Não Me Deixe Sozinho

18 As Reviravoltas da Vida - Capítulo Final


Notas iniciais
Boa noite, meus queridos! É com muito pesar que venho me despedir de vocês! Este é o último capítulo da minha fic! Espero que vocês volta-e-meia deem uma olhada em meu perfil para ver se eu criei alguma fic nova! Beijos, espero que gostem do final! Amo vocês! Com amor, do Taito!

Giovana

Mamãe e eu estávamos sentadas na sala de espera da clínica de ultrassonografia. A espera me fez ficar um pouco nervosa. Até que enfim fomos chamadas para o atendimento.

A médica estava sentada em sua mesa quando entramos, lendo um papel – suponho que seja a minha ficha.

— Boa tarde, Giovana. Tudo bem? — pergunta a doutora.

— Sim.

— Certo, nós vamos começar o exame daqui a pouco então. Antes eu vou fazer umas perguntas, tá?

— Ok.

— Você tem sentido alguma dor no ventre?

— Hum... não. Mas sim nos outros lugares do meu corpo, tipo cabeça, pernas, braços... — enquanto eu falava, ela anotava.

— Ah, isso é normal. Tem sentido enjoo?

— Às vezes.

— Certo... bem, vamos começar. Deite naquela cama, por favor.

Eu me levantei da cadeira, cruzei a sala e fiz o que a doutora mandou. Ela aplicou um gel frio acima da minha virilha e começou a passar o leitor do aparelho em mim.

Ela olhava para o monitor com uma expressão estranha. Dúvida?

— Tem alguma coisa errada? — eu pergunto.

— Não... é que... bem... não tem nenhum feto... — ela responde, confusa.

Leo

[...]

— Eu sou C. F.... — diz a voz atrás de mim.

— Hum... e C.F. seria uma sigla para...?

— Clarice Fontes — responde. E eu reconheço a voz.

— Ei, você é a menina que deu um fora no Fábio ontem...

— A menina que deu um fora no Fábio ontem — ela repetiu. — Estudo com você há dois anos e você não me conhece...

— Desculpa... é que você nunca falou comigo. Eu nunca pude te ver e chegar com você dando oi...

— Hum... — eu ouvi seus passos voltando para minha frente. — verdade. Nunca falei com você por que fiquei muito... envergonhada... gostei de você quando te vi. E venho nutrindo essa paixão desde a oitava série... bem, de qualquer jeito, agora nos conhecemos. Então está tudo bem.

— Não tá nada bem. Olha... você invadiu meu quarto... me fez desconfiar do Fábio... me deixou inseguro. E ameaçou meu namoro.

— Hum... pois é... não suporto não ser sua. É... então eu acho que não quero te ver com mais ninguém.

— Eu não vou me separar do Gabriel...

— Não vai? Leo — ela se aproximou do meu ouvido e sussurrou —, se não se separar do Gabriel, eu acho que vou ter que contar para a escola toda sobre vocês dois...

— Faça isso. Eu ia fazer isso. Agora licença, que eu tenho que ir para casa — eu avanço, minha bengala à frente, para afastá-la. — E me desculpe por não ter reparado em você, mas se você ainda não percebeu, eu sou cego.

Gabriel

Fiquei muito surpreso quando a Gi me ligou.

— Oi, Gi... aconteceu alguma coisa?

— EU NÃO TÔ GRÁVIDA!!! — ela grita e ri do outro lado da linha — FOI UM ENGANO!

— Ah! Que bom, Gi!

— Ai, eu tenho que contar pro Leo! — ela estava muito animada.

— Ei, Gi...

— Oi, Biel.

— Cê sabe onde o Fábio mora?

Fábio

Papai foi trabalhar. Eu estava no meu quarto, deitado na cama, tentando não ligar para a dor.

Mamãe bate à porta.

— Filho, tem um amigo seu aqui. Ele tá entrando.

Olho para a porta e vejo ninguém menos que o Gabriel. Fico com raiva.

— Que cê quer aqui? Veio terminar o serviço? — digo, agressivo.

— Hum... Fábio... eu... vim pedir desculpas... — responde ele, encostado na parede, ao lado da porta fechada.

— Ah, claro! Me deixa todo roxo... e tá desculpado! — resmungo.

