Notas iniciais
Novo Capítulo! Espero que gostem! :)

A sombra de Patrícia apontava no final do corredor, ela seguia feliz, de fato, a experiência dela com as crianças fora fantástica, inexplicável, seus olhos brilhavam, era incrível como as crianças eram felizes diante de uma doença tão grave, a força de vontade delas só poderia vir de um lugar: de Deus! Enquanto algumas pessoas pedem a Deus pra morrer por terminar com o namorado, aquelas crianças somente pediam mais um dia de vida. Aquele hospital já deve ter sido palco de histórias emocionantes, de fé e resignação. Aquelas paredes já devem ter presenciado, preces desesperadas, lágrimas vindas do fundo da alma, palavras sinceras de otimismo. Ela estava arrepiada. Lá dentro tivera que se controlar, estava a beira das lágrimas quando uma garotinha de mais ou menos seis anos tocou seu braço e disse:
''- O que você tem tia?''
E ela tinha respirado fundo e respondido:
''- Nada minha linda! Foi só um cisco que entrou no meu olho!''
E ela respondeu, como se lesse seus pensamentos, com a maior inocência do mundo :
'' — A tia tá triste porque eu tô doente né? Não se preocupa não! Papai do céu vai tirar meu dodói!''
Aquilo fez brotar uma lágrima e um sorriso de seu rosto, mas também ficara de coração partido. E quase que instantaneamente lembrou dos ensinamentos de seu pai. Ele a ensinou que ela devia acreditar sempre no lado bom do ser humano, porque se procurasse só seu lado obscuro certamente adoeceria. Ela acreditava cegamente que a pessoa que tinha aberto sua vida para a maldade não o tinha feito por carregar em seu DNA, o gene da maldade, mas sim, por não conseguir enxergar outro caminho diante das duras circunstâncias da vida, a pessoa precisava de ajuda para se tornar alguém melhor, todo mundo tinha essa capacidade,papo de psicóloga.
Ela caminhava em direção a recepção esperando ansiosamente encontrar Alex, ele a fazia tão feliz, ainda não tinha nada decidido, mas estava pensando seriamente em aceitar a proposta de casamento, ele a amava muito também, do contrário não seria capaz de enfrentar seu maior medo só para ficar mais perto dela. Somente estava receosa a respeito da reação do pai, seu pai tivera razão sobre várias coisas, sua intuição nunca falhara, mas agora, ela deveria mesmo ter falhado, Alex parecia ser tão honesto, seu amor parecia tão sincero, ela não poderia estar tão enganada, algo em seu coração dizia, que Alex era o homem certo para ela e a faria muito feliz. As horas no estágio haviam deixado tão extasiada que até se esquecera de comer e é claro que seu estômago já estava reclamando. Ela ia em direção à cantina do hospital, quando avistou por entre as mesas uma figura de cabelo loiro que não via há muito tempo. Que saudade ela sentia dela! Elas tinham se separado mas quis o destino que os caminhos delas se cruzassem outra vez. De repente, a figura loira, de olhos verdes, que usava óculos a encarou com expressão de surpresa:
''- Patrícia!''
''- Mariana!''-disse.

