Não Posso Te Amar
7 Capítulo 7
Notas iniciais
A orientadora,a medida que se aproximava, havia os encarado de frente e de súbito reconheceu a figura estranha e tão peculiar ao lado de sua aluna. Todos tinham perdido o juízo de vez, pensava ela.''
''- Posso saber o que a senhorita ainda faz aqui Dona Patrícia de Las Nieves? Não se deu conta de que está perdendo instruções extremamente importantes?''
''- Me perdoe professora! É que me distraí com....''
''- Pois não devia se distrair com nada! E a propósito, quem é esse rapaz vestido de modo tão pouco apropriado para um ambiente hospitalar ao seu lado?
'' -É... Esse é meu namorado Alex, professora Teresa! Ele veio só me desejar boa sorte!''
''- A senhorita com todo o conhecimento que tem deveria saber que esse momento não é o adequado e nem tampouco o ambiente apropriado para namoricos, eu pensava que você iria se tornar uma profissional responsável!
''- É... Professora, me deixa explicar...
''- Com licença, Dona Teresa permita-me explicar o que está acontecendo aqui! A senhora está sendo injusta com Patrícia. Ela estava se encaminhando para a sala que seus colegas estavam quando me viu vestido assim e se assustou. Sinto informá-la que eu sou o exclusivo culpado do atraso dela! Me perdoe!
''- E porque o senhor está nesses trajes, poderia me dizer?
''-Claro que sim! Embora minha aparência atual não diga,estudo medicina, estou terminando minha residência! Minha namorada comentou comigo que ela iria começar a fazer estágios em hospital infantil e o ânimo dela me surpreendeu muito. Então me entusiasmei e achei interessante ajudá-la em sua nova empreitada''.
''- Estou curiosa em saber como senhor Alex!''
''-Como sou residente e já tenho planos de me especializar em pediatria, eu achei que poderia ser uma experiência enriquecedora e gratificante poder conhecer a história dessas crianças e fazê-las esquecer por um momento de seu estado e sua doença por meio do riso. Além do que, isso pode me valer muito como bagagem, ah é é claro, poderei passar mais tempo com minha namorada, a senhora acha que haveria uma possibilidade! ''
''- Olha senhor Alex, devo confessar que para mim é uma surpresa e uma surpresa positiva alguém jovem como o senhor estar disposto a realizar um trabalho tão nobre como esse! Confio na senhorita Patrícia, sei que ela não se distrairá com o senhor, ela sempre foi muito focada nos estudos, já o senhor não tenho como dizer o mesmo, então terei que confiar em minha intuição.
''- Pode contar com a minha promessa senhora Teresa!''
''Espero que não decepcione senhor Alex! Eu gostaria que ficasse aqui porque após terminarmos o trabalho iremos falar com a direção sobre sua ideia! ''
''-Pode estar certa que estarei aqui!''
''- Vamos Patrícia!''
Alex permaneceu em pé naquela recepção até tudo se terminar e depois que falaram com a direção do hospital, ele tinha a certeza de que tudo ia dar certo, o plano dele estava tomando o rumo que ele queria, tudo estava tomando consistência e logo poderia colocá-lo em prática, o que ele tinha arquitetado.Patrícia era realmente muito ingênua, muito crente nas pessoas, muito boa e solícita, que jamais poderia enxergar algo mal no ser humano. Havia momentos em que ele sentia lampejos de pena por ela, mas logo se dava conta que ela era uma pessoa que não sabia de nada na vida, tinha planos que eram muito surreais, não tinha nada de concreto, não sabia que ela não poderia mudar o mundo, o mundo era cruel, muito menos ela que não tinha experiência nenhuma com o que acontecia lá fora todos os dias, não fazia ideia de que era impossível fazer um mundo melhor, as pessoas eram como eram e ponto, caso contrário seu pai não teria morrido de maneira tão trágica e tão pouco digna, sendo sepultado como indigente, pela situação financeira, se é que poderia ser chamada assim aquela condição miserável da qual ele e a mãe partilhavam. Psicologia, ciência tola e elitista, será que Patrícia realmente imaginava que uma pessoa que tinha a mesma condição que ele quando menino poderia ser ''curada'', depois de ter passado por situações desumanas que deixaram cicatrizes profundas e dolorosas em seu corpo e sua alma? Aquelas técnicas só funcionavam em pessoas da mesma classe que a dela, ricos e bem acomodados que jamais souberam o que é sofrimento, que o único esforço que eles poderiam fazer, era o de abrir os olhos e tocar uma campainha para que o café da manhã chegasse em suas mãos. Ele já havia feito um esforço tremendo de entrar naquele hospital, aquele lugar cheirava a álcool, éter e principalmente a morte. E imediatamente como num filme, nítido como se aquele momento terrível estivesse acontecendo naquele momento, ele recordou daquela noite fatídica, que por mais que implorasse a Deus, ele nunca ia conseguir esquecer. Aliás ele já não acreditava mais em Deus, ele não gostava dele, se gostasse não permitiria que um menino de 7 anos passasse por tantas experiências horríveis e marcantes. Encontrou seu pai numa viela escura, caído como um cão sarnento na rua, deitado sobre uma enorme poça de sangue, ao se aproximar, sentiu um forte odor de álcool, o desgraçado sovina que era dono do bar e seus comparsas já tinham fugido. Não sabia o que fazer, era apenas um menino, não tinha forças suficientes para arrastar seu pai gravemente ferido até o hospital mais próximo, sem contar que seu pobre pai já estava condenado a aquele fim trágico, não tinham dinheiro nem pra se alimentar, quanto mais para pagar a quantia exorbitante que o hospital exigia. E naquela noite, seu pai morreu, em um canto qualquer de um pronto-socorro da periferia, por negligência de médicos que se achavam bem mais do que eram. Malditos sejam! Desde então passou a odiar hospitais, os médicos e a medicina. Outra coisa feita somente para a elite. E poderiam perguntar porque raios ele estava estudando medicina, surpresa, ele não tinha estudado em lugar nenhum, tampouco tinha a intenção de se tornar médico, era somente um artificio do qual tinha feito uso para tentar conquistar moças igual Patrícia, para que pudesse realizar sua vingança.
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