— Cara, é sério, desculpa! Eu não devia ter me deixado levar pelo que você disse... é... eu sei que você gosta do Leo e tal... e eu também gosto e por isso quando você falou aquelas mentiras descaradas sobre ele... eu perdi o controle... eu não queria ter feito isso. Eu não consigo parar de pensar nisso. Cara, por favor... me perdoa!

— Gabriel... é, eu tava amarradão no Leo. Mas sabe... acho que tá passando. Até desejo felicidades pra vocês dois... e eu tenho que tocar minha vida. Não posso esperar que o Leo de repente comece a gostar de mim... eu sempre fui mau com ele. Eu te desculpo, sim. Mas nunca mais encoste um dedo em mim, por que quando eu estiver sóbrio eu te quebro na porrada.

Eu me levanto e ando na direção dele. Estendo minha mão. Ele a aperta.

Giovana

Depois que eu saí da clínica com a mamãe, fomos para casa e liguei para o Leo, mas ele não atendeu. Acho que o celular dele tá mochila. Então liguei para o Gabriel e deu a notícia: EU NÃO ESTOU GRÁVIDA!!!

Mas o Gabriel me surpreendeu. Por que ele quer saber o endereço do Fábio? Quando eu perguntei o motivo, ele se esquivou, mas eu dei o endereço mesmo assim. Será que o Fábio andou aprontando?

Tento novamente ligar para o Leo, que dessa vez atende.

— Alô, Gi.

— Oi, Leo!

— Como foi lá no médico? — pergunta ele.

— Ah, foi ótimo... por que... EU NÃO TÔ GRÁVIDA! — eu solto uma risada.

— Ham? Como assim, Gi?

— A doutora disse que foi um engano, minha menstruação atrasou, eu fiquei desesperada, contraí uma rara, mas não impossível gravidez psicológica, que me fez ter os sintomas e tal... parece coisa de novela, né?

— É, parece mesmo... então, isso é muito bom, né?

— Demais! Não que eu não amasse o meu suposto filho, mas é que não está nos meus planos ser mãe tão cedo.

— Entendo — ficamos em silêncio por alguns segundos. — Gi, eu conheci C.F.

— Foi? Quem é?

— Clarice. Estuda com a gente.

— A Clarice??? Nossa, nunca imaginei.

— Eu nem a conhecia. Ela nunca falou comigo.

— Verdade. Tenso.

— Ela ameaçou contar para todo o mundo da escola sobre mim e o Biel se eu não terminasse com ele.

— E o que você disse?

— Disse que a ela que contasse. Eu não me importo. Só quero estar ao lado do Gabriel.

— Já tá pronto pra tornar isso público, Leo?

— Mês que vem eu vou fazer 18 anos. Acho que já posso tomar algumas decisões por mim mesmo...

Leo

Depois de terminar a conversa com Gi, fui do meu quarto para a sala. Mamãe estava assistindo TV. Sentei-me ao lado dela.

— Oi, mãe.

— Oi, Leo. Tudo bem filho? Precisa de alguma coisa?

— Tô bem, sim, mãe. Quero nada, não — fico em silêncio por um tempo. — Ei, mãe...

— Oi, meu filho.

— Podemos conversar?

— Claro, Leo.

Ela desliga a TV.

— Mãe... eu te decepciono?

— Não, Leo, claro que não! Por que acha isso, meu amor?

Eu comecei a lagrimar. Por estar feliz. Minha mãe voltou a me tratar bem.

— É que a senhora brigou comigo por causa da minha escolha; por causa do Gabriel.

Ela não diz nada.

— Sabe, mãe... doeu em mim, tudo o que a senhora disse. Não tô te culpando... acho que você entrou em choque por eu ter tomado uma decisão que não está de acordo com a opinião de muitos e que...

— Leo, não é nada disso — responde ela, em tom sincero. — Eu só me preocupei com você, julguei que você não pudesse ter certeza... Leo, tive medo do que as pessoas poderiam dizer sobre você, do que as pessoas pudessem fazer com você. Tive medo que você não fosse feliz. Mas eu percebi... que talvez você não seja feliz do jeito que é mais comum para a sociedade... me desculpe por isso filho. Me desculpe por duvidar de suas capacidades, por duvidar da sua autonomia. Leo, eu te amo! Eu fui uma pessoa horrível.

Fico muito feliz com tudo que ela me diz. Fico feliz por me entender com minha mãe.

— Mãe, eu também te amo.

Nós nos abraçamos e ficamos assim por um tempão.

Ouço a porta da sala abrir.

— Oi, Leo. Oi, Laura — é o papai. — Que bom que vocês se resolveram!