Mariana.Quantas lembranças as cercavam. Ela era sua melhor amiga desde sua infância. Eram vizinhas, ela morava em uma fazenda que era ao lado da de seu pai. Ela teve uma história muito parecida com a sua, talvez pudesse ser sido isso que as unira tanto. Seu pai morrera em um trágico acidente de carro, ele se dirigia para uma viagem de trabalho,era advogado e estava indo para um julgamento que achava ser o mais importante de sua carreira, ele mal sabia que mais primordial que sua carreira, era sua vida, que estava por um fio. Uma tempestade se anunciava, o céu era de um azul escuro que se mesclava aos poucos com roxo e em questão de segundos se tornou um breu e o dia virava noite, ele estava com medo, mas não podia decepcionar seus colegas nem tampouco seu superior, sua promoção dependia do sucesso daquele julgamento, ele precisava daquela promoção para dar uma vida confortável para Mariana e Bárbara, suas filhas queridas e para sua esposa. Principalmente Bárbara que necessitava de cuidados especiais, ela nascera com sérios problemas respiratórios, se ele viajava com tanta frequência e trabalhava exaustivamente naqueles casos difíceis era principalmente por elas, o que mais queria era poder ficar, sair de férias com a mulher e as filhas para um lugar bem distante de tudo aquilo, mas infelizmente não podia. Patrícia pensou, com profundo pesar, que não poderia existir algo mais breve que a vida. Mariana lhe contara, mesmo depois de tantos anos, que a sensação que tinha sentido quando, naquela madrugada fatídica de Maio, quando sua mãe disse para aquela garotinha pequena que elas teriam que ser fortes, pois o papai não ia mais voltar, estava mais nítida e implacável do que nunca. O pai dela sempre fora prudente, Mariana nunca tinha entendido como aquilo tinha acontecido, talvez ele estivesse distraído pensando nela e na irmã, ele era um pai muito dedicado e carinhoso com elas e seus pensamentos estavam voando até a casa deles, quando começara a chover muito forte, a pista ficara molhada e o carro havia derrapado, a neblina estava densa e o impedia de enxergar, acabara saindo da pista e o carro havia capotado. Elas eram inseparáveis no colégio, em parte porque compartilhavam da mesma dor e também porque tinham uma afinidade inexplicável Estava tão concentrada em seus pensamentos que nem percebeu que ela se aproximou, com os olhos marejados, via a amiga de braços abertos e se aconchegou naquele abraço familiar.

"- Patrícia! Não é possível! Estou tendo uma visão! É uma miragem!" — disse Mariana.
"-Ah Mariana! Você está enxergando muito bem! Sou eu mesma! " — respondeu Patrícia.
"- Menina que saudade! Por onde você andava?
"- Depois que terminamos o ensino médio, eu continuei morando aqui, na mesma casa! Você que sumiu dessa cidade, não sabe o quanto senti sua falta."
"- Não sumi não! Nós é que perdemos o contato e eu não tive como te avisar que minha mãe perdeu o emprego!"
"-Mariana! Meu Deus! Deve ter sido muito difícil pra você! Como eu gostaria de ter estado ao seu lado nesse momento!"
"- Não se preocupe Patrícia! Eu já estou bem! Fomos para uma cidade do interior e ela não demorou para conseguir emprego! "
"- Que bom Mari! De verdade! Me dá um alívio tão grande saber que você e sua família estão bem!"
"- Mas e você o que anda fazendo? Faculdade de Direito?"
"-Não Mariana! Estou fazendo psicologia! Estou no último ano!
"-Minha intuição estava certa! Sempre achei que você tinha um dom para isso!"
"- A psicologia é minha vida!"
" — O que faz aqui?'
"- Minha priminha levou um tombo! Ela está internada aqui! "
"- Coitadinha da Vitória, Mari!
"- Patrícia, Vitória é muito ativa! É uma criança Ela tem sete vidas! Já vai ter alta!"
"- E você? O que está fazendo aqui?"
"-Estou no primeiro dia de estágio de psicologia hospitalar no setor de oncologia!".
"-Deve ser emocionante!"
"-É!"
"- E como vai a vida amorosa!"
"- Totalmente parada! Decidi ficar sozinha no meu canto por um tempo! Mas e você como anda seu coração?"
"-Muito bem! Estou namorando! O nome dele é Alex! Ele é médico! Sou muito feliz, ele é um presente pra mim! "
" -Nossa! O amor te pegou de jeito mesmo né?"
"- Pois é!"
"- Quero que você veja uma foto dele!"
"- Mostra aí!"
Patrícia tirou da bolsa uma fotografia recém revelada. Ela não acreditava no que estava vendo! Era um fantasma de um passado muito recente que estava retornando para assombra-las, ela e sua irmã.

Notas finais
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