Leah voltou do quarto sorrindo, dizendo que a bailarina estava bem e o jornalista perdoado.
Era chegada a hora da visita de Edward.
Ele entrou no quarto e fechou a porta silenciosamente atrás de si. Uma ansiedade esquisita tomando conta dele, fazendo seu coração martelar alto no peito. A primeira imagem que seus olhos captaram foi justamente o “objeto” de seu desejo, carinho e preocupação. A sonolenta Isabella Uley. A moça estava deitada na grande cama hospitalar, coberta da cintura para baixo por um edredom grosso de cor verde, vestia uma camisola do hospital também verde – era tudo muito verde naquele lugar. Seu braço direito estava estendido na cama recebendo a medicação intravenosa – que ele deduziu ser para combater a crise alérgica. E lá, no rosto pequeno de boneca, estava a máscara de oxigênio. Mantinha os expressivos olhos castanhos fechados e, apesar do médico garantir que ela estava perfeitamente bem e fora de perigo, a morena apresentava em sua face uma expressão cansada. Edward não pode deixar de lamentar por ela e, mais uma vez, se punir por tê-la feito passar por tudo aquilo, mesmo que sem intenção. Caminhou lentamente até a cama no centro do quarto, parando ao lado dela.
Acariciou os lisos cabelos negros de sua estranha tão debilitada.
Isabella piscou algumas vezes, para se acostumar com a claridade do quarto. Quando conseguiu manter os olhos abertos, ficou encarando Edward pelo que pareceram longos minutos, antes de falar qualquer coisa que fosse. Ainda assim, o silêncio foi quebrado por ela.
– Eu preciso te contar uma coisa muito importante... – sussurrou para ele.
– Pode falar... – respondeu com simplicidade, ainda acariciando os cabelos negros e macios. Isabella fez sinal para que ele se aproximasse mais dela, como se fosse lhe confidenciar um segredo.
– Eu sou alérgica a amendoim. – confessou, piscando para ele, cheia de um humor sincero. Edward a fitou com os olhos arregalados. Não esperava uma piada em um momento como esse, mas entendeu que esse era o jeito de ela dizer que estava tudo bem.
A moça não disse mais nada. Muito pelo contrário, tudo que fez foi entregar a ele a versão mais meiga e doce de seu sorriso, capaz de aquecer até mesmo o quarto frio onde estavam. Aquela era a versão mais linda que o jornalista havia visto no tempo inteiro que eles se conheciam. Sem dúvida alguma já tinha se tornado a preferida dele.
Seu sorriso de resposta foi glorioso.
Notas finais
Oiiii oiii meninas!!! Tudo bem?!
Aposto que assim como eu, ficaram com o coração na mão com esse início de capítulo, certo ahaha?! Que agonia pelos dois! Olha... vontade doida de dar uns chacoalhões na equipe toda desse hospital, mas graças ao jornalista, meu heroi (suspira... ai ai) a bailarina segue se recuperando a cada minuto... ufa!!! Se assim não fosse, tenho a séria impressão de que o Edward estaria numa enrascada e teria que prestar contas para nossa pequena reveladora heheh! Definitivamente, Leah caiu nas minhas graças desde o primeiro sorriso de janelinhas, lindaaaa! Dá para sentir o quanto a garotinha gosta e admira a Isabella... e algo me diz que ela será uma preciosa fonte de informações e também ponte para nosso casal! Será???
Bem e agora que o perigo já passou, só esperando pelos cuidados que serão dispensados a morena, afinal, uma boa dose de carinho e muuuuitosss beijos podem ser o melhor remédio... ADORO !!!
Lembrando: comentários e recomendações são muito bem vindos e incentivam nossa autora, que muito merece!!! Ahhhh e saibam que também leio cada um dos comentários de vocês e agradeço por todo o carinho, por dividirem comigo cada passagem dessa super história que a Juh tem dividido com nós todas!
Beijosssss... até mais!!!
Dani ;)
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Notas da autora:
Olá meninas!
Demorei, mas cheguei... tenho tido pouco tempo pra tudo... mas em nenhum momento desisti de escrever. Prometo voltar antes com o próximo capítulo! Então, não me abandonem! Pleaseeeeeee! Rs
Quanto ao capítulo, gostaria sinceramente de saber se gostaram ou não. O que acharam de Leah? Eu adoroooo essa mocinha. Preparem-se, pois ela será uma personagem importante na história do jornalista e sua estranha. Muito importante mesmo! Então, fiquem de olho atento nela. ;)
Aguardo a opinião de vocês nos reviews... que alias, eu percebi que deram uma diminuída. É o romance? Não estão gostando? Me contem tudo. Preciso saber o que vocês estão sentindo da fic.
E novamente agradeço o carinho de sempre! Vocês são umas lindas! ♥ ♥ ♥
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Fiquem com Deus e até o próximo post.
Bjsss,
Juh Cantalice.
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