Ele se junta ao nosso abraço. E esse é o melhor abraço – melhor do que o que eu e Gabriel demos na minha avó – de todos!

Gabriel

Na escola, estamos eu, Gi e Leo sentados juntos num agrupamento de mesas aproveitando a falta do professor.

A sala está uma bagunça. Todos estão fazendo barulho. Uma garota – Clarice, eu acho – fica de costas para o quadro e grita:

— Ei, todo mundo! — e todos olham. A bagunça vai parando aos poucos.

— Ah, que droga! — Leo sussurra aborrecido ao meu lado.

— Quê? — eu sussurro de volta, confuso.

— Ela é C. F. Clarice Fontes — explica ele.

— Eu achei que fosse um cara.

— Eu também. Ela disse que se eu não terminasse com você, ela iria contar a todos que nós dois estamos namorando.

— E o que você disse?

— Disse que ela podia contar. Não tô nem aí. Quero mais é contar a todos a verdade. Você não quer?

— Quero.

— Então chegou a hora.

Agora todos na sala estão em silêncio.

— O Leonardo tem um segredo, e eu vou contar pra vocês — começa ela. — Ele e o Gabriel estão namorando.

Ninguém fala nada a princípio. Depois vão começando cochichos pela sala.

— E o que você tem a ver com isso? A vida é deles, e não sua! — era a voz da Larissa. Muitos dão coro a sua voz.

— É verdade, Leo? — é a voz de Karina, que está perto de mim.

— É — eu me levanto segurando a mão de Gabriel. Ele se levanta também. Nos abraçamos. Nos beijamos, na frente de todos. E foi como o mundo todo tivesse sumido. Como se só fôssemos nós dois no mundo todo, livres do peso que era manter o segredo.

Todos na sala nos aplaudiram.

Fábio

E lá estavam eles, Leo e Gabriel, se beijando na frente de todos. Meu coração doeu. Me senti pequeno. Eu fiquei sentado na minha cadeira, de cabeça baixa.

— Ei — olho para cima. É o Gui. — Isso tá mexendo com você, né?

— Aham.

— Vamo embora daqui — ele se vira e eu o sigo para fora da sala. Estamos andando no corredor quando ele se vira abruptamente e me segura com firmeza.

— Gui... que é isso... — eu falo, mas ele me interrompe com um beijo.

— Fábio, odeio te ver triste. E desde de que te beijei, fiquei a fim de você. Cara... quer ficar comigo?

Eu nunca pude esperar isso do Guilherme, que sempre pegava várias meninas da escola... e eu percebi que o Leo é muito interessante, mas eu não dei a ele a chance de estar do meu lado. O tratei com hostilidade. E quem estava do meu lado, para tudo, era o Gui. O Gui. E eu percebi que ele dava muitos sinais sobre estar a fim de mim.

— Gui, eu... é, por que não? — digo, beijando-o novamente.

— E nós seremos um casal tão feliz quanto Leo e Gabriel! E faremos coisas mais interessantes. E seremos felizes. Não é?

— É — eu o beijo de novo.

Giovana

No intervalo, Leo e Gabriel estavam rodeados de pessoas que queriam saber mais sobre o namoro deles. Eu não me importei de ficar sozinha.

— Gi? — diz uma voz atrás de mim. Me viro. É o William.

— Que foi? — pergunto rispidamente.

— Hum... como você está?

— Não te interessa, né? — respondo. — Ah, na verdade, eu tô bem pra caramba. Descobri que não tô grávida!

— Hum... ah... então me desculpa? Olha... eu não sei o que deu em mim, eu não queria ter dito aquilo, eu... eu sou um idiota.

— Ah, é mesmo? — eu sorrio, maldosa. — Que pena... pra você só digo uma coisa: vá se foder! — me viro e saio da sala, felicíssima.

Epílogo

Meu nome é George.

Eu sou um filho muito amado. Por que sei disso? Por que meus pais quiseram que eu fosse filho deles.

Nós somos uma família feliz. Nós vivemos em Houston, numa casa branca.

Às vezes vamos ao Brasil, visitar o vovô Carlos, o vovô Kim e a vovó Laura e tia Gi.

Meus pais se chamam Leo e Gabriel. E nós somos muito felizes.

FIM

Notas finais
Se gostaram, favoritem, comentem, divulguem. Se não, digam o que pode ser melhorado! Até a próxima!
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!